O torneio dessa vez seria em um lugar super especial, tanto que no dia do torneio, eu fui levado de carro até o campo de treino, depois fui levado pelo mestre até um lugar onde um grande trem que submergiu na própria lava ea feito, eu já tava acostumado a ver bizarrices pelo território, mas aquela bizarrice fez minha espinha gelar por alguns segundos.
Mestre: vai lá, tá tudo bem.
E confiando no meu mestre, eu entrei no metrô super estranho, me surpreendi um pouco que por dentro o lugar era absurdamente frio, mas nada chegou perto da surpresa que eu senti quando vi tudo pela janela, e qualquer medo que eu sentia naquela hora foi substituído por fascínio, bem abaixo de nós estava um gigantesco arquipélago, igual ao nosso, só que.
João: um arquipélago, no meio da lava
Mestre: não, isso não é lava não, é magma….
O mestre queria falar não só pra mim, mas todo mundo que tinha um fascínio de ver todo aquele arquipélago no meio da lav…quer dizer, no magma fervente, e depois de todo mundo já dar sua dose de suspiros, wows, e tirar suas fotos. Ele falou.
Mestre: senhoras e senhores, sejam bem-vindos ao arquipélago do mar vermelho, também conhecido como arquipélago dos vampiros.
Hummm, considerando que ainda tinha grande chance dos vampiros serem machucados pelo sol, sendo quase uma roleta russa na maioria do tempo, até fazia sentido, e apesar de ter falado aquilo, nós dois ainda estávamos impressionados demais com a imagem do arquipélago do mar vermelho para não encostarmos nossos rostos da janela, até que o mestre falou.
Mestre: não se esqueçam do torneio, não estamos aqui pra tirar férias
Todos: SIM MESTRE.
E com esse pensamento, fomos direto ao torneio sem pensar duas vezes, eu tinha uma boa ideia de quem eu enfrentaria dessa vez, e só o pensamento de encontrar com o Ivan e o Marcio, o Marcio eu tinha certeza que já estaria um milhão de vezes diferente…e nesses meus devaneios, nem tinha notado como eu tava tossindo, mas na hora, o mestre me deu uma balinha de menta, e com o seu frescor, eu me senti muito melhor, como se meus pulmões fossem limpos na hora.
Mestre: que perigo, eu quase esqueci
João: esqueceu o que?
Mestre: o ar do mar vermelho é tóxico, pra pessoas do mar brango e azul, é absurdamente mortal vir aqui sem preparo, mas pela sua sorte, eu vim preparado.
E o mestre falou isso enquanto mostrava um saquinho cheio de balinhas de menta, que segundo ele, iriam me ajudar a respirar lá embaixo, além de serem deliciosas, eu não duvidei da palavra dele, só achei meio louco que eles transformaram um item tão importante para visitantes em balinhas, mas quem sou eu pra julgar como eles fazem as coisas também.
Depois de andarmos um pouco, logo chegamos ao novo torneio, um dentro de uma gigantesca coluna de sustentação (com a grossura pra ser um grande coliseu). Dentro dele tinha muitas arquibancadas, e como eu pensei, o grande torneio dessa vez seria em uma gaiola, olha só, mas diferente do que eu esperava, aquela gaiola era dividida em 4 partes.
Mestre: diferente do último torneio que vocês foram, nesse vocês não terão pausas, vocês lutaram 2 rounds sem parar, e depois que derrotar seu oponente, um pedaço da arena irá se abrir, até que a arena esteja totalmente aberta, com vocês chegando nas finais logo em seguida, entendido?
Todos: ENTENDIDO.
Eu sabia que seria o primeiro, mas antes de entrar, entendendo na hora que eu não teria como parar, eu olhei ao redor, no grande mar de pessoas na arquibancada, e nossa, ao vivo aquele lugar era ainda mais louco, o lugar estava completamente escuro, com muitos gritos e canhões de luz para todos os lados, junto com um movimento tão grande e constante de todas as direções que era impossível ver um único rosto lá em cima.
E mesmo assim existisse algo, algo mais simples que a aura, e mais puro do que instinto primitivo, era como se a minha alma estivesse vendo um grande farol no meio de todas aquelas pessoas, e em algum lugar…não, pra ser mais preciso, o lugar número 53 da fileira H, ali estava ela, com seu cabelo encaracolado, seu sorriso que eu amava ver em todas as situações, seus olhos que exalavam uma paixão profunda para todas as coisas e uma confiança que vinha em todo seu movimento de corpo, ela olhou pra mim.
Mesmo estando a quilômetros de distância dela, eu sentia que a Elena me via e estava torcendo pra mim, e aquela simples noção dela estar lá me fez ficar com tanta força que eu sentia que podia nocautear meu mestre com um único soco, não importa o quão iludido esse pensamento fosse, era o que aquela Sapien provocava em mim.
