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No topo do mundo 🥊1
❤️ minha alma gemea❤️
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❤️ minha alma gemea❤️

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Pro dia de hoje, planejava dar uma prece grande para Ruda quando chegasse em casa, eu senti que tava me afastando da Elena depois de ficar ocupado por tanto tempo, mas hoje, eu estava em um encontro de novo com ela, o que me deixava bem mais feliz e tranquilo do que antes, e pelo rosto da morena, eu sabia que ela tava tão feliz quanto eu.


E no encontro dessa vez, fomos para um templo de meditação que praticava um tipo bem específico de pintura, uma pintura de meditação. Eu estava ajoelhado na frente de um quadro e branco, com um mestre de aura andando no meio de nós, com a Elena bem do meu lado. O Pintor andava no meio dos alunos sem nenhuma preocupação do mundo, enquanto dizia.


Pintor: muitos de vocês já devem saber de forma profunda o quanto as pinturas podem revelar sobre o que o Pintor deseja, mas agora não iremos tentar coisas tão profundas, iremos apenas buscar um estado de extrema calmaria e concentração, olhem para o pergaminho na frente de vocês, dando uma olhada bem precisa nele, e agora, olhem para cima.


E com um movimento simples, o grande mestre pintou o céu, com a intenção de sua Aura, ele criou uma palavra acima de nos φωτιά, "fogo". Não sabia o motivo do mestre ter escolhido aquela palavra, mas mesmo assim, preparei meu pincel, enquanto ele falava.


Pintor: uma única palavra, que superficialmente pode parecer igual a todas as outras, pode ser bem diferente comparado com quem a escreve, eu mesmo apenas consegui deixá-la tão pura e sem sujeiras depois de séculos de pintos.


O pintor ficou alguns segundos sem falar nada, só deixando agente entender o que ele falou, então continuou.


Pintor: portanto, esvaziem suas mentes, a ponto de não pensarem em nada além do papel na sua frente, e o que voces verem no fim do processo se as impurezas que vocês não conseguiram limpar, não sintam vergonha do que virem, pois isso apenas é uma meditação de entender melhor as impurezas dentro de nós.


Eu respirei fundo enquanto absorvia as palavras do mestre, ficando curioso pra saber quais "impurezas" eu descobriria nessa brincadeira, então me preparei, e comecei a pintar, sim, pintar, por que aquilo era tão mágico, que sentia que era um insulto chamar aquilo de escrever.


Não dava pra refazer as pinturas, se eu errasse, ou hesitasse em algum momento, a pintura iria ficar torta ou com bolhas de tinta e eu iria usa essa para mostrar minhas impurezas, mesmo que minha mão tremesse, seria melhor terminar o movimento antes de parar no meio do caminho.


Fiz o possível pra seguir a risca minha ideia, a ponto e que eu fechei os olhos no meio das pinceladas, tentando me concentrar, a ponto de eu sentir uma dorzinha chata na cabeça, até que eu terminei minha pintura, mal vendo quanto tempo demorou para eu completa-la, de tão feliz que eu fiquei naquele momento.


E como eu pensei, minhas "impurezas" não eram nem um pouco misteriosas pra mim, minha raiva absurda em momentos que muitos podiam aguentar de boas, mas eu não, minha inveja das pessoas calmas, minha ansiedade de crescer para ter o corpo de lutar contra os adultos do meu treino, e minha grande decepção das pessoas que não eram tão "sérias" com o próprio mundo assim como eu era. 


E principalmente, meu medo, o medo de eu não ser tão bom quanto eu pensava que era, mas comparado com o resto, aquela ali ficava mais "escondida" no meio das emoções maiores.


Pintor: interessante, existem várias coisas para se aprender com essa pintura


João: eu sei, tem muitas coisa escondida no meio do grandões não é


Pinto: é, mas não esqueça jovem, olhar o que tá escondido é importante, mas não se esqueça do que ta be na sua frente, ou você pode levar um golpe na cara


João: sim senhor


Pintor: mas apesar do que eu falei, existe uma beleza interessante na pintura, apesar do quão instável ela se parece, cada instabilidade está lindamente protegida com válvulas para elas serem liberadas, como se tivessem saídas de ar para um bule que se recusa a explodir.


