Os passarinhos do nível 2 eram bem diferentes, porque eles eram pássaros que depois de absorverem tanta aura do meu pai através da simples convivência, conseguiam evoluir.
Eles não apenas ganharam poderes, na aparência antes da evolução, todos os pássaros pareciam iguais, cada um tinha um potencial oculto, que só precisava de um pouco de paciência para deixá-lo despertar.
Por exemplo, o grande gavião real na minha frente conseguia criar fogo, mas não era um fogo qualquer, ele era grande, durao e pesado, a ponto de cada asa dele era feita de ferro.
No braço da minha mãe, existia um passarinho que não parecia ter um corpo, ele tinha milhares de penas feitas de papel, com o núcleo dentro dele parecendo quase uma tempestade ambulante.
No braço do meu pai existia dois gaviões reais, um gavião com 4 asas, 4 garras e duas cabeças, que parecia perfeito pra batalhas de longo alcance. E um gavião real que não tinha penas, e possuía a aparência idêntica a de um morcego, só que bem mais assustador.
Apenas meu avô não tinha nenhum junto dele, e como eu pensei, ele estava muito chateado de não ter nenhum com ele.
Avô: qual é filho, não pode deixar seu pai cuidar de um deles?
Pai: desculpa pai, mas eu não posso deixá-los perto de você, é preciso tomar cuidado para não acabar causando muito dano a eles, ou que você os irrite e eles acabem machucando você
Avô: eu aguento uma dorzinha ou outra
Pai: é, eu sei, mas não quero que meus passarinhos gostem de machucar pessoas no Aviário.
E se aproximando bem devagar do próprio filho, meu avô encarou com cuidado pro meu pai, e antes dele falar qualquer coisa, eu sabia que aquele era o “avô maneiro” em seu 100%.
Avô: então que eles gostem de me atacar.
Eita, péssima escolha de palavras, assim que o meu avô falou aquilo, ele deixou os gaviões reais voarem pro ar, e sem medo, ele foi até o meu avô, e o olhou nos olhos com um rosto marrento, ficando bem perto um do outro.
O concurso de quem pisca primeiro mais intenso do mundo começou, nenhum deles recuou, mas o meu avô sorriu no meio do teste, como se já estivesse satisfeito com o que o meu pai mostrou ali.
Avô: nunca recuar, nunca se entregar. Com um olhar desses você poderia até expulsar o próprio chefe do conselho do seu Aviário se ele sequer levantasse a voz pra você
Mãe: incrível né, meu homem consegue uns 100 quilos de testosterona quando entra no Aviário
Pai: (cruza braços) é necessário, porque eu sou o líder desses pássaros, e tanto eles quanto todos aqui devem respeitar isso.
Eu amava ver o papai assim, a mamãe também, porque ele agora parecia 100 vezes maior, tudo pra conseguir falar com qualquer um que o desafiasse lá dentro, e o vovô, pelo que parece, amar muito esse lado dele também.
Avô: queria que você pudesse ficar assim o tempo todo
Pai: eu também pai, eu também.
E depois daquele embate de confiança, meu avô aceitou que era melhor ele não mexer com meu pai, pelo menos não quando ele estivesse no Aviário.
Depois daquilo, levamos os animais pra fora pra nos divertir um pouco com eles, porque como os outros, meu pai com certeza fez as coisas chatas, porque com os nossos assovios, os animais nos obedeciam de todas as formas.
Eu fiz o meu pássaro de fogo criar grandes explosões de grande fogos de artifício, e depois fiz ele acertar algumas maçãs que eu joguei no ar, e no fim eu jóquei um grande laranja bem longe, mas como um grande jato de fogo, ele criou um grande caminho e mordeu aquela laranja no ar, e com aquela laranja, o grande gavião real fez 10 explosões de fogos de artifício estilo catavento, cada uma com uma cor diferente.
Quando ele pousou novamente no meu braço ele tava muito feliz e animado e eu apenas fiz carinho nele, e o grande animal esfregou o rosto na minha cara, hehe, e graças a minha proteção de fogo, eu conseguia fazer carinho nas penas de ferro dele e no corpo sem nem me queimar, sentindo apenas um calorzinho aqui e ali.
Joao: hehe, eu fico com pena dos caras que tiveram que cuida dos pássaros antes dos equipamentos ficarem bons de verdade
Pai: não sinta, agora eles são meus melhores empregados
João: hummm, tenho certeza que eles iriam preferir evoluir mais devagar do que ter o “resultado” através da dor
Pai: e como, eles me lembram disso todo o dia.
Olhei pro lado, vendo a minha mãe no outro lado da floresta, estava se divertindo deixando o gavião real indo pra cima e deixando a tempestade dele sair pra respirar, não tinha outra forma de dizer isso, o passarinho se libertou, e deixou com que todos os pedaços de papel que criavam ele se dispersarem, criando uma grande tempestade de forma esférica.
No meio de todo aqueles ventos, minha mãe pegou um pedacinho de pedra, um pedacinho de maçã, e uma faca. E os largou no ar, deixando o vento levar, e com o tempo, a pedrinha foi destruída, a maçã foi despedaçada em 6 pedaços perfeitos, e a faca foi pega pelas garras do pássaro e levada pelos ventos e jogada de volta na minha mãe.
E depois o passarinho usou seus ventos pra erguer milhares de pedregulhos no próprio ar, e fez elas colidirem com tanta força e tanta graça que parecia até mesmo uma destruição programada, e quando a última pedra restante caiu, eu fiquei impressionado com o que a pedra virou.
