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No topo do mundo 🥊1
❤️‍🔥uma antiga promessa❤️‍🔥
2601 palavras • 14382 caracteres • ⏱ 10 min 24 s

❤️‍🔥uma antiga promessa❤️‍🔥

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A aula daquele mesmo dia não foi algo tão complicado também, era o mesmo o mesmo na verdade, vários alunos tendo problemas pra algo que eu via como simples, e eu fazendo questão de insultá-los e irritá-los o máximo que eu conseguia, eu não ligava de ser o “vilão” da turma, se isso pudesse significar evolução, mas ninguém tinha coragem de dar o primeiro passo ainda.


Eu até cogitei em, sei lá, xingar a mãe do cara, ou fazer uma piada sobre a maldição do parente de alguém, mas logo descartei a ideia, pensando que seria um nível “baixo demais” pra eu descer, pensando só em fazer o jogo longo mesmo, e quanto eu olhava o estado que eles estava perto de mim, cheios de raiva, mas não o bastante para tentar me acertar, eu me sentia decepcionado.


Bom, não dá pra conseguir coragem do dia pra noite, não ia importar quanto tempo eu tivesse que esperar, uma hora ou outra eles iriam ganhar a coragem para me enfrentar, e mesmo que eu fosse espancado por isso depois, estava preparado caso isso acontecesse.


Bom, talvez eles não estivessem tão irritados comigo porque apenas naquele dia eu tava errando bem mais do que o normal, bom, era plausível que eu ficasse daquele jeito, principalmente quando estava prestes a me encontrar com minha querida donzela. 


Quando o treino acabou, pela primeira vez, e fiquei grato de não ter treinos nas terças, eu fui de prancha até a minha casa e me arrumei com bastante cuidado até que eu tava perfeito, com calças jeans, uma camisa  branca com desenho de uma árvore cheia de maçãs e um chapeuzinho de palha que eu amava muito. Mas antes de sair pela porta, fui parado pela minha mãe, e não vou mentir, a autoridade que ela emanou naquela hora me fez tremer bastante.


Mãe: um momento jovenzinho, onde você pensa que vai assim?


João: assim como?


Mãe: você ainda não tratou os machucados, tira essa roupa agora.


Eita, só depois disso eu notei que minhas pernas tremendo era meu corpo já não aguentando a dor dos roxos. 


Ainda com um pouco de medo da minha mãe, eu me sentei no sofá, tirei minha blusa e só deixei ela passar um creminho no meus roxos. 


Nossa, os alquimistas eram gênios mesmo, um pouquinho daquele creme estranho já era o suficiente para fazer meus ferimentos roxos desaparecerem…


Nooooooossa, quando ela terminou, eu me sentia renovado, como se tivesse ganhado um corpo novo, coloquei a roupa de novo, olhei  minha mãe e falei.


João: obrigado mãe


Mãe: ah, tá tudo bem, apenas volte antes de anoitecer 


João: sim senhora.


Eu ainda tinha problemas pra entender o estágio “você está sendo cuidado, por favor não desista” da minha mãe, mas eu até que gostava daquilo.


Depois de todo o processo que eu tive para me recuperar, me senti bem melhor pra chegar no ponto de encontro de sempre.


Eu passei por várias ilhas diferentes, mas nunca poderia confundir a ilha que era o nosso ponto de encontro. 


Era uma ilha linda, dominada por flores do tamanho de árvores, e que era tomada por borboletas, desde borboletas comuns, até borboletas do tamanho de um elefante.


Algumas das grandonas olhavam a mim curiosas, mas sem nem me mostrar pra elas, as borboletas já entendiam que eu era uma “presa perigosa demais pra valer a pena”, enquanto as pequeninas apenas se aproximavam de mim, tanto por eu ser amigável quanto por eu ser perigoso pra deixar os predadores longe, mas eu gostava de tê-las eto de mim de qualquer jeito.


