E como eu pensei, o Mestre começou a pegar bem mais pesado comigo, mas havia sentido, mesmo que não tivéssemos nenhuma competição, e que a minha troca de faixa não tivesse um combate, eu ainda estava desenvolvendo minha aura.
A Aura de combate que era tão poderosa e perigosa, que eu lutava com o mestre todo o treino, por medo que eu acabaria usando aquilo nos alunos sem querer, algo que nunca aconteceu, mas eu ainda estava bem animado, mesmo sendo só a segunda vez que eu usava aquilo, eu conseguia sentir o quando a Aura de combate estava mudando meu corpo, no bom sentido claro, eu me senti muito melhor.
Quando o treino acabou, eu peguei meu grimório pra falar com a Elena…e o simples fato que meu coração tava mais agitado agora do que quando eu tava literalmente com pessoas com o dobro do meu tamanho, já diziam o bastante o quanto aquela situação era complicada.
TRANSMISSÃO DO GRIMÓRIO
João: oi Elena
Elena: deixa eu adivinhar, o Nilo vai fazer outro jogo?
João: ah não, eu quero te apresentar uma amiga minha, isso se não for problema pra você
Elena: amiga? No feminino?
João: é.
A Elena demorou um pouco pra responder…ela com certeza tava lutando com todos os pensamentos intrusivos que diziam que eu tava traindo ela, e depois ela escreveu.
Elena: onde?
João: naquele restaurantezinho de pizzas que agente vai às vezes
Elena: tá bom, até lá.
FIM DA TRANSMISSÃO
Eu tava com um medo imenso de acabar falando algo errado e começar um mal entendido absurdo que faria eu perder minha amisade com a Taina e meu namoro com a Elena, mas quando estava me arrumando, pensei como isso ra bobagem, eu não tinha ada a esconder da morena, e a Elena sempre me escutava, contanto que eu não falase acoisa mais idiota do mundo, e que a maldiçao das vozes falsas nao complicassem nossas vidas, no fim tudo ficaria bem.
Eu continuei repetindo isso na minha cabeça, porque acreditar no contrário seria admitir que eu apenas destruísse meu relacionamento com as duas garotas mais legais da minha idade que eu já conheci.
Demorou um pouco tempo pra eu chegar no restaurante, já que ele ficava na minha ilha cidade…nossa, era bem estranho andar, eu gostava de andar, mas eu não tava muito acostumado a viajar lugares dentro da minha própria ilha cidade.
Eu cheguei lá primeiro que as duas, era algo inédito pra mim, eu entrei lá e peguei uma mesa estratégica, uma perto da saída de emergência, pra possibilidade mínima que as coisas dessem absurdamente errado. E com uma ventilação boa, deixando mais fácil pra todo mundo ficar calmo.
Eu tinha certeza que tava apenas sendo paranoico, mas como diziam, o preparado morreu de velhice.
Quem chegou primeiro foi a Tainá…e ela parecia muito assustada, e o engraçado é que ela estava com os olhos bem claros, então não tinha nenhuma voz falando com ela agora…mas pela cara dela era nítido que as vozes tiveram um bom papo com ela antes de chegar aqui, e por isso elas estavam mais quietas.
Ela não falou nada, apenas analisou a mesa, pensando qual seria o melhor lugar pra ficar, (e silenciosamente aprovando minha escolha estratégica de mesa) até que ela se sentou na cadeira oposta pra mim, ficando bem na minha frente garota esperta.
Assim que ela chegou, uma garçonete veio até nós, e falou.
Garçonete: ola jovens, já querem pedir?
João: ah não, estamos esperando mais alguém
Garçonete: ok, me chamem quando estiverem prontos.
E depois de alguns segundos de um silêncio cheio de terror dela, decidi perguntar.
Joao: tá nervosa?
Taina: muito, sei que a sua mina não deve ser paranoica e nem..psicótica, mas um homem apresentando uma amiga que nunca mencionou pra namorada é realmente algo suspeito
???: nossa vocês tão me fazendo parecer um monstro.
Eu olhei pra trás, vendo a Elena, e para o alívio mais profundo do meu coração, a morena parecia calma, e se ela tava irritada, ela era muito boa em esconder isso.
???: vocês estão lendo muitos romances de traição
Tainá: culpada.
Agente riu um pouco, mas apesar da piada, a Elena não confiava muito na Taina, porque ela se sentou bem do meu lado e ficou bem grudada em mim, enrolando os braços dela no meu enquanto olhava pra Tainá, bem desconfiada.
