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No topo do mundo 🥊1
🥊reparaçao🥊 parte 1
2645 palavras • 14553 caracteres • ⏱ 10 min 35 s

🥊reparaçao🥊 parte 1

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No fim, eu fui pra escola naquele dia sentindo como o pessoal realmente tava mais fortinho, bom, mas era o normal também, porque nós tínhamos chegados no segundo ano, e os alunos começaram a ficar bem mais irritantes pra mim, por exemplo, em um desses dias, eu fui chamado para um lugar um pouco mais afastado dos professores, e já comecei a contar, sabendo que aquilo não iria acabar bem.


Era uma luta de 3 contra 1, bom, 4, tinha um deles que tava tentando se esconder e me pegar pelas costas, mas ele não conseguiu se esconder de mim, olhei pros 3 idiotas que estavam tentando me pegar de surpresa, nem percebendo que eu tinha entendido tudo logo no início, e estava tentando fazer o possivel pra que eu não perdesse o controle.


Aluno1: aí João, você já ouviu dizer sobre predadores e presas


João: penso muito nisso, por que?


Aluno1: bom, você é um caso raro, um predador grande o bastante pra caçar sozinho, mas pra predadores pequenos como nós, existem apenas bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla.


Ah minha cabeça é demais, quando minha raiva chegou num limite muito grande, ela começou a parar de prestar a atenção no aluno e apenas me focar nos números, eu tinha que aguentar, porque se eu perdesse a calma aqui, eu iria ficar mil vezes pior.


João: (duzentos e trinta e nove, duzentos e quarenta, duzentos e quarenta e um, duzentos e quarenta e dois, duzentos e quarenta e três, duzentos e quarenta e quatro).


E quanto mais ele falava, mais eu via que ele estava entrando na guarda, e eu entrei na guarda também, agradecendo a mim mesmo por ter descoberto essa linda técnica pra me acalmar, é difícil eu me concentrar aos 4 deles e nos números ao mesmo tempo, mas eu preferia aquilo do que a segunda opção de perder o controle.


Então ele veio, o aluno escondido com um pedaço de madeira, não sabia o que eu esperava que ia acontecer, mas eu não esperava que o pedaço de madeira se despedaça como um pedaço de madeira podre assim que me acertasse.


Depois de ver aquilo, eu meio que desfiz minha guarda, eu queria manter um rosto neutro, eu realmente queria, mas depois de vê aquilo, eu olhei pros 3 alunos que me olharam com medo, olhei pro aluno que acertou o pedaço de madeira em mim, o vendo com uma incredulidade até maior que a minha, e falei.


João: aaaaaaahn, esse pedaço de madeira tava podre?


Aluno4: não era um pedaço de madeira, era um bastão…um bastão que alunos usam pra treinar em outras seções do templo


João: jura? Esse ai deve ser de péssima qualidade.


Eu fiquei tão incrédulo com a facilidade que aquela madeira quebrou que eu parei de contar, estando muito mais com pena daqueles alunos do que com raiva agora.


João: e ai, vocês querem continuar?


Eu perguntei mais por educação, mas com as pernas tremendo e rostos cheios de terror, eles correram pra longe, enquanto gritavam cada vez mais “desculpa, desculpa, desculpa”. E novamente, eu nem conseguia ficar com raiva, só com pena, eu só podia sentir pena de pessoas tão fracas assim.


Bom, com o passar dos dias, eu fui pego por muitos outros alunos, alguns queriam espalhar rumores de mim, mas eu não ligava pra isso, eu era basicamente imune a rumores. 


Outros tentaram sabotar meus projetos, mas eu acabei ficando muito bom em notar quando eles faziam isso, e quando eu falava aquilo pros professores, eram os alunos que eram punidos, não eu.


E depois de muitas tentativas falhas, eles entenderam que não podiam me acertar de jeito nenhum, ai que decepção, não importa quanto tempo se passasse aquele lugar nunca parecia melhorar, ha. 


