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No topo do mundo 🥊1
🙂‍↕️🌕a primeira Alfa🌕🙂‍↕️
3063 palavras • 17343 caracteres • ⏱ 12 min 15 s

🙂‍↕️🌕a primeira Alfa🌕🙂‍↕️

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Uma vez dentro do lugar, já cheguei a recepcionista, que estava arrumando alguns documentos, chamei a atenção dela com uma tosse e perguntei.


João: ah, você sabe qual é a sala do senhor Jonathan? Ele é meu avô, meus pais já vieram aqui, mas eu demorei mais pra chegar.


Recepcionista: qual seu nome, jovem?


João: João, João Galilei


Recepcionista: ah sim, é, seus pais já vieram, eles estão no quarto trezentos e dez, terceiro andar a esquerda, não tem como errar


João: obrigado.


Mas antes de eu sair, a recepcionista colocou um adesivo escrito “visitante” no meu peito, algo que eu sabia que era bem importante, então não mexi e só andei com aquela simples informação. 


E quando estava no meio dos corredores, notei que, diferente da Alfa Valentia que eu encontrei naquele dia, todos os lobos do lugar conseguiam manter suas presas escondidas e não parecerem assustadores, pelo menos não sem serem ameaçados.


Eu não sabia tudo sobre a genética nem a hierarquia dos Lobisomens de Aura, só o básico de alfas e betas, e até isso eu era meio que leigo até certo ponto, e considerando que meu avô, e vários outros parentes meus se transformaram em lobisomens, eu queria entender melhor sobre essa cultura que eles criaram através do presente de Jaci, algo que eu também me informei, mas não era um grande expert também.


Quando cheguei no quarto, lá estava o meu avô, meu pai, minha mãe e a Valentina, todos bem cansados e meu avô mais ainda, e sem nem saber totalmente o contexto do clima daquela sala, eu imaginava que aquilo era só meus pais e a própria Alfa dele tentando convencer meu avô de alguma coisa, mas pra variar, o vovô não ia aceitar fácil. 


Mas eram só especulações por enquanto, então eu só me aproximei devagar dele e mostrei que eu estava ali. E como se eu fosse um bote salva vidas, meu avô gritou.


Vovô: AH JOÃO, GRAÇAS A DEUS VOCÊ VEIO, VEM CÁ DAR UM ABRAÇO NO SEU AVÔ.


Apesar de não gostar muito de expressar sentimentos, eu sempre me impressionava como o meu avô gostava tanto de abraços. E depois de abraçar ele bem forte, e perceber que ele agora estava mais tranquilo, não mais fingindo que estava bem, eu perguntei para ele.


João: vovô, você tá bem


Vovô: eu tô ótimo João, mas essa doida tá dizendo que eurnenho que entender o presente da Jaci, besteira, eu vou me livrar disso na primeira oportunidade


Valentina: eu já falei, não é assim que funciona


Vovô: isso porque vocês não tentaram o suficiente


Valentina: senhor Jonathan, não se envergonhe mais, toda a sua família já sabe o que você escolheu, e nós dois sabemos o que você fez pra conseguir chegar a esse ponto, se quiser, poderá voltar pra casa agora sem problemas, mas todos nesta sala sabem muito bem que você não fará isso.


O meu avô ficou em silêncio por algum tempo, tentando encontrar a força pra recusar, mas ele não conseguia, pois ele já sabia que era impossível. Mas ele apenas pareceu entender isso quando eu cheguei e ele viu que eu não tava do lado dele.


Vovô: tá bom, acho que só irei me envergonhar se continuar aqui


Valentina: ótimo, então vamos.


E se levantando, a Valentina nos guiou para um lugar diferente do território, saindo do veterinário, nós saímos da ilha, indo para uma ilha quase desabitadas com nada além de pedras e mais e mais pedras, junto de algumas fogueiras. 


E pelo quão escuro estava, eu sabia que a história seria boa, ainda mais agora que eu via que aquela ilha conseguia ficar totalmente escura como se fosse noite, mesmo que ainda estivesse de dia fora dela.


E depois de sermos colocados no chão, e andarmos mais um pouco, nos encontramos um cantinho com uma fogueira, cheias de troncos cortados pra sentar e com vários lobisomens, muitos, ou quase todos sendo “recém transformados” o que deveria me deixar nervoso, mas eu apenas fiquei tranquilo quando vi aquilo, sabendo que meu avô iria passar pelo “processo normal” depois da “recém transformação”.


E quando meu avô se sentiu aliz muito assustado com o que aquelas imagens poderiam dizer pra ele, a Valentina o segurou pelo ombro, o acalmando.


Valentina: não se preocupe, você vai encontrar apenas a calmaria através dessa história.