O pássaro da minha mãe deixou apenas uma pedra “inteira” e a pedra sem forma antes se tornou numa grande estátua do rosto do meu pai, o que fez nós dois ficarmos impressionados com isso, e olhando de longe, meu avô tava tão empolgado em conseguir cuidar de um passarinho ele falou.
Avô: ai filho, quanto é um pássaro desse:
Pai: o nomal é 300 moedas de ouro
Avô: ah, tá caro, mas acho que posso compra
Pai: pai, agente pode falar sobre isso outra hora:
Avô: ah, claro filho, claro claro.
O vovô com um pássaro: não sábia se o fato de que eu conseguia ver meu avô cuidando dele deveria me deixar mais calmo ou mais nervoso, porque os dois pareciam estar brigando na minha cabeça por dominância.
E depois eu olhei pro seu pai, ele estava lidando, ou melhor, brincando com dois passarinhos de uma vez, e ele parecia tão calmo enquanto os dois gaviões reais brincavam na frente dele, uma brincadeira com o gavião com mais asas sendo jogada com milhares de poderes do outro gavião, aguentando tudo na propria cara.
Mas o grande pássaro de 4 asas aguentava tudo com um corpo absurdamente pesado pra um pássaro e atingiu o grande pássaro na barriga. Era doido pensar naquela grande batalha como uma “brincadeira” entre os grandes gaviões reais de nível 2, uma brincadeira que era digna de explosões, destruições massivas e milhares de poderes de pura aura sendo jogados na cara dos animais.
Mas eu sabia que era uma brincadeira, porque meu pai os olhava a todo momento, e que a brincadeira passava do limite, meu pai sempre se colocava no meio.
E depois de brincar apenas com 4 pássaros, eu e minha mãe ficamos tão cansados que decidimos entrar no Aviário do meu pai de novo.
Vovô: nossa, você faz isso todo dia filho?
Pai: quem dera, eles estão calmos depois de que eu já cuidei da época de acasalamento do mês, deixei eles longe de parasitas e milhares de outras coisas que deixariam eles nervosos o bastante pra deixar até guerreiros experientes em perigo.
E quando meu pai falou aquilo, e assobiou para os pássaros voltarem para seus lugares, meu avô viu que as paredes onde ficavam os ninhos dos passarinhos eram divididas em 3 cores, uma azul na base, uma amarela no meio e uma vermelha no topo.
Pai: sei o que você pensa do meu trabalho, mas cuidar de pássaros, principalmente de um gavião real, não é a moleza que você tá pensando não.
Mas o meu avô não ouviu, ele ficou olhando pra cima, para a pequena seção apenas de 20 gaviões reais que estava lá em cima.
Avô: filho, o que tem lá em cima:
João: ah, aquilo? (aponta pra cima), nada demais, são apenas os gaviões separados pra meus clientes especiais
Avô: tipo quem?
João: não posso contar, sabe como é, conduta de vendedor
Avô: mas que coisa.
Apesar de ter falado aquilo, meu avô continuou olhando pra cima, em, mas bem fascinado por aquele pequeno conjunto de pássaros, que pareciam ser capazes de destruir facilmente os gaviões reais nas paredes amarelas e azuis combinadas, e o mais sinistro era que eles conseguiam mesmo.
Avô: seus clientes especiais devem ser pessoas bem sinistras
Pai: bom, não é atoa que eles são especiais.
E depois de passarmos mais um tempinho ali com meu pai, decidimos voltar pra casa, já entendendo muito bem que acabamos ficando bem mais lá do que esperávamos, o arquipélago inteiro já tava ficando escuro. E quando olhei meu avô, de novo eu vi, o “vovô verdadeiro” aparecendo de novo, a ponto dele falar.
Avô: soube que você falou de “ser um cuidador de aves não ser uma tarefa fácil”...eu meio que to aprendendo sobre isso aos poucos, eu to velho e gagá, tenha paciência comigo.
Involuntariamente, com aquela fala agente riu, mas meu pai, ainda bem calmo, respondeu.
Pai: claro claro…só se voce tiver paciencia comigo
Avô: agente tenta né.
E então nós continuamos em silêncio, ninguém falou nada, desde o caminho de volta até a alcateia até o caminho para a casa. Mas tava nítido que meu pai tava com bastante coisa na cabeça, e cada vez que via meu avô e meu pai juntos, ficava pensando, “como pessoas tão diferentes conseguem conviver tão bem?”...e quando perguntava isso pra mim mesmo, a única coisa que eu podia pensar era porque eles eram pai e filho, porque não existia qualquer explicação além dessa, que minha mente conseguia entender.
Pai: agente não precisa ser igual pra se entender, nem se especificamente pai e filho pra gente se entender. Agente consegue se entender e conviver bem porque nós queremos nos entender
João: ah não, eu falei isso alto?
Pai: não, mas não preciso ouvir você falar alto pra saber o que você tá pensando
João: justo.
E enquanto eu olhava pra janela, pensei como o Nilo ia participar de um jogo, e apenas pensando naquele loirinho doido em uma competição me fez querer vê-lo…aaaah, mas eu não via a Elena a tanto tempo, eu teria que escolher um deles…ou eu poderia fazer os dois ao mesmo tempo?
Tentando me distrair um pouco desses pensamentos, comecei a pensar um pouco naquela seriezinha nova que eu comecei com o Luca hoje de manhã, e pensando como amanhã o episódio sairia bem tarde de noite, e bem cedo de manhã…se eu visse o episódio bem cedinho, talvez eu teria algo pra discutir com o Luca pra me dar mais tempo de pensar

