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No topo do mundo 🥊1
🍕Comemoração🍕
1613 palavras • 8901 caracteres • ⏱ 6 min 27 s

🍕Comemoração🍕

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Levou alguns dias, em um fim de semana, pra tudo ficar pronto, a pizzaria que o mestre levou a gente era famosa pelo rodízio, e eu estava mais empolgado do que nunca, e depois de colocar algo mais, apropriado pra uma pizzaria, eu fui até lá em cima da minha prancha, pensando como seria divertido conversar com todo mundo.


Quando cheguei no restaurante, vi que ficava em uma ilha muito doida onde ela flutuava no próprio ar, mas por sorte, não tinha nenhuma “intervenção” que deixava complicado para a minha prancha de aura chegar ao topo. 


E pra impedir que alguém pegasse a minha prancha, eu usei um pouco da minha aura pra encolhe-la e colocar no meu bolso, ai ai, eu sempre sonho em conseguir conhecer o cara que inventou magia e técnica de encolhimento, ele resolveu tantos problemas com algo simples que chegava a ser ridículo.


Bom, não me aprofundando nisso, entrei no restaurante, não ficando surpreso que a veterana Artemis e o Luca e o Nilo estavam lá primeiro, eu me sentei na mesa, vi o mestre no canto que era quase o centro da mesa, e falei.


João: oi mestre, já pediram?


Mestre: sim, já pedimos.


Então um silêncio estranho se instalou, um silêncio que, mesmo naquele espaço, conseguia falar alto, meu Mestre me olhava, como se já quisesse me perguntar aquilo muitas vezes, mas nunca teve a chance.


Mestre: então, me fala, você realmente quer passsar por isso? 


Joao: absoluta.


Meu mestre me olhou de novo, ele já tinha me visto fazer todo o tipo de coisa, fazer cada tipo de promessa e aguentar como um campeão, e apenas pensando naquilo, ele deu uma risada calma, mas bem controlada, até que ele falou.


Mestre: você realmente é um monstro, não é qualquer dia que um adolescente consegue falar sobre o próprio futuro com uma voz tao firme assim


João: acho que eu apenas amo muito luta, o resto é lucro


Mestre: só gostar de lutar não é o suficiente, você tem uma disciplina nos treinos impressionante, me faz pensar em quem foi que te ensinou a ser assim.


E com uma brincadeirinha simples, que conseguia me distrair da fome crescente que eu tava sentindo, falei.


João: foi o senhor mesmo, Mestre


Mestre: é mesmo, que Mestre incrível eu sou


Nilo: e como é incrível, você faz parte dessa raça rara de pessoas que têm paciência com o meu irmãozinho.


E brincando com os palitinhos da mesa, o Luca estava ali, ainda meio tonto, ainda meio “diferente” por causa da maldição do gigante feliz, mas ainda ali, conseguindo comer, brincar e interagir com todos como uma pessoa “Assingular”, algo que conseguia dar muito orgulho pro mestre, mesmo tendo um carinho bem grande pro Luca percorrer ainda.


Mestre: eu via muito potencial no garoto, não é todo o amaldiçoado mental que consegue ter a força pra levar um soco na cara no treino e continuar, ele é um diamante bruto que eu preciso lapidar


Nilo: ainda está na metade do processo, mas tudo bem


Artemis: e eu mestre? O que eu sou?


Mestre: você é um ferro que aguenta tanto calor que demora pra se moldar, o que torna ainda mais fascinante treinar você.


E com uma alegria e orgulho no rosto que eu nunca, jamais via na Ártemis quando ela tava treinando, ela abraçou meu mestre, com muita alegria, e vendo aquilo, eu fui sentido com uma dúvida tão grande, que do mais profundo nada, eu falei.


Joao: aí artemis, por que você começou a treinar aqui pra começar?


Eu sentia um pouco de vergonha de nunca ter tido uma conversa íntima dessas com a veterana, mas não era minha culpa, durante os treinos, quase não se tinha tempo pra conversar, e quando eu saía de lá. 


De todo mundo, a Artemis parecia a única mais louca por treinos do que eu, o que achava muito difícil encontrar um momento no dia dela em que ela não estivesse ocupada. E como se pensasse o mesmo que eu, a Artemis abriu um sorriso gentil e falou.


Ártemis: eu apenas quero ser a mulher mais forte do mundo, nada demais


João: só isso? Não tem nada atrás disso?


Artemis: não, meu objetivo é apenas me tornar mais forte, mais forte do que qualquer um que decida fazer alguma gracinha comigo, não é o mesmo com você?


Eu sentia que aquela frase tinha muito mais coisas do que ela deixava transparecer, então ao invés de perguntar o que ela quis dizer com isso, eu respondi.


João: bom, quase, eu quero ser forte, e se o Guaraci permitir, quero me tornar o homem mais forte do mundo, mas o que eu mais desejo é poder ser forte o suficiente pra conseguir proteger minha família, a família toda, se é que me entende


Artemis: ah, eu entendo muito bem…mas a sua família inteira não poderia aprender a se defender sozinha?


