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No topo do mundo 🥊1
☺️meus guardiões☺️
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☺️meus guardiões☺️

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Eu ainda tinha muito o que me preparar, a paixão que queimava no meu peito, era diferente de tudo o que eu já senti, nada, literalmente nada do que eu senti antes, podia ser comparado a aquilo.


Quando entrei na carroça de meu pai, eu ensaiei mentalmente como eu faria aquela proposta do meu velho, a forma como falava e explicava cada detalhe do que eu queria fazer era muito importante, o meu futuro, depois de tanto tempo, parecia estar tomando forma.


Afinal, com o tempo certo, eu iria me tornar um respeitado pintor um dia, tudo por causa do quanto estava me aprimorando pra entender por completo como cada pintura realmente funcionava. 


Mas apesar de já ter algo pra “sobreviver”...ainda sentia que faltava algo pra eu me sentir vivo…na primeira vez que contei isso para meus pais, eles falaram que eu só precisava de um robe, algo pra me distrair…algo difícil de encontrar, porque eles me colocaram na natação pra eu aprender a nadar, e eu aprendi, mas não gostei daquilo, depois eles me colocaram em várias aulas de música, mas nenhum instrumento me pegou de verdade, eles até me colocaram na dança, algo que eu achei legal…mas senti que não combinava comigo…


Enquanto nós andávamos no meio de toda aquela multidão com a carroça, comecei a achar engraçado o quanto demorou para eles me colocarem em uma arte marcial.


João: pai, me fala, por que vocês demoraram tanto pra me colocar numa arte marcial?


Pai: arte marcial é a resposta fácil, agente queria testar tudo até irmos para algo que controlasse seus impulsos de forma fácil demais.


Gostei da resposta, e enquanto eu olhava pra janela da carroça do meu pai, olhei um pouco a estrada que agente ia.


Eu vi as casinhas inclinadas dos vizinhos, junto com as imagens esculpidas nelas, imagens simples, como um pai brincando com os filhos, ou imagens de um cara que morava sozinho dentro de uma caverna que ele não queria sair. Mas a minha favorita era as esculturas de pedra das pessoas comendo com a família, tinha algo especial naquilo.


Em toda a cidade tinha um vento muito bom, junto com um frescor que deixariam muitas pessoas com ciúmes, e o cheiro do mar parecia estar em todo o lugar, mas era normal quando se vivia numa ilha tão pequena que mal tinha espaço para ter uma cidade.


Em meus devaneios, pensava como minha cidade parecia tão minúscula no meio de todo o arquipélago, até mesmo agora, pra chegarmos na cidade, meu pai teve que fazer várias estradas de aura apenas pra conseguirmos chegar ali. Eu sempre amava ver as estradas de aura super doidas que meu pai criava com o poder dele.


João: agente é tão pequeno


Pai: eu sei, não é demais?


Eu não entendi o que meu pai quis dizer com isso, mas ele me olhava com um rosto que dizia “sim, eu já pensei nisso também”, e continuou.


Pai: nós somos tão pequenos, tão minúsculos na grande vastidão de literalmente tudo, e por sermos tão pequenos assim, agente pode apenas ser qualquer coisa que quisermos.


Eu abri meus olhos quando ouvi aquilo, é, dava pra ver que meu pai pensou muito naquilo so com aquela fala.


Pai: isso me fez ver que eu podia ser um cuidador de Harpias, era um trabalho louco, e ninguém acreditava que eu iria conseguir dar conta delas, e olha pra mim agora.


Meu pai bateu no próprio peito, ao mesmo tempo que tentava se exibir pra mim, enquanto ainda tentava manter o foco na rua.


Pai: sou o criador de Harpias mais respeitado do arquipélago


João: não são harpias.


Sim, existiam harpias, mas elas eram “humanas”, seres considerados inteligentes.


João: você cria gaviões reais papai.


Sorrindo, meu pai olhou pra mim e falou.


Pai: é, obrigado por me corrigir filho, me fala, você quer ver eles hoje?


João: não, acho que quero descansar pelo resto do dia, hoje foi um dia bem intenso


Pai: e você nem aprendeu a usar a aura de combate


João: “uma coisa de cada vez” como você diz, né pai?


Pai: isso aí.


Gaviões reais eram os pássaros mais majestosos do mundo, eu sempre pensava por que a bandeira do arquipélago não tinha ela, mas quanto mais eu pensava nisso, de forma contraditória eu também entendia por que o gavião real não estava nela. 


