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No topo do mundo 🥊1
🥺minhas queridas crianças🥺
1373 palavras • 7751 caracteres • ⏱ 5 min 30 s

🥺minhas queridas crianças🥺

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Aviso, capítulo curto, 1300 páginas só 


No dia seguinte, fui sozinho com a minha prancha até o grande templo da Lua novamente, e não importa quantas vezes eu visse aquilo, eu sempre ficaria impressionado em ver o templo inteiro sendo feito de água, mesmo que eu não tenha explorado nenhum outro canto do tempo por estar ocupado demais com meu treino de Aura.


Mas algo que, apesar do treino que eu precisava fazer, era o ritual para eu chegar a grande Jaci, nas primeiras vezes eu me sentia muito desesperado, mas depois de fazer aquilo tantas vezes, eu comecei a amar aquilo, era como ser envolvido por uma jacuzzi quentinha onde não precisava respirar.


A sensação não desaparecia nem quando a gravidade parecia voltar e quando eu abria os olhos pra enxergar um dos avatares da Deusa. Não sabia por que, mas eu estava sentindo bem mais as coisas agora, a ponto que eu tirei meus sapatos e sentir as nuvens em que eu pisava com os pés, eram tão...macias, então eu corri, eu brinquei e rolei nas nuvens como uma criança, não dando a mínima que a Deusa estava me olhando, pensando que ela já viu muita coisa pior e mais vergonhoso que aquilo, e pela risadinha que ela deu no meio do caminho, pensei que no fim ela estava gostando disso.


Quando eu parei de brincar, meio risonho ainda, eu me levantei e perguntei.


João: então, tem algo a me dizer?


Jaci: não entendi a pergunta


João: não vai falar que eu agi como uma criança agora?


Júlia: ótimo, as crianças são mais felizes.


Eu já tinha descoberto isso a muito tempo, mas eu tinha medo de ter esse papo com qualquer um, mesmo entre meus amigos, mas ali, na frente da Deusa Jaci, a Guiadora, eu sentia que podia mostrar minhas respostas, perguntar o mesmo a ela, e ficar feliz com o que ela respondesse, mesmo que não fosse igual a resposta que eu tive antes.


Jaci: além disso João, eu sou uma Deusa, posso não ser a mais velha do panteão, mas você e todos os humanos são como crianças pra mim


João: até os elfos e anjos?


Jaci: sim.


Uma resposta sem nenhuma dúvida, uma resposta que deixou meu coração tranquilo, e estava com uma dúvida presa na garganta, mas queria absorver o que agente conversou antes de ir direto para o próximo tópico.


E logo, voltei a fazer castelos de areia, depois de quase 4 dias os fazendo, eu aprendi como fazer os castelos simples de forma perfeitinha, mas colocar detalhes neles era difícil pra mim, se eu tirar um pouco de areia pra fazer um desenhinho, ou colocar conchas pra enfeitar, o castelo se desfazia também.


Eu queria muito entender porque eu estava fazendo aquilo, a areia, os castelos, os detalhes, eu tinha certeza que eram metáforas para alguma coisa, mas eu não fazia ideia do que.


Tentando me distrair dessa dúvida no meu coração, eu pensei como a Deusa falou "humano" antes...apesar de eu já saber disso, em momentos como esse, era bom pensar nisso, porque tinham muitos idiotas que mesmo depois de tudo que o Zumbi dos Palmares fez, pessoas ainda tentam se manter idiotas e dizer que apenas a raça deles que era humana de verdade.


Não fazia ideia quem começou isso, mas a muito tempo atrás, uma raça criou o conceito de "humano" e "semi-humano", humanos eram ditos as raças capazes de se comunicar, possuíam cultura, uma grande inteligência, e possuir uma gentileza, empatia e bondade que nenhum animal poderia ter. A última parte era a mais importante, porque não importa o quanto um animal tivesse todo o resto, se ele não tivesse a empatia para pensar em alguém além dele, ou inteligência pra escolher onde animais selvagens apenas fazem no instinto, então ele é apenas um animal diferente.


