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No topo do mundo 🥊1
🥊 preparação 🥊 parte 2
2001 palavras • 11184 caracteres • ⏱ 8 min 00 s

🥊 preparação 🥊 parte 2

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E mais uma vez, depois de eu me recuperar bastante, eu me deitei no chão, entrelacei minhas pernas com as do Raony, e comecei com os abdominais. 


Esse abdominal era possível apenas com um parceiro, pois quando se levantava, era bem fácil o que fazer era bater suas palmas(ou luvas, como no nosso caso) e depois descer de novo para contar como uma, e apesar do quão simples era, para dois doidos como nós que haviam se esgotado bem rápido, aquilo foi bem penoso de se fazer.


Mas o mais penoso com certeza foi a flexão de palmas, porque aquilo era um outro método bem simples, na teoria, porque a flexão era normal, com a única diferença que tínhamos que dar um “bate aqui”  sempre que fazíamos uma flexão. 


E naquela situação, a raiva, a adrenalina, até a teimosia do corpo tinha acabado, deixando apenas a dormência depois de fazer tantos exercícios de uma vez só, mas ainda existia alguma coisa para eu me segurar, os números, eu não precisava pensar no calor nos meus pulmões, ou a dormência nos meus braços, que pareciam tentar tirar a soberania do meu cérebro e fazer com que ele fosse forçado a parar o movimento deles na marra, nem o fato que meu suor cada vez mais parecia como se meu corpo estivesse chorando.


Não, não não não, eu não precisava pensar em mais nada disso, tudo que eu precisava fazer era contar…sim, 20 flexões se passaram…isso me deixava muito ruim, pensando que ainda faltava muito.


Mas mesmo com a brecha que meus pensamentos ruins acharam pra me infernizar, eu ignorei com a força da tranquilidade dos números, e apenas bati mais palmas com o Raony, entendendo que eu provavelmente não iria aguentar bater palmas com mais ninguém por um bom tempo.


50 flexões se passaram, “ah, pronto, eu cheguei na metade, já tava bom”, isso o que meus pensamentos diziam pra mim mesmo, mas não, não tava bom não…eu ia conseguir…eu só…precizava parar um pouco.


Eu parei, apenas por alguns segundos, e depois o mestre apareceu do meu lado, falou.


Mestre: por que parou?


João: não se preocupe, eu vou voltar, só precisava de um pouco de respiro


Mestre: voltar depois de parar é ainda pior


João: é, eu sei.


E depois de sentir que meus braços se recuperaram, mesmo que apenas um pouquinho, eu voltei a fazer flexões, tudo enquanto notava como o Raony nem falou nada, como apenas convencer o próprio corpo que tava tudo bem e que ele podia continuar essa loucura sem nenhum problema já parecia ser a maior mentira que a mente dele conseguia fazer agora.


90 flexões se passaram, e isso tava bom, “só faltavam 10, ninguém iria perceber”, mas era exatamente essas 10 flexões, essas 10 flexões que “ninguém iria perceber” que iriam fazer a diferença, eu gritei, inspirei um ar que queimava tanto os meus pulmões que parecia ate pegar fogo, e no fim, gritei uma última vez, numa última palma. 


Eu caí no chão, cansado demais para continuar, o mestre me olhou no chão, sem estar impressionado que eu tava assim.


Mestre: quer ajuda?


Joao: não, eu to bem assim.


Eu respirei bem fundo, sabendo que eu teria que passar por aquilo de novo depois de algum tempo, mas por agora, apenas ficar no chão, respirar um pouco, e conseguir deixar meu corpo levemente melhor a ponto de conseguir chegar no meu cantil de água já seria o bastante pra mim por enquanto, bom, isso eu podia dizer na minha cabeça até que eu começasse a realmente acreditar no que eu tava dizendo.


Eu levantei, mais dolorido do que nunca, e enquanto eu tava ainda lá, eu ouvi a voz do Nilo na minha esquerda.


Nilo: ai, eu com certeza vai sentir isso amanhã, eu sei que o Raony te acerta com tudo que pode o tempo todo, mas você acha que o Luca me acerta forte de propósito?


