O dia seguinte foi bem interessante, porque por algum motivo, tudo parecia diferente, sei lá, a raiva e stress que eu sentia de forma constante parecia bem menor, ainda estava ali, mas eu sentia como se eu tivesse parado de sentir tudo de forma tão intensa, mesmo que só um pouquinho.
Quando eu desci as escadas, eu chamei meus pais e eles perceberam que algo tinha mudado em mim, mas eles deixaram que eu me encontrasse com a Deusa da Lua, e apenas pela forma como eles agiram me fizeram pensar que era bem normal ficar assim depois de, chegar nesse ponto do desenvolvimento da Aura.
Como sempre, meu pai me levou pro templo, mas ele não falou nada, desde que eles viram como eu tava ontem, eles não falaram nada, como se eu estivesse em um estado frágil, e que eu não podia ser corrompido, o que deixava minha cabeça mais preocupada com o que poderia acontecer comigo.
Bom, apesar dessa preocupação que eu tinha em mim, eu ainda entrei no grande templo de água, me sentei na minha almofadinha de sempre, e me preparei para me encontrar com a Jaci.
Eu fechei os olhos por alguns segundos, e depois os abri...foram segundos dessa vez, mas agora eu via minha alma se desprendendo do meu corpo, saindo do templo, e vendo toda a extensão do arquipélago.
Indo mais acima, passando pelo grande mar branco, e depois passando pelo grande arquipélago dos dragões, e depois eu continuei me afastando, me afastando e me afastando. Até que eu saí do planeta, indo bem rápido, no meio da grande vastidão do espaço até chegar na lua, um dos grandes avatares da deusa da escuridão...eu não podia me esquecer disso.
Quando cheguei no chão, eu olhei ao redor e encontrei o avatar mais humano dela, um avatar representando a grande deusa que nós acreditávamos, a Jaci.
Ela olhou pra mim, mas ela era bem mais sutil que os outros em demonstrar a felicidade e orgulho em ver como eu tinha chegado num nível de Aura que eu nem entendia direito as extensões.
Jaci: você mudou
João: mas eu não sei muito bem ainda no que
Jaci: posso te ajudar com isso.
E falando aquilo, eu vi o grande caldeirão, aquele caldeirão super doido que me deu tanto trabalho antes, mas agora, ele parecia tão normal...quando eu me apropriei dele, eu joguei minha Aura nele, e de repente, todo o calor que eu sentia antes, o calor que parecia tão aleatório antes parecia imprevisível, agora era um calor que eu compreendia muito bem...eu consegui deixa-lo de forma perfeita, a ponto que o caldeirão começou a borbulhar.
Jaci: você testou seu fogo com outras pessoas
João: é, mas eu não podia?
Jaci: eu nunca disse isso...você parece ter conseguido
João: é.
E falando aquilo, eu mantive o caldeirão quente e na temperatura perfeita, até que eu me desconcentrei, eu não cronometrei quanto tempo eu mantive o fogo, mas depois do que passou um tempo bem grande, deixei o caldeirão todo fraco de novo, e mais uma vez ele apodreceu...
Eu senti uma grande raiva se apossando de mim, mas quanto mais eu sentia a raiva, ela não explodiu em mim, ela foi...dissipada, não, ela nem se manifestou direito, eu ainda tinha muito o que aprender, mas agora eu conseguia perceber quando eu estava ficando com raiva, e agora não explodiu, minha floresta não seria mais incendiada, bom, pelo menos não tão fácil quanto antes.
Jaci: algo a declarar?
João: eu posso fazer outra coisa?
Jaci: você deve, ninguém consegue completar totalmente o teste do cadeirao, bom, mais porque nenhum fica satisfeito com o resultado.
João: quanto tempo eu mantive o caldeirão quente?
Jaci: 30 minutos
João: e isso é muito tempo?
Jaci: bom, só se você considerar 30 minutos de controle da Aura como muita coisa.
