Apesar de amar o gosto da comida da minha mãe, passar o resto da noite com aqueles ferimentos foi algo difícil, mas eu consegui me controlar, eu estava com muita raiva pelos machucados, mas não queria ser curado ainda não.
Quando acordei de manhã, ao invés de pedir pro meu pai me levar pra algum lugar, eu decidi ir sozinho, não queria conversar agora, eu precisava treinar minha aura, e qualquer coisa que me distraísse disso tinha que ser descartada imediatamente.
E sinceramente, apenas olhando a minha opção pra viajar sozinho, me fazia pensar que eu devia fazer isso mais vezes.
Na porta da casa, tinha uma prancha, eu a peguei, levei ela pra fora, coloquei ela no chão e comecei a colocar um pouco de aura dentro dela, aura o suficiente para eu conseguir levantá-la por mais de 30 metros no ar, e olhando tudo de cima naquela prancha, eu me sentia no paraíso, os ventos frescos, a aparência da pequena ilha que ficava minha cidade, junto das outras ilhas do arquipélago que se uniam apenas por um vento violento, que tentava tanto destruir as ilhas quanto confortar, me deixava muito feliz.
Surfar na minha própria aura era muito maneiro, mas por mais alegre e doido que fosse, eu ainda ficava irritado que eu conseguia fazer aquilo, mas eu não conseguia usar minha aura pra lutar…bom, aura era uma coisa misteriosa pra muitos ali, então em certos grau, até fazia sentido pro grau de combatê ser tão sinistro assim de controlar.
Existiam muitas ilhas estranhas aqui no território, mas a ilha que precisei ir era estranha entre as estranhas, porque ela então tá uma ilha feita de pedra, era uma ilha de água, e por mais contraditório que parecesse, a ilha que tinha que visitar era algo criado de mais pura água, como uma pirâmide azul.
Mas o mais doido era que quando eu pisei no templo, ele era sólido, duro como pedra, esse, esse era uns os fenômenos estranhos de aura do arquipélago, mas não era sobre isso que eu estava atrás, então eu entrei lá, me preparando pras pessoas que eu iria encontrar ali.
Não precisei procurar no lugar por muito tempo pra achar o que eu queria. Em menos de 30 segundos, eu encontrei a sala que eu ouvi falar, me sentindo impressionado com o que vi ali. Não tinha muita coisa dentro da sala, apenas uma almofadinha humilde e uma única rocha que ficava no teto da sala que se destacava de forma sinistra de todo o resto, uma rocha em formato de Lua crescente que jogava uma luz azul permanente bem em cima da almofada.
Bom, quando eu me sentei na almofada em postura de meditação, pensei como ia me lembrar porque a deusa da Lua também era chamada de Guiadora, por tantos.
Eu fechei os olhos, não senti que estava dormindo, mas enquanto aqueles raios lunares da rocha me pegavam cada vez mais, eu sentia como algo acontecesse com meu corpo.
Até que eu senti que eu estava sendo levantado, ou melhor, afundado em uma quantidade imensa de água, e o mais doido era que dava pra respirar naquela água.
Eu já tinha passado por aquilo vezes o suficiente pra saber que eu precisava me concentrar, eu não podia abrir os olhos antes de estar totalmente submerso e quando eu senti todo meu corpo emergido, eu abri os olhos e novamente, estava naquele espaço único, que muitos diriam que era o paraíso, e muitos diriam que era apenas o ponto final do mar branco.
Era um lugar que não tinha terra, apenas uma nuvem fofa, mas que ainda conseguia ser tão sólida quanto pedra, assim como o templo.
E na minha frente, estava o motivo de todos dizerem que o templo era um presente divino, ali na minha frente estava uma mulher de pele negra, cheia de pinturas tribais brancas por todo o corpo, junto de uma blusa que parecia feita de couro de crocodilo e uma saia que até cobria os pés e parecia feito de penas de passarinho.
Mas o que mais chamava atenção era o cabelo branco, junto dos olhos sem pupilas, e lábios com batom branco. Eu sabia bem quem era, a conheci há quase 3 meses.
João: ola novamente, senhorita Jaci.
Jaci, a deusa da lua, para aqueles que tentaram afundar totalmente no próprio mar de Aura que tinham dentro de si próprios, era ganhado o direito de conhecer a aparência da grande Deusa da Lua.
João: então, o que vamos fazer hoje?
A Deusa não respondeu de cara, ela se aproximou de mim e circulou meu corpo uma vez, antes de falar.
Jaci: você é um garotinho bem durão, o que acha de fazer uma técnica de paciencia?
João: tudo bem, o que eu tenho que fazer
Jaci: muito fácil, tente fazer um castelo de areia com a sua Aura
João: um castelo de areia?
Jaci: isso aí.
Aí aí, eu ainda não entendia o que a deusa queria que eu fizesse, mesmo que eu a obedecesse, no primeiro mês, eu tinha a obedecido e andando vendado em uma grande floresta de árvores, apenas seguindo as orientações dela (resultado: eu bati em 15 árvores antes de passar no treino).
No mês seguinte, eu aprendi a andar sobre a água, e por mais incrível que aquilo fosse, eu não me sentia mais forte, desde que comecei os treinos parecia que eu mal tinha saído do lugar.
Jaci: não se apresse, você tem que aprender a engatinhar se quiser andar
João: sim senhora.
E mais uma vez, ela pareceu ler minha mente, mas ler a mente de um seguidor fiel como eu deveria ser brincadeira de criança pra ela.
Bom, apesar de não entender porque ela queria fazer isso, a obedeci, e quando olhei pra trás, pra variar, tinha uma praia gigantesca ali, com uma pazinha e um balde pra fazer o castelo, é, ia ser legal.