Eu ri de forma tranquila ouvindo aquelas palavras, "está um pouco instável, mas ainda assim está sendo lidado com calma", o que o mestre falou parecia tão contraditório que eu quase não acreditei no que ele disse.


Mas quando ele se virou para a Elena, eu vi a pintura dela, vi que ele teve sua voz roubada por alguns segundos por ele, era uma pintura que exalava uma grande alegria e calmaria como as cinzas de um fogo que desgasta todo o combustível pra se manter queimando.


Além das cinzas, também existia um grande "óleo" na pintura, muito óleo que parecia esperar para ser ascendido por uma fagulha, mas ao mesmo tempo que a fagulha estava esperando o momento certo para se ascender.


Pintor: você está se preparando pra algo bem grande minha jovem


Elena: todo o cuidado pro que eu vou fazer é pouco senhor


Pintor: imagino.


E depois de ficarmos lá um pouco, para entendermos e interpretarmos melhor tudo o que estava na pintura, (comigo até descobrindo que além da raiva e o stress, também existia uma peculiar calmaria que eu desenvolvi logo depois de aprender a deixar tudo queimar, algo que realmente me pegou de surpresa), nós saímos, comigo nem olhando direito pra pintura da Elena, algo que a garota notou.


Elena: que foi? Não ta curioso com a minha pintura?


João: não, se você tiver algo escondido, espero que você me mostre quanto estiver confortável. 


Eu sabia que a Elena deveria estar passando por coisas pesadas pelo sonho de ser uma guardiã, então eu queria dar a ela todo o espaço que ela precisava, e com um sorrisinho que me fazia entender que ela ainda não tava pronta pra me contar nada, ela falou.


Elena: você ainda tem aqueles seus problemas de raiva?


João: mais ou menos, eu ainda tenho..."episódios", mas eles estão bem menores, olha, no templo de curandeiros que eu to tendo cuidado, elas até me deram esse broche.


Com muito orgulho, mostrei meu broche para a Elena, e ela deu uma risadinha, era um boxe bem grande que tava escrito "99 dias livre de raiva".


Elena: por que não esperou para ficar 100 dias sem raiva? Números inteiros são bem mais bonitos na minha opinião


João: sei lá, o número 99 sempre pareceu certo na minha cabeça.


E com mais uma risadinha, continuamos andando e comigo tentando encontrar o momento ideal para perguntar aquilo pra ela, mas com o clima muito mais tranquilo pelo que ela falou.


Ainda tentando achar o momento ideal, olhei para alguns lugares da rua enquanto a gente andava, vi um pequeno morrinho, onde a garota conseguia me convencer a sair por lá com um carrinho feito em casa improvisado.


Mais pra frente, encontrei uma arvorezinha onde eu sempre disputava escaladas com a morena, e eu sempre ganhava, ela gostava muito me chamar de lagarto na época, e o fato que eu me agarrava na árvore sem usar os galhos e só me apoiando nas cascas de árvore, até fazia sentido ela fala aquilo. 


Não muito longe, dava pra ver a mesinha de ping pong improvisada que eu sempre jogava um pouquinho com ela, e hoje em dia tinham muitas crianças ainda brincando, criando memórias que elas iriam se lembrar bastante quando fossem adultas, ou pelo menos adolescentes, o que me deixava muito feliz. 


Em cada lugar que eu via, existiam muitas memórias, memórias de uma infância que não voltava, mas que ainda tinham um lugar bem especial no meu coração.


João: cara que saudade daquela época


Elena: é, a vida era mais tranquila naquele tempo, mas mesmo nesse mundo doido que vivemos, não dá pra andar pa tras, impiedoso, o tempo apenas anda pra frente


João: ainda acho doido que eu não me lembro de ninguém naquela época, eu tinha tantos amigos, eles falam comigo na rua, eles se lembram do meu nome e até vem pras minhas festas de aniversário...mas eu não lembro de nenhum deles, quando eu os olho, nao sinto nada, nem felicidade nem raiva, como se eles fossem tão insignificantes na minha vida que nem minha mente nem eu coro se lembram de qualquer coisa que pode me lembrar deles.


