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No topo do mundo 🥊1
🤯arte marcial definitiva🤯
1784 palavras • 9652 caracteres • ⏱ 7 min 08 s

🤯arte marcial definitiva🤯

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No dia seguinte, depois de uma sessão onde eu testava a paciência dos meus colegas, e descobrindo que eles tinham muita, fui me encontrar com a Elena, mas nosso encontro seria em um lugar bem diferente do habitual.


Eu estava com uma regatinha simples e uma bermuda normal, porque era melhor pedir a casualidade pro lugar onde eu estava querendo ir.


E novamente, eu fui de prancha para cima, e no meio do caminho, me dei o privilégio de olhar lá embaixo, e ficar feliz com a grande visão das milhares de ilhas do arquipélago da aura, até eu encontrar uma ilha bem maior que as outras, com apenas areia e um mato mais sólido que conseguia aguentar o que tava acontecendo ali.


Quando desci na ilha e levei minha prancha junto comigo, vi uma pequena multidão ali com vários lutadores com roupas brancas e com cordas de cores diferentes nas cinturas.


Quando eles viram eu ali, eles me reconheceram e abriram caminho pra mim, então, comecei a ouvir o som dos berimbaus, os pandeiro, o reco-reco, atabaque e o agogô. Haha, olha só, era uma música intensa.


E quando entrei lá, vi dois alunos contra uma, eu tentei entender os movimentos, mas não era fácil entender os movimentos da Capoeira, porque ela era um dos, senão a arte marcial mais complicada de se entender.


Olha só, os alunos saltam no céu, davam saltos impossíveis…pra tentar deixar mais claro, comecei a chamar os alunos desafiantes de A e B, por que a aluna desafiada era a Elena, e quando ela me viu, ela me deu um sorriso muito bonitinho, enquanto desviava dos alunos de novo.


Então começou com a música intenção, o A saltou no ar e tentou um chute, enquanto o B tentou um chute, mas era uma finta, e ele tentou agarrar a garota com as pernas e ela saltou no ar, fez uma pirueta e desviou dos dois golpes. 


E com uma única perna, Elena fez uma pirueta e deu um chute que no boxe seria um ura, mas o A desviou, enquanto o B arrastou pra baixo da Elena, mas ele não a chutou, ele pôs as mãos no chão e deu um chute de cima pra baixo, mas ela desviou se jogando pra baixo, bem na direção em que o A estava.


O A tentou acertar uma cotovelada nela, mas com um deslize limpo, a Elena desviou pra esquerda, na direção de um chute de B, mas ela saltou no ar de novo…


Eu não acreditei no que eu vi, mas o salto da Elena foi estranho, ela saltou e jogou as pernas pra perto do rosto, fazendo o salto durar mais tempo e antes do B se recuperar, ela acertou um chute nele.


O B foi para longe enquanto o A continuava chutando ela, os dois ficaram inclinados um tempo enquanto pingavam tentando achar uma brecha no outro enquanto a Elena tentava passar pela defesa dele, o A tentava a confundir com fintas ou golpes reais, mas não dava para enganar a Elena.


Até que a Elena recebeu uma rasteira do B, mas com o segundo chute, a Elena colocou as mãos no chão, e num movimento de breakdanse, ela chutou três vezes o ar, tentando acertar o B, mas com ele desviando também.


E logo os dois voltaram a atacar juntos a Elena, e mais um show de chutes, joelhadas, e um soquinho aqui e ali, fazia a batalha insana.


Eu tremi um pouco com o que eu via, a batalha era rápida demais, imprevisível demais, não dava pra entender o que nenhum deles estava fazendo, cada golpe era um escuro completo pra mim, mas o maior disso eram os movimentos que eles faziam, eles conseguiram colocar o corpo bem perto do chão, sem deixar ele cair, eles conseguiram se equilibrar em uma perna só um bom tempo, eles conseguiram fazer uma finta difícil até pros meus veteranos perceberem.


Era como ver três correntes violentas de água lutando uma com a outras ou 3 correntezas poderosas de ar tentando desfazer uma a outra.


E o mais lindo disso era que, nenhum deles era atingido mais de 3 vezes, eles treinavam com respeito, mas eles conseguiram desviar de tudo, apenas saindo dali mais pelo cansaço que por dor…O B foi substituído 4 vezes, e o A 3 vezes.


Aluno1: a quanto tempo ela já tá fazendo isso?


Aluno2: umas 2 horas.


Era por coisas assim que eu amava aquela garota, o rosto que ela tava fazendo agora era um rosto de pura felicidade por estar apenas lutando de forma tão livre assim, com a música sendo o único controle real dela, era libertador.


Mesmo que eu não entendesse por completo a Capoeira, eu conseguia sentir a liberdade em cada um daqueles movimentos, junto com a “letalidade” da arte marcial.


A felicidade e alegria era algo bem superficial para aqueles que tentavam ver o que tinha “dentro” da capoeira e o que existia além, eles veriam chutes fortes, guerreiros que não podiam ser acertados, e um pé que não deveria ter a velocidade que tem com a força que ele tinha. Um poder que me fazia tremer apenas pensando em como daria pra lutar com isso.


João: eu ainda tenho problemas pra entender a Capoeira


Aluno1: por que?


