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No topo do mundo 🥊1
⏳um tempo que não volta⏳
1632 palavras • 9121 caracteres • ⏱ 6 min 32 s

⏳um tempo que não volta⏳

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No caminho de casa, agente encontrou algumas pinturas no chão que me levaram de novo pra aquele mundo de nostalgia, cara, eu era totalmente doido mesmo pra fazer pinturas como aquelas no meio da rua.


João: às vezes eu queria só voltar a ser uma criança


Elena: por que? As suas pinturas ficaram bem melhores comparado com aquela época


João: sim, é verdade…mas ainda sinto saudade da leveza que eu tinha quando pintava na rua, essa calmaria que eu sentia onde eu não precisava pensar em nada além do desenho na minha frente com nenhuma preocupação do mundo e com meus pensamentos não tentando destruir meu cérebro de stress.


E quanto mais eu pensava nisso, mais eu percebia como eu não estava com saudade da época, mas uma saudade da calmaria, uma calmaria que não sei se iria voltar. 


Algo que eu tinha certeza que a Elena também entendeu depois de me olhar depois de um tempo, aquela garota me entendia tão bem que às vezes eu sentia que ela conseguia ler meus pensamentos, ela segurou meu braço, deixando meu coração agitado, calmo novamente, e falou.


Elena: a calmaria daquela época nunca irá voltar, sua mente já foi manchada, mas só porque algo foi manchado, não significa que não pode ser bonito. Quem sabe, a calmaria que você irá entender quando ficar mais velho possa não ser a coisa mais linda do mundo, mas ainda poderá te dar uma paz boa o bastante pra dizer que você realmente gosta de ser adulto.


E mais uma vez eu segurei a mão dela com força, como se aquele simples conexão pudesse me dar mais forças do que eu sequer podia imaginar sozinho.


João: eu queria saber de onde você tira esses papos


Elena: de todos os meus estudos para ser uma boa guardiã


João: os guardiões são terapeutas também?


Elena: não, mas somos ensinados a mostrar o caminho novo que os rejeitados devem percorrer, o que faz nosso entendimento da mente, do corpo e da alma se bem profundo


João: hmhmhm, eu sou um cara bem afortunado por ter alguem como você na minha vida


Elena: espero poder ouvi isso de muito mais pessoa no futuro


João: você vai, eu tenho certeza disso.


Agente acabou chegando na minha casa, mas antes de batermos na porta, agente sentiu que não tava na hora de entrar, então nós continuamos andando, pensando em dar uma volta no quarteirão de novo. De todas as coisas que eu tenho de igual e de diferente com a Elena, eu agradeço todos os dias aos céus por ela gostar tanto de andar como eu.


João: eu sempre sou grato ao Guaraci por você ter vindo com uma mesma mania de andar que eu


Elena: ei, essa fala é minha, todo mundo que tenta ficar comigo é tão preguiçoso, não to nem falando de se exercitar, muita gente sequer tem a força pra andar comigo por muito tempo.


João: que tristeza  hein, que tipo de pessoa não consegue só andar e conversar por algum tempo?


Elena: gente com muita preguiça, ou com tantos problemas que até mesmo andar é um desafio pra elas.


Ai, depois dessa eu fui silenciado, eu sabia que tinha gente que não consegue andar por traumas, seja físico ou mental, eu não podia me esquecer disso…e apenas pensar nisso me deixou tristinho, comigo apenas pensando no nível de pessoas com problemas a ponto de não conseguirem andar, algo tão básico pra qualquer ser humano, não, algo normal pra qualquer animal saudável, e tinham pessoas que não conseguiam fazer isso, era de dar pena mesmo, até que a Elena me tirou desse turbilhão de pensamentos falando.


Elena: essas memórias da nossa infância, você guarda elas com muito carinho não é


João: é, elas são muito especiais pra mim


Elena: (sorri) fico feliz que você pense dessa forma, mas eu quero bem mais que as lembranças de infância, eu quero que você consiga ter lembranças da nossa adolescência, de nós como jovens adultos, todas elas com tanta força e com tanto carinho quanto nossa memorias de infancia


João: tenho certeza que se nós apenas andássemos assim a cada encontro, as memórias seriam especiais pra mim de qualquer forma


Elena: é, mas eu não quero que nossas memórias sejam especiais de qualquer forma, eu quero que agente se encontre, aprenda e se aperfeiçoe nas ilhas super especiais que eu quero proteger.


Dei um sorriso sincero ouvindo aquilo, eu sabia perfeitamente bem o que ela estava falando, existiam ilhas super especiais no meio do território, ilhas que pareciam templos e grandes pirâmides, mas o que tinham dentro dela era algo bem mais impressionante e poderoso do que um simples templo, algo que faria a pequena sessão de treino que eu tive com a Jaci ser brincadeira de criança.