E com um sorriso meio sem graça, a Elena falou.


Elena: queria poder dizer o mesmo, mas desde que eu me mudei, eu fiz muitas amigas quando era garota lá, e até hoje eu ainda tenho contato com elas, mas desde criança você nunca foi bom de falar qualquer coisa que não eram sobre lutas ou artes marciais, então era normal acabar assim.


Fiquei calado por alguns segundos, olhei pra minha mão, senti minha aura, agora em formato de nuvens e grandes concentrações de areia, e falei.


João: ainda hoje eu ainda me impressiono que em um mundo desses, tem tão poucas pessoas que buscam as artes marciais


Elena: a maioria apenas encontra o valor desse poder no futebol, no vôlei, ou outros esportes, é normal


João: não desmerece os esportes, eles merecem respeito...eu apenas fico meio chateado que tinha tão pouca gente assim ligada às artes marciais, no fim, talvez tenha feito isso que impediu que eu fizesse tantos amigos


Elena: é, além das artes marciais, eu tinha 1 milhão de coisas pra contar pras minhas novas amigas, então ficou mais fácil pra mim.


Ainda pensando sobre isso, nos caminhos até um banco, sentamos e ficamos de mãos dadas, bem coladinhos perto um do outro. 


Não falamos nada por alguns segundos, pensando que falar iria estragar o momento. Eu me sentia um senhor em um casal de velhinhos, e eu amava cada segundo disso.


João: eu nunca perguntei, mas, como era o lugar onde você morava?


Elena: era mais quente, o ar era mais pesado, e até a gravidade era maior, era um lugar super difícil de se viver, mas de forma quase contraditória, o lugar era muito mais próspero do que aqui...mas eu ainda gostei bastante de voltar pra cá...essa é a minha casa, sempre foi


João: é, mas sinto que você não vai ficar aqui por muito tempo


Elena: voce tambem nao, esse lugar é ótimo, mas pra vida que eu quero, existem ilhas bem mais tranquilas que são bem mais o meu estilo.


Eu sabia o que ela queria dizer, mas ainda brincando com ela, eu perguntei.


João: que tipo de estilo?


Elena: eu quero ser mãe João.


Eu já esperava que ela iria falar aquilo, mas ouvir em voz alta atingiu algum gatilho em mim, um gatilho que eu me esforcei muito pra me acalmar, e ela continuou.


Elena: claro que eu ainda vou esperar pra quando eu já for uma guardiã, e quando eu já tiver dinheiro o bastante pra eu cuidar do meu bebe, mas eu quero ser mãe, e eu não vou parar até conseguir esse sonho...bom, cumprir de forma certa também.


Com essa palavra, consegui me acalmar o bastante pra respirar fundo, tossir duas vezes, e falei.


João: (tosse) é, é bom fazer certo.


E com o olhar sereno, de alguém que sabia muito bem que seu parceiro queria um filho tanto quanto ela, a morena ainda continuou.


Elena: muitas mulheres não têm nem mesmo esse sonho, mas são incompetentes o bastante para terem um filho e terem seus sonhos e vidas destruídos...não sei se o Guaraci ia permitir isso, mas eu quero realizar todos os meus sonhos antes de ter uma filha


João: você se dedica tanto que eu tenho certeza que seus sonhos viraram realidade.


E com um sorriso bem bonito, ela se enrolou no meu braço, e falou.


Elena: ah, que egoísmo meu, ter um filho é seu sonho também.


E sem falar nada, apenas a segurei pelo braço, até que eu a trouxe pra mais perto em um abraço bem feito.


João: é, mas ainda tenho muitos sonhos pra cumprir


Elena: e põe sonhos nisso, hihihi.


Nem sei quanto tempo agente ficou no banco, só tinha certeza que foi bastante tempo, e quando levantamos, agente sentiu o corpo fraco, como se tudo se recusasse que nós nos levantássemos, mas a gente tinha lugares pra ir, então obriguei mim mesmo a levantar.


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