tinham 4 dias antes do domingo, e na sexta, eu fui levado para o treino, com toda a tranquilidade que teve ultimamente, eu quase esqueci que eu precisava treinar, e esse simples fato me deixou mais pensativo e com mais vontade de treinar sério do que nunca.
Quando entrei nos portões do dojo, senti uma energia incrível, mas com o tempo eu apenas pensei que era apenas o meu desejo de batalhas, que ficou muito tempo quieto para se recarregar, ansioso para ser esvaziado na cara de alguém de novo mesmo que fosse apenas a minha cara recebendo vários golpes no rosto.
Quando cheguei no treino dessa vez, pra variar, tudo estava bem bagunçado, o Nilo, o Luca, Taiana e outros adolescentes estavam num cantinho papeando.
O Raony e a Artemis estavam sentados no chão, com o Raony recebendo dicas da Artemis de como cuidar de crianças, já que ela quebrava um galho e ficava de babá pra crianças das suas irmãs por algum tempo.
E junto de sanção, o grande grupo de velhinhos que de alguma forma, também alcançaram a faixa laranja e verde, estavam acumulando o máximo de energia antes do treino começar.
Eu sempre achava doido como esse cima do pré-treino nunca mudava, todo mundo sempre ficava nas mesmas posições, ate mesmo eu, me aproximando do grupo dos adolescentes, começando só falando alguma bobagem sem sentido, eu me coloquei na minha pose, e ali fiquei por um bom tempo, não pensando nenhum segundo em mudar aquilo.
Isso até que o mestre chegou, não demorou 10 segundos antes de todos entrarem em formação e fazerem os comprimentos, pro resto acontecer demorou mais algum tempo, mas depois de nos aquecermos e nos alongarmos, ficou decidido que eu ficaria com a Artemis, uma parceira de treino bem mais considerativa, mas que ainda eu precisava tomar cuidado pra quando fosse fazer qualquer coisa.
A primeira sequência que o mestre colocou para nos fazermos era bem simples, e quando eu fiz a técnica pela primeira vez, a Ártemis falou no meio dos golpes vários defeitos, tanto meus jabs…
Artemis: não não, você tá alinhando errado, tem que colocar seu punho esticado na mesma posição do ombro, da mesma forma que você joga um pouco o ombro pra cima, quase como se tentasse proteger o queixo usando o ombro.
Ou meus chutes eito e faca.
Artemis: não não, isso também não tá bom, você não pode só girar o quadril, você tem que trabalhar os ombros e o quadril ao mesmo tempo .
E até as combinações.
Artemis: você tem que aprender a conectar melhor cada técnica, existe um pequeno intervalo em alguns de seus ataques, intervalos perfeitos para, um certo zumbi atacar.
E rindo, eu dei um soquinho nela, mas os meus ataques não eram a única coisa que ela via, ela fazia questão também de me fazer aprender com a defesa.
Artemis: joga mais seu corpo quando eu chuto, não se baseia apenas em defender tudo na força, assim como ataque, defesa no final também é jeito.
E como era jeito, eu tentei com tudo aguentar os golpes destruidores da Artemis por um bom tempo, mas a força sozinha não era e nunca foi o suficiente, foi apenas na pura prática que eu aprendi a forma certa de fechar minha guarda, de jogar meu corpo no lugar certo, e como usar minhas juntas de forma perfeita para não usar força demais de um jeito só….
Ok, talvez “perfeito” fosse um exagero, mas eu realmente melhorei bastante minha defesa treinando com a Artemis, é diferente do concurso de quem caia primeiro que eu tinha constantemente com o Raony, eu sentia que tava aprendendo mais com a Artemis.
Bem do nosso lado, estavam os irmãos inseparáveis, com o Luca finalmente conseguindo controlar a própria força depois de bastante tempo, pelo menos controlar o suficiente para não machucar o próprio irmão…muito. O mestre pareceu finalmente entender que o Nilo estava escondendo algo, mas ele não queria falar isso na frente de todo mundo.
E pra se quase um contraponto, olhei pra esquerda, e vi o Raony e o Sansão, com uma brutalidade em cada golpe que pareciam estar tentando matar o outro ao invés de treinar, cada golpe que eles davam criava um soco que parecia algo digno de um treino de pesos pesados…bom, eles eram pesos pesados, então até fazia sentido, mas ainda era sinistro ver o Raony acertando Sansão com uma força que ele nunca usou comigo, eu ficava assustado apenas vendo o quanto ele realmente se segurava quando treinava comigo.
Fui tirado da minha distração por um golpezinho da Artemis.
Artemis: não se distraia, eles são eles e nós somos nós.
Com aquela simples palavra, eu olhei com cuidado para a Artemis, ficando bem feliz que ela era a minha veterana.
Ártemis: eu já te falei que eu gosto de treinar com você?
João: não, mas ficou subentendido
Mestre: falem muito e vão perder o fôlego, já foi o bastante, abdominal duboe, 200, 50 flexões e depois água.
Ouvindo aquilo, agente deitou no chão e começamos o abdominal, era estranho ver uma sequência de exercícios normais depois de tanto tempo, mas talvez eu que tenha me acostumado a ter grandes exercícios que fazem meus músculos gritarem, a ponto de que um exercício desses é uma molezinha ainda.
