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No topo do mundo 🥊1
⚽dedicaçao⚽
1780 palavras • 9563 caracteres • ⏱ 7 min 07 s

⚽dedicaçao⚽

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Eu queria muito que o Nilo pudesse ir pro jogo mundial de novo, mas isso não podia acontecer, ele não tava pronto, além de que mesmo agora, ele não conseguia sequer passar das eliminatórias, então, tudo que eu podia fazer era apoiá-lo, agora eu andava de prancha, junto com a Elena para mais um jogo, e com nós dois andando juntos dessa vez. Com ela em cima de sua própria prancha, agente começou a conversar.


Elena: por mais quanto tempo você acha que ele vai conseguir guardar esse segredo?


João: eu não sei, só sei que quando o segredo for revelado, eu vou estar do lado dele


Elena: eu também.


Eu sabia que a Elena falava sério, se tinha algo que a garota priorizava mais do que qualquer coisa era a liberdade, e não importa o quão estranho fosse, se ele queria deixar de ser lutador de kickbox pra ser um jogador de futebol, que assim fosse, mas ele teria que realmente se interessar por isso, e como o próprio Nilo mostrava em todos os jogos, ele estava mais do que disposto a fazer isso da forma certa.


O estágio, junto com a grande plateia, cada vez mais eu percebia que era quase sempre igual do nosso lado, mesmo quando a plateia do outro lado mudava em todo momento.


Dessa vez, já estando bem acostumados com aquela atmosfera, eu apenas já fiz um pequeno showzinho que me fazia quase ficar invisível no meio da multidão de jogadores, enquanto a Elena assoprava com muita força a vuvuzela que eu consegui pra ela.


E algum tempo depois, enquanto nós estávamos na arquibancada, o time do Nilo, as araras aridas entraram, e olha só, depois da última derrota, a atmosfera deles estava completamente diferente, mas sorrindo, eu apenas pensei como esse jogo seria incrível.


Pra começar, a sorte parecia estar do lado deles dessa vez, o time do Nilo iria começar jogando, e dessa vez, ele atuou como o jogador número 4 novamente. E dessa vez ele ficou pra trás enquanto o verde 1, verde 3 e verde 7 avançam.


No primeiro instante, o vermelho 2 e o vermelho 6 foram até eles, o 1,3 e 7 verde ficaram olhando ao redor, tentando encontrar o caminho certo, mas logo eles viram, não tinha pra onde ir, bom, até o verde 3 que estava segurando a bola fazer uma manobra que desviou do vermelho 2, e quando o vermelho 6 tentou uma rasteira, ele tocou para o verde 1.


Assim que o vermelho 2, que estava na defesa, tentou ir até o verde 1, ele chutou a bola com uma força gigantesca pro outro lado do quadro, batendo bem no peitoral do verde 7.


Infelizmente, o verde 7 foi pego pelo vermelho 3, que fez uma grande batalha de dribles pelo controle da bola, o verde 7 pegou a bola, quase a jogou pro lado, mas não conseguiu, depois o vermelho 3 tentou fazer um movimento com a cabeça, jogando a bola pra longe, mas com um empurrão, o verde 7 desequilibrou o vermelho 3.


No fim a batalha jogou a bola pra um lado que não tinha ninguém, e o vermelho 4 chutou a bola pra bem longe, mas no meio do ar, o verde 4 pegou o verde 2, seu companheiro, e o jogou para o alto, e nas alturas, o verde 2 recebeu a bola no ar com o peito.


Toda a plateia, dos dois lados, ficou absurdamente vidrada com o que aconteceu, eu até falei no mais puro susto.


João: isso ai é permitido?


Elena: bom, da ultima vez que vi, não tem regras que proíbam isso.


Eu tentei não pensar muito nisso e apenas olhar o jogo, vendo como o verde 2 chutar a bola pro verde 3 novamente. Infelizmente, o verde 3 estava sendo marcado pelo vermelho 6, bom, isso era o que parecia, por que em um segundo, o verde 3 estava na frente dele, e no outro, o verde 3 acelerou de forma absurda, e com um salto, ele sequer pegou a bola, ele apenas a chutou em pleno ar, e a jogou pro verde 1.


O verde 1 também estava marcado, com a diferença que tinham o vermelho 3 e 1 o marcando, mas nem aquilo impediu o avanço do verde, que passou pelas defesas dos vermelho, e conseguiu dar uma cabeçada que jogou a bola sem nem ficar muito com ela para…não acredito, pra cima de novo, bem pra cima, só que dessa vez…era o verde 4 que estava na frente de todo mundo. 


E com uma cabeçada, o verde 4 jogou a bola bem no gol, uma bola que o goleiro defendeu, mas foi estranho, o goleiro pegou a bola, mas a força dela era tão grande que o goleiro…não conseguiu pegar a bola, não queria dizer que ele deixou a bola passar, porque com certeza não foi isso, ele apenas não conseguiu segurar a bola de jeito nenhum.


Todo o nosso lado ficou empolgado com o primeiro gol, menos nos, porque agente sabia muito bem que…tinha algo de diferente, algo mudou neles, eles…


João: é possível ficar tão forte assim depois de uma derrota?


Elena: apenas para aqueles que sabem bem usar a dor da derrota e o ódio de todo o seu sonho, o seu amor e seus planos para o futuro serem destruídas antes mesmo de começarem, e como uma águia trocando de penas, eles voltaram, muito mais fortes


João: você pensou nisso tudo agora?