João: acho que eu vou primeiro, já que eu sou o mais jovem
Mestre: é, aproveitar enquanto ainda dá tempo.
E ouvindo aquilo, eu segui o mestre em um canto, e me arrumei com cuidado, me alonguei, me aqueci, e com meus punhos ardendo de antecipação no meio da grande batalha. eu só lutaria 3 batalhas, mas já sentia um pouco da grande adrenalina junto da plateia.
Uma vez dentro da gaiola, eu já me sentia totalmente eletrizado, com toda a grande animosidade, adrenalina e energia de toda a plateia se concentrava em mim.
O meu primeiro oponente parecia forte, então eu respirei fundo, me preparei bem, e fui correndo até ele.
O meu oponente tentou me dar um Jab, mas eu avancei com minha guarda levantada, fazendo ele não ter espaço pra alongar o golpe e me dar a força total do golpe ele, e depois fiquei coladinho com ele e comecei a dar vários cruzados, apers e shiparais, nas três primeiras vezes, consegui fazer que ele caísse no chão.
(Nota do autor: shibrai, rasteira)
Quando ele levantou, ele tentou ficar longe de mim, não conseguindo mais me aproximar, eu apenas chutei ele, conseguindo desequilibrá-lo o acertando na cabeça. Com meu oponente desestabilizado, eu lhe dei um jab na barriga, subi com um aper e o afastei com um faca, depois me afastei de novo.
Enquanto respirava, vi meu inimigo cambaleando, com medo de avançar, e com isso eu tive bastante tempo para respirar, recuperar meu fôlego e ir andando até ele.
E de novo, o lutador tentou me parar como um frontal, mas eu dei um tapa na perna dele, o fazendo desequilibrar, e dei um chute super forte na barriga dele, fazendo o infeliz cair no chão.
Ele ficou ajoelhado, mas não importa, ele não tava mais conseguindo levantar, mas não veio nenhum juiz e nem um enfermeiro cuidar dele, nananananão, ele teve o cuidado preferencial de ser pego por uma grande luz dourada e logo depois retirado da arena sem nenhum problema. Apesar de gostar de passar pelo próximo estágio, não consegui me impedir de sentir ciúmes de alguém que foi cuidado pelo próprio Guaracy em pessoa.
Tentando me distrair, comecei a pensar que eu não fazia ideia que seria fácil assim vencer a primeira partida, mas consegui me convencer que só foi fácil porque não me descuidei, o garoto era forte, o problema era que eu levei tudo a sério logo no início, e vendo quem seria meu oponente, do outro lado da arena, eu fiquei feliz de ter decidido lutar com tudo no começo.
No outro lado da arena, Ivan me olhava, com um rosto cheio de fúria, expectativa e desejo de vingança. Ele não estava com nenhum arranhão, provavelmente conseguindo vencer seu oponente com um golpe também, mas antes da nossa luta começar, um sinal de pausa aconteceu, porque assim que nossa grade caiu o tempo do primeiro round acabou.
Sem nenhuma gota de suor e não sentindo um pingo de cansaço ainda, eu olhei pro Ivan, que olhava pra mim, querendo uma vitória “legítima” comigo depois de tanto tempo, e um pouco mais alerta depois da nossa última luta, eu apenas fui pro meu mestre, me sentei numa cadeirinha, e me preparei, (mesmo que eu nao tivesse nem suado no primeiro combate).
Mestre: e aí, tá pronto pra revanche dele?
João: na verdade a revanche é minha
Mestre: o que?
João: eu lutei com ele numa partida não oficial, eu estava com dor de barriga então ele ganhou, sou eu que estou desafiando ele.
O Mestre ficou sem falar nada por alguns segundos enquanto me dava um pouco de água, até que ele falou.
Mestre: sério? Sinto que ele não vê dessa maneira
João: jura?
Mestre: você mesmo falou, foi algo não oficial, não tem valor pra você vencer uma partida que é só entre vocês, vocês são artistas antes de ser lutadores, e agora, com você recuperado, cheio de energia, e depois de um treino intenso que o lobinho teve naquele dia, ele com certeza está ansioso pra mostrar pra você, pra todos, e mais importante, pra ele mesmo que ele ficou mais forte que você, e que não foi sorte ele ter ganhado de você naquela época, bom, é claro, ele só conseguirá fazer isso no seu melhor estado, e com tantas testemunhas quanto estrelas no céu, pode não ser algo tão selvagem quanto uma briga de verdade, mas como a arte ama de nos lembrar, nem todas as coisas precisam ser reais pra serem apreciadas.