Bom eu nao tinha problemas com as minhas notas então mesmo com os problemas, eu meio que só continuei com a minha vida, nunca passando de fase as coisas, mas como eu sempre soube dentro de mim mesmo, não tinha nada de realmente importante naquele lugar. 


Tanto que eu tinha passado no teste pro segundo ano sem nem mesmo me lembrar direito do que eu fiz isso, mas se eu não lembrava, aquele teste nem deveria importar na minha cabeça pra início de conversa.


Mas depois de uma aula super rápida, porque, apesar de tudo isso, eu ainda gostava da matéria, eu fui correndo até o treino, porque eu tava empolgado pra encontrar todo mundo.


Sempre que eu ia pro campo de treino e reencontrava todo mundo, as coisas pareciam mudar, meu mundo ficava 100 vezes mais colorido, meu corpo parecia receber uma forte injeção de adrenalina e eu falava mais vezes num único dia lá dentro do que em duas semanas que eu ficava treinando.


Eu gostava de treinar e conversar com o Nilo, porque ele conseguia conversar enquanto agente treinava, como ele fazia isso e não perdia a respiração era um dos maiores mistérios do mundo pra mim, mas nunca deixava de ser legal.


O Luca, como sempre, era atrapalhado e todo torto, mas a falta de controle dele  na força dos golpes era o palco perfeito pra eu entender como maneirar melhor minha própria força, além de que ele era um dos poucos que eu odia se mais desengonçado e bruto, uma força sem técnica e só na raiva pura, porque com o corpo dele, eu sabia que ele iria aguentar.


O veterano Raoni estava muito melhor nos treinos também, ele finalmente estava conseguindo fazer o filho dormir, e agora ele parecia mais com uma pessoa do que um zumbi movido a cafeína, além de que eu entendia melhor como enfrentar alguém muito maior do que eu nesse meio tempo.


E a Veterana Artemis estava no treino pesado, como sempre, porque enquanto eu tentaria a verde esse ano, ela tentaria a azul, e sabendo que tinha combate com outros faixas verdes querendo a faixa, junto com pular corda e várias outras coisas que iam testar a resistência dela até o limite, ela não podia apenas descansar, nem mesmo depois do torneio que tivemos.


Mas o que chamava mais atenção ali era o novo rosto do lugar, uma faixa branca, mas que parecia bem animada para ir por outro lado do tatame, Tainá, uma loira que chegou aqui me desafiando, foi espancada, e mesmo assim, ainda voltou pra melhorar, a resistência mental daquela garota realmente era de outro nvel.


Mestre: MUITO BEM, TODOS SE ALINHEM, VAMOS TER TREINO DE CORRIDA.


Ah, droga, seria hoje que meu braço ia cair, eu fui direto para o Raoni, e o Nilo ficou com o irmão, e nós dois sabíamos que não íamos sair inteiros do treino hoje.


Raony: você quer que eu seja delicado?


João: só tentar não quebrar meu braço, por favor.


E com um rosto bem incrédulo, o Raoni levantou a perna, mostrando um protetor de canela, que parecia super macio, mas eu mesmo sabia o quanto aquela coisa ainda doía muito do jeito certo.


Raoni: eu não conseguiria te machucar nem se quisesse, se alguém aqui sair machucado serão aqueles dois.


Ah, se depois eu vi o Sansão e a Artemis num canto, o Sansão nunca foi de falar muito, mas sempre foi o mais forte fisicamente nas técnicas, tá ai o nome, bom, era esperado de um outro candidato a faixa azul, os dois se encararam, como se já estivessem testando pra ver qual deles realmente mereciam a azul.


João: se não fosse obrigatório o uso de luvas, eu tenho certeza que eles lutariam sem nenhum equipamento, para quebrar os ossos de verdade


Raony: ah, eu tenho certeza que a luta que eles fariam seria algo considerado uma batalha até a morte


João: sem dúvidas.