Eu virei bem devagar para a Jaci, ela ignorou meu rosto de raiva, incredulidade e raiva, antes dela continuar.
Jaci: mas claro, 30 minutos apenas se você considerar manter o fogo de sua fornalha de forma constante sem nada te distraindo.
Eu entendi onde ela queria chegar antes dela terminar o raciocínio, mas não presumi nada, apenas deixei que ela terminasse de falar.
Jaci: no entanto, se você considerar manter o fogo da sua fornalha de forma constante enquanto luta e tem que pensar em cada soco e desvio de um oponente imprevisível. Tudo enquanto você tenta manter o fogo constante, o fogo deve durar menos de 1 minuto.
Eu queria ficar com raiva, queria mesmo, mas eu sabia que ter raiva ali seria inútil, nem valia a pena. Então eu apenas olhei o caldeirão e falei.
João: eu devo concentrar o caldeirão por quanto tempo pra tentar o fogo com minha concentração dividida?
Jaci: é melhor esperar até você conseguir conseguir manter o caldeirão por 10 horas, antes de conseguir fazer alguma coisa
João: 10 horas...
Eu falei aquilo, muito mais como um teste se esse número estava certo, e enquanto eu sentia isso, eu via como ao meu redor, tinha uma grande floresta.
João: ...10 horas...
Na segunda vez que falei aquilo, uma tocha apareceu na minha mão, e diferente da outra vez, eu peguei com a chama nas minhas mãos e joguei milhares de fagulhas de fogo por toda a floresta, eu não queria fugir dela, e nem contê-la, diferente as outras duas vezes, eu queria sentir aquilo, muito.
João: ...10 HORAS...
E quando eu falei aquilo, o fogo ficou tão intenso no meio da floresta que tava na minha mente, que ela logo dominou tudo, e eu não tentei lutar contra a chama ou fugir dela, não não, eu gritei com tudo o que eu tinha, eu deixei as chamas me queimarem com tudo, eu bati em árvores a ponto delas caírem no chão, e falei todos os palavrões existentes, tava tudo bem, eu fazer aquilo, porque toda a raiva dentro daquelas chamas deixavam meu verdadeiro corpo longe do mundo, com ninguém além da própria deusa pra ver o que acontecia comigo...
Eu não fugi das chamas, eu senti cada uma delas no meu corpo...e quando eu senti as chamas,algo bizarro aconteceu, as queimaduras em mim...pararam de aparecer, minha floresta, que antes queimava em segundos, começou a aguentar bem mais um pouco.
E depois de eu espernear por mais um tempinho, só pra jogar tudo possível pra fora, as chamas começaram a morrer, minha blusa estava em frangalhos e minha bermuda estava em trapos, mas eu não tava nem perto de sentir a dor que senti nas vezes em que eu fui queimado em minha floresta.
Enquanto eu via meu corpo, olhei em volta e vi como a minha floresta ainda estava quase em pé, ela estava cheia de queimaduras, árvores mortas, e um solo que lutava pra sobreviver, mas não era uma floresta reduzida a cinzas.
Enquanto eu tentava entender tudo aquilo, como a grande divindade que era, a Jaci andou no meio da grande floresta destruída e ainda cheia de fogo.
Onde ela tocava nasciam pequenos brotos, ou grandes árvores eram curadas, ela olhou cada canto do lugar com um grande cuidado, e depois olhou pra mim, com um olhar enigmático.
Jaci: finamente sua floresta está virando um lugar decente
João: esse é o novo teste? Queimar junto com a minha floresta até que ela fique aprova de fogo
Jaci: ah, isso é impossível
João: então o que eu faço agora.
A Deusa da Lua não respondeu imediatamente, apenas olhou ao redor, com um olhar que dizia que ela tinha uma felicidade genuína de ver até aquela floresta incompleta em um estado tão bom assim.
Jaci: primeiro, quero que você limpe o lugar, e depois eu quero que você só...fique aqui, sentado e respirando, mas de olhos fechados dessa vez.
