logo do projeto lunar

Capa
No topo do mundo 🥊1
🤕o torneio-parte 3🤕
1379 palavras • 7615 caracteres • ⏱ 5 min 31 s

🤕o torneio-parte 3🤕

0
0
0

O resto do tempo eu apenas fiquei ali, vendo os veteranos lutando, pensando como era muito maneiro vê-los lutando com os dragões.


Porque os dragões não se transformavam em humanos, não não não, eles apenas escolhiam pra ficar no tamanho de humanos, e ficavam em duas patas, pois pelo que parece, os dragões conseguiram mudar a própria espinha, para conseguirem ficar tanto como quadrúpedes quanto pra bípedes. Mas o mais doido daqueles dragões com certeza eram as pinturas do corpo, pinturas que conseguiam criar técnicas e feitiços que faziam as “partes importantes” ficarem borradas.


João: pra conseguir uma técnica de pinturas como essa…eu ainda sou muito inexperiente


Elena: eu tenho tantas perguntas sobre como essas pinturas funcionam


João: shhhh, olha ,vai começar.


O Raoni iria lutar com um dragão, e pelas pinturas dele, sentia que ele era mais um defensor que um atacante, ah não, isso daria um trabalho pro Raony.


E como eu pensei assim que a partida deles começou, eu tive um pequeno gostinho do que era ter a aura dominada.


O Raoni era um bruto, que decidiu ter uma aura elétrica, uma aura instável, mas altamente poderosa, fazendo com que ele conseguisse expelir raios pelo corpo ao mesmo tempo que causava uma grande tempestade em volta dele.


Já a aura do dragão era ironicamente bem mais simples, ele usava sua aura para se firmar no chão, colocar a defesa certa e dar a impressão que ele era imenso e imparável, igual uma montanha.


Quando eles se aproximaram, o dragão atacou primeiro, mas Raoni foi mais rápido e atacou ele, com seu braço tendo tanta aura e sendo tão rápido que ele “quebrou” no meio do caminho.


O braço do Raoni virou um raio, que foi pra cima, pra baixo, pra esquerda, pra direita e as diagonais várias e várias vezes. No início do golpe, parecia ser um Jab, mas com esse tipo de aura, era impossível para saber se era mesmo um Jab, ou outra coisa. Algo realmente digno de ser o poder dado pelo grande Tupã.


E como eu pensei, o golpe dele mudou, de um Jab, para um cruzado, mas nem aquilo bastou pra enganar a defesas do dragão.


Elena: eita, olha só, ele mudou


João: é, mas não vai ser o bastante.


O Raoni fez muitos truques, várias vezes, ele fez uma sequência de golpes, com seu corpo se tornando raios, um Jab que virava um cruzado, um cruzado que se tornava um aper, um peito do pé que virava uma joelhada na cara, e até um jab que era um Jab de verdade. 


João: aí, eu já tô ficando tonto


Elena: não se preocupe, vamos pegar o jeito com o tempo.


Além da confusão, também tinha o efeito que o raio do Raoni deveria atravessar o corpo de seu oponente como um raio de verdade, bom, isso que deveria acontecer, se o oponente dele não tivesse uma aura de montanha.


Eu já vi o veterano Raony destruir muitas montanhas com seus raios, mas com o dragão revidando, eu percebi que aquela montanha ele não iria quebrar.


O golpe do dragão era pesado, a ponto do Raony não conseguir manter a guarda, mesmo defendendo, ele era jogado para a borda do tatame, e os chutes do dragão quase jogaram ele no ar, o obrigando a fugir para a esquerda ou pra direita, tentando dar mais golpes, mas o ataque dele não passava pelo dragão, não era só a aura. 


Mesmo tendo o mesmo peso, o Raoni não tava conseguindo machucar o Dragão, cada chute fez o Raoni ir pras beiradas, até que o dragão lhe deu um chute faca, com as rochas, musgos e ventanias da montanha a dominando.


Era um ataque óbvio, mas o Raony não conseguia se mover, os golpes que o acertaram deixou as pernas dele bambas, e ele não conseguiu desviar.


Juiz: para, primeira falta


Elena: acha que ele já notou?


João: com certeza, mas ele não vai desistir.


Olhando pro estado que o Raony estava, eu tinha certeza que ele notou que ele não ia ganhar, mas ele não ia desistir, se ele realmente iria perder, queria perder batendo.


