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A balada de sol e rosas
Capítulo 5
862 palavras • 5580 caracteres • ⏱ 3 min 27 s

Capítulo 5

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Morwen 

O dia nasceu ensolarado. Levanto-me ainda meio grogue, mastigando uma das maçãs compradas na véspera. No pequeno jardim, as verduras já estão prontas para colher. Encho um cesto com folhas frescas e decido ir à cidade vender o couro da corça.  


Liam está encostado no batente da porta, os raios de sol iluminando seu rosto ainda marcado pelo sono.  


— Bom dia, Morwen.  


— Bom dia, Liam. Vou à cidade vender o couro. Você fica encarregado do almoço.  


Ele suspira, dramático.  


— Tão cedo e já me põe para trabalhar, my luna ?  


— Posso te acordar mais cedo e te por para trabalhar mais ainda se não estiver satisfeito 


Ele revira os olhos, e eu aceno com a cabeça, sorrindo por dentro, e vou me trocar: calça preta, camisa escura, o couro sob o braço, um pouco desconfortavel, mas vou passar despercebida por todos . Saio sem mais cerimônias.  


      ・*:.。. .。.:*・゜゚・*☆


Na cidade, dirijo-me direto ao ateliê da Alys, minha amiga de infância. O lugar — Carys — cheira a linho e tintura. Ela está costurando um vestido caro quando me vê e salta da cadeira.  


— Morwen! Que bom te ver! — Seu abraço é tão forte que quase me derruba. Fazia meses que não nos víamos. Eu, ocupada demais planejando uma revolução; ela, imersa em sedas e fofocas.  


— Me conta as novidades! — ela exige, puxando-me para uma cadeira.  


Resumo os eventos: o duelo com o Guardião Divino, o "sequestro" de Liam. Seus olhos brilham como os alfinetes espalhados pela mesa.  


— Então você sequestrou um cara?  


— Sim.  


Ela inclina-se para frente, voz sussurrante:  


— Mas ele é gato?  


Quase engasgo.  


— Eu sequestro o homem, e você pergunta se ele é bonito?  


— Exatamente.  


— Você é louca.  


— Claro, claro — ela ri, ajustando os óculos. — Fui eu que matei um soldado da Strike e sequestrei o filho de um Guardião Divino que, por acaso, quase asfixiei.  


Reviro os olhos.  


— Engraçadinha.  


Ela cruza os braços.  


— Responde logo. Ele é gato?  


Corro o olhar para o lado, como se a resposta estivesse bordada num tecido.  


— Na... não.  


O sorriso dela cresce.  


— Então por que gaguejou?  


— Eu não gague— gaguejei. 


— O impossível aconteceu — ela anuncia, palmas dramáticas. — Minha melhor amiga está apaixonada.  


— Vai se foder, Alys.  


Ela ri, mas muda de assunto quando mostro o couro da corça. Examinando-o, oferece 30 sóis — um preço justo. Aceito, e quando estou quase saindo, seu grito ecoa:  


— Cuida bem do seu namorado!


Mostro-lhe o dedo do meio e saio, o bolso mais pesado e o rosto inexplicavelmente quente.  


     ・*:.。. .。.:*・゜゚・*☆


Com o dinheiro "fácil" (para mim pelo menos, para Liam aí eu ja não sei), decido comprar algo extravagante: uma garrafa de uísque por 20 sóis. Caríssimo, mas faz meses que desejo um gole. E agora, com Liam em casa... bem, a bebida pode adicionar alguma animação para à noite.  


      ・*:.。. .。.:*・゜゚・*☆


Chego em casa perto das 14h. Liam está no quintal, praticando selos. Seus movimentos já são mais precisos.  


— O almoço está na panela — diz, sem olhar.  


— Oi para você também, cuzão.  


A comida — carne de panela simples, mas saborosa — está quente. Lavo o prato, banho-me e cochilo até o fim da tarde.  


Ao acordar, encontro Liam na poltrona.  


— Quanto tempo dormi?  


— Três horas.  


Droga. Precisava de mais.  


Do quarto, trago a garrafa de uísque e um copo. O líquido âmbar queima minha garganta no primeiro gole. Liam observa, intrigado.  


— Isso é uísque?  


Aceno, estendendo-lhe o copo. Ele recusa.  


— Não bebo.  


— Não bebe? — quase engasgo. — Nem um golinho?  


— Não, obrigado.  


Sorrio, com uma ótima ideia surgindo em minha cabeça.  


— Vamos jogar Verdade ou Desafio?  


— Nem fodendo.  


Faco beicinho.  


— Vai vamos jogar — Faço uma cara de cachorro sem dono e continuo — Se jogar, você fica uma semana sem cozinhar.  


Ele suspira.  


— Tá bom. Para uma sequestradora, você é muito boazinha.  


Revirando os olhos digo:


— Verdade ou Desafio?  


— Verdade.  


— Vou começar leve, me diga com que idade você deu o seu primeiro beijo?


— Quatorze. Minha vez. Verdade ou desfio.


— Desafio 


— Desafio você a me dar 5 sóis 


Xingando ele baixinho, entrego os 5 sóis, e digo


— Apartir de agora não vale coisas que envolvam dinheiro, verdade ou Desafio 


— Desafio 


Sorrio malignamente, enchendo um copo de uísque até a topo, e empurro o copo para ele 


— Golpe baixo — ele rosna, mas engole o líquido de uma vez, fazendo careta engraçada, então diz 


— Verdade ou Desafio  


        ・*:.。. .。.:*・゜゚・*☆


Horas depois, 90% da garrafa de uísque vazia, e nós, completamente bêbados, tentamos limpar a cozinha. Risadas substituem a faxina.  


— Boa noite, solzinho — digo, cambaleando. — Cuidado, senão o eu vou te corromper.  


Ele encosta-se na parede, com um sorriso.  


— Morwen, vindo de você... eu aceito qualquer coisa.  


Cada um vai para seu quarto, sabendo que o dia seguinte trará uma terrível ressaca que jamais nos esquecemos.

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