E depois de ficar falando bobagens com o Raoni por mais alguns minutos, me coloquei em formaçao pra tenta aguentar a pequena seção de tortura que eu iria passar, até que eu vi que a do que iria passar não ia ser algo apenas meu.


Mestre: então, é simples, vocês precisam dar 100 chutes peito com a perna da frente, colocando o pé no chão, e depois vocês tem que ir até a parede oposta, e no momento que um de vocês alcançar a parede oposta, o outro deve correr e fazer a mesma coisa, e assim que vocês terminarem, vocês vão fazer com a perna esquerda, e depois disso vocês vão fazer 200 com as duas pernas, alguma pergunta?


(nota do autor: chute peito, chute com o peito do pé na lateral do corpo)


Ninguém falou nada, então o mestre só liberou pra gente começar a atacar um ao outro, eu fui primeiro para bater, eu sabia que aquilo seria difícil, então quis acabar com tudo o mais rápido possível, respirei fundo, me preparei, e falei.


João: pode vir.


Eu falei aquilo, mas quando o Raony deu o primeiro soco, eu quase fui jogado no chão, mas eu reagi a tempo e consegui me virar, porque meu braço estava queimando, ai, e o Raoni nem tava totalmente be aid por causa da crian;a, nossa, ele era um monstro mesmo, só um pouco de fora recuperada já fazia com que ele quase me desmaiasse com o choque de dor, hahahaha.


Pelo rosto que ele tava fazendo, era nítido o quão impressionado ele estava de eu ter aguentando, mas eu apenas trinquei os dentes, coloquei mais força no braço e comecei a jogar meu corpo em direção da perna e o ajudei a jogar a perna do chão.


Era impressionante que 100 golpes poderiam acabar tão rapido, eu estava tão ocupado respirando de forma regular, manter meu corpo tranquilo e tentando entender por completo a técnica que precisava usar para me equilibrar naqueles ataques loucos e tentando aguentar a dor que cada golpe causava em mim que mal notei quando a seção dele acabou e ele começou a correr.


E mesmo com meu braço esquerdo quase dormente, a alegria de ter aguentado, a adrenalina de pensar que agora era a minha vez, junto com a fúria acumulada que eu tava colocando em minhas pernas me fez fica um milhão de vezes mais forte, e quando comecei a correr, o Rony sabia que via muita coisa, então ele ainda me provocou.


Raony: e ai princesa, foi forte demais pra você?


Ai, eu estava rugindo de fúria depois dessa, mas mesmo assim, eu respirei fundo, e soltei tudo na hora, girei meu corpo de forma perfeita, e com o golpe perfeitamente colocado, joguei minha perna no chão, e colocando apenas a ponta do meu pé no chão, eu usei o próprio pé que eu usei pra chutar como uma mola e dei mais um chute poderoso, com ainda mais força que antes. 


Os braços do Rony mal se moviam, mas a cada golpe, eu ousava ser maior, mais forte, ainda mais técnico, tudo em apenas 100 golpes, que em pouco tempo já ficaram pela metade, mas eu já senti aquele doido cambaleando, mesmo que fosse só um pouquinho, eu quase o fiz cambalear, mas logo o meu tempo acabou e eu logo voltei pro meu canto.


Meu coração começou a acelerar de medo pelo que estava vindo, mas quando o Raony vinha até mim, usei aquele medo pra ficar mais atento, eu já sabia o que estava vindo, então eu apenas me preparei, e com o primeiro chute, fiquei impressionado que doeu bem menos do que os primeiros golpes, se bem que eu estava com uma técnica melhor pra esse Raony recém recuperado, além da adrenalina e o medo estarem fazendo o favor de me dar uma força extra. 


E apesar da dor, e do impacto que eu ainda sentia, com o meu corpo sendo jogado pra direção oposta da perna, eu consegui fazer os 100 chutes do Raony acabarem bem rápido.