João: sim, mas eu ainda quero ter força pra conseguir protegê-los, por que esse desejo de ser forte dentro de mim é um desejo egoísta meu, e é por isso que eu me empenho tanto nos treinos, você não tem algo assim dentro de você? Algo que faça você desejar ser tão forte assim?


A Artemis ficou um bom tempo me encarando, até que ela olhou pra direita, como se as memórias que a levaram até ali fossem bem dolorosas.


João: se for complicado demais pra você, não precisa falar Veterana


Artemis: é porque eu quero espancar minha prima.


WOW, a naturalidade como ela falou aquilo me deixou boquiaberto, mas ela continuou.


Artemis: desde que nós éramos muito novas, minha prima mais velha gostava de brincar de lutinha comigo e meus irmãos, e agente sempre perdia…eu descobri que ela virou uma judoca profissional, então eu pensei que, se eu virasse uma boxeadora e ficasse boa o bastante para entrar naqueles torneios de vale tudo, eu iria reencontrar minha prima e fazê-la pagar por cada derrota que ela me fez.


Eu fiquei impressionado com o que a Artemis falava, e ainda perguntei.


João: quanto tempo se faz desde que você decidiu fazer essa jornada?


Artemis: 8 anos e 3 meses


Joao: ficar 8 anos se aprimorando e melhorando assim, sua prima deve ser um verdadeiro monstro


Artemis: ah, você não sabe nem metade das coisas que eu passei por causa dela…a garota vai pagar.


E enquanto ela jogava seu olhar pra uma grande distância, fiquei feliz em ver como, mesmo com ela tendo muita raiva da prima, ainda tinha um carinho em seus olhos, mostrando como no fim, aquilo era apenas uma briga de criança que só precisava de mais um tempinho pra ser resolvida. 


E enquanto estava no meio dos meus devaneios, o Nilo chegou bem pertinho de mim, e perguntou.


Nilo: ai João, é verdade que seu avô virou um lobisomem?


Joao: shhhhhh, ele tem vergonha disso, não fala tão alto


NIlo: ah, entendi, ele é da velha guarda


João: bom, é, mas isso não vem ao caso, não ligo de conversar com você, mas por favor me fala algo que eu possa falar sem virar algo constrangedor


Nilo: ok então como você tá indo com a Elena?


João: sabe como é, agente ta indo devagar, ainda estamos tentando entender o que mudou na nossa relação, mesmo que ainda estejamos bem longe de entender completamente, e você?


Nilo: nada demais, não to pegando nem uma gripe ultimamente, mas com o Luca pra cuidar, fica meio difícil em pensar em ter um relacionamento com alguém


João: você sabe que não vai poder cuidar dele pra sempre


Nilo: eu sei, por isso to tentando ajudá-lo, todos nós estamos.


E com o rosto cansado dele, o Nilo mostrava como era difícil cuidar de alguém com a maldição do gigante feliz, mas que era recompensador pra caramba ver alguém com aquela maldição apenas fazer coisas normais, hihihi.


João: mas e você? Já pensou no que fazer quando não precisar ser o guardião de 24 horas do Luca?


Nilo: hehe, sinto que esse momento tá ficando cada vez mais próximo, ao mesmo tempo que eu fico mais desesperado quanto mais tempo passa, porque eu não faço ideia do que eu deveria fazer quando tiver finalmente livre


João: você vai saber o que fazer, e caso não saiba, só fica tranquilo que vou estar do seu lado pra te ajudar.


Fiz um gesto levantando o punho, pra dizer que eu estaria com ele pro que der e vier, vi ele segurando meu punho fechado no meio do gesto com as duas mãos, e falou.


Nilo: eu irei cobrar isso, porque eu tenho certeza que irei precisar


Joao: Infelizmente, eu sinto isso também.


E mesmo sem falar nada, eu fiquei ali, com as minhas mãos conectadas ao Nilo, comigo já prometendo que eu estaria com ele, nao importa o quão complicado fosse de encontrar o que realmente definisse e o separasse por completo do irmão, no sentido que era algo apenas dele e de mais ninguém.


Quando eu estava prestes a falar alguma coisa, a clássica pizza de 8 presuntos passou por nós, e nos pegamos na hora, e ficamos felizes com o fato de que ela não desceu tão fundo na nossa barriga.


João: é nesses momentos que eu agradeço por ter a fome de 1000 homens


Nilo: isso aqui nem serve de aperitivo é tão pequena que é


João: me fala, qual você vai mais pedir


Nilo: pode preparar o prato, porque todas as de carne e frango serão minhas


João: então as de queijos e vegetais serão meus


Artemis: meninos, deixem um pouco pra as especiais


João: não se preocupa Artemis, sempre tem espaço para as especiais.


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