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No topo do mundo 🥊1
🔥não deixe queimar🔥
2239 palavras • 12371 caracteres • ⏱ 8 min 57 s

🔥não deixe queimar🔥

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Me encontrar com a deusa Jaci bem rápido se tornou uma rotina na minha vida, uma rotina que me fez mais bem do que qualquer coisa que os meus métodos sozinhos estavam fazendo.


Quando eu voltei aos loucos treinamentos mais uma vez, descobri que eu ainda estava com o corpo de areia, e minha primeira tarefa foi ficar com um copo de carne novamente. 


O processo foi milhares de vezes mais complicado do que eu pensei que seria, mas necessário, pois apenas andando no meio do território da Deusa da Lua, eu sentia todo o meu corpo se despedaçando, me obrigando a ter uma concentração absurda a todo o momento.


Bom, pelo menos até eu entender o que eu precisava fazer, não era nenhum bicho de sete cabeças, eu apenas precisava, segundo as palavras da própria Jaci, “sentir cada momento do meu corpo no presente”, o que em poucas palavras só significava que eu precisava me manter alerta.


Já tinham se passado três meses desde aquilo, e eu me desfiz em areia mais de 10 vezes, e mesmo assim, voltar do corpo de areia era um milhão de vezes mais fácil do que da primeira vez


Eu não pensei que iria ficar bom tão rápido em fazer os socos de areia, mesmo que eu ainda tivesse fazendo os golpes irem da areia, viajar alguns quilômetros e se transformarem em carne novamente, já era bastante coisa pra mim. E depois aprendi a dar o salto de areia, uma técnica tranquila, onde eu saltitava como no boxe normalmente, e me transformava num vendaval de areia, e depois voltava a ser de carne.


Apenas aprender o processo de fazer aquilo foi tão demorado que eu fiquei dois meses inteiros só aprendendo isso. Mas depois do treino, eu conseguia fazer a saltitada tão bem que eu conseguia fazer uma tempestade de areia com meu copo.


Mas quando eu mostrei isso a Deusa Jaci pela primeira vez, ela me deu um tapa no rosto no meio do rosto, nem doeu, mas foi o suficiente para toda a minha Aura de areia se desfazer.


Jaci: você dominou a técnica de forma esplêndida, mas não esqueça, você pode imaginar o quanto quiser que você é areia, mas a carne dentro de você ainda existe, se a diferença de poder entre você e seu inimigo for grande demais, ele encontrara o corpo que você esconde dentro da areia


João: sim senhora.


E depois de tantos treinos, e com uma confiança realmente boa no meu próprio poder, fiquei bem confiante até a Deusa da Lua e perguntei.


João: então, eu sou ao menos um iniciante na aura de combate?


Jaci: iniciante você já é a algum tempo, mas sua técnica esta bem longe de ser útil num combate real, sej cm outros guerreiros, ou outros mestres da aura, pra realmente se tornar um guerreiro de aura, você precisa aprender a dominar esse ódio que tem dentro de você


João: e como eu faço isso?


Jaci: vamos fazer outro exercício.


E mais uma vez, outro exercício da Deusa Jaci começou, ela entregou uma pequena tocha pra mim, e com um estalar de dedos, criou uma floresta imensa, seca e cheia de folhas pra cada canto do lugar sem problema, é sério, eu sempre me impressionava com o que a Deusa conseguia fazer nesse mundo dela.


Jaci: esse exercício é bem simples, você só tem que carregar essa tocha pela floresta sem deixá-la cair


João: é preciso que eu apague a floresta?


Jaci: não agora, por enquanto faça como bem entender.


E com a tocha, que até agora parecia bem normal, sem peso extra nem nada do tipo, eu andei no meio da floresta, com o tempo, algumas lasquinhas quentes da madeira da tocha começaram a cair nas folhas, começando um incêndio, mas eu ignorei, já que aquilo não era necessário pra terminar o teste. Eu vi a fumaça no meio do caminho, mas continuei ignorando, até que eu vi  pegadinha do exercício, a saída da floresta não era uma linha reta.


João: é claro, por que eu pensei que uma floresta teria uma linha reta pra sair?


Entendendo isso, tentei achar outro caminho, mas no meio das minhas procuras, vi e a floresta tomada pelas chamas, tentei apagá-las com tudo que eu tinha, mas não adiantava, o fogo ficou tão forte que eu só tava o atrasando.