Eu demorei um pouco pra responder, por que eu conseguia vê, apenas olhando pro Nilo que ele tava com ferimentos bem menores que os outros. O que fez eu entrar em um turbilhão de pensamentos, por que o Nilo ele já era bem forte, a ponto dele estar do outro lado do tatame, mas ele ainda era um faixa amarela, e considerando que ele entrou um ano antes do irmão, comecei a questionar se ele realmente tava levando o treino a sério como os outros. E depois de perceber o quanto eu fiquei quieto, respondi antes que o Nilo suspeitasse de algo.


João: ele é bem mais inteligente do que os outros pensam…mas sobre essa falta do controle de força, isso é algo que eu tenho certeza que ele não está mentindo.


Infelizmente, o Nilo percebeu que eu fiquei quieto por tempo demais, mas também entendendo o que eu percebi nele, ele próprio desconversou olhando pra outro canto e exclamando.


Nilo: meu deus, olha aquilo.


Tinha certeza que ele tava apenas tentando achar uma forma de desconversar, mas seja lá o que ele viu, foi algo realmente digno dele perceber algo errado. 


Bebendo mais água e olhando onde ele apontou, eu vi, a veterana Artemis e o veterano Sansão em um canto, ainda fazendo flexões, o que me deixou levemente surpreso, afinal, pra dois faixas verdes, eles estavam demorando bastante nas flexões, mas quando eu olhei com mais atenção os braços eles, e via que eles se moviam de forma estranha, entendi na hora o que rolou.


João: hummm, acho que eles esqueceram que era um treino afinal


Nilo: é, mas é só colocar um creminho nisso que eles vão estar perfeitinhos amanha


João: é, (bebe ainda mais água) mas o treino tá longe de acabar


Nilo: é, nem me lembre.


Levou um tempinho pra todo mundo fazer o exercício todo, e nesse meio tempo, eu olhei o “outro lado” do tatame, onde os faixas brancas, amarelas e cinzas estavam aprendendo o básico com boxe sombra, e no meio de todos eles, eu conseguia ver como a Tainá estava no meio deles, empolgada até demais pra ficar mais forte para me enfrentar de novo, e apesar de ter muitos faixas brancas ali que nunca saiam do branco, eu podia entender de cara que a senhorita Tainá não seria uma dessas pessoas.


(nota do autor: boxe sombra, um treino onde se imagina um lutador na sua frente e treina seu jogo de luta com esse lutador imaginário)


Então, assim que todo mundo terminar, respirar um pouco e beber água, o mestre chamou todo mundo de novo, e falou.


Mestre: ok gente, agora é mais simples, jab direto, cruzado cruzado e aper aper, cada um 300 vezes no outro, da mesma maneira que os chutes, VALENDO.


E enquanto eu tremi um pouco, enquanto perguntava mentalmentte que decisões da vida me levaram até aquele momento, me coloquei em posição pra ser atacado primeiro,e sem falar nada, o Raony sorriu pra mim, querendo muito se vingar dos chutes maciços que eu dei pra ele antes, enquanto eu, apenas fechei minha guarda, tentando me preparar pras pancadas que ia levar.


Os socos eram pesados, não tão pesados quanto os chutes, mas ainda pesados, meu corpo estava desgastado com os chutes, e existiam mais de 1 milhão de motivos apenas para eu dizer que não conseguiria aguentar aquele treino, mas eu puxei meu corpo até o limite máximo, sabendo que uma hora ou outra eu deveria parar, mas sentia que o momento não era esse.


E pro meu alívio, mesmo querendo esconder aquilo, o Raony também estava muito cansado, a ponto que ele precisou parar algumas vezes para respirar, e sem conseguir segurar, soltei.


João: não se esgota tanto Raony, seu pirralho tá esperando por você.