Animais selvagens quase nunca lutam batalhas que não podem vencer, se eles puderem evitar uma batalha que vai machucá-los muito, eles vão evitar.


Mas no meio de todas aquelas borboletas belas, meu ar foi roubado por uma mulher que estava bem na minha frente, Elena, ela estava da mesma forma que eu me lembrava, com seu vestido branco, coberto de gatinhos raivosos e com uma presença que me enlaçou a ela desde que nós nos encontramos.


João: aqui na minha frente, Guaraci me agracia com algo mais brilhante do que ouro.


Eu ouvi uma risadinha que deixou minhas pernas bambas, depois ela se virou pra mim, me mostrando melhor seu cabelo preto longo e encaracolado, igual a brocas. Uma pele morena como carvão, olhos verdes que pareciam refletir pura felicidade, lábios carnudos que eu já desejava beijar, mas antes de me aproximar o suficiente, ela me falou.


Elena: antes de agradá-lo com o brilho de Guaraci, Anhum massageou meus ouvidos com a sua voz.


E sorrindo pra mim, eu me aproximei mais, e de forma quase simultânea, agente se beijou, e como sempre, senti meu coração desabrochando uma flor com aquele beijo.


João: eu esperei tanto tempo por isso


Elena: jura? E o que quer fazer agora?


Joao: sinceramente, não pensei que chegaria tão longe


Elena: não precisa ir tão longe, apenas pensa, onde você quer ir?


E depois que eu olhei em volta, eu falei da forma mais casual do mundo.


João: eu quero brincar no meio das flores, dessas flores


Elena: sabia que você ia dizer isso.


Então, com um segurado a mão do outro, nós fomos até no meio das flores, e começamos a rir, brincar e deixar que o pólen pegasse cada parte do nosso corpo, as vezes agente cheirava as flores, outras agente apenas rolava em cima delas, e no meio do lugar com menos flores, agente dançava, era de forma desengonçada e bem livre, principalmente a graças as flores musicais, flores que tavam em vários lugares que quando você dava um tapa nelas, elas começavam a tocar uma música.


Agente dançava de forma toda torta e desengonçada, mas naquela dança doida, nos sentíamos as pessoas mais livres do mundo.


Depois de um tempo, agente foi em cima de uma das flores giigantes, e comeu um pouco do polem, as grandonas eram grandes o bastante para o pólen ser quase uma fruta.


João: é…doce…terroso…eeeeee…amargo


Elena: você tava esperando muito para fazer isso né?


João: você não faz ideia de quanto.


Agente ainda tava tentando se entender, agente já tinha passado por muita coisa, e agora, nem sabia o que falar com ela.


Elena: não tenta tanto


Joao: sei que já faz umas semanas que agente se reencontrou eeeee, agente cumpriu nossa promessa de namorar se ainda tivessemos solteiros, mas é normal você não saber o que falar pra alguém que você não vê a muito tempo.


Elena: por favor, para de falar de mim desse jeito, não vou te forçar a nada, mas é sério, sóooooo, fala qualquer coisa, como nos velhos tempos.


Eu e a Elena éramos amigos de infância, mas tipo, muito amigos mesmo, além da gente ser conhecido por sempre nos metemos em encrenca com outras crianças. (nossos pais sabiam que a culpa era sempre das outras crianças, nós apenas revidavamos, então ficava tudo bem). Mas por causa de uma oportunidade pro pai da Elena, ela teve que ir pra uma ilha muito longe e gente acabou não se falando mais…hehe, e pensando naquilo, eu comece a pensar na promessa que agente fez na época. E como se tivesse lendo minha mente, a Elena falou.


Elena: “eu vou voltar daqui a alguns anos, não quero te prender a mim, mas se nós ainda estivermos solteiros quando eu voltar, o que me diz da gente namorar?”.


