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No topo do mundo 🥊1
🍕comemoraçao🍕 parte 2
2038 palavras • 11375 caracteres • ⏱ 8 min 09 s

🍕comemoraçao🍕 parte 2

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Eu falei isso, o Nilo prometeu muita coisa, mas no fim, a gente apenas comeu 5 fatias das pizzas que passaram, porque sim, a gente tava guardando espaço pra as especiais. 


E ironicamente, quando a primeira chegou, foi a Artemis que pegou, uma pizza especial muito doida que dava um peteleco em você sempre que recebia uma mordida, tinha que ser rápido pra desviar do peteleco e depois comer a pizza.


E depois mais pizzas doidas chegaram, uma pizza que você tinha que passar sal em cima pra ela mudar de um vermelho super salado a um azul super doce. 


Outra que era tão recheada que ela se desfazia igual a um burrito quando se mordia. 


Outra que tinha tomates engraçados que ficavam saltando na izza antes de serem pegos, e muito mais. 


E no meio dessas pizzas doisas, o Nilo tentou conversar mais comigo.


Nilo: me fala, como tá as suas pinturas?


Joao: em progresso, elas já pararam de ficar tortas, e até aprendi a colocar "movimentos" na pintura, sem precisar da Aura, o que me fez pensar que eu deveria deixar a Aura pra depois, e apenas fazer o que eu tenho vontade com o tempo


Nilo: bom, bom, pra mim eu apenas to jogando futebol...e apesar de gostar muito do lugar, ainda não falei pros meus pais


João: deixa eu adivinhar, tá com medo deles gostarem, mas falarem pra você parar por causa do Luca.


E com um rosto bem triste, o Nilo falou.


Nilo: é, eu amo meus pais, e gosto que eles gostem tanto do meu irmãozinho, porque eu também amo ele, mas eu sou o filho deles também, eu sou o Nilo, não o Nilo e Luca...às vezes parece que eles não conseguem diferenciar agente.


E mais um olhar distante, um que eu entendia muito bem por já conversar essas coisas com o garoto muitas vezes


João: a quanto tempo você tá ali?


Nilo: uns 3 meses, de alguma forma consegui fazer as sessões noturnas, no fim sou tão doido quanto o Raony


João: não, com certeza o que você tá passando é mais tranquilo que ter um filho


Nilo: fala isso pras minhas pernas doloridas


João: E fala isso pros olhos quase zumbificados do Raony.


E depois de falar aquilo, eu apontei pro Raony, e eu calei o Nilo na hora, porque o Nilo pelo menos parecia bem, enquanto o Raony, mesmo melhorando, ainda parecia bem afetado com o que eu acabei de falar.


João: espera completar um ano antes de falar isso pra eles, depois de aguentar um ano assim, eles entenderão que você não tá fazendo isso de brincadeira, e se você quiser apoio extra, saiba que eu vou estar do seu lado pra isso.


E com um rosto bem mais leve, mesmo que ainda bem abatido, o Nilo falou.


Nilo: é por isso que você é o meu amigo


João: obrigado, agora, podemos voltar a comer?


Nilo: nos devemos


As próximas pizzas que chegaram foram as pizzas que explodiram quando eram comidas errado, algumas explodiram confeitos de açúcar, outras explodiram bombas de tomate na cara e as mais perigosas explodiram bombas de pimenta. 


Quando um dos alunos levou uma bomba de pimenta na cara, em segundos, ele levou um jato de spray na cara pra se acalmar. 


Eu sempre me impressionava com a naturalidade que os funcionários faziam coisas com aquela, já dava pra ver que eles passavam muitas vezes por isso pra conseguirem fazer tão bem. E no meio da nossa comilança, falei.


João: pera ai, o Luca sabe disso também?


Nilo: sabe, muitas vezes ele vai nos treinos de manhã pra me ver jogando quando nossos pais estão ocupados


João: hmhmhm, não sabia que seu irmão podia mentir tão bem


Nilo: é o que eu vivo tentando dizer pra todo mundo, até pros meus pais, o Luca não é um coitadinho, ele é bem mais inteligente do que muita gente com um cérebro nor...Assingular.


