Morwen
Levar uma facada dói.
Talvez eu tenha sido um pouco descuidada ao deixar aquele desgraçado me acerta mas pelo menos eu retribui o favor tripicadamente. A espada do guarda não me atingiu em cheio, mas rasgou minha roupa e destruiu parte da minha máscara de raposa preta — e eu odeio costurar.
Desgraçado.
Estava voltando para casa, cruzando uma parte do deserto de Caerlleu, quando percebi que não estava sozinha. Alguém me seguia. Olhei para trás, mas não vi ninguém... até que um clarão de luz veio em minha direção. Murmurando palavras nada elegantes, joguei-me no chão e abri um pergaminho. No mesmo instante, vinhas negras e espinhosas brotaram, buscando qualquer coisa que se movesse para se agarrar. Então, disse:
— Pode aparecer. Eu não mordo.
Só arranco membros. (Mas isso não vem ao caso agora.)
As vinhas já haviam se enrolado em algo — ou alguém. Puxei-as com força e vi que era um dos cavalheiros. Comentei, sarcástica:
— Até que você foi discreto. Só consegui descobrir que você estava me seguindo por que me atacou.
Ele gritou, indignado:
— Sua cobra maldita! Me solte agora!
Sorri, debochada:
— Awn, é sempre bom ser elogiada, seu filho da puta.
Estava prestes a asfixiar aquele idiota quando avistei outro homem, bem mais novo, correndo em nossa direção.
— Pai! — ele gritava, desesperado.
Mas o que realmente me impressionou foi o olhar de desprezo no rosto do sujeito que ele chamava de "pai". Quando o jovem se aproximou, percebi que devia ter mais ou menos a minha idade, mas o desespero não abandonava seus olhos. Ele falou, ofegante:
— solte meu pai agora! Se não... eu vou te matar!
muita fala e pouco poder, eu via claramente a inconsistência nos selos dele, então decidi brincar um pouco.
— Qual é seu nome? Se não falar, eu mato ele.
Apontei para o "pai". O jovem engoliu seco:
— Liam. Meu nome é Liam.
O pai dele berrou:
— Mata essa desgraçada, seu lixo imundo !
Cobri a boca dele com as vinhas, enrolando-as com força.
— Nananinanão! Você não está em posição de exigir nada agora, fica quietinho.
eu via o odia no olhos do homem, então dei um sorriso. então voltei-me para Liam.
— Então, Liam, me fale sobre você. Se mentir ou tentar alguma gracinha... você já sabe o que acontece.
Ele suava frio, uma mistura de medo e desespero, mas tentou manter a voz firme:
— Eu trabalho no exército... junto com meu pai. Ele é um Guardião Divino.
Um Guardião Divino? Aquele trouxa que peguei com um ataque surpresa era um dos elites do exército da Strike? Hah! O nível deles realmente decaiu.
Vi ali uma oportunidade de ouro.
— Tá bom. Tenho uma proposta pra você.
Ele me interrompeu:
— Eu aceito qualquer coisa!
Ouvi o pai dele resmungar algo como "retardado". Apertei as vinhas um pouco mais so por diversão.
— Eu deixo seu pai sair ileso... mas com uma condição: você vem comigo.
O rosto dele empalideceu. Ele me encarou, confuso.
— M-mas... o que você quer comigo?
Revirei os olhos.
— Você disse que aceitava qualquer coisa não foi. Mas se não quiser, tudo bem. Eu mato esse ser depresivel nesse instante.
apertei mais as vinhas fazendo o homem tossir, então ele disse:
— E-eu vou com você.
Sorri, vitoriosa.
— Perfeito.
Asfixiei o pai dele até desmaiar. Liam se preparou para atacar, mas congelei seus movimentos com um olhar mortal.
— Ele só está desmaiado. Vamos deixá-lo perto do quartel.
Liam não parecia convencido, mas engoliu a explicação.
Deixamos o "pai" a uns 200 metros do quartel mais próximo. Alguém logo o encontraria. Virei-me para Liam, que estava com uma cara de quem mastigou limão.
— A partir de hoje, você é minha moeda de troca. Vamos passar muito tempo juntos, querendo ou não. Melhor aceitar a situação e ficar feliz por conviver com a pessoa mais bonita desse reino.
Ele resmungou:
— tenho minhas duvidas se isso é verdade.
coloquei a uma adaga no pescoço dele e disse:
- disse algo ?
no mesmo intante ele se calou. bom para ele.
Depois de caminharmos uns 500 metros, notei que ele ficou para trás. Quando olhei, vi Liam abrindo um pergaminho. Feixes de luz voaram em minha direção — desviei de todas com facilidade. Ele tentou abrir outro, mas fui mais rápida: um chute no rosto o fez recuar.
— Esperava mais do filho de um Guardião Divino.
Ele grunhiu e tentou me acertar com um soco. Segurei seu pulso com um movimento fluido.
— Tá muito bravinho, hein? Vou te acalmar.
Tirei um selo que os os lunares usaram por um tempo para se defender, ele anulava os poderes dos solares por uma hora, esse selo foi feito por um dos lideres da restencia aos solares, ele tinha o poder aracno de apagar outros poderes arcanos, oque convenhamos é um otimo poder para defesa.
— O que você fez?! — ele gritou, sentindo a energia se esvair.
— Desativei seus poderes. — Afastei-me. — Escute bem, Liam: ou você se comporta, ou vai se arrepender amargamente.
Ele se aproximou, sarcástico:
— E como pretende fazer isso?
Coloquei uma adaga no pescoço dele.
— Quer pagar pra ver, solzinho?
Seu rosto perdeu a cor. Murmurou algo inaudível e se afastou.
— Vai se comportar? Bom garoto.
— Não sou um cachorro pra você chamar de "bom garoto"! — ele resmungou, emburrado, mas continuou me seguindo.
— Relaxa, não sou um bicho de sete cabeças. Se cooperar, tudo vai ficar bem.
Ele revirou os olhos.
— Você quase matou meu pai, me sequestrou, pôs uma faca na minha garganta e nem me disse seu nome... e quer que eu relaxe?
— É Morwen.
— O quê?
— Meu nome. Morwen.
Ficamos em silêncio. A noite caía quando chegamos à minha cabana.
Arrumei um colchão improvisado para ele.
— Aqui é sua cama. Está com fome?
— Não.
Sirvi-lhe um prato com carne seca mesmo assim.
— Vou dormir. Mas não se preocupe, não costumo matar inimigos enquanto dormem. Boa noite, Liam.
Ele murmurou algo ininteligível. (Talvez eu tenha colocado um sonífero em pó no travesseiro e no cobertor... só por garantia. Mas só talvez.)
Deitei-me na minha cama improvisada e fiz alguns pontos onde aquele soldado me acertou, não foi um corte profundo, mas preferi fazer pontos só por garantia.
Parando para refletir eu pensei: em um único dia, derrotei dois soldados do exército — um deles, um Guardião Divino — e ainda consegui uma moeda de troca que, provavelmente, vai tentar transformar minha vida num inferno.
Acho que é um bom começo para minha nova vida

