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No topo do mundo 🥊1
🐺🌕o presente de Jaci🌕🐺
2157 palavras • 11822 caracteres • ⏱ 8 min 38 s

🐺🌕o presente de Jaci🌕🐺

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Depois de passar pelo torneio, meus dias ficaram mais tranquilos, os dias que pareciam levar eras pra passar, de repente pareciam absurdamente rápidos, tanto que eu apenas senti levemente como o tempo estava passando.


Pra começar, a Tainá voltou, ela começou como uma faixa branca, mas nos poucos dias, todo mundo já entendeu que ela não seria uma faixa branca por muito tempo, havia algo misterioso naquela garota, uma chama que vinha muito além do ódio…era…desespero? Caaara, eu tinha que realmente perguntar por que ela tava assim.


Na escola de pinturas, levou 1 mês para os alunos terem a coragem de tentar me atacar, claro que, mesmo eles estando bem fortes, eles não eram fortes o bastante pra serem uma ameaça pra mim, mas a cada derrota, eles pareciam mais motivados, muito mais motivados do que nunca a entenderem melhor como me derrotarem.


E no fim daquele primeiro mês, eu consegui dominar por completo a forma de fazer castelinhos de areia que a deusa Jaci fazia questão que eu aprendesse, tanto os simples quanto os mais complexos do mundo, mesmo que o motivo ainda fosse um mistério enorme pra mim. E quando eu perguntei, ela disse que eu aprenderia o que mudou depois de algum tempo.


João: como assim mais tempo? por que não fazemos isso agora?


Jaci: ah, eu adoraria te ensinar agora, mas acho melhor você ver seu avô, acho que ele precisa do apoio do neto.


Eu arregalei meus olhos ao ouvir aquilo, eu não entendi os detalhes, mas eu ainda saí do mundo da lua o mais rápido que o meu corpo permitia e corri pra casa. Eu fui tão rápido na minha prancha que eu nem soube como eu cheguei tão rápido.


Assim que passei pela porta, vi meu pai conversando com alguém através do grimório dele, e quando ele fechou o grimório, ele olhou pra mim, com um rosto bem abalado, e falou.


Pai: João, vá se arrumar.


Eu queria obedecer, mas por algum motivo, eu só consegui olhar pro chão, bem melancólico, e falar.


João: é o vovô, né?


Meu pai apenas balançou a cabeça em confirmação, eu não pedi os detalhes, eu apenas me arrumei, esperei a mamãe chegar, e todo mundo recebeu a notícia juntos.


Pai: pelo que parece, meu pai pegou o carrapato da Aura, um inseto desprezível que se infiltra dentro da pele de alguém e se alimenta da aura dele quanto mais vezes a Aura é usada, e pelo jeito o carrapato do meu pai ficou tão grande que os médicos não podem mais tira-lo.


Eu sabia o que iria acontecer, mas eu já estava me preparando mentalmente caso outra coisa acontecesse.


Mãe: a alcateia já falou com ele?


Pai: a muito tempo atrás, na verdade, só descobri o que tava acontecendo porque o centro de curandeiros me ligou, porque se eles não tivessem me ligado, eu nem iria saber que meu pai tava morrendo a ponto de ter que virar um lobisomem


João: o vovô nunca gostou de demonstrar fraqueza


Pai: é, eu sei


Mãe: ah, vamos meninos, ele não está morrendo, bom, ele está, mas não por muito tempo, apenas vamos lá ver ele, tenho certeza que ele vai ficar surpreso quando nos ver


Pai: surpreso ele vai estar, mas feliz, aí já é outra história.


Entrando na carruagem e em um clima melancólico, cada um de nós se preparou pra falar com o vovô. 


Existia uma historia entre o papai e o vovô, o papai sempre foi um garoto mais reservado e contido, enquanto o vovô sempre foi um sapien de aura clássico, amava brigar, amava lutas e queria mostrar todo o tipo de violência e emoção para seu filho, mas o papai nunca gostou de nada disso, ele sempre gostou de coisas mais tranquilas.


Isso nunca importou pro vovô, ele continuou amando o papai, mas ele não conseguia se aproximar do papai porque eles gostavam de coisas muito diferentes…além do fato que o vovô não se expressava muito e nem gostava de mostrar fraqueza, o que os afastou ainda mais.