E quando levantei pra pegar minha água, a Ártemis me falou algo bem interessante.
Artemis: nossa, eu agradeço muito que o mestre deixou que eu treinasse com você, com a faixa azul chegando, eu preciso focar menos na força e mais na técnica
João: de nada, você é uma ótima parceira de treino também…ai, você já encontrou sua prima?
E com um sorriso que fazia ela parecer bem mais uma predadora que uma lutadora, ela falou.
Artemis: sim, e eu tenho visto as lutas dela, pra ver se eu encontro algum padrão…mas é algo difícil a garota é um monstro
João: ela é a sua parente, eu acredito isso.
E quando agente descansava um pouco, eu vi o Nilo e o Luca levantando, pelo jeito o mais velho tava finalmente descobrindo como controlar a própria força, e isso me deixava feliz de formas inimagináveis.
E mais na frente, eu vi o Sansão e o Raony, ainda na posição do abdominal duboxe, com roxos por todo o corpo, roxos esses que eu não pensava ser possível ter em um treino usando proteções, ele estavam com tantos machucados que eles nem conseguiram fazer os abdominais direito.
E quando todo mundo acabou devagar o treino, apenas o Raony e o Sansão continuavam no chão, mesmo com um exercício tão simples como aquele, os corpos deles estavam muito machucados para eles fazerem o exercício direito, me fazendo pensar que foi por isso que o Mestre fez exercícios tão simples dessa vez.
E como uma garantia do que eu acabei de pensar, o Mestre foi até eles, bem calmo, mas com um olhar que mostrava a raiva que ele tinha pelos dois terem feito aquilo.
Mestre: o que houve?
Raony: agente só ta cansado
Mestre: ah, é mesmo, pessoas conseguem mesmo se cansar mais rápido por causa da dor, nesse caso, porque vocês não tentam ir mais devagar no treino na próxima? Eu sou completamente a favor de devolver na mesma moeda a força que seu adversário de jogar, mas quando chega num ponto onde vocês vão ficar sem vir por mais de uma semana, então fica complicado pra todos
Raony: bobagem, eu só preciso de um creminho…
Mestre: você perdeu a cabeça junto com o corpo? Olha as manchas Raony.
O Mestre apenas falou aquilo, nem falou muito, mas assim que o Raony e o Sansão olharam os ferimentos, eles viram, não eram roxos normais, eram roxos cheios de aura, roxos que não podiam ser desfeitos apenas com um creminho, eles iriam precisar ir pro medico.
Mestre: você tem que cuidar melhor de seu corpo Raony, não só por você, mas pelo pirralho também.
Ouvindo o mestre chamar o filho dele de “pirralho” fez o Raony tentar se levantar, mas ele não tava nem conseguindo isso. E vendo o Mestre ali na frente, mas não conseguindo chegar nele, o Mestre olhou pro Sansão, que não tava conseguindo nem mesmo se colocar na posição de abdominal.
Mestre: isso foi o bastante pra você?
Sansão: ….
O Sansão não respondeu, ele falava tão pouco que todo mundo pensava que ele era mudo, mas mesmo sem falar nada, o Sansão olhou pro mestre e balançou a cabeça devagar em confirmação. E com o mestre vendo aquilo, ele olhou pra todo mundo, e falou.
Mestre: muito bem, chega de descanso, olhem a próxima sequência.
E como se nada demais tivesse acontecido, ele voltou a fazer os exercícios, e com os corpos do Raony e do Sansão estalando e cheios de hematomas, eles se colocaram na posição perfeita pra ver os golpes.
Quando voltamos a treinar, mais uma vez eu fui pego no ritmo da Artemis, mas algo que eu fazia com o Raony de repente pareceu bem melhor com a Artemis, depois que meus ataques e defesas foram corrigidos, com o tempo eu e a Elena começamos a entrar no grande ritmo, fazendo as sequencias de forma forte e rápida, cada golpe meu carregava uma grande potência, e cada chute tentava tirar a Ártemis de equilíbrio, mas não um chute usando toda a força, pelo menos não a força total.
“Não precisa usar todo seu poder”, muitas artes marciais tem esse conceito, mas pro boxe, esse conceito era simples, aqueles que usam o poder total, na maioria das vezes não conseguiam voltar com os golpes, e cada soco meu, mesmo sendo forte, era totalmente controlado por mim.
Algo que a Artemis dominava muito bem também, por isso que quanto mais tempo passava, eu e ela trocamos golpes, nossos corpos ficaram quentes a ponto de ficarmos vermelhos até o momento do próximo intervalo, onde fizemos mais uma seção de 100 flexões normais e 100 abdominais normais, em meio ao exercício, nos sentimos muito mais frios do que quando estávamos lutando antes.
João: é muito bom treinar com você
Artemis: é, você também.
O Raony e o Sansão continuavam no chão, sem ter a força sua capacidade de fazer qualquer movimento direito, e como uma motivaçãozinha extra, o Mestre foi até ele, os olhou por alguns segundos, e sem falar nada, ele esperou todo mundo se preparar, e depois falou.
Mestre: se preparem, terá combate hoje.
UOOOOUHOUHOUHOU, combate? Já faz muito tempo que nós não fazíamos isso, seria divertido.