E depois de ouvir aquilo, eu ouvi o som do sino tocando, e quase perdendo o calor do meu corpo pelo tempo que eu fiquei sentado e sem fazer nada, eu me levantei, pensando no que o mestre falou, tudo aquilo era um espetáculo, em uma luta de verdade, eu talvez estaria perdido, mas e daí?
Eu nunca entrei nisso pra saber brigar a todo momento, enquanto eu via o Ivan se aproximando, continuava pensando como eu aprendi isso pra liberar minha raiva, porque eu gostava de lutar, pra me manter saudável, e principalmente, pra eu me defender caso eu precisasse, mas nunca começando o ataque.
Nooooooossa, talvez esse fosse o pior momento pra eu ter percebido isso, mas eu fiquei muito feliz, alegre e emocionado em perceber que algo tão simples e bruto como uma luta foi embelezado assim, a ponto que a sobrevivência não existia mais, eu não precisava lutar pra matar, eu só precisava ganhar.
E enquanto eu olhava pro meu oponente, senti feliz como no fim de tudo, essa luta de agora é a mais até que batalha, e com minha raiva, stress e força sendo colocada em cada grama de minhas luvas, nada do mundo poderia me deixar mais feliz.
No primeiro soco do Ivan, eu fui forçado a desviar, ele tinha braços bem maiores do que eu, então precisei tomar cuidado. Nos nossos primeiros golpes, não nos aproximamos um do outro, apenas damos jabs no vento, tentando encontrar a distância certa, e no meio dessa verificações, o Ivan tentou me dar um chute peito na cabeça, mas eu desviei pra baixo e levantei preparando um soco, mas o pé do Ivan não caiu no chão e ele me deu um chute faca na costela, mesmo defendendo, eu andei pra trás um pouco pra absorver o impacto.
Sem parar, o Ivan tentou outro chute em mim, agora na costela, e agora eu defendi com o braço e avancei socando, ele me deu um soco também, mas eu desviei de novo bem de raspão, fiquei bem pertinho dele e dei a ele um cruzado que acertou bem na defesa, mas eu o peguei, eu dei uma sequência de 4 socos e um chute na canela que quase o pegou, mas é claro que não dava pra terminar assim.
Ele firmou a própria canela, se abaixou e me deu um jab na barriga bem dado, junto de um aper no queixo e um chute na cabeça. Eu consegui defender apenas o chute na cabeça, mas logo eu me recuperei e voltei a bater, agora dando uma facada no Ivan, o fazendo defender e me dando tempo para chutar a cara dele com um ura, e a minha janela entortou um pouco a mão dele.
Mas ele não desistiu, e me deu um jab na cara, que me deixou tonto, se não fossem as nuvens, eu com certeza teria quebrado o nariz agora, e com o rosto queimando e lacrimejando pelos socos, eu dei uma sequência de 3 jabs nele e quando ele iria bater, eu dei um chute faca com a mesma perna da frente, acertando ele bem nas costelas.
Eu ouvi algo trincando, mas se eu quebrei algo, o Lobo não deixou transparecer em nada além da força do próximo chute dele, que trincou um pouco o osso do meu braço. Ai, ai…AI AI AAAAAAAAAAAI. Aquilo doeu muito, eu tive que morder meu protetor de boca o máximo possível pra não desmaiar, e devolvendo a raiva no próximo golpe dei um soco com a minha mão boa.
Um soco tão forte que eu passei pela defesa dele e consegui derrubá-lo no chão, mas naquela distância que eu joguei ele, o Lobo ainda conseguiu se levantar e me dar um chute giratório faca, algo que eu dei um salto pra trás, vendo quase imediatamente o que ele iria fazer.
E com um salto, eu dei ele um jab voador, um jab que ele defendeu, dando um tapa com a mão e quase me desequilibrando, mas eu deveria agradecer, o jab que ele me deu no rosto depois me reequilibrar, antes de me estabilizar, eu fui acertado no rosto e nos braços várias vezes, apenas consegui me manter no jogo porque eu acertei um chute faca nele uma vez, conseguindo o mandar pra longe.
E depois em uma sequência onde eu estava fugindo pra respirar, o enganei dando dois diretos e jogando uma grande cobertura bem no ombro dele, e no último embate, ele de novo tentou um soco giratório em mim, mas no mesmo momento, eu recuei e dei um fontal nele, na mesma região que eu tinha certeza que havia quebrado na última vez.
E depois de todos os ataques, o Ivan ficou mais calmo, permitindo que eu respirasse, mas eu já tava bem tonto, parecia que o intervalo não ia começar nunca, tanto que agente trocou mais golpes, comigo ficando cada vez mais tonto, mas como retaliação, eu aceitei mais três chutes faca bem na cara do Ivan, e quando recebi um cruzado que me desestabilizou e me deixou tonto, agradeci aos céus quando notei que o gongo da pausa foi utilizado.