Eu tava cada vez mais curioso pra saber os detalhes de como a relação do alfa com seus betas funcionavam, mas antes de eu ter a chance de perguntar aquilo, um outro lobisomem se aproximou do fogo.


Era um lobo com pelos cinzas, um corpo imenso, e com seus músculos desgastados, usando um pequeno cajado para se manter em pé, mas apesar de sua fraqueza, eu conseguia sentir de longe a força de sua aura, quase como se fosse um oceano me esmagando, mostrando que ele não deveria cair fácil de jeito nenhum.


Ancião: aproximem-se recém transformados, porque eu irei contar a vocês, a lenda de Amaris, a iluminada.


E jogando um pouco de sais estranhos na fogueira, uma fumaça bem forte e vermelha começou a ser feita, mostrando a imagem de uma mãe segurando um bebê bem fraco nos braços.


Ancião: a lenda da Amaris começou a mais de 500 mil anos atrás, ela começou como muitas histórias daquela época, uma mãe, devota tanto a Jaci quanto ao Guaraci, deu a lus a um bebê muito fraco, um bebê que todos os Curandeiros diziam que não iria durar mais do que alguns meses de vida…mas a mãe e o pai não desistiram, eles cuidaram da criança, orando todas as noites para que ela ficasse bem forte e saudável. A grande deusa Jaci cumpriu esse desejo, e no dia que todos os Curandeiros disseram que Amaris iria morrer, a deusa visitou os pais e deu à criança a força de 100 mulheres, lhe entregando o espírito de um lobo.


E depois disso, a fumaça começou a se desenvolver melhor, mostrando várias imagens, a mãe recebendo a filha nos braços após o parto, ela chorando ao ouvir que sua filha não iria sobreviver muito tempo, e a determinação dela e do pai tentando cuidar do bebezinho a cada dia. 


Até que um dos avatares da própria Jaci desceu na terra, e pediu permissão para dar aquela força ao bebê, porque mesmo sendo tão forte e tão poderosa, a Deusa ainda pedia permissão antes de dar algo tão importante a um bebê. 


Ancião: quando os pais foram visitados pela Jaci, na mesma hora eles falaram com o padre, que ouvindo a história e olhando o bebe apenas uma vez, já entendeu que foi uma benção divina, e que eles precisavam cuidar muito bem da querida Amaris, não importa o quão difícil fosse, mas mesmo assim, quando os pais viram a bebezinha visando um filhotinho de lobo pela primeira vez, eles tiveram medo do que o padre iria pensar dela.


E depois daquilo, eu vi algumas nuvens diferentes de um padre segurando um lindo bebezinho tranquilo no meio de milhares de crentes, que gritavam de alegria, ela já tinha mudado, vindo de um bebezinho para um filhotinho de lobo, mas as pessoas pareciam amar ainda mais aquilo, tudo enquanto os pais dela olhavam tudo atrás dela, estando tão aliviados que eu já imaginava o que o Ancião iria falar agora.


Ancião: para o alívio dos pais, quando a bebezinha foi encontrada em forma de lobo, o grande padre segurou o bebê, e anunciou a todos, mostrando a forma de lobo dela que a Amaris sobreviveu pelo presente da grande Jaci, e mostrou pra cada um na frente deles o grande milagre que era o grande bebê feliz, dizendo que todos que não aceitassem a forma de lobo da Amaris seria um herege que rejeitaria a própria Jaci.


E com um rosto bem triste, a fumaça mudou mais algumas vezes, mostrando um monte de idiotas, e verdadeiros hereges que tentaram matar a Amaris, com a desculpa de que a deusa Jaci nunca faria algo tao horrendo como a Amaris.


Ancião: me entristece que mesmo com aquele aviso, muitos loucos tentaram machucar a pequena Amaris, mas como adultos, ninguém permitiu que qualquer um chegasse perto dela, e mesmo aqueles que chegavam perto o suficiente da garota, não conseguiram muita coisa, pois seus pais, como linha de defesa pessoal, em toda a fase infantil da garota, ficaram invictos.


E com um sorriso, eu vi, os milhares de crentes, “adultos” e os próprios pais da Amaris a protegendo, e eu amava como de todos ali, os pais sempre pareciam os mais fortes dali. E fiquei feliz com o quão “cega” a pequena Amarris era nas nuvens, como se não tivessem milhares de assassinos tentando pegar ela, junto com as verdadeiras amizades que as crianças faziam com ela, o que dava um grande sorriso no meu rosto.


Ancião: quanto mais a garota crescia mais eles entendiam o quanto ela era diferente, e o quanto o lobo entregue pela grande Jaci tinha muitas dificuldades, mas eles não desistiram de entender o presente da grande Jaci, então mesmo com as dificuldades, eles cuidaram da criança, a fazendo crescer com amor, beleza e graça.


