Morwen
No meio da noite, um grito que veio do quarto de um certo alguem que me arranca do sono.
Pulo da cama – ou pelo menos tento – mas meu corpo pesado de ressaca faz com que eu caia de volta na cama com um baque. Maldito uísque. Apoiando-me na parede, arrasto-me até o quarto de Liam, onde o encontro sentado na cama, respirando como se tivesse corrido uma maratona.
Seus olhos estão vermelhos, as mãos trêmulas. Crise de ansiedade.
— Liam, está tudo bem? – pergunto, minha voz ainda grossa de sono e álcool.
— Estou ótimo, melhor impossível – ele responde rápido demais. – Pode voltar a dormir.
Mentiroso.
Sento-me ao lado dele, os ombros encostando nos seus.
— Liam, eu posso ser muitas coisas, mas burra não é uma delas.
— Nunca disse que era.
— Então por que está mentindo pra mim?
Ele não responde, os dedos se apertando no colchão.
— Liam, a partir do momento que você passa a infância inteira acordando toda noite com a memória dos seus pais sendo decapitados na sua frente e tem uma crise dessas quase noite desde os dez anos… você se torna muito bom em reconhecer o sentimento nos outros.
Ele fica imóvel, os olhos arregalados.
— Sinto muito pelos seus pais… – ele murmura, mas a voz falha.
Pelo jeito a conversa não vai resolver nada então descido fazer o impensável
Inclino-me e o puxo num abraço.
— Tá tudo bem. Eu sei que fui eu que te sequestrei, mas você não precisa tentar ser forte o tempo todo.
Algo quente e molhado escorre pelo meu ombro. Liam se agarra a mim como um náufrago a um pedaço de madeira, os soluços abafados contra meu pescoço.
Merda. O que eu faço agora?
Nunca consolei ninguém, também nunca fui consolada.
Fico parada, deixando ele desabar, até que, minutos depois, ele se afasta, o rosto já neutro de novo – máscara reposta.
Levanto-me para ir embora, mas sua voz me segura:
— Muito obrigado, my luna.
— Disponha, solzinho.
Passo os dedos pelos cabelos desgrenhados dele antes de ir para o meu quarto e voltar a dormir
・*:.。. .。.:*・゜゚・*☆
Acordo com a cabeça latejando e – surpresa – um analgésico do lado da cama. Liam.
Ao sair do quarto, encontro a cena mais surreal possível: Liam e Alys conversando no sofá como velhos amigos.
— Ma… mas que porra é essa?
Alys salta, sorridente:
— Amiga, acordou! Bom dia! Você acertou em cheio dessa vez – ela aponta para Liam –, mas caralho, ele é ainda mais gostoso pessoalmente!
Seria uma pena ter que matar minha amiga de infância, e sujar o chão da minha casa, mas essa ideia parece cada vez mas atraente
— Como diabos você chegou aqui? – pergunto, o rosto queimando.
— Você achou mesmo que eu não colocaria um fiozinho?
Ah, merda. o poder arcano de Alys era relacionado a costura, ela podia invocar agulha e linha (praticamente infinita) e moldala do jeito que quisese, e tambem ela podia localizar o menor dos fios criados por ela, so havia uma deesvantagem no poder dela que era que quanto mais fio ela usase, menos resistentes os fios iam ficando.
— Você me rastreou?!
— Eu chamaria de "encontrar uma amiga que não quer ser encontrada".
Ao fundo, Liam ri, divertido com meu sofrimento.
Respirando fundo, apresento:
— Liam, essa é Alys, minha irritante amiga de infância. Alys, esse é Liam, meu prisioneiro.
— Não se preocupe, já nos conhecemos bem – Alys cutuca Liam, que fica vermelho. – Ele falou que você é uma ótima carcereira… de vez em quando até deixa ele dormir na sua cama, e vice-versa.
Vou matar alys
— Fala logo o que você quer, Alys – rosnou.
Ela sorri, afagando a cabeça de Liam como a um cachorrinho:
— Vim conhecer o amor da vida da minha melhor amiga, mas enfim, como está o namoro ?
Eu e Liam gritamos em uníssono:
— NÃO ESTAMOS NAMORANDO!
Provavelmente foi coisa da minha cabeça, mas sinto que escutei Liam murmurar algo como "ainda" bem baixinho.
Alys levanta-se, vitoriosa:
— Tá bom, vou fingir que acredito, vou embora antes que a Morwen me estrangule. Foi um prazer, Liam – ela aperta sua mão –. Não quero nem imaginar o motel que esse lugar vira à noite.
— ALYS!
Saio correndo atrás dela, as mãos prontas para enforcá-la, enquanto Liam ri como se fosse a coisa mais engraçada do mundo.
・*:.。. .。.:*・゜゚・*☆
Para minha felicidade ela vai embora pouco tempo depois
Limpando as lágrimas de tanto rir, Liam olha pra mim:
— Desculpa pela Alys te enchendo. Ela é assim mesmo – digo.
Ele sorri, os olhos ainda brilhando de diversão:
— Não se preocupe. Adorei ela. Ela muito é muito engraçada.
Traidor.
Com um suspiro, decido que preciso de mais três horas de sono – e talvez um plano para vingança contra Alys.