Aqueles templos possuíam um conhecimento primordial, um tipo de ensinamento encontrado pelos Sapiens ancestrais, sapiens que iam de encontro a encontro com os cavernosos em grandes multidões e venciam.


Ensinamentos que apenas um adulto poderia aguentar, crianças e até adolescentes como eu não podiam entrar pelo risco de nossos cérebros se tornarem mingau por não entenderem tanta informação em nossos cérebros ainda em desenvolvimento, e apenas pensando naqueles templos especiais, eu estava eufórico.


João: é claro, não importa quanto tempo leve, eu vou entrar no grande templo do guerreiro.


E um pouco decepcionada com o que eu falei, ela me deu um abraço e falou.


Elena: só o do guerreiro?


João: bom, é


Elena: por que não tenta entrar no grande templo do artista? Não sei vocês, mas parece bem chato apenas ser forte


João: mas é…por isso que eu tenho você, meus pais e meus amigos


Elena: ah, para com isso, você me faz chorar.


Eu me aproximei devagar dela e dei um beijo bem demorado, então perguntei.


João: me fala, que tipo de treino alguém que quer ser um guardião desses templos precisa passar?


Elena: bom, além de ser uma faixa preta em qualquer arte marcial, no mínimo, e ter o controle de aura para ao menos ser campeã em qualquer um dos torneios que você deseja participar, também preciso saber no mínimo 4 línguas diferentes, pois nunca se sabe quando um estrangero que não fala nossa língua poderá chegar. Mas isso é só o básico. Eu também tenho que ter uma boa lábia pra fazer os rejeitados entenderem no que eles precisam se aprimorar, e eu preciso no mínimo ser capaz de masterizar 3 tipos diferentes de combates de Aura


João: minha nossa, quanta coisa, você não tem um sonho fácil


Elena: nem voce, isso se você realmente querer ser um campeão mundial


João: humpf, ainda to bem longe de sair do arquipélago, eu nem tenho força pra lutar sem luvas


Elena: humpf, eu ouvi dizer do sogro que você tá querendo tentar uma faixa verde, pra mim, você consegue pegá-la sem problemas, não sinto que você irá perder pro torneio juvenil


João: eu não posso pensar assim, eu continuo treinando, porque no momento em que eu pensar que sou melhor do que todos, é o momento em que eu me tornarei pior ainda


Elena: hum, é um bom pensamento, você vai participar de algum torneio?


João: é claro que vou, (instalar dedos) e diferente de antes, esse torneio vai ser em um ringue muito mais espalhafatoso e gritante.


E rindo um pouquinho, a Elena falou.


Elena: naqueles tipo de um mar de cabeças que dá pra fazer ondas de verdade?


João: esse mesmo


Elena: nesse caso, se prepare, porque eu vou ir naquele torneio


João: humpf, o lugar vai ser bem grande, vai ser bem difícil que eu consiga te ver


Elena: tá tudo bem, e vou me arriscar.


E tinha tanta coisa na cabeça pra conferir, tanto preparo a se fazer, e o leve medo que eu acabasse me encontrando com o lobisomem e o zumbi que eu lutei no meu último torneio, mas vendo o olhar totalmente sereno da morena, eu senti uma calmaria que permitiu que eu me aproximasse bem devagar dela, e a desse um beijo. 


E depois do beijo, eu me senti satisfeito e na maior cara de pau eu falei.


João: pra mim ja deu, e você?


Elena: é, pra mim também.


E como se fosse a coisa mais normal do mundo, agente se abraçou uma última vez e nos separamos. Já fazia alguns meses que agente tava namorando, mas ainda era doido pra mim que já existia uma confiança tão grande entre nós a ponto da gente simplesmente dizer que “já tava bom” um pro outro e terminar o encontro. 


Feitos como esse me faziam pensar que a Elena realmente era a “escolhida” pra mim, e olhando pra cima, e vendo o grande Sol tentando queimar minha pele, eu fechei os olhos e orei para que a Elena fosse realmente a escolhida, e não um “erro pra me deixa mais forte pra verdadeira escolhida”. Eu sabia muito bem que ela não era isso, mas se tem algo que eu aprendi com as artes marciais era que “estar preparado nunca era demais”


Quando cheguei em casa, meus pais estavam no sofá, ocupados demais com o namoro deles pra perceberem que eu tinha chegado, não, na verdade estava tão cedo que eles nem tinham percebido que eu acordei. 


Tava tão cedo que era certo que ninguém além da doidinha da minha namorada conseguiria me encontrar…ai ai, era tão bom ter alguém com uma loucura alinhada com a sua.


Mas saindo desses devaneios e tendo meus pensamentos se voltando de forma bem forte pros meus desenhos, tanto os antigos quanto os novos, cheguei a conclusão que foi melhor meus pais não me perceberem, porque com o turbilhão de pensamentos dentro de mim agora, sentia que não tava na condição de falar com eles nem de longe.


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