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No topo do mundo 🥊1
😌meu santuário😌
1539 palavras • 8415 caracteres • ⏱ 6 min 09 s

😌meu santuário😌

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Depois do meu dia na aula, eu estava cheio o suficiente para explodir a qualquer momento, e novamente, meu pai me pegou ali.


Pai: e ai, como é que foi?


João: ah, sabe como é, o de sempre.


Meu pai não perguntou o que eu quis dizer com isso, ele apenas bateu mais as cordas da carruagem, e os grandes corcéis correram com mais força. Ali, ainda na carruagem do meu pai, meu uniforme para a minha segunda visita do dia já estava lá, de uma regata e uma bermuda de luta simples, com o grande símbolo de um gavião real nas costas dele.


No meio do caminho, fui pra trás do carro pra trocar de roupa, e quando fiquei pronto, vi que nós tínhamos parado, então eu abracei meu pai, antes de sair da carruagem.


Pai: te vejo daqui a 2 horas


João: até daqui a 2 horas.


Enquanto meu pai cavalgava para longe dali, e mesmo depois de tanto tempo, eu ainda me impressionava com a loucura daquele luar, a ilha onde aquele dojo ficava era dentro de um grande ciclone marinho que nunca se desfazia, só continuava girando a água pra baixo por um buraco que parecia quase infinito, com a água girando em forma de espiral enquanto descia.


Um pouco da água caia no meu rosto mas eu até que gostava, a água era fria, mas o cheiro do ar, o frescor, e as gotas de água tímidas que caiam em meu rosto conseguia me acalmar bastante.


E quando eu olhei para o templo onde eu estava, e vi, um templo feito de ferro preto e escuro, daqueles que parecem absorver toda a luz do ambiente. As paredes pareciam feitas de ladrilhos puros, com apenas as pontas sendo feitas de chifres em espiral de um animal que eu desconhecia, como se fosse uma grande onda no meio das espirais.


E no meio de tudo aquilo, a porta do templo era feita de palha, o que dava um contraste bem engraçado no lugar, eu passei pela porta, e lá dentro, eu vi que tinham alguns alunos espalhados por ali, ao mesmo tempo que muitos deles estavam apenas ficando à toa, três deles estavam conversando, outros dois estavam mexendo nos grimórios, provavelmente conversando com outras pessoas, tinha até um grupo de 3 adultos num canto, dormindo.


E no meio desses alunos, eu encontrei a dupla de irmãos que eu queria encontrar.


João: eu sempre penso que eu chego cedo, mas quando vejo todo o pessoal, eu fico feliz que eu não sou o único doido aqui.


Os dois se viraram e riram ao me ver. Um era um garoto bem magro, voltado a velocidade e com cabelos amarelos que brilhavam enquanto os olhos pretos lhe davam uma aparência predatória. Mas a personalidade do  Nilo era tudo menos isso.


Nilo: relaxa mano, enquanto o mestre ainda tomar conta do lugar, você não vai ser o mais doido


João: ou seja, nunca.


Eu tentei me focar no Nilo, mas logo uma mão grande e pesada chegou na minha cabeça, eu fiquei feliz em ver ele bem, mesmo que sentisse que ainda tinha que ter cuidado com o que falava e fazia perto do dono da grande mão. 


O outro irmão, o mais novo, com cabelo loiro e olhos pretos do irmão, com a diferença dele ser muito maior, e com um rosto bem mais infantil, um rosto que para muitos poderia ser “errado”, e para as pessoas que se importavam mesmo com ele, era fofo.


???: Luca ta feliz de ver o Joãozinho


João: o Joãozinho também ta feliz em te ver Luca.


Deixei ele fazer carinho na minha cabeça, ao mesmo tempo que eu me estiquei um pouco pra fazer carinho na cabeça dele, então eu nao me aguentei, e perguntei pra ele.


João: e ai Luca, você vai lutar muito hoje?


Luca: sim, sim, Luca vai lutar muito hoje


João: EEEEEEEEE.


Eu bati minha palma com a dele, e o Nilo bateu na palma do irmão. Mesmo depois de conhecer os irmãos a tanto tempo, ainda não conseguia entender como alguém com a maldição da criança feliz conseguia lutar, já que pessoas assim tinham problemas de ser como adultas, mas é como dizem, “cada maldição é única”.


João: e ai Luca, o que você tem feito?


Luca: o Luca encontrou um besouro golias, o Luca te mostrar depois do treino


João: um besouro golias, nossa, eu quero muito ver ele.


Eu nem tava falando isso pra deixar ele calmo, besouros golias eram sim algo de se ter muito respeito, a ponto de querer ver muito vê-lo.