Ele quase errou, "Assingular" era a forma que pessoas mais chegadas a amaldiçoados chamavam os "não amaldiçoados", porque chamar "nao amaldiçoados" de "normais" parecia feio demais, até que um doido teve a ideia de chamá-los de "Asingulares" não singulares, porque o nome mais bem visto dos amaldiçoados eram, "singulares", mesmo que ainda fosse um nome bem menos utilizado do que o outro.


Nilo: às vezes eu tenho vontade de deixar o boxe é só jogar futebol...os treinos são legais, mas...eu me sinto muito mais eu quando eu to jogando bola


João: convencer o mestre vai ser fácil, mas a sua família, esse vai ser o verdadeiro problema.


E quanto mais eu falava, mais o Nilo parecia entender o que tentava dizer.


Nilo: quer saber...é, acho que um ano de preparo vai me a a coragem pra eu falar a verdade pra eles


João: e nem um segundo a mais


Nilo: e nem um segundo a menos.


E bebendo um copo de refrigerante, o Nilo parecia ter uma motivação nova no rosto, mesmo que fosse uma motivação que demoraria bem mais pra se concretizar, mas mesmo assim, estava feliz, pois querendo ou não, o Nilo era meu calouro também, mesmo que não fosse por muito mais tempo.


E no meio desses meus devaneios, as pizzas que pareciam pequenos prédios de tantas camadas de queijo, presunto e mais queijo que tinha nelas, começaram a chegar, era como comer um bolo feito de queijo e presunto, e de brincadeira, o Raony até falou. 


Raony: a primeira mordida será como o paraíso, e a segunda vai nos levar até lá


Joao: hehe, bom, então aqui está minha passagem só de ida pro paraíso.


Falei enquanto mordia um pedaço bem grande da pizza, e depois de degustar o primeiro pedaço, senti cada resquício da lactose da pizza já preparando a grande bomba dentro da minha barriga. 


E sentindo que eu realmente iria pro paraíso depois de sair dali, consegui tempo o suficiente pra falar com o Luca sobre algo muito importante, eu gostava dos dois irmãos, os dois separadamente, porque ambos eram bem legais de se ter por perto, então pedi pro Nilo deixar que nós trocássemos de lugar, pra termos uma conversa um pouco mais formal.


Joao: ai, eu vi todos os episódios, e eu me impressionei que a Ari tinha tanta coisa pra contar, incrível, ela viveu em um mundo totalmente barulhento, perigoso, onde parecia que o ponto mais baixo da humanidade estava concentrado, e mesmo assim, ela não desistiu, ela continuou se esforçando e trabalhando até o ponto em que ela virou uma cientista, e tudo isso só no primeiro capitulo, e pra provar o quão braba ela é, ela ainda salvou sua colega de trabalho de uma grande explosão de um experimento que deu errado...ela já era uma heroína muito antes de ter ganhado os poderes


Luca: o Luca também gostou como a Ari se escondeu da organização que a criou, pensando que ela ia ser presa e estudada, mas no fim ela só foi ajudada, eles a deram um traje e treinamento, e até uma parceira, o Luca gostou muito que a organização não era maligna como parecia no início.


João: e o fato de que os vilões são realmente vilões, e não coitadinhos incompreendidos, mas monstros loucos e psicóticos que realmente não podem ser deixados vivos pelo bem do mundo realmente coloca um toque especial na história


Luca: mas o Luca também gostava como a Ari sempre ia até os jornais e falava as verdade nua e crua, como ela sempre cuidou de cada um dos monstros que mataram milhares de pessoas que tavam tentando ser protegidos por idiotas


João: ela nunca abaixou a cabeça pra agradar ninguém, nem as pessoas da própria organização


Luca: muitos que gostam da série tem uma discussão diferente sobre quem tá realmente certo, mas eu sinto que as pessoas que defendem os criminosos que a Ari mata são pessoas burras, porque a Ari não mata pessoas que não merecem, ela apenas mata pessoas que já fizeram atos imperdoáveis


Joao: "aih, mais ele apenas matou algumas pessoas", "aihn, mas ele apenas causou um genocídio pequeno", "aihn, mas ela apenas destruiu a vida de 20 homens e não sente nenhuma remorço por isso", "ainh, mas ele apenas vendeu drogas pra crianças e transformou elas em viciadas que podem vender orgaos pra ter mais um pouco da substância". E o que ela sempre respondia?


