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No topo do mundo 🥊1
🫣Desejo🫣
2221 palavras • 12657 caracteres • ⏱ 8 min 53 s

🫣Desejo🫣

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O desejo humano era algo engraçado, o mundo que eu vivia definitivamente era algo fantástico, pra começar eu era um Sapien, e eu conseguia criar uma grande quantidade de energia vermelha e cheia de poder nas mãos, também vivia um grande arquipélago cheio de pequenas ilhas que tinham uma quantidade que se perdia no próprio horizonte, havia várias espécies diferentes onde eu morava, dragões, elfos e vampiros eram apenas os mais conhecidos de seus habitantes, eu conseguia surfar no ar com uma prancha, e eu até mesmo conseguia falar com deuses de verdade.


E mesmo com tudo isso, eu ainda tinha um desejo estranho de ver o desenho de Ari a ariranha, um desenho de super heróis, uma das poucas coisas que não existiam no meu mundo, era algo clássico, algo que os adultos criaram para inspirar crianças a dar lições valiosas e as transformarem em adultos responsáveis quando crescessem.


Bom, crianças duronas pra ser mais específico, porque o desenho tinha sangue e violência o bastante pros pais protestarem contra crianças vendo isso, mas sempre sendo barrados pelo chefe do conselho, sabendo o quanto aquilo era incrível e muito lindo para todas as crianças, para adolescentes e muitos adultos também...como eu.


João: hehe, o desejo humano é realmente algo incrível.


Aquele episódio em si era o final da temporada do programa, aconteceu muita coisa no meio da temporada, descobrimos que o Javali Prateado era o Deiho, o faxineiro…nossa, isso tava tão óbvio, ele tava sempre em cada cena importante, ali, escondido, quase como um bonequinho de “enconte esse personagem”, além de que ele sempre parecia tranquilo, mesmo quando as maiores atrocidades acontecem em cena, e ele tava aí, limpando um chão no quinto episódio da série, um episódio que nenhum fã que se preze não saiba dela....


Luca: o limpador tava lá quando a Ari ganhou os poderes


João: tava a nossa cara o tempo todo.


E depois de muitas batalhas e confrontos, a Ari quase pegou o javali prateado, até que ele montou uma armadilha pra ela onde ela teve que escolher entre sacrificar o amor da sua vida, ou pegá-lo, antes que ele fuja…agente ficou com o coração na mão durante a cena, muito preocupados do que iria acontecer…e ela decidiu salvar seu namorado, Benjamin Benedit, mas mais conhecido como Ben pela comunidade de fãs.


Ben: Ari, você podia ter parado o javali de pata


Ari: e deixar você cair? Eu posso pegá-lo outra hora, mas não posso substituir você.


E apesar de saber as consequências de deixar o Javali escapar, ela ainda abraçou o pequeno Ben bem forte, até que ela falou.


Elena: além do mais, ele não vai fugir.


Então, a cena mudou para o ponto de vista do javali, e enquanto ele fugia, bem machucado depois da surra que a Ari deu nele, muitas pessoas começaram a atacá-lo, e o melhor era que não era gente aleatória, cada um deles eram os milhares de pessoas que a Ari ajudou pelo caminho, tanto os mais fracos quanto os mais fortes, estando ali apenas para ajudar, mesmo que apenas um pouco em acabar com o cara que destruiu a vida de tantas pessoas. 


A maioria deles nem conseguiu arranhá-lo, mas eles não ligavam, apenas atrasá-lo um pouco (algo que era o que eles estavam fazendo) já era o bastante para a Ari chegar antes que ele fugisse, mas assim que ela finalmente o pegou, depois de todas as decisões filosóficas de matar ou nao matar os vilões em todas as temporadas, fiquei pensando no que seria a decisão da Ari, algo que o Luca sentia com muita força ao meu lado também.


Luca: ah, o que a Ari fará, o que ela fará?


João: por favor, mata ele.


O Javali era perigoso demais pra continuar vivo, ele já criou massacres o bastante pra ele ser considerado um criminoso de guerra, e entendendo bem isso, a Ari não o matou, ela o prendeu, por segundos, eu fiquei com raiva, mas assim que eu pensei um pouquinho, e eu pensei um pouco nas coisas que aquele mundo me apresentou até agora, eu me acalmei, algo que o Luca não conseguiu fazer.


Luca: NAAAAAAAAAAO, ELE VAI ESCAPAR, ELE VAI IR PRA PRISÃO E…


João: não é pra prisão que ele vai.