Já os "semi-humanos" eram animais que estavam no caminho para se tornarem humanos, mas precisavam de mais alguns séculos de evolução para se tornarem humanos completos. Os dragões, elfos e ciclopes, as raças originais, criaram os dois conceitos, e através deles, os gigantes, trolls e vampiros foram de animais pra semi-humanos e depois humanos completos, alguns séculos depois, os Sapiens, os Ogros, Anões e Fadas surgiram...tudo porque as raças antigas tiveram piedade para nos poupar.


E enquanto pensava em tudo aquilo, eu quase fiz um castelo ficar pronto, mas ele se desfez na minha frente, mas ao invés de ficar com raiva, eu derramei uma única lágrima no rosto, sentindo uma tristeza que eu sequer entendia por completo ainda. Mas a Deusa foi ainda mais rápida e limpou minha lágrima com um dedo.


Jaci: o que foi filho?


Joao: eu so to me sentindo meio idiota


Jaci: por que?


João: sei que o mundo não é um grande arco íris e que é um lugar cruel...eeeee que não aceita crianças, a terra é dos adultos, porque só os adultos podem ver a maldade dentro da escuridão...


A Deusa não discordou de nada do que eu disse, mas logo eu parei de falar, porque o meu coração ficou apertado, eu pensei que estava corando, mas não, eu não tava conseguindo chorar, não porque não tava triste, mas porque eu tava com sentimentos tão confusos no peito que eu só conseguia soluçar e fazer rostos que eu nem sabia que conseguia fazer.


A Deusa me abraçou, me dando tempo para respirar e me acalmar, só o que eu consegui sentir é que eu devo ter ficado uns bons segundos daquele jeito até eu me acalmar de vez, e quando eu me acalmei um pouco mais, continuei.


João: ...mas, eu não consigo parar de pensar que nós chegamos até aqui por causa da bondade daqueles que foram machucados pelo mundo e ainda tentaram fazer a diferença, não apenas sendo mais uma pessoa irritada e decepcionada, não não não não, pessoas que representavam o maior bem da "humanidade" são machucadas, traídas e quebradas e ainda conseguem se manter fiéis naquilo que elas acreditam, nunca abandonando sua bondade e cativando pessoas pela diferença delas dos malignos, os inspirando a serem bons, quebrando o ciclo de dor e ódio...


Jaci: quebrar um ciclo de ódio é difícil, mas vocês homens nunca foram conhecidos por desistir.


Me senti satisfeito com aquilo e tentei colocar mais detalhes em um castelinho de areia, mas assim que ele se desfez, eu me senti bem calmo, não sabia exatamente se já controlava meus incêndios, mas eu senti...


Jao: minha chama, está apagada


Jaci: sabia que ia conseguir


João: ah, eu não to nem perto, eu nem consigo colocar detalhes no castelinho de areia.


Eu falei aquilo enquanto criava mais 10 castelos de areia, os mantendo simples, era possível eles se manterem inteiros sem problemas, mas no momento em que tentava deixá-los mais completos, ficava bem difícil mantê-los inteiros.


João: ai ai, já to sentindo minha calmaria acabando


Jaci: tranquilo, você vai ter tempo de cuidar disso na próxima.


E eu senti de novo, estava voltando a água estranha que sentia antes de voltar ao meu corpo.


João: espera, me diz, o que é essa coisa que me envolve toda a vez.


E a Deusa Jaci apenas deu uma risadinha tranquila, uma risada que encantava até o ouvido mais sensível, e depois falou.


Jaci: você não reconhece sua Aura nem mesmo mergulhando nela?


João: essa é a minha aura?


Jaci: bom, é, mas você não consegue entendê-la ainda.


E com aquelas palavras, eu fui colocado de novo naquele grande mar, que acabei de descobrir sendo minha própria Aura, mas saber que tudo aquilo era minha aula não era o suficiente, tá bom, aquela era minha aura...mas no que isso me ajudava? Era assim como a Deusa falou, saber aquilo não me ajudava em nada.


Boom, mesmo não estando nem perto de criar minha aura de uma forma de combate, estava bem feliz com esses papos que eu discutia com a Deusa, e rindo, fui pra escola, ficando bem animado pro que poderia acontecer mais tarde.


E enquanto eu ia pra casa me arrumar, pensei como estava adotando cada vez mais a máscara de vilão que eu tinha pra minha turma de artes, eu nunca falaria isso em voz alta, mas atormentar meus colegas era divertido.


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