Elena: sim, foi tudo bem no improviso, nem tenho ideia se o que eu falei é meu ou de algum sábio que eu já ouvi


João: foi lindo de qualquer forma, agora vamos lá, vamos ver o que esses caras vão fazer ainda


Elena: é, eu quero ver se os jogadores vermelhos vão conseguir ser os azarões e virar o jogo.


E agente continuou vendo o jogo, pensando se os vermelho iriam conseguir virar o jogo, e olha só, mesmo com a diferença de força e experiência, o vermelho 1 e 8 conseguiram criar uma grande barreira na defesa dos verdes, em um drible duplo, o vermelho 1 e 8 trocaram toques, conseguindo desviar do verde 4 e do verde 2, e com o verde 6 longe demais para impedir, o vermelho 1 conseguiu chutar para o gol deles.


Foi tão rápido a quebra de defesa deles que eu entendi de cara por que eles foram pegos de surpresa, mas assim que os verdes foram pegos de surpresa, os vermelhos, e todo o público, de novo, foi pego de surpresa também, porque sem nenhum pingo de esforço, o goleiro verde conseguiu segurar a bola com uma mão sem esforço nenhum.


O goleiro ficou um bom tempo apenas olhando a bola, como se ele mesmo não tivesse acreditado no que aconteceu, e como um ato de provocar, ele rolou a bola para o pé do vermelho 1 de novo, fazendo um sinal de mão, que dizia, “vem, tenta de novo”.


O vermelho ficou com medo do que os outros verdes poderiam fazer, mas como uma promessa silenciosa, o verde 2 mexeu a mão num gesto, onde ele deixou que o vermelho 1 chutasse de novo.


E o vermelho 1 chutou bem na trave dessa vez, na parte de cima, e se agarrando na trave, o goleiro verde pegou a bola, novamente, nem parecia que ele estava fazendo qualquer esforço. Mas tinha certeza que o goleiro se esforçou porque assim que o goleiro soltou a trave, deu pra ver que a trave entortou pelo aperto da mão dele.


E o goleiro, novamente voltou a olhar a boca, como se tivesse entendido o que aconteceu, mas ainda duvida do próprio poder. 


Deixando suas perguntas pra depois, ele chutou a bola bem pro alto, bem alto…e antes dos vermelhos conseguem fazer qualquer coisa, o verde 1 foi arremessado pra cima pelo verde 3, e com um chute lateral na bola, o verde 3 jogou a bola de novo no goleiro, mas dessa vez, o goleiro agarrou a bola com as duas mãos, o esforço do goleiro vermelho foi muito maior do que o do goleiro verde, mas ele parou a bola, e rolou ela pra forA de novo, nos pés do vermelho 7.


O primeiro tempo continuou num grande embate, com o goleiro e os vermelhos tentando marcar, mas os verdes sendo implacáveis até o final, e o mais triste foi ver que, os verdes não estavam brincando com eles ou algo do tipo, eles estavam usando tudo que tinham, mas quando o melhor dos dois timeS colidiram, os vermelhos cansaram bem mais rápido que os verdes.


O cansaço extremo dos vermelhos era tanto, que quando o segundo tempo começou, eles conseguiram marcar mais um gol, mas pelo menos eles não precisam sair humilhados pra casa, em meio a todo o cansaço que até os verdes estavam sentindo, os vermelhos conseguiram marcar um gol, não por pena, mas por verdadeira conquista.


Os verdes, apesar de estarem ganhando por um ponto, não vacilaram, queriam aumentar ainda mais a diferença, mas ela não aumentou e nem diminuiu mais, a partida parecia que nunca iria acabar…até que em um embate de dribles supremos entre o vermelho 6 e o verde 4 começou. 


Nenhum deles queria desistir da bola de jeito nenhum, o embate parecia interminável, e mesmo sendo bem verdes, os dois jogadores pareciam estar ousando em entrar no território da Aura, até que o apito final chegou.


Eu não fazia ideia quantos jogos tinham se passado desde a última derrota deles, mas quando ouvimos o apito, e entendemos que o Nilo tinha…ganhado, sim, isso, ele tinha ganhado…e nessa vitória, todos ficaram em silêncio absoluto, como se ainda processassem o que aconteceu.


Bom, se estavam tendo problemas com isso, eu ajudei eles, eu e a Elena nos levantamos, e eu gritei com força.


João: E ISSO AI, ESSE É O MEU GAROTO, EEEEEEEEE.


E a Elena assoprar a vuvuzela com tanta força que pareceu quase um chifre de carneiro, e como se fossemos o fogo em meio a gasolina, todos começaram a comemorar, jogar vários explosivos, gritar, e soprar varias e varias fuzelhas como chifres de carneiro também. 


E quando eu olhei pra frente, apenas consegui sentir orgulho do Nilo, ele fez um trabalho tão bom, tanto que, comemorar ali, com aquele bando de estranhos, por mais que aquilo parecesse bom, eu queria sentir algo mais verdadeiro com o meu amigo.


João: aí Elena, quer ver o Nilo?


Elena: é claro.


E sendo apenas mais um rosto na multidão, saímos da grande comemoração sem ninguém perceber que saímos, nós não éramos ninguém pra essa gente, então ninguém deu por falta nós dois.


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