Eu agradeci muito ao fato do meu tio ter passado por todo aquele processo de conseguir por as mãos, naquela pintura, porque pelo jeito, Viper o envenenador, iria enfrentar um vampiro bem conhecido também, Atlas da chuva de sangue, um nome que enganava muitos, mas que eu já vi lutas o suficiente pra saber o que era.
João: espero que eles tenham preparado os limpadores de sangue
Tio: eles prepararam no meio dos comerciais e enrolações, e é por isso que eu pulei
João: só existe você mesmo tio.
E rindo, eu me concentrei na luta de novo, e agora, a forma de lutar com Viper mudou, ao invés de focar golpes a distância, ele criou luvas e botas através da aura, mas não eram apenas luvas de proteção, eram grandes luvas pontiagudas feitas de ferro puro, com pregos idênticos a grandes garras de serpente, tanto nas pernas quanto não braços, e pra aguentar isso, o Atlas apenas seguiu em frente, como se nada no mundo realmente pudesse importar pra ele.
E no primeiro golpe, Viper acertou em cheio a cabeça do Atlas, fazendo ela explodir em pedacinhos, mas não foi apenas a cabeça, o Atlas, mesmo com a cabeça estourada, ainda tentou se mover, mas em um movimento simples, o Viper destruiu cada pedaço do corpo que o vampiro tinha.
Qualquer um que não soubesse como verdadeiro potencial de um vampiro iria pensar que a luta terminou ali mas para alguém experiente como o Viper, ele sabia que não acabou ali.
E logo depois, da fumaça, grandes punhos começaram a serem criados no meio dela, agora carregados de um grande poder de pedras que tentaram atingir o Viper de vários lugares, enquanto ele continuava quebrando, destruindo e desfazendo qualquer coisa que o atacava, sem qualquer resquício de resistência do Atlas, e enquanto eu via aquilo, eu não aguentei e falei.
João: olha, sei que vampiros tem a regeneração mais absurda dos reinos, é até fácil de engolir, mas me gela a espinha apenas pensar nos tipos de treinamento pros vampiros nem piscarem quando algo como aquilo aconteceu com eles, a dor que eles passavam ali deve ser insuportável pra qualquer um que não seja eles.
Meu tio não falou nada de primeiro momento, ele apenas ficou olhando tudo por alguns segundos, enquanto o chute de Viper destruía milhares de outras pernas e braços, que logo em seguida eram refeitos de novo. Um golpe quase acertou o Viper, mas ele bloqueou a tempo.
Mas logo que o primeiro soco foi feito, o vampiro se remodelou por completo apenas pelo braço atingido, e logo começou a bater muito no Viper, socos poderoso que faziam o Ogro voar para cima com força, e mesmo assim, ele chutou e destruiu o Vampiro mais 5 vezes, antes do primeiro tempo acabar.
João: nenhuma, ele tá sequer suado
Tio: é uma batalha de alto nível, que aqueles de mente fechada demais pra tentar entender não conseguem compreender
João: a minha mente está pela metade, eu preciso entender tudo bem mais.
E enquanto o segundo tempo começava, eu vi os dois avançando, e sem se preocupar muito com as técnicas, eles colidiram punho contra punho, muito mais um teste que uma técnica, e o Atlas pagou feio por isso.
Porque assim como o nome dizia, ele era um envenenador, e sua Aura em forma mais pura, apodrecia tudo em que ela tocava, um veneno fortíssimo foi jogado na sua corrente sanguínea.
E enquanto o vampiro sentia mais e mais dor, ele sorriu, e apertando bem forte o próprio punho, o vampiro criou pedaços de carne novos no braço, e expulsando qualquer parte petrificada que podia ter ficado com o veneno e depois de 4 colisões de punho, ele quase acertou o ogro, mas ele defendeu o chute do vampiro a pontos e conseguir arrancar o pé dele fora.
E enquanto eu sorria, eu via como o Vampiro já tava respirando meio pesado, mesmo que ele não admitisse o quando tava cansado pro seu oponente.
Segundo tempo, terceiro tempo, quarto tempo, no décimo quarto round, o vampiro já estava super cansado, enquanto o ogro, mesmo com todas as dores, ferimentos e energia perdida depois de destruir tantos clones, ainda tremia como um grande de poder, a ponto do vampiro ser encurralado.
Ele defendeu cada soco, mas cada um deles o mandava pro ar, até que ele ficou na parede e no momento em que tudo parecia perdido, o décimo quinto tempo acabou.
João: ele não vai conseguir
Tio: tem certeza? Todo mundo ama uma boa história de um azarão
João: é, talvez, mas sinto que a história não vai ser essa.
E quando o décimo quinto round começou, a hora de brincadeira acabou, e num lampejo de instinto de sobrevivência, o vampiro desviou de um Jab, e um chute joelhada do Viper, conseguindo encaixar uma grande aper na cara dele, e o Viper retribuiu isso acertando ele no braço, e o fraturando de uma forma que ele não podia se regenerar depois de estar tão cansado.
