logo do projeto lunar

Capa
No topo do mundo 🥊1
🤯o mundo secreto dos adultos🤯
1758 palavras • 9619 caracteres • ⏱ 7 min 02 s

🤯o mundo secreto dos adultos🤯

0
0
0

Apesar de eu estar pensando bastante no treino final, no dia seguinte eu ainda encontrei um tempinho pra visitar o Luca, eu sempre fazia questão de avisá-lo antes de fazer isso, porque na última vez que fiz isso, ele não me deixou entrar.


O Nilo até me explicou porque ele fez isso, pelo que parece, “maldições quase nunca vêm sozinhas” e a maldição do gigante feliz dele, veio também com a maldição dos super sentidos, nossa, como se ter um cérebro que não se desenvolvesse direito não fosse complicado, ele ainda tinha sentidos super sensíveis, acho que ele se daria muito bem com os Lobisomens.


Enfim, quando cheguei na casa do Luca, depois de muito tempo, ele ficou bem feliz em me ver, mas ele não queria ver desenho, ele quis jogar jogos de tabuleiro, damas, cartas, xadrez. Ele era bom em tantos jogos que me fazia questionar como ele aprendeu tudo isso, isso enquanto estávamos começando uma partida de xadrez.


João: quem teve a ideia de você jogar jogos de tabuleiro?


Luca: foi o papai, ele ficou com medo de me deixar perto das outras crianças, então eu brinquei muitos joguinhos com ele quando era uma criança


João: eu entendo, muitas crianças são anjinhos, mas tem criança que faz até o demônio chorar.


Apenas pensar nos pestinhas que um dia eu já chamei de amigos fez meu corpo se arrepiar todo, mas tentando não pensar em coisas ruins, me foquei no jogo, e como sempre, eu tava com as peças pretas, e Luca com as brancas.


O Luca moveu seu peão para colocar seu bispo pra sair, se eu não tomasse cuidado poderia levar cheque em 5 lances, então deixei um peão pra impedir os movimentos do bispo.


João: ficou com raiva do seu pai por não poder conhecer pessoas da sua idade?


Luca: no inicio sim, mas com o tempo o Luca entendeu que muitas crianças não teriam paciência de brincar comigo


João: graças a deus que seus pais encontraram essas crianças, né?


E mais um movimento, o Luca abriu caminho pra sua torre e a moveu, eu olhei o tabuleiro um bom tempo, até que eu decidi colocar meu peão no caminho da torre, se ele parasse agora, iria ser pego pelo meu bispo.


Era sempre muito doido isso, mesmo lidando com uma criança com tantas dificuldades como o Luca, os país dele nunca pareciam ter problemas, mesmo criança, eu já percebi isso. E ate meus pais tinha um pouco disso.


FLASHBACK


Eu me lembrava que essa “esperteza” que meus pais tinham era algo que fascinava até meu eu criança, que sempre se perguntava como meus pais sabiam tanta coisa, até que um dia, eu apenas perguntei pra ele.


Joãozinho: papai, como você e a mamãe sabem tanta coisa?


Pai: é porque tem uma organização supersecreto feita apenas de país, que tem o único propósito de cuidar das crianças, e o papai e a mamãe fazem parte dela, e um dia, com sorte, você fará parte dele também


Joãozinho: Mesmo, é mesmo?


Pai: eu prometo.


FIM DO FLASHBACK


Enquanto lembrava disso, pensei como meu pai já devia saber muito bem do meu sonho de ser pai, por isso me contou aquilo, quando criança eu acreditei nisso, quando adolescente, eu comecei a ter dúvidas sobre a organização, mas quando fiz mais amigos, e comecei a aprender melhor como os pais cuidavam deles de formas inimagináveis, comecei a entender que o que meu pai falou podia muito bem ser verdade. 


E me tirando do meu turbilhão de pensamentos, o Luca me deu mais fatos para mostrar que essa organização deveria existir, mesmo que até eu fosse pai, eu não iria conhecer ela.


Luca: é, o papai falou com outros papais e descobriu um grupo de crianças que gostavam de brincar com o Luca


Joao: e a sua mãe, nossa, eu nunca vi uma mulher que conseguiu fazer aprender ser tão divertido, eu tenho certeza que ela consegue transformar uma matéria de cálculo 2 em um passeio no parque


Luca: é, a mamãe é incrível.


Apesar da raiva e vergonha que o Luca e o Nilo sentiam dos pais deles, porque eles os amavam demais, dava pra ver em momentos assim o quanto eles os amavam.


E com isso, o Luca não pegou meu peão, mas ele moveu a rainha, em um movimento que pegou meu bispo, ele pensou te me pego, mas meu cavalo estava na precisão perfeita para pegá-la. Vendo aquilo ele deu um salto na cadeira e soltou um grito que assustou o Luca, mas logo me acalmei.


Luca: AHN, como eu não vi isso!?


Joao: hehe, foi mal Luca, mas eu tenho uma grande campeã em casa, não posso me dar o direito de perder.


A minha mãe era uma entusiasta do xadrez, então depois de alguns ensaios e de algumas derrotas bem feias, eu aprendi algumas coisinhas do jogo.


João: mas me fala Luca, você já tem uma ideia do que quer fazer na vida?


Luca: o Luca quer ser um animador.


Ahhh, um animador, aqueles pintores fabulosos que conseguem colocar sentimentos, intenções e memórias tão grandes em um quadro que apenas uma pintura poderá ser transformada em um episódio de 30 minutos que ele tanto amava. 


