Eu olhei atentamente pra minha mãe, eu não fazia ideia de qual estilo ela usava, mas sabia apenas pela aura emanando ali que a luta seria bem doida.
Apenas andando e se colocando em posição de combate, minha mãe pareceu mudar, ganhando uma forma bem maior, o “veneno” que eu vi no caminho pra cá começou a se tornar uma grande demonstração de presas, e seu corpo, que antes parecia normal, através da Aura, parecia ter se transformado mole como o de uma verdadeira naja.
Enquanto meu Avô, ele ficou muito maior, ele não mudou de posição, mas a Aura emanando dele era tão intensa que ele ficou duas vezes maior do que antes, seus punhos e pernas pareciam agora feitas do mesmo material do chifre de um rinoceronte imenso e seus musculos, ja enormes não pareciam nada naturais.
Eles estavam exalando um tipo de poder que eu nem tinha nomes certos pra descrever, que tipo de luta seres tão poderosos e diferentes um do outro poderiam criar?
Então, minha mãe andou bem devagar até o vovô e a primeira troca de golpes aconteceu, ou melhor, golpe, com um único soco, meu avô jogou o punho na cara da minha mãe, e como uma cobra, ela não apenas desviou, como se aproximou em dois passos do meu avô, mas logo depois, o punho do vovô começou a disparar milhares de parafusos voadores na direção da mamãe.
Mas então a minha mãe afinou o próprio corpo mais, até ela ser apenas um pedaço de papel, e ela começou a dançar no meio dos parafusos do vovô, e logo ela conseguiu agarrar meu avô, mas ela não tentou quebrá-lo ainda, primeiro ela se agarrou no corpo dele, fugindo dos espinhos que ele fazia questão de espalhar por todo o corpo dele, no fim, no primeiro agarrão, ela se afastou depois de receber dois socos e dois chutes do meu avô, a forçando a ir para trás, mas ela tava longe de desistir.
Infelizmente, era a vez do meu avô atacar, ele a chutou no rosto, e minha mãe desviou de novo, mas meu avô não tava nem perto de ser pego de surpresa, tanto que quando ele recuou a própria perna, quase atingiu minha mãe na cabeça, mas ela rolou pro lado, escapando da morte certa que seria aquele chute, e de novo tentou o acertar.
Mas quanto mais investidas aconteciam, mais surpreso eu ficava, vendo como parecia que meu avô era quem estava se defendendo da minha mãe, e olhando pro chão eu entendi de onde aquela impressão vinha, o vovô…
João: o vovô está recuando
Pai: daqui a pouco você vai entender o porquê.
E foi logo mesmo, porque em mais um golpe, onde meu avô quase afundou a minha mãe no chão, ele deu um soco no solo tão poderoso que o chão tremeu um pouco, mas nem isso foi capaz de parar o ataque da minha mãe, que logo o agarrou pelo braço esquerdo, e no momento em que meu avô parecia que ia ser machucado, um peso absurdo foi jogado em cima da minha mãe, um peso tão grande que a gravidade ficou visível.
Eu conseguia ver, o cabelo, a roupa e toda a pele da minha mãe estavam sendo jogados pra baixo pela gravidade aumentada, mas com um sorriso no rosto, ela se manteve firme, mesmo com toda a gravidade extra e quebrou o braço do meu tio.
Eu já tinha ouvido e até visto um osso quebrado, eu sou um kickboxer e já tinha visto meus veteranos lutarem a ponto de não saírem inteiros de uma briga, mas o som que o osso o meu avô fez foi tão alto, e tão seco ao mesmo tempo, que eu apenas consegui sentir minha espinha gelando.
Mas o que me deu mais medo foi o rugido que meu avô deu depois disso, foi um rugido tão grande que até os outros Lobisomens tiveram que tapar os ouvidos para aguentar o rugido.
E então eu vi meu avô levantando o braço quebrado, e com um poder místico que eu não entendia, o braço dele foi regenerado na nossa frente, e jogando uma grande quantidade de parafusos com ele.