João: ah não, não não não não não não, não tem jeito dele não ter sentido dor nessa
Tio: os dois tão sentindo a essa altura, mas eles não ligam
João: ou melhor, aprenderam a reagir de forma certa…ainda tô aprendendo a não ligar pra isso
Tio: jura, sinto que nessa aula você é um ótimo aluno
João: ela é mais complicada do que parece, você, entre todos, deveria saber disso mais do que ninguém.
E como se lembrasse de lembranças ruins, mas que com um pouco de nostalgia o fazia rir das coisas que já passaram, meu tio riu de forma brincalhona pra mim e falou.
Tio: é, pior que é mesmo, agora vamos ver como os mestres de aguentar a dor vão lidar com isso.
E com a empolgação mais que dobrada pelos comentários do meu tio, continuei olhando a luta pelo que pareceu absurdamente mais tempo do que qualquer um poderia aguentar, o décimo quinto tempo acabou, e minha voz ficou tão rouca mas tão rouca, que nem eu mesmo acreditei no quanto que eu gritei vendo aquilo.
O Viper estava cheio de roxos e ossos quebrados em vários lugares, e o Atlas estava com ferimentos tão sérios que ele não conseguia se regenerar. Eles mostravam uma grande força e resistência pra provavelmente continuar aquilo talvez por 90 rounds.
No fim do combate, apenas podia falar.
João: muito bonito
Tio: é, eu concordo.
Ver o Guaracy se manifestando ali apenas para dar o vencedor, e para a surpresa de ninguém, o grande Deus do Sol levantou a mão do Viper.
Guaraci: O VENCEDOR É VIPER O ENVENENADOR.
João: um dia titio, um dia, eu irei naquela arena e foi enfrentar o Viper
Tio: ele vai te espancar
João: eu sei, mas não foi recuar, não importa quantas vezes ele vença, ou quantas vezes eu perca, tudo que importa é a vitória, uma vez, se eu conseguir vencer do Viper uma vez no jogo dele, poderei dizer que no final tudo valeu a pena
Tio: aí, amo a sua lógica João
Pai: melhor não amar tanto, essa mesma lógica é uma dor de cabeça constante pra nós dois.
Depois de ouvir isso eu e meu tio olhamos pra esquerda, vendo meu pai e minha mãe terem tomado banho e agora só tavam ali, esperando agente nota-los.
Mãe: nunca vou me cansar que vocês ficam tão imersos nesses programas que dá tempo da gente tomar banho aqui
João: tem vezes que nem eu acredito que faço isso, mas é nessas maluquices que sinto minha selvageria melhor
Pai: então, vamos pra casa?
João: unhun, unhun, claro.
E depois de dar um abraço apertado no meu tio, eu fui até meus pais.
Tio: já tô empolgado pra quando você for me ver na próxima
João: logo Titio, logo.
E então nós colocamos em marcha, diferente do clima melancólico que estávamos antes com meu tio, nós saímos de lá com um clima absurdamente feliz e por mais que ainda fosse preciso que agente falasse do meu avô em algum momento, nenhum de nós queria estragar aquele momento tão lindo pensando no meu avô.
Pai: cara, você realmente é outra pessoa com seu tio, nem com seu avô você é assim
João: apesar de gostar do meu vovô, ele me dá um pouco de medo as vezes, mas o titio não, ele tem todo o combo do vovô, sem todo o ar de medo que eu tenho as vezes dele
Pai: que tristeza, eu sou a ovelha negra da família
Mãe: a ovelha negra mais linda do mundo, isso sim
João: mãe, não distraia o papai na rua.
Já era difícil manter o controle de carruagens aéreas quando se estava prestando atenção, então ter um casal flertando em meio a uma carruagem voadora era nível de desastre na certa.
Pai: e aí, vai fazer o que amanhã?
João: acho que eu vou ver a Elena
Mãe: iiiiih, se prepara pro sermão então, você vai receber muita reclamação da garota
João: provavelmente, foi difícil encontrar com ela ultimamente
Mãe: leva uns chocolates pra ela, pra deixar o clima mais leve.
Aí mãe, você realmente não conhecia a Elena, por que aquela garota era estranha, ela não gostava de chocolates, pelo menos não chocolates normais, e como eu não ia conseguir fácil os chocolates especiais, eu iria colocar a segunda melhor coisa na mesa.
João: obrigado mãe, com a sua dica talvez eu volte inteiro pra casa
Mãe: irei pedir ao deus Rudá que cuide de você
João: agradeço, acho que vou precisar de toda a proteção que tiver.
Sim, eu precizava porque apesar do meu plano, e do amor que eu sabia que a Elena sentia por mim, eu também sentia que deveria me preparar pra ter um gostinho da capoeira em mim, e não de uma forma boa…é, e novamente, enquanto eu pensava na dificuldade que eu ia passar, apenas conseguia pensar “eu sou muito burro” bom, talvez se eu jogasse as cartas certas, ela iria deixar que eu saísse dali bom o bastante pra fazer minha troca de faixa.
João: grande Ruda me dê forças.