A minha boca estava seca assim como o deserto do saara, mas eu podia fazer isso, depois, eram apenas algumas técnicas de chute e ataques fortes, mas eu não parava de sentir que aquele era momento mais feliz, atento e verdadeiro que eu tava na minha vida, tudo enquanto eu corria até o meu parceiro, agora com o meu braço esquerdo quase dormente, e comecei a chutar ele.


Era mais do que apenas diminuir minha raiva, era satisfazer um desejo, um desejo bem primitivo de lutar, que eu não tinha nenhum problema de satisfazer, eu nem ligava que o próprio Raony também estava tão resistente que eu nem conseguia mais movê-lo, e ele também começou a jogar o corpo no meu chute, mas eu não desisti, apenas fiquei mais motivado em realmente afetar com o Raony com meus chutes, algo que custou meus 100 chutes sem nem fazer com que ele se movesse.


Medo, o meu medo ficou 1000 vezes maior quando a primeira sessão das duas pernas começou, mas mesmo assim, eu tentei me manter sereno o suficiente para quando ele me atacasse eu não ficasse tremendo e chorando de medo como a princesa que ele me chamou.


Eu o olhei com muita raiva, e ele riu pra me provocar, mesmo que eu tivesse certeza que ele estava se esforçando tanto quanto eu, eu pensava isso porque eu não queria acreditar que os dois primeiros chutes que ele me deu não eram chutes com a força completa dele.


Agora, ao invés de um treino, os chutes pareciam bem mais pra me derrubar mesmo, sem remorso, mas agora eu usava as duas mãos pra defender cada golpe, junto das luvas, e do peso do meu corpo, junto da postura que e tentava com a maior força do mundo manter, custava muito manter a postura, mas eu dava meu jeito, e conseguiu, da minha própria forma.


E naquele momento, eu senti que o meu corpo estava sentindo tudo mais devagar, um momento de cada chute pareceu bem mais lento, cada golpe pareceu durar uma eternidade, e cada respiração parecia durar séculos, ah, eu sabia o que era isso, meu corpo chegou no limite, agora tudo parecia 1 milhão de vezes mais lento pelo quão apressada minha mente estava para aquilo acabar, bom, que ruim pra minha mente, porque eu iria aguentar aquilo com tudo.


Depois da sessão do Raony, eu senti que meus pulmões estavam doendo, queimando por dentro, eu não entendia como aquilo acontecia, mas era como se meus pulmões estivessem em chamas, mas nem aquilo foi o bastante pra eu parar, eu corri até ele, e chutei ele com os dois pés, não tentando nem manter a guarda, sabia que para aquilo, eu não precisava.


E dessa vez, era muito mais uma batalha de teimosia, onde eu tentava destruí aquela guarda perfeita dele, e ele era teimoso demais pra me dar um único gostinho que eu tava afetando ele, eu aceitei o desafio, e chutei ele tantas vezes sem parar que minhas canelas começaram a doer muito, mesmo com as caneleiras.


E no último chute, consegui movê-lo, eu fiz o Raony cambalear pa esquerda algumas vezes, pra muitos, não deveria ser muita coisa, mas sabendo muito bem o quanto aquele Sapien era teimoso, fiquei feliz, coloquei minhas mãos no joelho, e com a cabeça baixa , comecei a espirrar pra recuperar o fôlego, eu tava tô tonto, e tudo tava ficando preto tão rápido que eu sabia que eu precisava me recuperar, e enquanto meu mundo ficava cada vez mais preto, ouvi a voz do mestre atras de mim.


Mestre: CABEÇA EM PÉ, CABEÇA BAIXA CAUSA DESMAIO.


E respirando fundo, coloquei minhas mãos nos ombros, encontrando um equilíbrio que nem eu sabia que era possível colocando minhas mãos na cintura, como um super herói, e eu fechei os olhos, apenas respirando um pouco, pra me manter alerta e acordado.


Raony: ai mestre, nós acabamos


Mestre: respira um pouco e depois faz o abdominal toquinho, depois a flexão de palmas, 100 em cada uma


Raony: sim mestre


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