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No topo do mundo 🥊1
🎭arte através do corpo🎭
1868 palavras • 10452 caracteres • ⏱ 7 min 28 s

🎭arte através do corpo🎭

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Não levou muito tempo pra gente chegar no lugar onde eu queria, um parquinho bem simples numa ilha cidade, a essa hora, o lugar estava vazio, não havia uma única alma ali, ainda estava tarde, então o sol ainda estava no céu, mas o céu já estava laranja.


João: eu amo esse momento do dia


Elena: hum, gosto mais quando ta azulzinho


João: o céu?


Elena: não, o chão, existe um momento no dia em que o brilho faz todo o ambiente ficar azul


João: jura? Nunca notei


Elena: não é algo fácil de ver…vem, vamos brincar um pouco.


O maior motivo daquele parque estar fechado era porque ele era feito pra adultos, um parquinho com um trepa trepa, balanço, escorrega, tudo era imenso. 


Claro, muita criança ia pra lá porque gostava dos brinquedos enormes, mas ela não estavam ali agora, então nós aproveitamos, em quando nós balançamos ali, eu via o grande escorrega que tinha quase 10 metros de altura; Uma gangorra grande o bastante pra dar um frio na barriga quando ficava em cima e um trepa trepa tão grande que parecia uma casa pequena. 


Mas eu e a Elena sempre ficávamos balançando no balanço primeiro, porque agente ficava mais conversado primeiro no balanço que qualquer outra coisa.


Elena: então, gostou da minha dança?


João: não era uma dança


Elena: muita gente não acredita nisso


Joao: hum, se a sua arte marcial é uma dança, a minha também é uma dança


Elena: sabe, as vezes fico pensando se terei que usar isso numa luta real algum dia


João: se as coisas derem certo, não, você não vai


Elena: porque um lutador não precisa lutar, na maioria das vezes ele só precisa saber se impor ao invés de esbanjar sua força o tempo todo, é, eu sei


João: não, não é isso, porque a era das lutas de rua acabaram.


A Elena ficou meio quietinha quando ouviu aquilo, mas ela apenas sorriu, como se já soubesse o que eu iria falar.


João: nós já passamos pelo ponto onde não existia honra, que tudo era permitido e que vale tudo em uma briga…claro que coisas assim ainda existem, mas não tanto mais, nos vivemos em um mundo diferente da sobrevivência constante, onde as armas e qualquer oportunidade apenas de sobreviver ao invés de apenas ganhar é agarrada.


Ainda quieta, a Elena desfez o sorriso e falou.


Elena: muitas pessoas não percebem que “ganhar” pode ser diferente de “matar”, se tirarmos a honra e a moral da equação, matar uma pessoa é bem mais fácil que derrotá-la…por isso que matar um alvo é apenas para aqueles fracos demais apenas para pará-lo


João: e por isso que não precisamos lutar, não lutamos mais com monstros, assassinos, psicopatas e bandidos que querem apenas nos matar porque é muito mais fácil do que apenas nos parar ou prender. Os nossos ancestrais diminuíram muito os números desses loucos, a ponto que os poucos que permaneceram não podem mais nos tocar


Elena: e agora nós lutamos contra guerreiros honrados, que lutam não apenas pela vida ou pela sobrevivência, mas por uma prova, a simples prova de que eles são os mais fortes e em algumas extensões, a luta se transformou numa diversão


João: e em alguns casos, a luta se transformou num caminho, um caminho de entender sua mente e sua alma através de seu próprio corpo, por isso que se chamam “artes” marciais.


E nós dois trocamos risadinhas pensando aquilo. E depois da nossa conversinha, agente começou a andar pelos brinquedos, e como duas crianças, agente desceu no escorrega, brincou na gangorra e até ficamos no trepa-trepa, ai, eu amava esses momentos em que eu podia ser uma criança de novo, por mais que eu sentia que ia morrer de vergonha se alguém me visse fazendo isso.


Mas pro meu alívio, a ilha onde aquele parquinho ficava era um lugar bem escondido, e pra qualquer um que não estivesse interessado em um parque grande como esse, não existia “nada” nesse lado do arquipélago, era um esconderijo pra pessoas que desejavam voltar a ser crianças basicamente perfeito, meu “lugar feliz” por assim dizer.


E depois de mais algum tempinho, agente saiu dali, pra irmos pra casa da Elena, no meio do caminho, nos encontramos com um grupinho de 5 adultos, e nós apenas nos cumprimentamos, nenhum de nós dois iria contar esse segredo pra ninguém, era uma via de mão dupla, nos mantinhamos o segredo deles, e eles mantinham o nosso segredo. 


E por mais que eu tivesse um medo do que poderia acontecer se algum dia, alguém, qualquer um quebrasse essa promessa, eu queria pensar que as pessoas poderiam sim manter uma promessa como essa.


E depois de viajarmos um pouco com a minha prancha, chegamos na casa da Elena pouco tempo depois. Lá dentro, fui recebido pela minha sogra, (isso se tudo desse certo no futuro).


Sogra: ah, João, a quanto tempo, venha, entre entre.


A casa da Elena não era muito grande, era ate que bem bonitinha de seu próprio jeito, e pra passar um tempo ali, eu conversei com a minha sogra sobre a coleção de máscaras dela, era impressionante ver a quantidade de máscaras tribais que a sogra tinha.


Um pouco impressionado, olhei pra uma em específico, que era preta, tinham retângulos vermelhos no lugar dos olhos e um buraco simples na boca, como se fosse o lugar onde se colocará uma zarabatana para atirar dardos.


