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A balada de sol e rosas
Capítulo 3
595 palavras • 3205 caracteres • ⏱ 2 min 23 s

Capítulo 3

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  Morwen


Levanto-me devagar, deixando Liam dormir. Ele trabalhou demais ontem — e parece em paz pela primeira vez em dias.


Pego alguns pergaminhos e saio da cabana. O ar frio da manhã me desperta. Sento-me na clareira e começo a meditar. A energia lunar me envolve como um manto; uma calma antiga desce sobre mim.


Abro o pergaminho e invoco rosas negras. As pétalas, finas como lâminas, se lançam contra o alvo e se cravam na madeira.


— Bela mira.


Viro-me de imediato.

— Já acordou, dorminhoco?


Ele ri, os olhos ainda semicerrados.

— Parece que sim. Está treinando?


Assinto.


— Posso te acompanhar?


— Não sei o que um solar pode aprender com uma lunar... mas pode vir.


Ele se aproxima, abre o pergaminho e dispara um feixe de luz — que passa longe do alvo.


— Tanta energia gasta pra nada.


Liam murmura algo inaudível.


— Seu ataque parece com o do seu pai.


Ele suspira.

— Todos os meus parecem. Versões piores dos dele.


— Como assim? Os poderes arcanos se moldam à personalidade.


Ele encara as próprias mãos.

— Na minha casa, ou eu era igual a ele... ou apanhava.


Fico sem voz.

— E como controlavam seu poder?


— O medo doma até o que é indomável.


Um arrepio me percorre. Mudo de assunto.

— Já que quer treinar comigo, hoje vai aprender a usar seu poder direito.


— Duvido que consiga tirar isso de mim. Mas pode tentar, my luna.


— Então vou arrancar as raízes ruins com uma enxada. Sente-se. Conecte-se ao seu poder.


Ele obedece. Aos poucos, o cabelo dele brilha como ouro sob o sol.


— E agora, professora?


— Me diga algo que goste e que combine com você.


— Lâminas.


Coloco um pergaminho à frente dele.

— Imagine o selo.


Ele desenha uma adaga partida, com um sol ao fundo. Canaliza o poder, e adagas de luz surgem no ar.


— Perfeito. Concentre tudo no selo.


Num lampejo dourado, o pergaminho se ativa.


— Eu consegui?! — Ele salta, empolgado, e antes que eu perceba, me abraça.


Meu corpo se enrijece, depois cede. Não estou acostumada com afeto, mas retribuo.


— Vai testar o selo?


Ele sorri. E então percebo um detalhe que nunca notei: ele tem covinhas. Elas surgem quando ele ri, e, por um instante, tudo parece simples.


O ataque é básico, mas poderoso.

— Parabéns, Liam. Como prêmio, você vai fazer o almoço e o jantar.


— Sério?


— Seríssimo.



---


Mais tarde, costuro minha roupa rasgada. O fio se recusa a entrar na agulha. Liam ri.


— Se acha tão engraçado, tenta você.


Ele pega e enfia o fio em segundos.

— Fácil.


— Então sabe costurar?


Ele faz que sim. Jogo a roupa nele.

— Então costura.


Resmungando, ele obedece.

— Como rasgou isso?


— Lembra do soldado que matei e deixei um bilhete no corpo?


— Lembro.


— Ele me acertou antes.


— Foi profundo?


Levanto a blusa, mostrando o local do ferimento. A pele ainda marcada. Ele fica vermelho.


— O que foi? Gostou do que viu?


Ele hesita.

— Talvez.


Sorrio de canto.

— Está pronta?


— Obrigada.


— De nada.



---


À noite, ele tenta cozinhar um ensopado e, claro, se queima.


— Liam!


— Só uma queimadura.


Cuido dele em silêncio. Quando termino, ele abaixa a cabeça.

— Desculpe dar tanto trabalho.


— Você não dá trabalho nenhum.


Sentamo-nos para comer. O sabor me leva de volta à cozinha da minha mãe. Quase esqueço que Liam era só uma moeda de troca.


Quase.  

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