O Luca ficou levemente surpreso com o que eu falei, até que eu pedi pra ele fazer silêncio, e ver o resto da cena. Eu não tinha recebido nenhum spoiler, mas depois de ver aquela série por tanto tempo e fazer várias teorias, depois de conversar com muitos colegas da comunidade de fãs, eu descobri que algo incrível iria acontecer.


E quando o julgamento começou, fiquei muito feliz e no aguardo, enquanto eu sentia que a minha teoria tinha 100% de chance de acontecer. Claro, tinha a chance de eu estar errado, mas o pintor da série nao me decepcionaria assim...pelo menos eu esperava, pegando um pouco da ansiedade do Luca pra mim.


João: isso vai ser épico


Luca: por favor senhor W. H. Zalar, não nos decepcione.


E diferente de tudo que aconteceu em toda a série até aquele momento, a coisa mais épica que aconteceu não foi um grande herói tendo que sacrificou seus princípios, seu povo ou até sua própria identidade apenas para deixar um ideal falho vivo, um ideal que não aguenta o peso de mortes de milhares de pessoas, não não…


A cena épica que todos esperavam era uma simples corte que condenou o grande Javali de Prata a morte, depois de tudo que ele causou, sem nem pensa duas vezes, todo o júri o condenou à morte por cadeira elétrica, claro que por ser uma série pra adolescentes, eles não mostraram a execução, mas apenas aquilo, aquele fato que o Javali realmente morreu colocou um alívio no meu coração, um alivio que me pegou com bem mais intensidade do que eu achei ser possível. 


Eu relaxei na cadeira e fiquei ali, tranquilinho enquanto o Luca ao meu lado gritava e dava grandes pulinhos de alegria, enquanto socava o ar, apenas gritando o quanto aquilo foi incrível.


Luca: HAHAHA, ISSO FOI FANTÁSTICO…


Mas depois, logo ele ficou bem pensativo.


Luca: mas, qual será o vilão da próxima temporada?


João: quem sabe, o autor dessa série tem um dom de pegar coisas que parecem simples, mas que são feitas de forma tão boa que ficam inesqueciveis


Luca: em um mundo onde todos tentam fazer comidas 5 estrelas, diferentes e estranhas, quem tenta fazer um hambúrguer clássico se destaca


João: ah, mas esse é um hambúrguer muito bem feito


Luca: é, é mesmo.


E com aquela última palavra, o Luca olhou para as pinturas, e começou a trocar de pinturas, provavelmente tentando encontrar alguma coisa melhor pra ver, e do nada, eu falei.


João: é estranho pra mim sabe


Luca: o que é estranho?


João: isso, eu vivo num mundo incrível, onde eu posso fazer várias coisas, eu posso lutar, voar e aprender coisas com a verdadeira Deusa da Lua…quando eu penso em tudo isso, ver esse desenho, parece meio fútil sabe.


O Luca então parou de mexer a pintura, ate ela desligar depois de ficar sem ser mexida depois de um tempo. O Luca ficou sem falar alguns minutinhos, e depois falou.


Luca: não são apenas desenhos, são professores


João: professores?


Luca: sim, cada desenho que aparece na pintura quer te ensinar algo…disciplina, amor, confiança, aventura, coragem. Para os bebês que não entendem nada do mundo, essas pinturas são professores tão importantes quanto os professores reais…


Enquanto o Luca falava aquilo, eu pensei em todas as séries super violentas e cheias de ação que eu vi quando era criança, e como eu, no meio da minha compreensão pequena sobre mim mesmo, conseguia me aliviar um pouco vendo a violência sendo feita por outro personagem, pois ele fazia algo que eu queria muito fazer, e bem devagar, talvez eu tivesse tentando entender como usar minha raiva como ee, e no fim, eu devo ter conseguido.


João: é, eu aprendi bastante coisa por essa pintura


Luca: foi através das pinturas que o Luca aprendeu a falar…e foi através das pinturas que o Luca entendeu que não era um coitado…apenas alguém diferente.


Eu nunca me cansava de ver aquele olhar dele, o olhar que mostrava como, mesmo com muitos problemas, ele não era alguém inocente e super frágil a ponto de não conseguir ficar sozinho, assim como muitos pintavam os com a maldição do gigante feliz: pobre coitados sem nenhuma forma de mudança.


Luca: essas pinturas motivaram o Luca ser uma pessoa melhor…Joãozinho, a pintura motivou você de algum jeito?


Eu fiquei um pouco pensativo com o que o Luca falou, lembranças, lembranças do que a pintura me ensinou, bom, além de como ser um ser humano decente e educado, elas também me ensinaram a ser um cavaleiro, como tratar mulheres, e…mais o que?