Mas quando chegamos no centro curandeiro, olhando pro rosto do papai, eu sabia que apesar de tudo, ele ainda amava o vovô, tanto que quando chegamos no quarto dele, a primeira coisa que meu pai fez foi abraçar o vovô. E por mais que o vovô tentasse guardar a dor e alegria em ver seu filho, tava claro que era algo difícil pra ele. E depois do abraço, o vovô gritou.


Vovô: E AI CAMPEÃO, VEM AQUI DAR UM ABRAÇO NO VOVÔ!


Diferente do papai, a minha relação com o vovô era bem mais tranquila, talvez pelo fato que agente tava alinhado e gostava de coisas parecidas.


João: e ai vovô, então, você vai virar um lobo?


Vovô: é isso ou virar um cão selvagem e esmagar ainda mais as pessoas em volta.


E depois de viver muito tempo com meu avô, eu já tinha entendido como entendê-lo melhor, e só olhando o rosto dele, vi que ele estava triste no meio de tudo isso, ele sempre se orgulhou de ser forte sem uma “trapaça” como o poder do lobisomem, claro que não era uma trapaça, era um presente da deusa Jaci, mas o vovô nunca viu dessa forma.


Joao: vovó, como você deixou chegar nesse ponto


???: não culpe seu avô, esse parasita é famoso de ser percebido quando já é tarde demais.


E quando olhei pra tras, vi a curandeira na porta, mas com uma outra mulher, uma que se destacava bem mais do que ela.


E assim como eu imaginava, ela parecia uma grande predadora, com só um braço, roupas de monge pretas, brancas e douradas, e com cicatrises na cara que diziam apenas “muitos tentaram me matar e todos falharam”. 


Tudo junto com aquela postura estranha, onde ela se assemelhava com um predador que mantinha suas presas escondidas, mas que ainda tinha presença o bastante pra tremer qualquer coisa que fosse muito mais fraca que ela, como eu. 


Minhas pernas tremeram, mas antes de eu cair no chão, meu pai me segurou e me colocou nos braços dele como se fosse uma criança, eu sempre me esquecia no quão grande meu pai era, mesmo como adolescente, ele ainda conseguia me pegar e segurar daquele jeito como uma crian;a.


Ela olhou pra nós, nos cumprimentou e andou devagar até meu avô, que a olhava nos olhos, como se estivesse o desafiando.


???: ola senhor Jonathan, eu me chamo Valentina.


WOW, ela não estava gritando, nem engrossando a voz, ela estava falando de forma normal, mas eu conseguia sentir o poder em cada palavra dela, então isso que era um alfa? Minha mente me dizia “eu quero lutar contra ela”, e o meu corpo dizia “não, cedo demais, cedo demais” e no meio dessa discussão entre meu corpo e minha mente, a Alfa continuou.


Valentina: já devem ter te dado detalhes sobre o que irá acontecer, mas irei te falar de novo, só pra ter certeza que você não irá se arrepender. A sua doença irá te matar se não fizer nada, mas graças a terem descoberto tão cedo, você está forte o bastante para ser mordido e virar um lobisomem, e se você demorar mais, não vamos ter escolha se não te dar uma mordida de zumbi no lugar…essas serão suas duas únicas chances, pois a probabilidade de conseguirmos transformá-lo em fantasma é absurdamente baixa…então me diz senhor Jonathan, voce ta pronto pra aceitar os desafios de ser um lobisomem pra salvar sua vida?


E mesmo com uma pergunta como essa, o vovô levou um bom tempo para falar.


Vovô: eu não tenho outra escolha, tenho?


Valentina: não, se você não for mordido, você vai morrer


Vovô: então eu aceito


Valentina: sábia escolha.


E como se lembrasse que nós estávamos ali, a Alfa olhou pra nós e falou.


Valentina: é melhor vocês esperarem lá embaixo, isso não vai ser bonito de ver


Pai: não, eu fico


Valentina: não irei te obrigar, mas é sério, você não vai querer ver isso


Pai: eu vou pagar pra ver


Mia: (olha pro João e a Mãe) e vocês dois:


Mae: agente espera lá embaixo


Mia: não se preocupe, vai levar só duas horas.


E depois de falar aquilo, minha mãe me levou pra sala de espera, e lá esperamos por algum tempo. 


E eu tava muito feliz, muito mesmo, que as salas médicas eram a prova de som, porque pelo que a Alfa falou, o processo de transformação era muito doloroso, e era melhor nem mesmo pensar na dor do que o vovô estava passando agora.


João: mãe, você acha que o vovô vai ficar bem?