João: muitos dizem que a Capoeira é uma arte marcial, mas sempre que eu a olho, ela parece muito mais um desafio pras artes marciais do que uma arte marcial como todas as outras


Aluno1: jura? Por que?


João: rigidez, cada arte marcial tem um conceito parecido, controle seu oponente, resiste, bata forte, chute ainda mais forte, resista mais, aguente mais flexões, tenha músculos maiores…mas vocês apenas fluem, como a água, vocês são imprevisíveis, a maioria das artes marciais vê o mundo através de uma fechadura, enquanto a Capoeira…ela parece conseguir abrir a porta. Não dá pra aprender a lidar com a capoeira, só dá pra aprender a lidar com o lutador, as manias dele,  jeitinho dele, mas encontrar um ponto fraco para a Capoeira em si é impossível


Aluno1: ue, se ele é tão forte, então por que não aprende ele?


João: eu não consigo, sou travado demais…e eu meio que gosto da rigidez das artes marciais, me faz me sentir poderoso e inabalável, como uma montanha


Aluno1: bom, não tem o que fazer, alguns tem uma essência livre como o vento, enquanto outros têm a teimosia e resistência de uma montanha


João: e tem alguns que são intensos como o fogo, e outros adaptados e fluidos como a água


Aluno1: hmhmhm, não interessa o quão livre ou rígida seja a arte marcial, o princípio é o mesmo


João: é.


E enquanto eu falava aquilo, eu olhava pra frente e via a Elena fazendo um movimento impossível, onde ela saltou de volta no ar, com uma perna indo na frente da outra, quase um chute de bicicleta, que o B desviou ra esquerda, o A foi pra baixo e os dois tentaram a atingir na barriga e nas costas. 


Mas logo ela saltou de novo, pra frente e novamente se apoiando nos pés, ela deu um chute no ar, com o A e o B se inclinando de novo, e mais uma vez eles se inclinaram e começaram a testar chutes, e novamente, os chutes deles que deveriam ser de teste, pareciam bem fatais. 


João e Aluno1: controlar a selvageria dentro de todos nós.


Deixei o silêncio entre todos nós pairar, algo interessante vendo que ainda tinham os instrumentos, as palmas e a dança ainda estava intensa, mas esse “silêncio” entre nós dois parecia abafar todo o barulho à nossa volta.


João: você é muito bom de papo


Aluno1: obrigado.


E novamente, mais uma troca de golpes, os três estavam cansados, sem saltos, os dois tentaram chutar a Elena, e com uma precisão cirúrgica, Elena desviou de cada um dos chutes, sem saltar, enquanto ela mesma chutava várias vezes, e quanto mais tempo se passava, eu via que aquela dança se tornou algo ainda maior, era quase…3 corpos com uma alma, eles estavam se movendo de forma perfeita, onde os chutes que eles praticavam ali eram perfeitamente bem colocados, nem 1 centímetro longe nem perto demais, era uma combinação e um treinamento quase perfeito. 


João: e eles não estão usando aura


Aluno1: e eles não estão usando aura.


Aquilo estava tão lindo, que qualquer um que visse sem cuidado iria pensar que aquilo tudo era uma espécie de ritual…até que eu lembrei que a capoeira foi originada de rituais…me fazendo pensar se existia alguma coisa por trás da Capoeira que eu não sabia ainda, provavelmente sim…e em um dos chutes, a elena acertou o ar, mas o chute foi tão forte que uma onda de ar acertou a mim e todos que estavam perto de mim. Eu não aguentei, eu tive que falar.


João: é que tipo, olha o jeito deles, eu nem pensei que era possível ter um poder assim sem Aura…a Capoeira é uma incógnita…algo que artes marciais normais não podem entender


Aluno1: essa arte marcial foi o maior símbolo de resistência do mundo, faz sentido que ela seja um pouco diferente das outras


João: diferente é pouco, não dá pra prever uma luta assim, não importa o quão experiente você seja


Aluno1: você está subestimando a experiência João, mas entendo o que quer dizer.


E depois de mais uma troca de chutes ultramente fatais, a Elena levantou a mão, e logo a luta parou, mas a música não, o A e o B não pararam de dançar, mas assim que a Elena saiu, eles começaram a lutar entre si, e a Elena saiu do círculo de batalha, e uma vez na multidão, ela andou até mim com tranquilidade.


E o Aluno que eu estava conversando até agora saiu pra eu ficar junto com a minha mina.


Elena: fico feliz que você se dê bem com meus calouros


João: nem tanto, eu nem sei o nome dele


Elena: nomes nunca foram seu forte, só espera mais um pouquinho, daqui pouco é a minha vez de novo.


E depois de um pouquinho mais de tempo, e depois de mais 3 lutas, a Elena voltou a roda, eu não fazia ideia de quantas vezes ela fez aquilo, eu só sabia que foi o bastante pra ela ficar toda cansada e suada, e rindo pra mim, e depois de comprimentar o proprio mestre, ela me falou.


Elena: e aí, quer ir pra algum lugar?


João: quero


Elena: nossa, você consegue ficar perto de mim quando eu to toda suada? Você me ama mesmo ein.


E rindo, coloquei minha prancha no chão e comecei a voar para bem longe com a Elena.


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