Ele continuou batendo, ele não fugiu, mesmo quando ele ficou com as pernas bambas demais pra ficar de pé, e por um milagre, o round acabou antes dele cair. Quando ele voltou para o canto dele, vi a Elena soltando o ar de alívio.


Elena: ufa, pelo menos ele chegou no segundo round


João: é, vamos ver se ele vai honrar a aura de raios que ele usa.


No segundo round, Raony entendeu logo que não podia fugir, nem desviar, então ele apenas tentou aguentar o máximo que pode. 


Mas quanto mais ele batia, mais fraco ele ficava, porque o forte daquele dragão não era o ataque, era a defesa.


João: você consegue ver o Dragão?


Elena: acho que ele quer que nós vejamos.


Olhando com cuidado, dava pra ver que a cada golpe, o Raony estava batendo em rochas sólidas sempre que ele tentava acertar o dragão. Eu fiquei impressionado que as pedras não estavam diminuindo a força do Raony, mas era claro que ele tava com as mãos e pés doendo…


João: (estala a língua e balança a cabeça) eu sabia, acabou.


A Elena nem perguntou o que eu quis dizer com isso, ela entendeu quando viu que o Raony parou de bater e apenas defendeu…e apesar de não conseguir fechar a mão direito nem pra se defender, o Raony não desistiu, ele não saiu da arena mais nenhuma vez, e mesmo sabendo que ele não iria ganhar, eu comecei a falar.


João: RAONI, RAONI, RAONI, RAONI, RAONI, RAONI


Elena: RAONI, RAONI, RAONI, RAONI, RAONI, RAONI.


Eu comecei, mas todo mundo continuou, o Raoni até bateu mais algumas vezes mais, mas levou segundos pra batalha acabar. 


E não estando mais no meio da luta, eu vi os juízes discutindo, e eles estavam discutindo há bastante tempo, mas depois de alguns segundos, os dois foram chamados para o centro da arena.


Então, o teto se abriu, revelando o grande brilho da clarabóia, e do brilho do sol, o grande avatar só Guaracy se manifestou novamente, e ver aquele avatar com mais cuidado me deixou muito feliz.


Ele possuía cabelos pretos, escondido embaixo de um cocaí, uma coroa de penas que apenas xamãs poderiam usar, ele usava um terno feito de folhas e uma calça que parecia de couro de elefante. Com pinturas amarelas de círculos e linhas onduladas por todo o corpo visível dele. Tudo conjunto de olhos enormes, fazendo parecer que ele conseguia ver tudo.


Guaraci: e o vencedor é…


Então ele levantou a mão do dragão, e falou.


Guaraci: Lancelot.


Fiquei meio triste, mesmo que eu já tivesse aceitado que aquilo iria acontecer mesmo, todo mundo ficou bem triste enquanto eu via que os dragões estavam bem felizes, eles rugiram de aprovação enquanto jorravam quantidades imensas de fogo pra cima.


E depois de decidir o vencedor, o avatar do Guaraci desapareceu, como se nunca tivesse existido.


Elena: coitado, acha que ele vai se recuperar disso?


João: na verdade, tenho certeza que ele tá muito feliz, não é comum um pai de primeira viagem durar tanto contra um dragão


Elena: ahn?


João: o Raony teve um filho a uns tes meses atras, e o neném não tá deixando ele dormir, mas ele não quis parar de treinar nas palavras dele “se eu não tiver minhas 2 horas de combate, eu vou enlouquecer”. Então ele tá meio que lutando com o próprio cansaço no meio da briga


Elena: nossa, seu veterano é durão


João: é, eles são, eles, no plural.


A Elena também entendeu de cara o que quis dizer com aquilo, pois olhando o tatame da Elena, dava pra ver outro avatar do Guaraci presente ali, só que levantando a mão da minha veterana, e mesmo bem machucada e com o rosto sangrando, ela tava absurdamente feliz, então me levantei.


João: vou pegar uns cachorros quentes, a próxima luta vai ser boa demais pra não ter nada pra comer


Elena: quer que eu vá junto?


João: não


Elena: então pode ir, você já sabe do que eu gosto.


E sorrindo, eu vi ela piscar pra mim, enquanto eu ia até um vendedor pegar os nossos cachorros quentes.


Comentários (0)

Seja o primeiro a comentar ❤️

Seja respeitoso. Comentários são públicos e não podem ser apagados.