E logo, mais e mais imagens apareceram, a imagem de um bebezinho rindo, depois a de uma criancinha risonha, e se divertindo com os outros da sua idade, e no meio dessas imagens, a mesma criancinha risonhas com um cabelo preto como a noite olhos vermelhos intensos é uma pele bronzeada como uma praiana normal, eram mostradas. 


Ancião: mas a verdadeira extensão da benção da Jaci iria ser descoberta apenas nos 10 anos da garota.


Com um sorriso no rosto, o Ancião ficou quieto,enquanto a fumaça final mostrava a Amaris na frente de um corpo bem fraco e doente, uma imagem que ela parecia entender, mesmo nunca tendo passado por aquilo.


Ancião: os olhos de Amaris, desde que era uma filhotinha, sempre brilharam em amarelo, mas depois do lobo dentro dela se desenvolver por tanto tempo algo começou a mudar nela, mas apenas frente a uma grande grande provação, que era ver um amigo morrendo por causa de uma doença.


A fumaça então mostrou melhor o rosto da garota, mostrando como o pensamento lentamente o abandonava, restando apenas o instinto de cumpir um propósito que nem ela entendia direito o que era, mas cujo a Lua sussurrava no ouvido dela.


Ancião: a pequena Amaris mordeu seu amigo em puro instinto, lhe causando uma provação digna de uma transformação que muda e remodela todo seu corpo, mas apesar de toda a dor que o pequeno garoto sentiu, ele se sentiu grato, porque quando a dor parou, ele estava curado.


E depois disso, mais uma imagem de fumaça apareceu, o garoto banco, pálido e quase morrendo, depois o mesmo garoto se contorcendo e gritando com muita dor, e logo depois, o garoto ajoelhado, frente a Amaris, dando varias e varias palavras de agradecimento a garota. E vendo aquilo, a Amaris dentro da fumaça, estava com um rosto bem contemplativo.


Ancião: graças a Amaris, uma doença incurável foi lentamente desfeita pelo grande presente da Deusa Jaci, um presente que não pertencia mais apenas a pequena Amaris, e depois de entender seu propósito, Amaris se denominou como a embaixadora da Lua, curando todos os doentes que sua benção permitia, chegando até os grandes números de lobos que temos hoje.


E logo depois de ouvirmos aquilo mais e mais imagens começaram a aparecer, de crianças sendo curadas pela Amaris, dela indo de criança pra adolescente, e adolescente pra adulta, com seu olhar ficando mais afiado, e a excitação e inocência da infância da garota lentamente subindo também.


Além dela, o grupo de lobisomens que ela criava lentamente se tornava mais organizado, junto da cor dos olhos dela, que mudava lentamente do amarelo até se tornar cada vez mais vermelho, até o momento em que ela despertou por completo, junto com muitos lobos que de pouco em pouco, começaram a mudar também.


Ancião: o que ninguém esperava, é que todo o trabalho e dedicação da Amaris daria frutos tão generosos, com tanta devoção, Jaci trouxe algo pra Amaris, com a sua mente evoluindo de uma criança milagrosa para uma adulta com o dom da salvação, o olhar, poder e a própria alma dela mudaram, o amarelo comum, que todos os lobos possuíam, mudou, com o olhar dela ardendo como o vermelho de labaredas flamejantes que pintavam sua determinação pra salvar a todos, a brutalidade para calar qualquer louco que tentasse a contrariar e a firmeza para nunca mudar seus ideais, não importa o quanto o mundo dissesse a ela que ela estava errada, e com isso, a Amaris se transformou a primeira Alfa genuína de todos os lobisomens.


E depois ficou bem mais caótico a apresentação por um curto período de tempo com muitos lobos Alfas aparecendo, e de um em um, cada um lutou  e teve uma grande derrota pra Mais, uma derrota que vinha junto de um juramento de lealdade, com cada um deles se ajoelhando na sua frente, e com o maior e mais musculoso deles até a coroando como rainha dos lobos.


João: colocaram muitas expectativas nos ombros de uma criança


Ancião: talvez, mas a Jaci apenas exige dos outros o que os outros realmente podem oferecer, e a pequena Amaris, mesmo nascendo tão frágil, tinha muito a oferecer.


E com as imagens ficando ainda mais fortes, eu ficava encantada com o que dava pra ser visto na imagem de Luna, a primeira lobismulher, e era nítido porque os outros Alfas decidiram a seguir sem questionamentos, ela tinha uma grande beleza, junto de uma força que beirava a força predatória, e uma intensidade no olhar que realmente mostrava que ela chegou ali por pura experiência.