Quando fui colocado no outro lado do ringue, alguém tava passando uma esponja no meu rosto pra me acalmar, enquanto eu sentia dor em lugares do meu rosto que eu nem sabia que existiam.
João: Mestre
Mestre: que foi?
João: como tá o Ivan? Eu não consigo ver ele do jeito que eu to
Mestre: ele tá tão machucado quanto você
João: ótimo, isso me deixa bem mais tranquilo.
E quando o gongo do segundo round começou, eu fui até ele com muita força enquanto ele andou até mim, testando a distância do jab, eu apenas olhei pra ele da forma mais concentrada que eu conseguia, e logo vi ele me dar um direto super veloz, que eu defendi com uma mão e dei um jab e um peito no rosto dele, depois me afastei de novo.
Com um medo profundo, e um senso de autopreservação forte, eu continuei olhando pra ele novamente ele tentou um chute pra se aproximar de mim, mas eu defendi com corpo, e antes dele se recuperar, eu dei um chute ura na mesma direção da perna que ele usou pra chutar, um movimento super complicado, mas que eu dei um jeito de fazer funcionar.
Eu o acertei na barriga naquele momento, mas ele não desistiu, ele me olhou com bastante cuidado, tentando encontrar uma brecha em minha defesa, até que ele avançou com corpo todo, tentando me limitar, e como um toureiro, esperei a hora certa e dei um salto desviando pra esquerda.
Claro que ele não desistiu e continuou indo pra cima de mim como um ideal touro desgovernado e pra lidar com isso eu dei vários socos enquanto mantinha ele longe, foi bem complicado, mesmo dando chutes frontal para-lo ele não parou, eu soquei, soquei e chutei, e quando meu corpo tava quase desistindo de vez, ele parou de se mover um pouco pra respirar.
Eu tentei pensar em forma como lutar, mas logo ele chutou de novo, quase acertando minha cabeça, mas eu me defendi a tempo, mesmo que o chute ainda tivesse me feito cair no chão, ainda deitado, o Ivan tentou me pisar, uma, duas vezes, até que eu levei um chute que me fez levantar, meu rosto jorrou sangue enquanto eu avançava ainda mais, quando a violência daquele momento.
Em um desvio final de jab, eu encaixei um aperto nele, no mesmo momento em que ele encaixou um cruzado em mim. Nós dois não conseguimos mais defender, mas pegando uma boa lufada de ar, dei um último chute, um último chute faca bem na cara do Ivan, o fazendo cair no chão, e dessa vez, ele não se levantou.
Eu estava com a respiração ofegante, seus músculos estavam doloridos, e meus pulmões queimavam com o esforço que fiz até agora, e enquanto eu via o corpo de meu inimigo no chão, não aguentei e pensei.
João: acho que realmente foi a dor de barriga que me fez perder daquela vez.
Apesar dos ferimentos intensos que tinha no corpo inteiro do Ivan, ele não demonstrou reações ou sensações de dor, na verdade, ele parecia muito mais dolorido com as minhas palavras, de que em meu 100% eu não perderia para ele, do que qualquer outra coisa.
Com o tempo, o Ivan foi ajudado a sair da arena por uma poderosa luz, a mesa que Guaraci fez para tirar meu antigo oponente, e enquanto via o Ivan partindo, eu vi os olhos amarelos de Beta dele tendo um pequeno lampejo vermelho, mas ainda era algo muito pequeno para se algo muito forte.
Alguns segundos depois, a grade que separava a arena em dois se abriu, revelando o sinistro vampiro zumbi que eu venci no último torneio, que eu conseguia ver apenas em sua aparência naquele momento que vencê-lo não seria nada fácil.
Existiam muitas formas de encarar a derrota, alguns se encolhiam em negação, e diziam várias desculpas por terem perdido. Outros se afogam em medo, nunca mais querendo enfrentar outra pessoa. E tinham casos como o zumbi na minha frente, que usavam a raiva da perda para aumentar a força e os treinamentos infernais que eles aguentavam.
O zumbi estava com as costuras novinhas, músculos que eu nem sabia ser possível para um zumbi ter, e ferimentos em vários lugares que mostravam que ele passou por treinamentos infernais até chegar naquele ponto.
E no fundo de tudo isso, o fato que ele estava com danos tão pequenos de tudo que eu presumia que ele passou, já mostrava muito bem pra mim como ele esperou muito por isso.
Mas antes da pancadaria começar, pelo louvor do grande Guaraci, eu consegui um tempo para relaxar.