Entendendo o quanto que eu fazia era inútil, corri pra onde o fogo não tinha atingido, mas depois de um tempo eu fui encurralado por mais labaredas, e queimado, muito, mas eu ainda não desisti, eu atravessei várias outras labaredas, queimando, gritando e me enchendo de ódio, até que eu atravessei no baço algumas árvores, e encontrei a saída do lugar.


Cai no chão pela dor, eu tava com tanta dor, ofegante, e com muita raiva, mas no meio de tudo aquilo, eu tava bem feliz, porque mesmo sendo só um pedacinho da tocha, eu não deixei ela cair no chão. E em cima de mim, a Deusa Jaci estava me encarando, não estando nem um pouco impressionada com o que aconteceu comigo.


Jaci: você quer que eu te explique o que aconteceu?


João: eu to com tanta raiva que eu nem consigo pensar no que aconteceu, por favor, me explique.


E então ela me curou, o que serviu pra eu ficar mais calmo, e enquanto eu olhava aquela grande floresta queimando, eu senti um aperto no peito, pensando que eu tinha falhado em algo bem maior que um simples teste.


Jaci: você não precisava parar os incêndios, todas as chamas que invadiram a floresta começaram como algo pequeno, porque você pensou que não ficaria muito tempo nela, mas quando um imprevisto aconteceu, e você se viu obrigado a ficar lá por muito mais tempo, cada uma daquelas chamas continuaram aparecendo, como uma lembrança de que elas não podiam ser ignoradas, sua negligencia as permitiu que se juntassem, a ponto de ficarem tão fortes que você não conseguia mais apagá-las sozinho. É assim que a sua raiva é criada dentro de você.


Eu fiquei um bom tempo em silêncio, enquanto eu olhava a minha floresta queimando, queimando e queimando, até que ela virou cinzas.


João: deixa eu adivinhar, a floresta é uma metáfora pro meu corpo, que vira apenas frangalhos e cinzas depois de ficar com tantas chamas de dor, stress e raiva dentro dele, não é?


Antes de responder, a Jaci criou uma nova floresta, me dando mais uma tocha.


Jaci: sim, a floresta é seu corpo, e sua mente ao mesmo tempo, mas esse exercício tem bem mais interpretações da floresta do que apenas esses dois, você já deve ter entendido, mas o objetivo desse teste é voce passar pela floresta sem queimá-la, e nesse meio tempo, tenta entender outras representações para a floresta.


João: sim senhora.


Eu nem respondi, eu sentia que, de todos os meus treinamentos, aquele seria o mais importante até agora, eu andei no meio da floresta dessa vez com bastante cuidado, vendo quando uma cinza quente saia da tocha e quase queimava uma planta, eu apagava com muito cuidado, incêndios quase aconteceram muitas vezes. 


Mas eu consegui cuidar dos incêndios e chegar no meio caminho, ou pelo menos era isso que eu pensava, porque no meio do caminho, vi que a minha mente, não, a floresta, estava em chamas de novo, bom, pelo menos o incêndio tava pequeno o suficiente para eu conseguir escapar sem muitos danos, e enquanto eu tava no meio do chão, com dor, mas com uma dor bem menor agora, respirei fundo e tentei ficar calmo, conseguindo respirar bem fundo e ficar de pé.


E com um toquezinho no ombro, a deusa Jaci me curou de novo, e um pouco frustrado, mas com bem menos raiva do que a ultima vez, falei.


João: mas eu apaguei os incêndios


Jaci: voce esqueceu alguns


João: esqueci?


Jaci: alguns demoram mais tempo para queimar, não queimam de forma imediata, você já tinha saido e não viu o fogo começando


João: mas que coisa


Jaci: quer tentar de novo?


João: quero.


Na terceira vez, eu tentei olhar para cada um dos incêndios iniciados, e até aqueles que demoravam para acender, e o engraçado é que eu não cheguei nem na metade do caminho nessa, porque enquanto eu apagava os fogos menores acabei perdendo a atenção da tocha e fiz ela tocar em uma árvore, e a floresta queimou mil vezes mais rápido dessa vez.


Eu sai bem mais queimado naquela vez, e eu me permiti gritar, espernear e chorar de pura raiva igual uma criancinha por um bom tempo, até que eu me acalmei o suficiente para a Deusa da Lua aparecer e me curar novamente.


E mesmo assim, ela levou algum tempinho pra falar alguma coisa pra mim de novo.


Jaci: hihihi, se você acabar focando muito nos pequenos detalhes, você pode perder a visão das coisas grandes.