E como o irmão dele, o trabalho que ele tanto queria não era nem um pouco fácil, mas mesmo com as duas maldições que ficariam em seu caminho, só pela cara dele eu sabia que ele estava pronto pra passar por cada provação por isso.


Isso me fez pensar na Elena, que queira ser uma guardiã, e do Nilo, que se ele realmente queria ser um jogador de futebol profissional, ele iria passar por regimes que iriam fazê-lo se questionar se estava morto ou não


E o meu próprio sonho, apesar do quão certo dele eu estava, eu apenas imaginava que eu não batia bem a cabeça, só pensando nas coisas que eu, como um profissional, ainda teria que passar. 


Também me fazendo agradecer pelo meu pai me dar um plano B, mesmo que eu tinha certeza que não iria usá-lo.


João: nossa, nenhum amigo meu desejou um caminho fácil


Luca: não existe caminho fácil Joãozinho.


Joao: claro que tem, o de não fazer nada, fazer apenas o essencial, nunca buscando melhorar, se contentando com um emprego lixo, com um dinheiro que nao da nem pra comprar uma bala, e odiando todos que tem a motivação para fazer o que você não conseguiu fazer, dizendo que foi “sorte e talento”.


Eu fiz a maior questão de fazer o maior deboche do mundo quando falei “sorte e talento” para mostrar o quanto eu odiava aquelas palavras.


João: pfffff, as pessoas criam a própria sorte, e talento não é algo que uma pessoa nasce, é algo que a pessoa ama. O talento não passa de paixão em sua forma mais pura, porque quando se ama algo com todo o coração, é impossível você ser mal naquilo.


O Luca parou de mexer nas peças por um momento, mas eu nem ligava, eu nem fazia ideia como o tabuleiro estava, eu tava focado demais na conversa que eu comecei pra prestar atenção no tabuleiro agora.


Luca: e tem coisas que você aprende a amar


João: verdade.


O Luca ficou em silêncio, olhando pro “nada”, mostrando uma absurda concentração, até que ele me olhou nos olhos, com uma “sabedoria” que muitos “Asingulares” não tinham, e falou.


Luca: o Luca entendeu o que o Joãozinho quis dizer, e o Luca agora sabe que nunca pegaria esse caminho, mesmo se quisesse, o Nilo, mamãe, o papai, você…e o próprio Luca não iam deixar


João: isso porque sua paixão é incomparável, não é?


Luca: é, e porque a mamae e o papai queria muito saber com o que o Luca estava apaixonado, e mesmo demorando pra encontrar, assim que o Luca entendeu no que está apaixonado, foi como amor à primeira vista


João: é, eu entendo como é isso.


E como um pateta, pensei nessa conversa, pensando como essa ênfase que ele colocou no próprio nome, esse “o Luca não deixaria” parecia diferente das outras vezes que ele falava em terceira pessoa. 


Ele ficou um pouco melhor de cabeça, e mesmo que ele tivesse uma maldição permanente, eu ficava feliz que conversar como essa onde eu apenas era eu mesmo, eu conseguia deixá-lo melhor, e de certa forma, ele também conseguia me deixar melhor.


Luca: se concentra


João: ahn?


Luca: voce ta perdendo.


E quando olhei pro tabuleiro de novo, vi que o jogo tava bem mais difícil agora, em um minuto, meus peões e torres foram pegos, e agora eu só tinha 3 peões, que estavam com torres os impedindo de serem promovidos.


João: essa não


Luca: hehe, melhor não perder a cabeça do jogo


João: obrigado Luca.


E tentei pensar em uma estratégia, mas a minha situação não era nem um pouco boa, e entendendo o que eu tive que fazer, eu sacrifiquei um dos meus peões, e depois peguei a torre dele com meu outro peão.


João: a propósito, cadê os seus velhos?


Luca: lá em cima, mamãe e papai sabem que não gosto deles por perto quando tem visitas, o Luca se sente como uma criança


João: às vezes é bom se sentir uma criança, mas entendo que no seu caso deve ser no sentido negativo.


Nós continuamos jogando por um bom tempo, até que nós chegamos em um cheque, o meu cheque nele. O Luca olhou pra todos os lados, e depois de pensar por um bom tempo, ele conseguiu salvar o rei dele, mas assim que ele se moveu daquela forma, ele prendeu o rei em um caminho de peões, um caminho que o deixou preso para ser pego pelo bispo que consegui promovendo um peão.


João: xeque mate


Luca: AAAAAAAAAAAH, AAAAAAAH, AAAAAAH, QUE DROGA.


O Luca esperneou por algum tempo, um tempinho que não me afetou tanto, e depois que ele se acalmou um pouco, ele falou.


Luca: isso da 35 vitórias pra você, e 41 pra mim, o Joãozinho precisa ganhar mais


João: concordo. (se levanta), me fala, cadê seu irmão?


Luca: shhhhh, é segredo.


E entendendo o que o Luca quis dizer, eu me aproximei, quase sussurrando pelo cuidado que eu precisava ter, e falei.


João: Luca, fica calmo, eu já sei o segredo.


Luca: aaaah, jura? Nesse caso, ele tá na praça pererê.


João: a praça pererê? Nossa, ele já deve estar bem dedicado lá então.


E dando um abraço no Luca, eu me despedi, agradecendo por consegui ficar um tempinho com aquele maluquinho.


Comentários (0)

Seja o primeiro a comentar ❤️

Seja respeitoso. Comentários são públicos e não podem ser apagados.