Elena: você vai se apresentar ou vai deixar o meu namorado fazer isso pra você?
Eu achei que a Tainá iria ficar bem assustada com isso, mas então os olhos dela nublam um pouco…essa não, a maldição dela voltou…
Tainá: o professor…pode me apresentar, eu não ligo
Elena: professor?
Mesmo ainda com a guarda alta, dava pra perceber que ela abaixou a guarda quando ela falou aquele título, mesmo sendo só um pouquinho, e pegando a deixa eu levantei minha mão livre na direção da garota, e falei.
João: Elena, essa é a Tainá, minha novata, minha colega de treino, e mais importante, a minha quase aluna….
Tainá: prazer em conhecê-la.
A Tainá ergueu a ao pra cumprimentá-la, e um pouco mais calma, a Tainá continuou.
Taina: você é bem mais sinistra do que eu pensei
Elena: eu escuto isso bem mais do que queria admitir
Taina: como você e o professor se conheceram?
Nossa, ela ta sendo direta demais, mas talvez ser tímida naquela situação seria muito pior.
Elena: nós somos amigos de infância, fomos vizinhos por um bom tempo, até que o meu pai ganhou um emprego em uma outra ilha e agente teve que se separar…
E sorrindo, tendo uma boa nostalgia daqueles momentos, ela continuou.
Elena: antes de eu ir, eu só queria prometer que eu iria voltar, mas ele me convenceu a prometer que se nos dois estivessem solteiros quando eu votasse, agente iria namorar
Tainá: ah, então a ideia foi dele?
Elena: é, mesmo que não fosse tão doido assim pensar no que ele sugeriu…agente não prometeu esperar, não não não, o doidinho não queria prender nenhum de nós, então ele pediu que nós namorássemos só se agente não tivesse mais ninguém.
Apesar de estar claro que ela ainda tava atormentada pelas vozes, a Tainá conseguia esconder muito em sua dor através da alegria genuína que ela tava ouvindo com a nossa história...ou talvez ela tava tão interessada na história que ela nem tava se importando com as vozes falsas na cabeça dela. E eu não conseguia decidir qual das possibilidades ela mais sinistra.
João: eu sabia que agene podia acabar encontrando um amor diferente enquanto estivessem separados, e ela sabia que se só ficasse em me reencontrar, ela não iria conseguir crescer como pessoa. Eu não queria prender ela a uma esperança que eu não tinha total controle de prometer ser verdade
Elena: mas isso não fez eu esquecer ele, eu sempre guardei ele no meu coração como meu amigo…mas eu nunca senti em outra pessoa essa…paixão intensa que eu sinto por ele, sabe. Uma paixão que vai além da carne, é como se nossas almas estivessem conectadas pra sempre.
Pego pelo sentimento, enlacei meus dedos nos dela e a beijei. A Tainá virou os olhos, como se quisesse nos dar privacidade, até que o rosto dela murchou um pouco, como se tivesse se lembrado de algo sinistro no meio do amor que demonstramos.
Tainá: isso não é destino…vocês que conectaram suas almas, e nenhuma profecia, destino marcado, ou qualquer coisa garantida tem a ver com isso…vocês criaram essa conexão vocês mesmos
Joao: agente sabe
Tainá: sabem mesmo? Muita gente por aí pensa que esse sentimento é o bastante pra manter uma relação, sendo que ele é o mínimo, ainda precisa entender o outro, trabalhar no relacionamento…
Elena: agente sabe…
A Elena não gritou, mas a forma que ela falou desarmou a Tainá de uma forma que eu nem conseguia entender por completo, e mais uma vez, parecia que a sabedoria de guardiã dela tava deixando a coisa mais tranquila.
Elena: agente já faz tudo que você falou, e um pouco mais também…maaaaaaas, mudando de assunto, me fala, porque você considera o João seu professor?
Tainá: (suspiro) sei lá sabe, deve ser muito por causa do Mestre também, mas ele parece me entender melhor do que muita gente, mesmo antes de eu contar pra ele que eu era uma amaldiçoada…
Elena: jura? E qual é a sua maldição:
Tainá: a maldição das vozes falsas
Elena: sssssssss, as vozes falsas não
Tainá: pois é…eu aprendi a me controlar a muito tempo, mas eu sempre sinto que eu vou acabar enlouquecendo a qualquer hora…muita gente não me leva a sério, muitos me irritam e eu passei por tres mestres de artes marciais que nao me levavam a sério porque eu era uma mulher
Elena: humpf, esses ai não sabem o básico do principio as artes marciais
Tainá: hmhmhm “um verdadeiro artista marcial não ataca cavaleiros nem donzelas, mas quando qualquer um atacar um artista marcial, eles deixam todos seus títulos pra trás e apenas mantém o título de guerreiro, e entre guerreiros, todos são iguais, não importa se é uma criança ou um amaldiçoado, quem dá o primeiro soco perde todos os privilégios dos titulos que os protegem”.