Eu não consegui falar nada, porque quanto mais tempo se passava, mais eu entendia o quão negligente eu fui comigo mesmo. 


A prieira foi quando eu era criança e nem tentava entender a raiva, o segundo foi comigo ate prestando atenção em outas coisas que me deixavam com raiva.


E a terceira, mesmo a mais idiota, realmente ja aconteceu, as vezes o motivo da raiva não era nada tão complexo, era algo que tava bem na minha frente, mas eu não coneguia perceber. 


E no meu silêncio enquanto via mais uma floresta minha desaparecer no fogo do meu próprio ódio, a Deusa falou.


Jaci: voce acha que eu estou sendo injusta com você João?


João: não…só to pensando como eu precisarei dominar esse treinamento se eu quiser me tornar realmente forte 


Jaci: que tipo de “força” você busca?


Joao: várias…mas sinto que a força que eu vou ganhar com esse treinamento, vai ser bem mais duradoura que a dos outros treinos


Jaci: isso não respondeu minha pergunta


João: força mental, a força pra me manter calmo e tranquilo mesmo nos momentos mais estressantes, doidos ou animados do mundo. E encontrar soluções mesmo no fim do mundo, esse é o tipo de força que busco


Jaci: hihihihihi, nesse caso, ese treinamento deve lhe dar muita força


João: desculpe o desrespeito, Deusa da Lua, mas alguém já lhe disse que você tem uma risada encantadora?


Jaic: o Deus do Sol me fala isso regularmente, mas ele até que gosta, faz parecer que todos apenas estão falando um fato sobre mim.


João: bom saber, não sabia o que faria se o deus do sol ficasse irritado comigo


Jaci:  ah nao, nao é tao facil assim irritar o Guaraci, o que nao ironicamente dá mais medo do que pode acontecer se alguém realmente irritá-lo, mas você não precisa pensar muito nisso, apenas continue treinando e tudo irá ficar bem


João: sim, Deusa da Lua.


E depois daquela seção, eu fui de volta para a terra. 


O processo de pro meu corpo depois de encontrar  Deusa da Lua estava exatamente igual, pelo menos pela parte de fora, mas desde que minha Aura ficou forte de verdade, eu sentia que meu corpo estava ficando cada vez menos acostumado com ele mesmo, como se ele não conseguisse acompanhar a evolução que minha alma constantemente sofria. 


E mesmo assim, minha mente e meu coração estavam com uma paz tão profunda que eu ficava com medo de ir até a escola, pelo medo que eu iria desfazer essa sensação maravilhosa que eu tava tendo agora.


Bom, pelo menos não teria que desfazê-la tão cedo, pois como meu pai tava me esperando do lado de fora, dentro da carruagem, e usando um pergaminho especial pra ouvir várias e várias músicas, tive bastante tempo pra respirar e melhorar.


Alguns minutos depois, apesar de estar ainda um pouco mal, me aproximei o suficiente pro meu pai me perceber, e quando ele me viu, diminuiu a música e antes dele falar qualquer coisa, eu perguntei.


João: quanto tempo eu fiquei lá dentro?


Pai: uma hora e 20 minutos.


Sendo que 20 minutos eu fiquei mais me preparando pra sair depois da sessão com a Deusa. Mas eu não falei isso com meu pai em voz alta, apenas entrei no carro, e nós ficamos em um caminho silencioso, tava um pouco desconfortável, mas no caminho eu encontrei a coisa perfeita pra perguntar a ele.


João: pai, eu preciso mesmo ir pra escola?


Pai: filho, você sabe que eu vou te apoiar se você quiser ser um lutador profissional, eu só quero que você tenha algo além da luta pra se apoiar, como um plano B caso a luta não dê certo


João: você fala como se quisesse que eu falhasse


Pai: é claro que eu não quero filho, mas o mundo das lutas é cruel e brutal, uma hora você pode ser o campeão, com dinheiro, fama e respeito, e no outro, você não tem ninguém e não é mais nada. Eu não quero que você jogue todas suas fichas em algo que pode dar certo ou não.


Eu já tinha visto histórias de guerreiros que tinham carreiras brilhantes mas foram obrigados a parar tantas vezes que eu entendia de onde vinha a preocupação do meu pai, então mesmo bem chateado, eu só falei.


João: eu sei pai…eu sei…


Eu já tive problemas o bastante na escola, não precisava ficar ouvindo meu pai pra deixar meu fogo, que eu já estava com problema pra apagar, ainda maiores do que antes.


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