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No topo do mundo 🥊1
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2313 palavras • 13021 caracteres • ⏱ 9 min 15 s

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João: MALDITO SEJA, JOÃO DO PASSADO, MALDITO SEJA!


Eu acordei amaldiçoando meu eu do passado, eu acordei com uma dor absurda na barriga, uma dor que me fez cair pra fora da cama, enquanto eu gritava muito, meus pai foram ver como eu tava, mas não tentaram me ajudar, eles sabiam o que iria acontecer agora.


Eu fui muto burro, por que eu, alguem com a maldiçao da lactose comeu tanto bolo de chocolare? Talvez por que eu gostasse de sofrer, por que a dor de barriga agora era apenas uma preparação, uma preparação pra…


BOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOM


Joao: MALDITO SEJA EU DO PASSADO.


Eu explodi…não, implodir parecia o mais certo de falar, eu senti cada partícula do meu corpo sendo destruído pedaço por pedaço, até eu não me tornar nada além de uma névoa vermelha. Aquilo doeu muito na primeira vez que aconteceu, mas depois de eu passar por aquilo tantas vezes, aquilo era apenas um incômodo simples pra mim.


Levou 20 minutos para a névoa vermelha que um dia já foi meu corpo se reconstruir…e como uma forma perfeita de começar o dia, eu abri meus olhos planejando como eu poderia viajar no tempo e dar uns cascudos no meu eu do passado.


Eu tinha uma lista bem longa dentro da minha cabeça, que tinha explicitamente citado, todos os meus “eus” do passado, e tudo que eles fizeram para merecer cascudos, uma lista grande o bastante para dar a volta em todo o arquipélago duas vezes.


Mas tentando não pensar muito na lista, pelo menos não tão cedo, me levantei, vesti minha bermuda, que tinha saído quando eu explodi, e então olhei pra frente, vendo como meus pais tinham me dado privacidade depois de verem que eu já estava me recuperando.


Isso era o que acontecia quando eu tomava leite demais, antigamente, pessoas como eu teriam apenas uma dor de barriga e ficariam o dia inteiro no banheiro, mas desde que a aura, a magia e o chi entraram na nossa vida, pessoas com intolerância em seus corpos agora explodem ao invés de passar mal, e com um mau humor muito, mas muito ruim, eu fui comer o pão com presunto que meus pais compraram.


Não falei nada, apenas respirei fundo e comi o pão como se ele tivesse alguma fórmula mágica que me impedisse de enlouquecer antes mesmo de chegar na montanha, mas não foi o pão que me acalmou, foi minha mãe.


Quando eu tava no meio do caminho do pão, minha mãe me puxou para um abraço, fez carinho na minha cabeça e de repente, me senti novamente naquele campo de flores que coloria meu coração com felicidade.


João: obrigado mamãe


Mãe: de nada filho.


Meu pai olhou pra mim, vendo como minha raiva não tinha desaparecido, muito longe disso, ela apenas diminuiu o suficiente pra eu colocá-lo numa caixinha, uma caixinha que eu iria abrir logo, mas não agora.


Pai: e ai, tá pronto?


João: totalmente.


Depois de tomar café da manhã, eu me arrumei, colocando o quimono do templo, um quimono com grandes mangas, sandálias resistentes e feitas de tecido, e com o símbolo de um pincel que pintava um grande arco íris bem nas costas.


E depois de pegar minha bolsa de treino, olhei meu pai de frente a carruagem dele. Ele assobiou de uma forma única para o “nada” e em menos de 1 minuto, Hércules e Zeus, os cavalos do meu pai chegaram. Eu fazia carinho em um deles, enquanto meu pai colocava a alça no outro.


João: isso, isso, muito bem, bons garotos.


Uma vez presos, nos entramos na carruagem, a carruagem do meu pai era estranha, ela era blindada, com uma tinta absurdamente bem detalhada, uma que eu tinha certeza que iria aprender a pintar quando ficasse mais velho. Mas o mais doido era como o “cocheiro” que era meu pai, conseguia ficar ainda dentro da carruagem, com as cordas ainda dentro dela. 


Não fazia ideia quem foi o doido que teve essa ideia, mas eu queria poder bater palmas pra ele, porque por mais simples que a ideia dele fosse, tinha que admitir que ela era muito boa.


Diferente de antes, eu vi como as casas dos outros ficavam menos frequentes, pois estávamos nos aproximando das fronteiras da nossa ilha, existia um porto para pegar um barco, mas meu pai não precisava disso, ele levava a grande carruagem para uma borda qualquer do reino, e eu já tinha visto ele fazer isso vezes o suficiente pra não ficar com medo.