E sabia que não podia ser apenas isso, esses testes, principalmente quando se tratava da Deusa da Lua nunca eram coisas simples, mas como eu sabia que ela não me enganava, eu fiz o que ela mandou, tirei os troncos caídos, varri pra fora tudo que caiu no chão as coisas, e até tentei arrancar as partes queimadas das árvores.
E depois de fazer tudo aquilo, eu me sentei em uma pedra, que ironicamente tinha o tamanho perfeito pra eu sentar sem ficar incomodado, e no meio daquela grande floresta, eu respirei de olhos abertos, demorou, mas bem devagar, eu comecei a me acalmar, meu corpo dolorido, bem devagar começou a ficar um pouco melhor.
E olhando na minha frente, fiquei boquiaberto com a quantidade de plantas que começaram a nascer, como uma floresta de um mundo super rápido, quanto mais eu me acalmava, mais flores cresciam no chão, mais galhos novos eram criados nas árvores, e depois de quase 20 minutos respirando, eu me levantei, ficando impressionado que a minha floresta estava se tornando, mesmo que...
Jaci: exatamente, ela ainda está machucada
João: haaaa, eu nem me impressiono mais, vai, pode dizer
Jaci: eu digo que você precisa controlar suas chamas, mas terá momentos que a chama é tão intensa que você não tera escolha além de deixá-la queimar...bom, quando isso acontecer, você precisa fazer exatamente o que você fez aqui, se esconder em um lugar seguro, deixar tudo queimar dentro de você, e depois pegar o que restou pra reconstruir a floresta que você queimou, mesmo que uma queimadura ou outra ainda fique dentro da floresta.
A floresta que eu fiz era bem, simples, as florestas que a Jaci criava eram sempre tão bonitinhas, mas aquelas ali pareciam tão...reais.
João: gostei mais da minha floresta
Jaci: também gostei dela, ela tem bem mais a sua cara.
Era engraçado, eu ainda tava um pouco de raiva por ter um grande caminho pra dominar meu caldeirão, mas antes de sair do reino da Jaci, perguntei.
João: você não pode me ajudar com meu punho de boxe?
Jaci: (balança a cabeça negativamente) eu até posso, mas eu não quero, cada técnica é única, técnicas de Aura são como receitas de bolo, elas parecem iguais, mas dependendo de quem ensina, a mesma receita tem gostos diferentes...
Ela parou de falar por alguns segundos, dando um sorriso bem divertido e brincalhão antes de falar.
Jaci: eu já provei a técnica do seu Mestre, e confie em mim, com minha orientação e o ensinamento dele, o gosto de sua técnica será incrível.
Hummmm, ouvindo aquilo, de forma meio que instantânea, eu apertei meu punho, e de forma superficial, eu tentei criar uma luva mais detalhada, tentei imaginá-la como uma luva feita de areia, cheia de conchas e desenhos feitos com um palito.
E quando eu olhei pra minha mão de novo, eu vi que ela tinha virado o que eu imaginei...apenas por alguns segundos, antes de se desfazer nas minhas mãos.
João: hummm, acho que preciso de mais treino
Jaci: não tente correr antes de andar, porque engatinhar você já sabe
Joao: entendi, até a próxima.
A Jaci sorriu e balançou a mão pra mim, e eu sorri enquanto eu tava o caminho pra voltar para o meu corpo.
E depois de tudo, eu estiquei meu corpo e me levantei, bem animado para o que iria acontecer amanhã, porque a escola que eu ia ir, eu estava dando tão pouca atenção que eu estava sendo totalmente automático para as aulas, mesmo que eu me esforçasse de verdade nas aulas, e por causa disso meio que não tinha muito que me preocupar ali.
Nao nao, o que realmente merecia a minha atenção era como eu iria apresentar a minha amiga pra minha namorada...até que eu comecei a pensar se a Tainá era apenas a minha amiga mesmo...não, tinha algo no meio disso também...hum, eu tinha muito o que pensa antes do grande dia chegar.