E a minha mãe viu o punho do meu avô chegando e pareceu que ela se desfez em fios, fios que o meu avô atravessou, não conseguindo a segurar, e então eu vi, minha mãe segurando meu avô através das cordas que os braços dela haviam se tornado, e mais uma vez, os ossos do meu avô foram quebrados, o som de ossos quebrado era algo assustador, e quanto mais tempo passava, mais meu avô se quebrava, e mais faco ele se tornava.
Em mais um agarrão, minha mãe colocou uma pele reptiliana no corpo com uma resistência tão grande, que os grandes espinhos do meu avô não conseguiam perfurá-la…e ela usou aquilo pra agarrar o pescoço do meu avô e…entortá-lo pra trás…foi naquele momento que eu soube que ser um Lobisomem dava uma “quase imortalidade”, pois mais uma vez, meu avô girou o próprio corpo até o pescoço quebrado se consertar de novo.
João: nossa, me faz imaginar o tipo de coisa que o vovô e a mamãe fizeram quando ele não era um lobisomem
Pai: ah, o seu avô perdeu pra sua mãe muitas vezes, vezes o suficiente pra ele saber que precisa ter cuidado com ela.
Ah, e eu conseguia ver isso muito bem quanto mais a luta avançava, quanto mais a luta avançava, mais eu via a minha mãe nem tinha sido tocada, pelo menos não sem que ela mesma deixasse, ela continuava ali, na frente do meu avô e com a guarda bem aberta, porque mesmo depois de ter quebrado vários ossos e se enfraquecido várias vezes, ele ainda se mantia bem forte, forte o suficiente para se firmar no chão e atacar ela de novo, e assim como eu, minha mãe foi atingida, não por incompetência, mas porque o vovô simplesmente era impossível de derrubar.
Mesmo depois de passar por uma dor infernal, ele ainda continuava a acertando, dando socos que chacoalharam a terra, enquanto minha mãe, que mesmo sendo bem mais resistente do que eu, ainda parecia precisar de mais tempo para se manter firme.
Meu avô não dava socos muitas vezes, isso porque cada soco dele parecia um canhão, enquanto o corpo dele parecia mais uma defesa absoluta, cada golpe era rápido e forte a ponto de parecer quase não ser necessário dar um segundo golpe, e em um desses socos, minha mãe perdeu alguns dentes, enquanto meu avô continuava se jogando pra frente.
Infelizmente para meu avô, minha mãe praticava o jiu jitsu, diferente de seu confundido primo, que era o judô, o jiu jitsu nao queria dobrar roupas com pessoas ainda dentro delas, ou agarrar tecidos, não não não, o jiu jitsu foi criado para agarrar o corpo humano em si e quebrar qualquer coisa que fosse colocado no caminho deles.
E como uma confirmação do que eu mesmo falei, minha mae deslizou pelo golpe do meu avô, mesmo perdendo muitos dentes, ela conseguiu segurar o braço do meu avô e quebrou ele enquanto ainda o jogava no chão.
Em mais um movimento, eu vi, enquanto meu avô tentou se levantar, a minha mãe subindo em cima dele, não deixando de ter um único momento de paz, e naquele instante, meu avô perdeu todas as chances, ele tentou bater, tirar minha mãe de cima dele, e até jogar todo o tipo de espinhos na pele dela, mas a pele de cobra da minha mãe criada através da aura não deixou os espinhos do meu avô chegarem até ela.
E mais uma vez, CRACK, CRACK, CRACK, CRACK…o vovô não desistiu, mas com o tempo, o corpo dele começou a desistir por ele, bem devagar, o corpo dele se destransformou de novo, indo de lobisomem para um Sapien novamente.
Minha mãe saiu de cima do meu avô, respirando fundo, com muito sangue e vários furos ao redor dela, e mesmo assim, ela ainda tinha força para ficar em pé, mesmo ofegante.
Eu olhei tudo aquilo bem incrédulo, enquanto meu pai tava bem empolgado com o que a minha mãe fez.
Mãe: como você pode ver sogro, um lobisomem não é trapaça, com a técnica certa, até uma formiga pode ganhar de um lobo.
O meu avô ficou ali, deitado no chão, ele se virou pra ficar de costas pro chão, ele pareceu estar refletindo sobre alguma coisa, apenas para se levantar, e tentar desconversar sobre o que minha mãe acabou de falar.