Quando estávamos a 2 galopantes de entrar na água, uma estrada vermelha foi feita, uma estrada feita pela própria aura do meu pai, uma estrada capaz de aguentar o peso da grande carruagem, e quanto mais nós subíamos, mais eu conseguia ver o arquipélago melhor.


Existiam todo o tipo de ilhas diferentes, ilhas totalmente secas, ilhas que eram inundadas dentro da água, ilhas que eram apenas campos de batalha, (que estavam sendo usados naquele momento também) e tinham muitas montanhas, as não naturais, que eram grandes pirâmides finas, que tinham todo o tipo de conhecimento ou segredos que poderia se imaginar.


Já a montanha onde eu estava indo, era uma montanha natural, montanhas maiores do que qualquer pirâmide, e que ainda conseguiam ter um grande templo bem acima dela, eu visitava 2 templos constantemente, um era o templo do combate, e o segundo era esse, o tempo que me faria conquistar o mundo quando ficasse mais velho.


Meu pai me deixou na base da montanha, ele não podia me deixar no topo por regras da escola, mas sem me importar, andei com cuidado na grande escadaria que tava na minha frente, um pequeno exercício de resistência.


Eu me lembrava como me falaram que era necessário pelo menos subir esses 1000 degraus se quisesse ser digno de entrar nas aulas, uma regra que para muitos era moleza, mas para aqueles sedentários demais para uma simples caminhada, ela seria um inferno grande demais, não importa qual paraíso estivesse no topo. 


Já pra mim, essas escada estavam longe de ser meu inferno, eu nem sentia a subida…mas comparado o que minha alma clamava pra eu fazer nao chegava nem perto do “paraíso” que aquele tempo deveria ser, aquele lugar só não era pra mim, mas porque eu iria precisar, até que poderia ser legal.


Hummmm, quase fui pego em uma quantidade incrível de devaneios, pelo menos até chegar no topo, e ver como os meus parceiros de treino já estavam ajoelhados, com uma mesinha e um simples quadro de pintura na frente deles, e com eles estando ajoelhados, a Professora teve a vista perfeita de mim.


Professora: ah, bom dia senhor João, sente-se.


Eu andei no meio dos alunos, nenhum deles me olhou, eles estavam preocupados demais com os próprios desenhos pra prestar atenção em mim. E quando encontrei o meu cantinho, o lugar que eu sempre ficava, sem exceção, sentia raiva que eu acumulava em meu coração desde que eu acordei se diminuindo, muito.


Enquanto eu pintava, era elogiado pela professora, e dava dicas a outros alunos, eu apenas pensava como aquilo podia não ser meu paraíso, mas servia, era ali onde eu conseguia entender melhor sobre algo que eu amava, mesmo que fosse apenas pra conseguir dinheiro.


Na aula prática de hoje, nós tivemos o dever de colocar uma pintura de defesa em um escudo, e um assistente de professor iria ver se fizemos tudo certo. E como eu esperava, muitos fizeram o desenho borrado, torto, ou simplesmente errado. 


Eu nunca pensei que tinha tantas formas diferentes de um escudo entortar como naquele teste, e depois que eu vi o escudo número 40 sendo entortado, eu suspirei com uma grande raiva, me virei pros alunos e falei.


João: é sério gente? Vocês precisam tentar mais, agente ainda ta nas primeira lições, escudos e outras coisas são lisas, são fáceis de pintar, se vocês tão tendo dificuldade com isso, só imagina quando vocês colocarem tintas em coisa cheias de relevos


Aluno1: bom, desculpa se não somos como você João.


Eu fiquei meio impressionado quando ouvi aquilo, e eu senti minha caixinha de raiva quase estourando, e eu respirei fundo e consegui mantê-la fechada, mas ainda não sabia quanto tempo eu ia conseguir.


João: o que querem dizer com, “não são como eu”?


Aluno1: não temos tanto talento quanto você, tem gente que só não foi feita pa…


João: TALENTO? TALENTO!?


A minha voz saiu com toda a raiva acumulada dentro de mim, tinham vezes que eu não sabia o que doía mais, seus punhos cheios de raiva, ou minha voz cheia de raiva.


Joao: NUNCA OUSE COMPARAR MEU ESFORÇO COM TALENTO NATO, VOCÊ NÃO FAZ IDEIA QUANTO SANGUE SUOR E LÁGRIMAS EU DERRAMEI PRA CONSEGUIR FAZER ISSO…


Pela cara que o aluno fazia agora, eu tinha certeza que as palavras doíam mais que socos.


Professora: ok, chega João


Jao: NAO, NADA DE CHEGA…


Eu estava salivando de ódio, droga, droga, droga, eu não podia controlar…Até que de forma estranha, minha voz estava absurdamente calma…mas na calmaria da minha voz, eu sentia algo carregado nelas que nenhum grito poderia carregar.