Sorrindo, a Elena falou.
Elena: vejo que você é bem informada
Taina: nem tanto, (aponta pro João) esse rapaz aqui me contou a versão resumida e eu presumi a versão longa
Elena: calma aí, estamos fugindo um pouco do assunto, (tosse), me fala, porque você considera ele como um professor?
Taina: ele me ajuda a me acalmar, além dele ser um bom veterano…mas desde que agente lutou pela primeira vez, eu sinto algo de diferente nele, sabe.
A Elena já estava se preparando pra socar a Elena, mas ela esperou a garota terminar de falar.
Taina: ele tem um carinho por mim como se ele estivesse cuidando de uma criança preciosa, e mesmo sendo um bruto no treinamento, ele ainda tinha cuidado de falar comigo com muita calma, e ele nunca explodiu em mim, ele faz o trabalho de deixar o treinamento bem mais divertido, e o treino normal já é divertido…(põe mão no peito) eu me sinto feliz e quentinha quando to com ele, como se ele fosse…meu guardião.
Eu olhei para Elena, e pro meu alívio, ela relaxou o corpo, com um relaxamento que dizia, “ah, eu venci”.
Elena: então, em poucas palavras, ele é como um pai pra você
Tainá: isso aí, sei que pode ser estranho falar isso pra alguém que tem a minha idade, mas sempre que agente conversa, ele parece ser muito mais velho que eu, sabe aquela fala de “jovem com corpo de velho”? É isso que eu sinto dele.
Muita gente ficaria extremamente irritada de ouvir essa comparação, mas eu, que desejava ser um pai mais do que qualquer outra coisa, me senti ultra orgulhoso de ser comparado com um velhinho gentil, a ponto que eu sorri…E quando eu olhei pras garotas, elas estavam olhando pra mim de forma estranha, então perguntei.
João: que foi? Tem algo no meu rosto?
Elena: esse foi o sorriso mais lindo que eu já vi.
Gostando do que ela falou, eu sorri de novo, mas então ela falou.
Elena: ah, você perdeu o sorriso, hummm
João: desculpa se não sou tão bom em controlar meus sorrisos
Taina: Elena, não fique tão irritada com o João.
Agente achou graça daquilo por algum motivo, e no meio da nossa risada, eu agradeci ao próprio Ruda pelas duas terem se dado bem, tinha uma chance muito pequena de dar errado, mas a minha relação com as duas era boa demais pra eu arriscar qualquer coisa, então sorrindo, eu finalmente pedi uma pizza grande, rindo que tudo deu certo no final.
E enquanto eu comia, flertava com a Elena e conversava com a Tainá. Ficava mais tranquilo em pensar que ela me via assim, como uma figura paterna, isso me fez pensar também no outro Sapien que com certeza me via assim, e apenas pensando nisso, me fez pensar que eu deveria ir falar com ele.
Até eu lembrar que apesar de gostar muito de tudo isso, eu ainda tinha minha própria vida pra cuidar, e não era sobre minha prova na escola, não não não, elas não eram um problema pra mim, eu estava bem mais interessado na minha toca de faixa, e com meu olhar ficando bem mais selvagem, a Tainá sintonizou com a minha selvageria. uma selvageria que a Elena mostrou também, deixando nos três bem surpresos.
Apesar de não termos falado nada, nós ficamos olhando um pro outro e dando risadinhas sinistras apenas pensando nos corpos que nós iríamos destruir no futuro.
Eu ja sentia que meu futuro ira cumpriir em maiores honras aquele desejo, mas vendo que as garotas que eu tentei ao máximo manter a amizade odeiam compartilhar tão bem essa selvageria e desejo de violência e sangue que eu sentia, não pude me conter e levantei meu copo de refrigerante e falei.
João: UM BRINDE A LOUCURA!
Todos: SAUDE!
E obtendo nossos copos e deixando uma boa quantidade de refri cair em cima de nós, agente riu igual dois retardados, cara, eu realmente tenho bom olho pra pessoas, eu nunca me cansaria de fazer essas loucuras com eles, hehe.