Com meus pensamentos sendo pegos totalmente em imagens daquele belo pássaro eu fechei os olhos, pensando naquela majestosa ave de penas listradas em branco e em preto, grande o bastante para capturar macacos, com um grito que até faria uma águia tremer em suas penas, e uma cabeça tão linda que ate hoje eu sonhava em pintar ela em meu quarto, ao mesmo tempo que sentia que ainda era inexperiente demais pra capturar toda a selvageria intensa do animal.


E no meio desses pensamentos, soltei, sem nem pensar no que eu estava dizendo.


João: e é exatamente por e ser tão insignificante no grande conceito das coisas que posso ser um pintor feliz ao invés de ser um soldado, lutando pra sobreviver, por “cada alma ser importante” em uma guerra


Pai: não podia dizer de forma melhor.


Agente já tinha chegado em casa já faz um tempo, mas o meu pai deu várias voltas por ai e continuou me levando pra todo o tipo de lugar, porque ele amava essas conversas que nós tínhamos dentro da carruagem e eu amava ela tanto quanto ele.


Quando saímos da carruagem, meu pai liberou os corcéis puxando a carroça e deixaram eles irem embora, eles não tinham currais, com um assovio, meu velho conseguia fazê-los voltar, eles sempre voltavam.


???: ainda bem que chegaram.


A voz doce da Sapien que me abraçou pelas costas desarmou meu corpo de forma completa, ela tinha uma aura bem intensa, uma aura daquelas que lhe causava calmaria, como se você estivesse deitado em um campo cheio de flores perfumadas.


João: e onde mais agente estaria mamãe?


Mãe: sei lá? eu nunca entendo o que você e seu pai fazem quando estão naquela carruagem


João: bom, agora acabou, já chegamos, vem, vamos entrar.


E com um sorriso que eu tinha certeza de poder encantar leões, minha mãe abriu caminho para nós entrarmos.


Quando entramos lá dentro, eu tomei banho, fiquei mais relaxado e então senti um cheiro que eu nunca poderia confundir. O bolo de chocolate da minha mãe, eu sabia que não podia, sabia muito bem, mas ainda assim, eu perguntei.


Mãe: então, você quer um pouco?


João: é claro que eu quero


Pai: só não exagera filho


João: ah, claro pai.


Falei aquilo, mas enquanto nós três comiamos o bolo, contava das coisas doidas que eu passei ultimamente na grande montanha de tinta que agora eu fazia parte.


João: pras primeiras aulas, até que não foi tão ruim assim, todo o treino que eu tive foi bem mais para controlar a aura, e sentir a aura na tinta, uma aula que parecia simples, mas ta na cara que quem não participou vai ter muitos problemas nas aulas futuras


Mãe: jura? Quais problemas?


João: boom, pra começar, as primeiras auras explicaram sobre como alguns ingredientes têm mais aura do que os outros, deixando a tinta bem mais forte, e ela falou sobre como a nossa aura irá nos empurrar, e nos dar milhares de direções diferentes para nos irmos, mas nós aprendemos a lidar com essa aura, porque a professora falou o quanto ela é traiçoeira


Mãe: nossa, e o que mais?


João: bom, também aprendemos nossa primeira pintura, pinturas que colocamos dentro de armaduras de ferro e couro, era uma pintura bem simples de defesa extra, mas a professora garantiu que agente iria descobrir coisas bem mais intensas muito mais pra frente


Mãe: que maravilha filho


João: e como foi seu dia mamãe?


Mãe: ah, você não vai acreditar no dia que eu tive, o novo vizinho cem de uma ilha bem mais pacífica que a nossa, então quando o primeiro rastejador de sangue apareceu, ele logo ficou todo assustado e gritou por ajuda pra qualquer um certo o bastante dele.


Ai nao, os rastejadores, criaturinhas nojentas que tinham o corpo de uma sanguessuga, mas com garras imensas como as de uma aranha, elas não eram muito perigosas desde que soubesse lidar com elas, coisa que se aprendia na minha ilha desde muito cedo.


Mãe: eu peguei a fera pela boca e a lancei no mato de onde ela veio, pro novo vizinho, tenho certeza que devia ter quase sido um truque de mágica,(sussurra) e eu consegui ver pela cara do rapaz que ele gosta de mulheres mais velhas.


Isso não me impressionava muito também, minha mãe era alguém que, mesmo depois de chegar aos 48 anos, ainda conseguia virar as cabeças de muitas pessoas que a viam na rua.


E quando você vê alguém de beleza absurda viajando até você te salvando de uma fera selvagem, você se sente uma princesa sendo resgatada pelo seu príncipe encantado, mesmo que o príncipe seja uma mulher, e pensar como a masculinidade do vizinho ficou mal depois de ser salvo pela minha mãe, eu comecei a rir e falei.