Luca: o Luca também aprendeu a aura, vê a Luta do Luca depois


João: é claro que eu vou ver


Luca: o Luca também começou a ver o show da Ari, a ariranha, hahaha


João: Ari a ariranha? Nossa, serio? Eu ouvi dizer que é um show pra gente grande


Luca: o Luca é gente grande


Joao: ta bom, me fala, você ta gostando?


Luca: muito, a Ari é muito engraçada.


Eu não conseguia explicar em palavras, mas por algum motivo era muito divertido conversar com aquele Sapien maluquinho que eu conhecia, eu tava me divertindo bastante com aquilo, até que o Nilo tossiu, como se quisesse nos lembrar que ele estava ali.


Nilo: maninho, eu posso conversar um pouco com ele, por favor


Luca: ah, claro irmão.


O Nilo é um dos únicos que conseguia entender por completo o quanto o irmão não era um bebe eterno, como muitos leigos diziam que ele era, mas eu tinha que admitir, mesmo depois de conhecê-lo por tanto tempo, ainda era difícil pra mim pensar que ele podia mesmo ser mais que uma criança. 


E isso valia até pros pais dele, mas olha isso, ele tava aqui, se preparando pra lutar, não importa quanto tempo levasse, eu iria convencer a mim mesmo que o Luca era apenas alguém com problemas, não uma criança com problemas, e nesses pensamentos, o Nilo chamou minha atenção.


Nilo: aí João, o que tem feito?


João: nada demais, só pintando como sempre, me fala sobre você?


Nilo: ah, eu só to vendo muitas “danças nas nuvens” ultimamente


João: ah, as danças das nuvens, não sei por que eu parei tanto de ver elas?


Nilo: você andou muito ocupado, agente deveria achar um dia para fazer isso, só nos diz, como nos velhos tempos.


Ah, a “dança das nuvens”, um evento incrível, onde dois artistas marciais muito poderosos criaram uma grande nuvem de água e criava uma grande tela nas nuvens que contava uma grande história.


João: qual foi a última dança que eu vi? Eu confesso que nem me lembro


Nilo: tenho certeza que não importa, porque a agente apenas não pensa em algo pra ver agora? Eu tava pensando em ver a dança “Benção da Lua”


Joao: aaaah, eu ja ouvi falar dela, é uma história que dizia sobre a primeira lobismulher que existiu


Nilo: eu já li a história, mas tenho certeza que a dança será muito mais linda


João: eu também já li, mas os dançarinos conseguem dar um toquezinho especial que nenhum livro consegue fazer, você lembra daquela cena da dança “casca antiga”? Da fadinha mostrando as cascas antigas pro vampirinho e com ele chorando com a maior emoção do mundo?


Nilo: como e não posso saber? foi a cena mais linda da dança


Joo: então, as lágrimas, a casca extra, no registro que eu vi, não tinha nada disso, foi tudo coisa “acrescentada” na dança, acrescentada entre aspas, porque tenho certeza que isso era algo que aconteceu, mas apenas aqueles com conexão de Aura forte o bastante conseguiam “extrair” essas coisas quase “imperceptíveis” pelos outros nos livros


Nilo: meu sonho de consideração é poder conseguir entender as coisas como os dançarinos.


E com um rostinho todo triste, eu fiz carinho no Nilo, e como resposta, o Luca me fez carinho na cabeça também.


João: um dia rapaz, um dia


Nilo: é, eu espero


???: E AI CAMBADA.


Com aquela simples introdução, nós sorrimos muito, pois já sabíamos quem era.


Não era apenas pelo grito, mas também pela voz rouca, uma voz de alguém que entregou tudo para as artes marciais, se quebrando, e machucando e sofrendo no processo, mas mesmo ferido e machucado, a voz dele ainda carregava um vitalidade que dizia que ele não se arrependia por nenhum segundo da escolha que fez.


E quando nos viramos e vimos a aparencia dele, no ficamos impressionados em ver um homem negro, alto, com um cabelo tubuloso e com um rosto que ja tinha recebido tantos, mas tantos socos na cara que a pele dele parecia ter ficado mais grossa.


Os músculos dele pareciam de ferro, ou ferro desgastado, daquele que se vê em grandes muros de ferro, muros que aguentaram imensos impactos e dores, e continuavam lá, inteiros.


Quando o mestre anunciou sua presença, foi algo automático, sem ninguém mandar, cada um de nós correu, nos colocando exatamente na posição onde nossas faixas iam, a maior faixa ficava mais perto do professor, e a menor ficava muito atrás.


Nós olhamos o professor, esperando orientação, e com um simples comando, nós fizemos um comprimento ao mesmo tempo, e começamos a nos alongar por treinamento.


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