Eu não fazia ideia se ele achou ruim eu chamar o filho dele de pirralho, mas ele ganhou uma nova quantidade de energia e começou a me bater mais, mas eu ainda consegui resistir, e com meu corpo queimando com o esforço, e com meus punhos apertando a luva tão forte que elas quase se deformavam de forma permanente, eu corri na direção dele quando ele voltou pro canto dele


Ai, ai, AAAAAAAAAI, alongar os braços nunca foi tão doloroso, e mesmo assim, eu continuei, pelo simples fato que não foi só meu corpo que se recuperou, minha raiva, minha determinação e minha teimosia, tudo foi generosamente recuperado quando eu simplesmente parei pra respirar, parecia simples demais pra ser verdade, mas era essa simplicidade e que deixava as coisas ainda melhores pra mim.


E depois de tanto tempo, eu nem tentei entender o que o Raony estava fazendo, eu apenas fiz os 300 jab diretos, e depois voltei para o meu canto, com meu corpo se cansando cada vez mais, assim como antes, mas não havia mais nada ali, quando o Raony terminava os 300 cruzados dele, e corria pro canto dele.


Não levou muito tempo pra entendermos que o momento de nos desafiarmos acabou, estávamos tão cansados que apenas usando o “básico”, nossos golpes ainda causavam extensa dor, mas não ultrapassamos o limite a ponto de que não conseguimos mais nos mover, então sem falar nada, nós dois entendemos de cara que devíamos ir mais devagar agora.


Mas tava tudo bem, pois quando nós não passamos do limite, conseguimos fazer os abdominais e o agachamento, pois agente conseguia se respeitar, mesmo naquele momento.


Raony: o seu cruzado tá matador como sempre


Joao: ótimo, agora eu só preciso aprimorar todo o resto


Raony: todo o resto sem contar o frontal


Joao: hehehe, me dá um pouco de vergonha que meu melhor chute seja um chute pra empurrar ao invés de machucar


Raony: tenho certeza que o seu chute aí fica ainda mais sinistro com o tempo, você ainda tá em desenvolvimento garoto…


Pois é, as vezes eu parecia esquecer que eu era um adolescente de 16 anos, (quase 17, mas esse não vem o caso agora), e o Raony já era um marmanjo de 45 anos, e eu conseguia deixar ele nesse estado quase defensivo, e apenas pensar sobre isso me deixava bem félix.


E depois de mais uma sessão, onde pelo jeito o Nilo e o Luca terminaram primeiro que nós, (mesmo que desse pra ver direitinho que o Nilo estava bastante machucado depois de enfrentar o irmão). Ao mesmo tempo que a Artemis e o Sansão ainda estavam na abdominal, com os machucados que eles estavam a alguns segundos bem piores, a ponto que eles nem pareciam capazes de fazer mais o abdominal direito.


O mestre percebeu aquilo e se aproximou bem devagar dos dois.


Mestre: vocês estão bem?


Artemis: sim


Mestre: ok, caso vocês não terminem logo, vão ter que fazer mais flexões quando acabarem.


Isso deixou a Artemis e o Sansão bastante nervosos, mas eles não pareciam nem um pouco prontos pra terminar, eles fizeram tudo na pressa e no desespero, resultado? Eles até conseguiram terminar, mas demoraram tanto que tiveram que fazer mais flexões no final.


Luca: e depois é o Luca que não sabe se controlar


João: até agora você não sabe se controlar, só até agora, relaxa que vai ficar melhor depois.


E depois dos dois fazerem as flexões de punição, nos aprontamos para fazer a oração, mas não sem o anúncio que eu esperei desde que ganhei aquele torneio.


Mestre: sei que muitos de vocês já sabem, mas nós vamos fazer uma festinha em uma pizzaria, pra comemorar a vitoria da Artemis e do João no torneio, já está decidido através do grupo dos grimórios quanto cada um irá pagar, mas se mais alguém quiser participar, é só falar conosco que nos logo logo damos um jeito.


E depois de anunciar isso, todo mundo que nao tava no grupo se empolgou um pouco pra festinha que iria ter, então todos começaram a se preparar, pensando se iriam ou não, se tinham dinheiro ou não, enquanto que o Mestre apenas ficou feliz e risonho vendo seus alunos se empolgando com algo como aquilo e depois fizemos a oração.


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