Luca: "VOCÊ QUER DEFENDER O DIREITO DESSES MONSTROS? E TODAS AS PESSOAS QUE ELES MATARAM, ELES NÃO TINHAM DIREITO DE ESTAREM VIVOS TAMBÉM?"


João: "mas eles também têm direitos"


Luca: "eles perderam esses direitos assim que arrancaram os direitos de outra pessoa"


João: "mas isso não te torna tão ruim quanto eles? Já que você tirou os direitos deles também?"


Luca: "sim, eu sou um monstro, podem me chamar de monstro e demônio, mas pras vítimas daqueles criminosos, tenho certeza que sou uma heroína."


Nós demos uma gargalhada bem lenta e satisfatória depois daquilo, porque naquele ponto, a discussão foi colocada em forma mais infantil, e a Ari apenas ia, sem se importar de ficar naquela discussão de criança.


Joao: hahaha, eu nunca vou parar de rir quando a Ari apenas saia daquelas entrevistas, nunca dando satisfação pros idiotas que não queriam a ouvir


Luca: o Luca não gostava muito dessas cenas no início, mas com o passar do tempo, o Luca aprendeu a gostar muito das cenas


João: hmhmhm, apenas isso já mostra que você é mais inteligente do que muitos pensam...Luca, você fica ofendido quando eu falo assim com você?


O Luca então parou de falar por algum tempo, e depois mostrou um olhar bem focado que muitos nem tinham ideia do que ele podia fazer, ele falou.


Luca: não, o Luca sabe como ele se parece para as outras pessoas. O Luca sabe o quanto é impressionante pros outros o Luca fazer coisas simples...porque o Luca também fica chateado quando não consegue fazer coisas que os outros conseguem, então quando todos ficam alegres e orgulhosos do Luca, o Luca fica ainda mais feliz, porque todo mundo entende o quanto o Luca se esforçou, e como é especial pro Luca conseguir fazer coisas simples.


E com uma mão tremula, mas que com esse pequeno movimento, ele pegou um copo de água e bebeu.


Luca: teve um tempo em que o Luca não conseguia beber água sozinho...e agora o Luca consegue, e muitos não entendem como isso deixa o Luca feliz.


E dando um sorriso compaixonado, eu falei com uma grande naturalidade.


João: eu tenho uma ideia básica, mas é, apenas você entende o quanto isso é especial pra você, então aproveita, porque vai ficar ainda melhor daqui a pouquinho


Luca: é, o Luca sabe.


E sorrindo, vimos que mais mais pizzas chegaram enquanto eu conversava cada vez mais com o Luca sobre as coisas da série, eu me sentia enganado, aquele amaldiçoado doidinho havia me viciado na série, eu tinha encontrado a série gravada pra por no meu grimório e eu maratona ela toda em uma noite. (o dia depois daquela virada de noite foi um dos mais difíceis em toda a minha vida). E eu continuei acompanhando a série, e eu só parei, porque o Luca não tinha visto os episódios que faltavam, e eu não queria jogar um spoiler na cara dele sem querer.


Luca: então, quem você acha que é o javali prateado?


João: é difícil dizer, as pistas apontam que é o Shmol, mas também tem muitos rastros que dizem que o Lodovar que é o maior suspeito, mas o Xadler e o Javali prateado nunca estão no mesmo lugar também.


E conosco colocando a mão no queixo, como se aquilo fosse uma discussão que exigisse um pensamento e nível de raciocínio lendário, o Luca falou.


Luca: talvez, nunca saberemos, mas o Luca NÃO IRÁ DESCANSAR ATÉ DESCOBRIR


João: EU TAMBÉM NÃO.


E gritando alto, nós ficamos ainda mais ligados naquele grande banquete de pizza bem na nossa frente, isso, até mais alguém chegar bem atrás de nós.


???: ai, tem problema uma novata ficar com um veterano?


João: nenhum problema.


Eu tinha um dom de entender quem estava atrás de mim apenas ouvindo as vozes, e pela voz, eu tava bem feliz dela ter vindo até mim.


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