João: tenho certeza que ele ficou sem palavras


Pai: é, mas ele também tem muito medo de caras mais velhos, ele me viu uma vez e fugiu como se não conseguisse sequer me imaginar na frente dele.


Apesar do quão mal eu me sentia fazendo isso, eu ri da piada dos meus pais, até que eu falei.


João: não deveríamos rir, o rapazinho tá fazendo o melhor que pode.


E como se tivesse descoberto a solução pra um enigma antigo, meu pai falou.


Pai: ah, é, o que você acha de ser amigo dela filho?


João: aaahn, agente pode ver isso depois de amanhã?


E olhando pra baixo, meu pai lembrou que eu estava comendo o bolo de chocolate da mamãe.


Pai: ah, claro filho, vai, pode descansar.


Fui o mais educado que eu podia quando eu saí da mesa, e fui pro meu quarto, eu não iria jantar, e meus pais sabiam disso sem nem me perguntar, nós já tivemos aquela conversa muitas vezes, e mesmo sabendo o que iria acontecer depois de comer tanto chocolate, eu não iria me arrepender…bom, aquilo era mentira, eu iria me arrepender, muito, mas eu iria aceitar as consequências do que eu fiz.


Quando entrei no meu quarto, eu vi uma aranha enorme nele, mas ela não chegou perto de mim, um sapinho que estava ali por perto jogou a língua dele pela janela, pegou a aranha e a comeu. Eu agradeci ao sapinho e me coloquei em posição de meditação, ainda ia demorar pra minha maldição se ativar, então, eu tentei melhorar minha meditação.


Primeiro, a minha meditação ficou boa o suficiente para eu ver o “mundo da alma”, o mundo onde meus sentimentos mais sombrios estavam, mas por enquanto, eu ainda estava apenas entrando no território das pinturas.


Dentro do território eu apenas conseguia ver as milhares de pinturas ideais que eu imaginava, a grande pintura de hipopótamos, grandes jacarés, crocodilos absurdos, gorilas em sua mais profunda glória, e a grande pintura do gavião real. 


Todas pinturas que eu desejava muito fazer, mas não possuía a confiança, as habilidades e nem o tempo para fazer nenhuma delas, enquanto eu aprimorava minhas pinturas “sérias” para algo que eu podia apenas dizer que “aprendi a gostar”, aquelas pinturas ideais, eram algo que e estava guardando, para eu criá-las quando eu tivesse tempo e habilidade o bastante para fazer isso.


Com os olhos abrindo, eu peguei um pequeno quadro de pintura e fiz um desenho bem simples de um simples passarinho marrom de peito branco, não algo simples do nível “boneco palito” mas algo do nível que dava pra se dizer que eu tinha pesquisado sobre pinturas. 


As garrinhas, o corpo rechonchudinho, o bico preto e fino, e os olhinhos que pareciam a maior concentração de inocência do mundo. Aquele desenho era perfeito, eu estava orgulhoso do que eu fiz, e como forma de me distrair da dor que começava a se instalar bem devagar na minha barriga, coloquei um pouco de Aura na minha pintura e consegui tirar o passarinho do desenho, e o jogando no ar, eu fiz ele voar.


Eu ri, tentando não pensar que eu era um psicopata por criar um ser que a existência só podia durar por alguns segundos pelo quão inexperiente eu era. O engraçado era que o meu passarinho era tão alegre e vivo que ele não se importava que iria morrer em segundos, ele apenas esbanjava a grande felicidade que eu dei a ele através da minha Aura, e enquanto eu sorria, eu via o passarinho se desfazer em milhares de penas de tinta, era um momento triste, mas pegando uma única pena com a mão, e vendo ela se desfazer em minha mão, eu pensei alto de novo.


João: paciência, uma árvore não cresce numa única noite.


Apesar de conseguir fazer passarinhos, qualquer coisa maior que ele ficava torna, estranha, feia, ou simplesmente “errada”, apenas algo pequeno como aquele passarinho podia ser manipulado por mim, e isso me deixava frustrado, mas eu sempre gostava de me lembrar que, no fim, eu iria conseguir fazer coisas maioes, só tinham 3 meses que eu comecei a fazer as coisas mais intensas, se eu me desse mais tempo, eu com certeza iria conseguir fazer as coisas certo. 


E com esses sentimentos conseguindo me acalmar, eu fui dormir, deixando a “bomba” dentro de mim pro meu eu do futuro.


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