Ancião: se as coisas apenas tivessem ficado mais calmas nesse ponto, talvez o mundo tivesse virado um lugar melhor, mas não, o mundo infelizmente não funciona assim


Vovô: e lá vem a profecia


Ancião: não é profecia, é consequência.


E jogando mais sal no fogo o grande Ancião mostrou, um lobo beta, com os olhos amarelos, criando uma armadilha para matar um alfa, parecia impossível, mas até com truques sujos e mundanos um alfa poderia cair.


Ancião: um grupo de betas e ômegas encontrou uma forma de derrubar tudo que a Jaci criou, eles descobriram que se matassem os alfas, eles poderiam roubar seu poder, um poder roubado ainda era bem menor, mas ainda o bastante pra serem uma ameaça caso fossem muitos. Não preciso nem dizer que a Amaris não gostou nada disso, e os baniu para a terra oca, ou melhor, pro mar vermelho, não se tem notícias daqueles falsos alfas desde então, mas os descendentes de Animais ainda se preparam para o dia em que aqueles falsos alfas retornem e tentem destruir o grande presente da Deusa da Lua, mas não iremos deixar isso acontecer


Vovô: humpf, é claro, tava fácil demais mesmo.


O ancião então olhou pro vovô, eu tava com medo de ele ter ficado irritado, mas não, ele olhou pro meu avô e andou bem devagar até ele, como se já tivesse passado por esse papo várias e várias vezes.


Ancião: ola senhor qual o problema?


Vovô: depois de eu aceitar esse “presente” de vocês, você vai querer que eu faça parte desse seu plano de resistência idiota, não é?


E de novo, o Ancião me impressionou de não estar irritado, tava na cara que ele tava bem acostumado a lidar com pessoas assim.


Ancião: ah, muito pelo contrário senhor, nós queremos é que você não chegue perto do campo de batalha.


Meu avô ficou com muitas emoções no rosto, mas a principal delas continuava sendo a raiva, e antes dele começar a gritar, o ancião falou.


Ancião: como eu acabei de dizer, os descendentes de Amaris estão se preparando para isso a séculos, não estamos tão desesperados a ponto de precisarmos de recém despertados na linha de frente…nós só contamos essas histórias, pra vocês entenderem bem o que está acontecendo quando os gritos e explosões começarem.


Eu já tinha ouvido aquela história quando o tio Han foi transformado num lobisomem, mas ver aquela história sempre dava um calorzinho especial em meu peito, pensando como os deuses realmente se importavam conosco, mesmo que fosse difícil de perceber ou entender isso às vezes.


Vovô: não fale como se eu fosse ficar aqui, eu vou pra casa assim que eu melhorar.


O Ancião riu quando ouviu aquilo pois o que o meu avô falava era bobagem, nenhum lobisomem de Aura conseguia ficar longe da alcatéia por muito tempo, não por simplesmente conexão com seu alfa, mas pelo fato de que aquele lugar era perfeito pra eles, eu mesmo, quando visitava o lugar tinha problema para voltar a minha parte do arquipélago sem ficar sensível por alguns minutos, imagina alguem com sentidos sensíveis como os lobos.


O vovô poderia se enganar o quanto quisesse, mas todos sabiam que no fim, ele não iria conseguir ficar longe do arquipélago da Alcateia, o nível de dor que ele teria que esconder pra conseguir isso seria demais, até pra ele mesmo. E enquanto pensava nisso, meu pai me deu um toquinho no ombro.


Pai: parece que seu avô vai ficar aqui por um tempo, quer ir ver o seu tio?


João: ah claro, eu quero sim.


E eu fiquei feliz que meu pai tenha me chamado, porque eu percebi na hora o quão envolvido o meu avô estava em tudo naquele momento, dava pra sentir perfeitamente o quanto ele não iria conseguir sair daquela ilha naquela hoa, como se aquele primeiro conto tivesse o colocado numa curiosidade que nem mesmo ele entendiam, tanto que quando nós nos comprimentamos para sairmos de lá, ele nem olhou pra nós.


João: vocês acham que os Lobisomens vão fazer finalmente o vovô se abrir?


Pai: se fizerem vai ser bem devagar, seu avô sempre vou muito teimoso pro próprio bem


João: é, eu sei


Mãe: ah, anime-se filho, você está prestes a conhecer alguém bem menos complicado de se viver


João: bom, é…é mesmo.


Eu gostava de visitar o meu tio, ele era legal, vivia sozinho, e era um dos melhores parceiros pra quando se queria ver uma excelente partida de luta, e apenas pensando nisso, já fiquei empolgado a ponto de não pensar na coisa doida que meu tio gravou pra gente ver dessa vez.


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