Nós devíamos ter 9 anos na época daquela promessa, mas eu me lembrava perfeitamente como eu fiquei sem palavras quando ela falou isso, mas eu também me lembrava da forma como eu usei minha coragem pela primeira vez…


João: e eu falei “sim”


Elena: teve dias que eu preparava meu coração pra te encontrar com uma namorada, com um coração e uma beleza dessas, eu fiquei mesmo surpresa em ver voce solteiro ainda


João: hehe, apesar de estar feliz por você ter cumprido a promessa, ainda fico impressionado que você conseguiu ficar 7 anos sem namorar.


A Elena ficou vermelha quando falei aquilo, mas não era pelas minhas palavras, mas sim pelo que ela lembrava.


Elena: você se lembra do que você falou pra mim quando eu te perguntei por que você gostava de mim?


E com um sorriso de orgulho no meu rosto eu falei.


João: “porque você brilha, de uma forma que nenhuma outra mulher brilha pra mim, mesmo que os tesouros mais belos do mundo estejam ao meu redor, você será tudo que enxergarei”.


Eu sei, eu sei, isso parece muito vergonhoso, mas eu não me arrependo de nenhuma palavra do que eu falei.


Elena: quando você ouve isso de um garoto, um garoto que você sabe que não mente, não blefa e que nunca exagera no que diz, fica meio difícil pensar em outros garotos da mesma forma, mas e você? Não ficou tentado por nenhuma garota? Tenho certeza que esse rostinho lindo já quebrou muitos corações.


Eu tinha muito orgulho da minha aparência, meus olhos puxados mas ainda grandes, meu cabelo liso e preto, que eu prendia em um rabo de cavalo, bochechas grandes demais e uma pele morena que eu sentia quase ser uma armadura minha de tanto que eu me orgulhava dela. Além, é claro, dos meus olhos pretos, que pareciam fazer qualquer doido com coragem de me encarar não durar mais do que 30 segundos.


João: até que não, as garotas da minha idade gostam de…garotos mais “clarinhos” se é que me entende.


Ah, e a Elena entendeu direitinho o que eu falei, por que as garotas realmente gostavam da minha aparência, mas era muito mais por cantores mais profissionais, nada contra as garotas, mas era sempre estranho ver que tinham tantas garotas que gostavam de caras que se pareciam tanto comigo, com a diferença que minha pele era mais escura que a deles.


Joao: alem de eu nunca ter procurado ninguém de verdade, sabe


Elena: jura?


João: juro.


Não sabia porque, mas falar aquilo pareceu colocar um nó na minha garganta, mas eu desenrolei o no na hora e falei.


João: ninguém me fez sentir o que eu sinto por você


Elena: hmhmhmhm, isso é tao clixe


João: se é clichê é porque funciona


Elena: bingo.


E na alegria que nós estávamos, eu a levei pra um abraço bem forte, E ela me abraçou de volta, e por alguns segundos, me senti como se estivesse rindo e brincando no meio e vários gatinhos que ronronavam e se acariciavam perto de mim. Ahhhhhh, era por sensações assim que eu amava aquela garota, ou seria porque eu amo essa garota que eu tinha essas sensações? Era bem mais provável a segunda opção.


falava para a Jaci que eu não queria ativar minha raiva sem querer.


João: Elena…sabe por que eu te amo?


Elena: deve ter vários motivos, mas pode me falar


João: por que o meu coração que sempre parece estar queimando em profunda raiva e ódio, parece se esfriar em um frio confortável quando estou com você…me diz, eu provoco algo parecido em você?


A Elena não respondeu de forma imediata, não, ela me abraçou com mais força, e fazendo sentir as mãos ásperas dela, mãos de uma lutadora, mas, que eu gostava que ela tivesse.


Elena: em toda a minha vida, eu tive que provar pra todo mundo que eu era séria, mas não com você, desde que eu entrei no primeiro dojo, eu sempre senti como quem estava perto de mim por amizade so nao ligava pras notas, e aqueles que se importam com as notas, me viam apenas como inimiga, já você, você consegue adorar lutar, mas não me vê como inimiga ou rival, apenas uma parceria que você tem que se esforçar pra não te superar com o tempo.