João: gostei dessa aqui


Sogra: ah, essa velharia? Eu fiz ela quando era adolesente, foi por causa dela que meu ex me achou estranha e me largou


Joao: apenas pensar no efeito borboleta que essa máscara causou a ponto de você conhecer o Sogro realmente é muito sinistro


???: efeito borboleta que nada, se a Sofia ainda estivesse com aquele cara eu só teria pegado ela dele.


Nem Precisei olhar pra saber quem era, e como eu pensei, meu sogro estava bem atrás de mim, e ele pegou a sogra nos braços e a deu um beijo intenso, eu gostava de ver que o casal do meu amor ainda tinha uma paixão tão grande. (mesmo que a própria Elena não parecia gostar muito disso). Mas eu sempre tentava desviar o olhar, pra dar um pouco de privacidade pra eles. E eu apenas entendia quando eu podia olhar de novo porque sempre que eles acabavam de namorar, meu sogro me puxava pra perto dele.


Sogro: olha só esse cara, e ai campeão? Como você tá?


João: ah, eu to ótimo sogro


Sogro: ai, você já viu o torneio de hoje de manhã?


João: não


Sogro: sem problema, eu gravei.


E me levando para o sofá, o sogro ativou a pintura, mostrando um torneio um pouco mais profissional de luta, um torneio que eles não usavam luvas, e nem protetores, nada além de protetores de boca. A Elena não ficou irritada com o que o Sogro fez, porque ela conseguiu ir pro banheiro tomar banho, porque ela ainda tava com a roupa de treino.


E o tempo que ela levou pra tomar banho e se arrumar foi o bastante pra eu e meu Sogro virmos 3 jogos, e era muito legal ver as lutas, agente gritava, fazia apostas quem iria vencer, e às vezes até tentávamos adivinhar o golpe que o lutador iria fazer. Tudo enquanto eu sentia que a minha Sogra tava vendo agente uma vez ou outra e balançando a cabeça, não entendendo o que tinha de tão empolgante nesses jogos.


Sogra: eu nunca vou entender esses jogos


Elena: não tenta entender, você só fica com dor de cabeça.


E ouvindo a voz da garota, me virei para olhá-la, wow, ela tava com uma blusinha com um coelhinho nela e uma saia preta, eu sempre me impressionava como ela fazia uma roupa tão simples ficar tão bonita.


Elena: papai, você pode devolver meu namorado?


Eu achei muito engraçado como ela falava igual uma criançinha quando falava com os pais, ela até acertou a pirracisse da voz.


Sogro: foi mal filha, mas o João é um ótimo parceiro de jogo, claro, toma ele aqui.


Sorrindo e sem falar mais nada, fui com a Elena para o quarto dela até que nós encontramos um pequeno livro, e colocando água nele, nós fomos teleportados pra dentro dele. 


 Meus olhos fecharam por alguns segundos, mas no momento seguinte, eu acordei estando na pele de um grande cavaleiro de armadura, e a Elena estava do meu lado com uma armadura idêntica.


João: onde a gente parou na última vez? Eu nem lembro


Elena: eu acho que agente tava indo numa expedição pra salvar a princesa de um grupo de bandidos


João: ah é.


Era normal, existiam vários tipos de pergaminhos especiais, mas até entre esses pergaminhos especiais, existiam pergaminhos que podiam criar grandes histórias épicas e permitiam qualquer um entrar na pele do protagonista. 


O criador desse pergaminho criou isso como uma forma fracassada de treinamentos, já que só a alma ia pro pergaminho, enquanto o corpo continuava igual, como uma versão “mortal” do que os deuses faziam quando levavam os mortais pros seus reinos.


Mas como dizem, “o lixo de um é o tesouro de outro”, enquanto o criador original encarou sua criação como um grande fracasso, outro mestre de Aura achou que esse método seria uma ótima forma de diversão para as pessoas.


E que diversão ele causou, eu estava como um grande cavaleiro, eu matei muitos bandidos, defendi muitos cavaleiros, e passei por cada ambiente diferente, com uma sensação tão verdadeira que eu tinha que constantemente me lembrar que aquilo não era real.


João: hmhmhm, conseguir criar uma coisa dessas, e aproveitar alegria e aventura no conforto da própria casa, apenas esse pergaminho já é a prova de que, apesar dos problemas, as épocas de paz são as melhores


Elena: queria poder concordar, mas ainda sinto medo do que pode acontecer quando a guerra for quebrada


João: todos vão estar prontos


Elena: e como você tem certeza disso?


João: por que o Rei não permitirá isso.


E enquanto eu cortava a cabeça do chefe dos bandidos, a Elena se calou, ela sabia bem do que eu estava falando, o Rei sabia muito bem o peso da guerra, porque ele sempre foi ensinado o que era uma guerra, e o quão infernal uma verdadeira guerra era.


João: ele nunca começaria uma guerra, mas ele estará mais do que pronta pra terminar a guerra que alguém começou


Elena: hmmmm.


E depois de entregar a princesa capturada da história para seu pai, e receber mais uma missão, agente ficou de saco cheio e decidimos sair do pergaminho, e como se fazia isso? Era simples, era apenas preciso desejar, o desejo de sair criava uma brecha que permitia que nossas almas voltassem pro corpo.


Uma vez em nossos corpos novamente, nos levantamos e instalamos um pouco os nossos corpos.


João: é, foi legal vir pra ca, mas eu tenho que ir pra casa, tá ficando meio escuro


Elena: espera.


E antes de eu sair, ela me segurou pela cabeça e me deu um beijo,  aquele era o último beijo do dia então esse demorou muito mais, e depois, eu saí do quarto, cumprimentei meus sogros, e fui pra casa.


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