Logo comecei a fazer o castelinho de areia, e eu amei como eu estava me divertindo, até que alguém no meio da praia gritou.
???: I ALA, OLHA QUE CRIANCAO, TÁ FAZENDO UM CASTELO DE AREIA HAHAHAHAHAHAHA.
Ouvindo aquele sujeito, eu bati muito na areia, fazendo o castelo de areia se desfazer, aí que saco, ele nem era de verdade, mas ele estava ali porque ele era muito útil.
Jaci: você precisa aprender a controlar sua raiva
João: eu aprendi a muito tempo que não posso controlar a raiva, apenas mirar ela onde não posso machucar ninguém
Jaci: e o seu castelo de areia é um desses alvos?
João: não, foi só um descuido, onde minha raiva vazou antes de eu conseguir dar um jeito nela.
A deusa ficou sem falar nada por um bom tempo, então eu voltei a fazer o castelo de areia, mas não importa o quanto eu tentasse, só conseguia fazer o pequenininho, sempre que eu tentava fazer algo muito grande, tudo se desfazia.
Eu fiquei com tanta raiva que meu corpo começou a tremer, porque eu não sabia onde eu poderia joga-lo, então me levantei, fechei os olhos, e respirei.
Eu pensei em todos os meus sentimentos negativos como uma caixa que eu iria abrir depois, numa hora melhor.
Jaci: você deu uma forma para onde você colocaria seus sentimentos, mas você deu forma prós seus sentimentos em si?
João: não
Jaci: quer tentar? Vamos começar pela raiva, ela parece ser a mais complicada.
Eu não respondi, mas quando ela sugeriu aquilo, minha mente pareceu fazer de forma automática, e a minha raiva, ahahahaha, ela era uma chama, uma chamada bem intensa que queimava tudo, até a mim mesmo.
João: eu quero controlar as chamas, mas ainda sou inexperiente demais
Jaci: isso porque você está tentando controlar o incêndio todo, tente controlar uma chama de cada vez, e não tenha medo de apagar o fogo quando ele ficar descontrolado demais.
Gostei da dica, mas quando pensei um pouco, fiquei bem triste de novo.
João: eu nem sei como apagar o fogo
Jaci: não tem uma forma mágica pra apagá-lo, você aprende com o tempo a apagar o fogo e mantê-lo apagado, mas pra aprender a acender e apagar todos o incêndio que vejo dentro de você, você precisa aprender a acender e apagar uma única chama…
Hummmmm, isso tava sendo bem interessante, então a Deusa apareceu na minha esquerda e falou.
Jaci: assim como esse pequeno castelo de areia, você já está tentando fazer um grandão, mas você precisa ser um especialista nos pequenos pra conseguir ser bom nos médios, e você precisa ser especialista nos médios antes de ir no grandão. É verdade que sentimentos e coisas negativas podem ser acumuladas para criarem uma grande explosão, mas isso também vale para as coisas positivas, se você ficar bom em fazer um castelo de areia por vez, as coisas lindas e incríveis que você acumulou se tornaram uma grande explosão de alegria e felicidade, e esses simples castelo de areia será o primeiro passo pra chegar nisso.
Hmhmhm, eu sabia que o castelo de areia, assim como o incêndio e a floresta, sim isso eram metáforas, mas ainda estava pensando bastante na metáfora da minha raiva como uma chama, e como eu devia aprender não só a apagar, mas acender também.
Enquanto pensava nisso, eu fiz um castelo de areia, o primeiro e o mais simples de todos, um que não se desfez quando a água pegou nele, e aguentou o vento jogado nele, mesmo que ele fosse o mais simples que eu fiz…e quando terminei meu trabalho, comecei a rir, porque eu não conseguia imaginar um cenário onde eu propositalmente fosse sentir raiva.
João: eu? Sentir raiva de propósito? E quando eu iria precisar fazer isso?
Jaci: talvez nos lugares que você planejava liberar sua raiva acumulada, tenho certeza que esse .lugares aceitariam sem problema sua irmã proposital neles.
Hummmmm, ela me pegou, olha só, o treino estava quase acabando, pelo jeito eu já ia acordar, mas antes de acordar de vez pensei um pouco no que ela falou.
Minha raiva, quando ela era necessária? Bom, muitas vezes eu a usava quando precisava de coragem, ela era ótima quando eu precisava estudar, e quando meu corpo queria desistir, eu usava bastante ela pra continuar de pé na marra, mas a minha favorita sempre foi a coragem, quando eu estava irado era, absurdo, eu me sentia o homem mais corajoso do mundo…eu entendi tudo quando a Jaci se despedia de mim, e logo, eu fechei meus olhos, meio que na marra mesmo.
Foi um processo lento, eu senti que eu estava saindo daquele líquido que entrei para encontrar a Jaci, mas diferente de antes, onde eu não podia abrir os olhos, aqui eu não conseguia, mas não me importei, o processo foi rápido, além de ser muito, mas muito tranquilo e bonito também, e quando eu me senti volta do bem devagar para a posição de meditação, eu respirei bem fundo, não estava com a respiração presa, mas eu senti que precisava absurdamente de ar.
E enquanto ainda me recuperava, pensei alto de novo.
João: a minha raiva é necessária.
Por mais que eu odiasse admitir isso, eu já tinha visto o que acontecia quando alguém não tinha “raiva” pra se impor, eles eram perseguidos pelos idiotas que se achavam fortes, mas eram apenas covardes que iam atrás dos fracos.
A minha raiva, mesmo depois de tanto tempo, eu ainda tinha problemas pra lidar com ela, mas eu não ia desistir, e dando um soco forte no chão, eu fazia uma promessa a mim mesmo, que enquanto eu tivesse a minha forças eu faria de tudo pra controlar minha raiva.
João: prepare-se Guaracy, você é o próximo.