E o aperto dela ficou ainda mais forte, até que ela completou.


Elena: com exceção da minha casa, pra todo lugar que eu ia, eu precisava decidir se eu seria a “amiga inocente” ou a “rival implacável” nunca as duas coisas, mas com você…eu vejo que eu nao preciso ser nada disso, eu posso ser apenas eu, sem rótulos, sem validade, apenas um crescimento junto com a pessoa que é realmente minha amiga.


E se afastando um pouco do meu abraço, ela me olhou, com olhos brilhantes, daqueles que  viam uma resposta apenas olhando pra mim.


Elena: e sabe por que eu penso isso de você? Porque eu olho em seus olhos, e vejo que você é um homem, não um moleque, mais homem que muito adulto por aí.


Ah, eu entendia muito bem o que ela queria dizer com isso, sim, tinha muita gente por aí que nunca parecia ter crescido, e eu tinha uma turma cheia de alunos assim que eu tava tentando fazer crescer na marra mesmo.


Mas assim como eu sabia que tinha muito homem criança, que brigava, fazia birra, eu também vi muita mulher mimada, que chingava e que nunca assumia a responsabilidade por nada, apenas vivendo através dos pais e por mais nasa, e vendo como a Elena não era nada disso, feliz, rebati.


João: e você é uma mulher, não uma garotinha.


Achei que ela ia ficar ofendida com isso, por que afinal, pra algumas pessoas, chamar alguém de “mulher” era um insulto, mas era assim que eu via a Elena, ela era uma mulher de verdade, alguém apaixonada, não só por mim, mas pelos seus próprios hobbies e sonhos, e estava disposta a dar sua vida, seu tempo e sua alma pelas suas paixões, e pra mim, isso que significava ser uma “mulher de verdade”.


E depois de todo aquele papo, agente andou um pouco mais e brincou um pouco mais pelas flores, em um de nossos momentos mais doídos, pegamos carona em algumas borboletas, e eu me senti tão feliz quando fiz aquilo que quase esqueci o que aconteceria amanhã.


Elena: aí João


João: fala


Elena: você quer que eu apareça no torneio amanhã?


João: mas é claro, sei que vou saber quem é você no meio da multidão.


E com um sorriso que era carregado de promessas, ela deu um toquinho no meu nariz e falou.


Elena: eu vou gritar seu nome enquanto você espancar esses doidos.


João: não se preocupe que eu vou pagar você por isso depois


Elena: claro, você sempre paga.


E com mais um beijo, agente ficou abraçado mais algum tempo antes de nos sairmos. 


Eu tava bem feliz de ver a garota, mas ao mesmo tempo, eu tava bem nervoso, amanhã eu ia participar de um torneio onde eu ia cair no soco com os melhores das outras academias, eu deveria relaxar, mas eu tava uma pilha de nervos.


Eu tava tremendo, mesmo com meus machucados já curados. E assim que eu cheguei em casa, meu pai me chamou, lá da sala.


Pai: e ai filhão, amanhã é o grande dia né?


João: é, verdade


Pai: o que acha de ter uma maratona de filmes com seu velho?


João: booooooooom, eu não vejo por que não.


Ver filmes com meu pai era incrível, porque ele era um fanatico por ação, além do quadro que tínhamos na sala. O quadro em si era um quadro em espiral, mas com o aperto de um controle na mão do meu pai, o quadro espiral se transformou num grande portal, um portal que mostrava vários programas, e o programa que meu pai parou em um filme de ação absurdamente violento, algo que o nervosismo dentro de mim amou de milhares de formas diferentes.


Agente ficou a noite inteira até o almoço apenas vendo filmes, gritando e comendo uma comida leve pra eu não ter problemas amanhã com o torneio.


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