João: mas você sabe qual é a diferença entre nós dois? É que pra mim, isso não é um jogo, nem algo inútil, nem algo que eu so “to experimentando pra saber o que é” Isso é algo que eu sonho, e não importa o quão difícil seja, eu vou aprender tudo que eu quero no mundo, eu tenho alegria em aprender cada uma dessas coisas, enquanto você, você não tem sequer o sentimento de dever para fazer suas tarefas diferentes…


Um bando de preguiçosos que culpam os outros pelas suas falhas, em toda a minha turma, não existia ninguém que se entregava a arte da tinta, pelo menos não tanto quanto eu. E naquele fato não dito, eles não conseguiam dizer nada para me contrariar.


João: o que eu tenho de diferente de vocês, não é talento, é “paixão”...não importa o quanto minha frase seja estranha…


E de repente, me senti estranhamente calmo, como se olhasse o pincel, e me lembrei que eu estava fazendo algo que eu amava, eu olhei pra eles e falei.


João: eu estou apaixonado pela arte, me digam, algum de vocês está apaixonado por essa arte?


O silêncio que veio depois disso me surpreendeu, na hora, eu pensava que eles iriam rir de mim, mas ninguém conseguia dizer nada pra mim, era como se o simples ato de se mover na minha presença parecia errado, pelo menos era isso que eu entendia.


Professora: ah, João, o seu escudo já foi testado, venha, vamos pra próxima tarefa


João: ah, claro.


Olhei uma última vez aos alunos, eu sentia que não os veria de novo, e antes de ir ao próximo teste, eu olhei o estudo com a minha pintura, ficando feliz em ver que meu escudo estava totalmente inteiro.


No fim, qualquer outro teste não pode ir muito longe, os outros eram bem simples, usar uma pintura de aura pra apagar um fogo, outro era usar uma pintura de calor pra fritar um bife. (essa foi uma das boas). E até criar uma pintura atrativa pra atrair insetos.


E como sempre, a minha pintura estava boa, mas as pinturas dos outros, sério, dava vontade de chorar…não era apenas a pintura, não havia “sentimentos” naquilo, se as pinturas não tivessem aura, estaria tudo bem, mas elas eram…quase vazias, não tinha “nada”, e isso fazia eu ficar ainda mais furioso.


Pegando uma pintura qualquer, eu falei, em voz alta pra todo mundo ouvir.


João: que vergonhoso, essas pinturas não tem alma, elas nem podem ser usadas como papel higiênico


Aluno 2: AI, O QUE QUE VOCÊ…


João: ahn?


Eu apenas olhei pro aluno que gritou comigo, eu joguei minha raiva na direção dele, e ele se realizou, eu andei com cuidado até ele, tendo certeza que não faria ele desmaiar sem querer.


Eu sabia quem ele era era o dono da pintura, então eu coloquei a pintura na cara dele, a rasguei no meio e falei.


João: vocês são burros mesmo não é, vocês realmente acham que podem falar qualquer coisa pra mim com essa força?


Juntei os dois pedaços, e logo rasguei eles em quatro.


João: se vocês não gostam das minhas palavras me insultem, me desafiem e me enfrentem. 3 coisas que com a força atual de vocês, é impossível.


Com os rostos de todos se contorcendo em fúria e vergonha com cada palavra que eu dizia, continue.


João: sabe essa raiva que vocês sentem agora? Usem elas pra se aprimorarem nos seus treinos, tornem ela seu combustível quando sua mente estiver exausta e seu corpo estiver paralizado depois de tantos exercícios.


Mais uma união e mais um rasgo.


João: tornem-se um com a raiva, use ela como uma bengala que te dará coragem quando todo o resto falhar, e aprenda a controlá-la ao invés de deixá-la controlá-lo.


E na união e rasgo final, joguei o tecido que algum dia já foi uma pintura na cara do Aluno que eu nem me dei o trabalho de saber o nome.


João: minha porta estará sempre aberta, para os corajosos que ainda desejam me enfrentar, e eu sempre aceitarei desafios.


Olhei pra todos, com a esperança mais pura que a minha fala tocasse algum deles, eu não ligava quanto tempo demorasse, mesmo que fosse meses depois, se eles ficassem apenas levemente diferentes depois de ouvirem tudo isso, eu já ficaria feliz se apenas uma pessoa entendesse que eu nunca fui talentoso, apenas esforçado.


Mas por enquanto, eles ainda eram preguiçosos que tinham muito medo de mim, mas tava tudo bem, eu tinha uma boa reputação pra eles me olham daquele jeito…não queria admitir, mas ver eles nao entendendo o que eu falei me deixava com muita raiva, mas tava tudo bem, porque hoje mesmo, eu iria descarregar essa raiva no lugar perfeito.


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