Joao: hmhmhm, acho que as pinturas me ensinaram que eu podia sim gostar de ser violento, que não tinha nada de errado em em ser um pouco bruto ou brigão, desde que eu jogasse tudo no lugar certo…


Falar aquilo em voz alta era bem doido, pois me dava uma paz de espírito que eu ainda estava tentando entender, então eu fechei os olhos, respirei fundo, e falei.


Joao: muitos me diziam que a minha violência era algo ruim, por muito tempo, porque eu não apenas descarregar minha raiva nos outros, eu gostava de machucar os outros, bater, fazer as pessoas sentirem dor, uma adrenalina sinistra passava pelo meu corpo sempre que eu fazia isso, e nada que eu já vivi tinha sequer comparação com isso…


O Luca não estava falando, mas eu não liguei, se tinha uma coisa que o Sapien era, era que ele era um excelente ouvinte.


João: e as pinturas me ensinaram que isso não é algo ruim…apenas que essa violência que eu ansiava tanto tinha a hora, lugar e pessoas para mostrar. Eu demorei pra encontrar cada uma dessas coisas, mas quando encontrei, senti como se tivesse encontrado o tesouro mais valioso do mundo. 


O Luca ficou sem falar nada por alguns segundos, até que ele falou, de novo.


Luca: o Luca era uma essas pessoas certas:


João: você se tornou uma dessas pessoas certas, depois de melhorar tanto, mas eu não quero dizer apenas como pessoas ruins, convenhamos Luca, eu era muito perigoso quando era criança, se eu te mostre esse lado jovem, eu provavelmente ia te machucar


Luca: toda criança é perigosa quando criança até um certo grau


João: o meu grau era muito maior


Luca: hahaha…


E depois de rirmos um pouco, agente ficou um tempinho em silêncio, e tentamos encontrar outro canal para ver, enquanto a segunda temporada da Ari a Ariranha não chegava.


E nesse meio tempo, não precisamos falar nada, por mais que agente ainda passasse por um certo desconforto, eu e o Luca viramos amigos o suficiente para ficarmos nesse silêncio confortável em certas ocasiões, como agora.


Nenhum de nós via qualquer necessidade de falar qualquer coisa, e eu sentia que tava ganhando outro tipo de medalha apenas por ser capaz de fazer isso com ele.


Olha só, nós encontramos outro programa, que tinha o símbolo “baseado numa história real". 


E esse era bem mais doido que o da Ari a Ariranha, era uma história de um grupo de soldados, que depois de se sacrificarem pro batalhão deles fugirem, reencarnaram em filhotinhos de onça.


Aquilo foi impressionante, de formas que palavras normais não podiam descrever, mesmo vendo só um episódio, eu tava tão pego pela história que quando ele acabou eu virei pro Luca e falei.


João: tipo, o segundo episódio pode começar agora por favor?


Luca: é, eu quero que ele comece, COMEÇA O PRÓXIMO EPISÓDIO


João: COMEÇA O PRÓXIMO EPISÓDIO.


Agente ficou gritando com a pintura televisão por um bom tempo, até ficarmos roucos…eu sempre amava como eu parecia voltar a ser uma criança quando ficava perto do Luca…hehe. 


Como sempre, eu entendia melhor porque ele tinha que usar o colar de girassóis, mesmo com uma aparência que já deixava claro que ele era um Singular, com a forma como ele falava graças as poções e os tratamentos, sempre ficava bem difícil de dizer se ele realmente era um Singular se não fosse pelo colar de girassóis.


João: já falei que você é incrível Luca?


Luca: não hoje, mas o Luca gosta muito de ouvir isso.


E dando um último abraço naquele que eu considerava meu amigo mais profundo, eu me levantei, e saí da casa dele.


Joao: ate a proxima Luca


Louca: até a próxima.


Enquanto eu andava pra me encontrar com Elena, eu pensava como o Luca finalmente conseguia fazer aquilo. 


Apenas com o que ele falou, pensei como o meu desejo pelos desenhos era algo mais profundo do que eu conseguia imaginar, um desejo de aprender, melhorar, não cometer os erros que personagens cometem na tela, aprender a quem confiar, aprender até onde devo ir, aprender quando devo desistir, e aprender quando eu posso ser teimoso.


Tudo isso eram apenas exemplos de todas as coisas que eu podia aprender com as pinturas, enquanto eu chegava para ver a grande batalha de Capoeira da minha garota, eu sentia que seria bem empolgante ver até mesmo as grandes batalhas que os reencarnados passariam naquela série que estamos vendo agora, hehe.


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