Mãe: é claro filho, você não conhece seu avô? Ele vai tirar isso de letra


João: mas virar um lobisomem não é nada fácil, eu já vi histórias de lobisomens que ficaram doentes de propósito apenas para se tornarem zumbis por não aguentarem a vida de lobisomem.


Minha mãe ficou um bom tempo sem falar nada, até dizer.


Mãe: “aguentar” você diz? Nesse caso vai ficar tudo bem, se tem algo que seu avô sabe fazer é aguentar


João: eu sei não é? Lembra naquele dia em que jogaram um prédio na cara dele?


Mãe: eu lembro dele pegando o prédio no ar e tacando de volta do inimigo


Joao: aquela foi a brincadeira de batata quente mais doida que eu já vi na vida.


Rindo, se divertindo, e pensando em todas as doideiras que o vovô fez ao longo da vida, agente ficou rindo e rindo, até que agente ficou meio tristinho de novo.


João: e agora ele vai virar um lobisomem, e ele sempre teve orgulho de não precisar dessas coisas


Mãe: é, mas não fala como se fosse uma vantagem, você sabe que não é assim


João: sério? O vovô não pensa desse jeito


Mãe: tenho certeza que algumas horas sendo um lobisomem vão fazer ele abaixar toda essa bola de ser um lobisomem não passar de “trapaça”


Valentina: ou menos


João: ah, olá senhorita Valentina.


Tentei conter meu nervosismo, mas não consegui, era assustador pra mim alguém que era tão forte assim conseguir chegar tão perto de nós assim sem nós notarmos.


Valentina: o tratamento foi um sucesso, ele virou um lobisomem completo, querem ver o senhor Jonathan?


Mae e João: é claro


Valentina: ok, podem vir, mas estejam preparados, ele está um pouco diferente.


João: unhum


Mãe: não se preocupe,ele não é o primeiro lobisomem da família


Valentina: Mesmo assim, tomem cuidado, ele está bem sensível.


E quando nós entramos no quarto, vimos ali, meu pai, era estranho dizer o que era, mas seja lá o que aconteceu nessas 3 horas que eu e minha mãe ficamos conversando, mas meu pai parecia ter…“ficado mais adulto” depois de ver o que o vovô passou.


Enquanto o vovô, ele parecia exatamente como eu pensei, um homem novo, com um corpo novo, e que tecnicamente estava curado, mas com o corpo muito cansado por causa da transição, junto com a “cruz” que todo lobisomem carregava, ela vinha junto com a super regeneração e super força. Eu me aproximei devagar dele, e sussurrei.


João: (sussurra) vovô?


Vovô: tranquilo João, pode falar normal


João: você tem certeza?


O vovô deu um tique quando eu falei de forma normal, como eu imaginei, ouvidos super sensíveis, pelo grampo do nariz, provavelmente ele não conseguia lidar com o super olfato ainda, eu não ousei chegar perto dele, porque eu sabia que de tudo isso, o tato dele deveria estar o mais sensível de tudo.


Vovó: hmhmh, por que você tá me olhando assim? Vem dar um abraço no seu avô


João: ah, tá bom.


Eu então abracei meu avô, e como sempre, ele conseguia esconder muito bem o quanto ele tava incomodado com o abraço, eu quase conseguia sentir a dor que eu abraço causava nele, mas ele escondeu isso até o final. Mesmo com coisas novas pra fazer, sensações novas pra lidar e um corpo que provavelmente não o obedecia direito, meu avô ainda falou.


Vovô: bom, agora você podem ir, eu preciso dormir um pouco pra me recuperar


Joao: ta bom, tchau vovô


Mãe: tchau sogro


Pai: tchau pai.


E quando não saimos dali, agente ficou um bom tempo no carro sem falar nada, olhando o horizonte, até que meu pai deu um suspiro pesado e falou.


Pai: (suspiro) ele continua ser muito bom em esconder as coisas


Mãe: ele não vai conseguir esconder mais, não como lobisomem.


Pai: quer apostar?


Mãe: não, você provavelmente vai ganhar.


E com muita melancolia, apesar do vovô estar vivo, todo mundo sentia como as coisas iam ficar bem mais complicadas para o vovô por bastante tempo, o que era uma pena, porque eu gostava muito do vovô, mas sinto também que seria o melhor pra todo mundo se eu deixasse ele sozinho por um tempo pra entender por completo o que ea ser um lobisomem. 


João: boa sorte vovô.


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