E respirando bem fundo, meu avô se aproximou de nós com o corpo inteiro e muito bem, mesmo depois de ter sido quebrado várias vezes, ele ainda tinha a aparência de velhinho com cabelo branco, e um corpo definido e “jovem” demais pra alguém com quase 80 anos deveria ter. Algo que eu admirava nele, pensando se eu ficaria assim quando ficasse na idade dele, hehe. E com meu riso interno, eu vi que ele também tava rindo, só não sabia o porquê.
Avô: devo ser um cara bem afortunado por ter parentes que chegam tão longe pra passarem um tempo comigo
João: não nos superestime vovô, agente só veio brigar porque queríamos diminuir e controlar melhor nossa própria selvageria interna
Avô: é por isso que agente se dá tão bem, a nossa loucura está alinhada.
Ele abraçou a mim e a mamãe juntos, mas meu pai, ele abraçou de forma separada, e apesar do verdadeiro carinho que eu sentia dos dois, era incrível como eles ainda tinham tanta falta de jeito pra se comunicar ao falar com meu pai.
Avô: e ai, como é que tá os passarinhos?
Pai: eles estão ótimos, e como é que tá conviver na alcateia?
Avô: ahn, ainda em processo, hehe
???: e que processo.
E mais uma vez, nos viramos para nos vermos a sinistra, perigosa, e absurda e linda, Alfa do clã do vovô. Valentina.
Valentina: ele tá se dando muito bem com os outros
Pai: meu pai se dando bem com alguém? Duvido
Valentina: quer que eu lhe apresente a eles?
Pai: ah não, na verdade eu quero levar meu pai pra ver algo.
E com a Valentina olhando pra nós com uma análise estranha, ela apenas falou.
Valentina: tudo bem, mas não se esqueçam que vai ser responsabilidade sua qualquer coisa que ele fizer
Pai: claro, claro
Avô: ha, finalmente vou sair daqui.
E depois de falar aquilo, a Valentina olhou pra ele, com um sorriso debochado, ela foi embora, porque o vovô não precisava ficar aqui se não quisesse, mas ele queria, ele não queria mais voltar ao território normal, mesmo que não admitisse em voz alta.
Enquanto agente ia para o prédio onde meu pai trabalhava, eu via meu avô nervoso, estávamos dentro da carruagem do meu pai ainda, ainda estavamos longe de estar em lugares que iam realmente afetar os sentidos novos do corpo de lobisomem dele, mas apenas a mudança de clima do lugar o deixava tão nervoso que ele precisava olhar constantemente para o ambiente pra se manter calmo, e vendo aquilo, eu apenas olhei pro meu avô e perguntei.
João: e aí, você tem falado com a vovó
Avô: não, eeeeeeu, queria poder estár no meu 100% antes de conseguir falar com ela
João: ela ta com saudade de você
Avô: eu também, mas eu não quero vê-la até conseguir me controlar
João: porque você não só…convida ela pra vir pra Alcateia?
Avo: você acha que ela vai gostar?
João: eu tenho certeza que ela vai amar.
Faz bastante tempo que eu não falava com a vivo, mas eu tinha conhecido ela o suficiente pra ter certeza que ela iria adorar ir pra Alcateia, mesmo que o vovô ainda achasse que não deveria ser bom levá-la la.
Joao: do que você tem medo? Dela ser expulsa de lá?
Avỗ: não
João: então o que é?
Avô: eu tenho medo que ela ame aquele lugar tanto quanto meu lobo está amando…e se ela amar aquele lugar, não terei mais motivos pra ir embora.
Eu fiquei alguns segundos sem falar nada, e sem conseguir segurar minha língua, eu falei.
João: você sabe que o lobo é você, né?
Avô: jura: então acho que nao quero ouvir meu lobo
João: não ouvir o próprio lobo fará ele morder você, muito forte
Avô: to acostumado em levar mordidas.
Depois de ouvir aquilo, eu parei de falar, como sempre, não dava pra conversar com meu avô, falar com mesmo era o mesmo que falar com um muro, mas apesar de estar triste de nao ter um progresso decente em convencer meu avô, fiquei um pouco melhor e mais alegre vendo que chegamos no Aviário do meu pai.

