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A passagem de uma vida🌻3
😍😘🥰vida de casal🥰😘😍
2516 palavras • 14040 caracteres • ⏱ 10 min 04 s

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Eu já devo ter falado isso mais de 100 vezes diferentes, mas talvez eu tenha feito o maior recorde de tempo que eu já tive, pois eu cheguei em casa com menos de 1 segundo, e quando eu abri a porta, a Ruiva estava me esperando, com um rosto bem irritado.


Dandara: querido, eu quero ficar com você, eu quero grudar em você e não irei te soltar até que seja necessário que nós nos separamos, você tem algo contra isso?


Os olhos da Dandara estavam selvagens, mas apesar da raiva e a luxuria estarem lá, também tinha bastante necessidade de toque, nos dois tínhamos combinado que não iriamos ficar sempre grudados, e que dariamos espaço um pro outro, mas o rosto da Dandara gritava pra mim “eu queria espaço, mas não tanto espaço assim”. 


Antonio: nunca.


Eu respondi aquilo enquanto eu segurei ela num abraço carinhoso, e ela agradeceu ao abraço me apertando bem forte e fechando os olhos. E nós ficamos um bom tempo apenas ali, parados, respirando enquanto sentíamos o calor do outro, parecia que se passou tanto tempo desde a última vez que eu fiz, isso, e era tão bom quanto eu me lembrava


Antonio: me desculpa


Dandara: você passou por umas coisas bem pesadas ultimamente, então eu te dei uma colher de chá…


Então ela levantou a cabeça, olhando pra mim de forma bem intensa.


Dandara: mas eu não quero mais ficar longe de você.


A minha resposta foi levar ela pra mais perto e dar um beijo bem profundo nela, a ponto de nós dois trabalharmos pela felicidade que sentimos. Algum lugar dentro de mim me dizia que essa “magia” que eu sentia pela Dandara iria acabar, mas mesmo que ela apagasse, se fosse possível, eu jamais iria permitir que isso acontecesse comigo ainda aqui.


Antonio: eu também não…você não faz ideia o quanto eu ansiei por isso


Dandara: então vamos recuperar o tempo perdido.


Eu não fazia ideia do que a Ruiva quis dizer com “tempo perdido”, e no fim, não foi bem o que eu esperava que fosse. 


Ela primeiro me levou pro sofá, onde ela preparou um grande banquete de lanches, onde nós fizemos uma grande maratona de filmes e histórias épicas no espaço da casa, o que me fez rir e brincar com ela por bastante tempo. 


Agente se divertia falando aonde dava pra perceber que o personagem ficou “fictício demais” a ponto de que não dava mais pra curtir a história. Quando um herói ficava tão bonzinho que poupava um genocida ou quando um anti-herói virava um vilaozão completo, mesmo quando o filme ainda tentava pintar ele como um personagem cinza. 


Antonio: ta vendo, depois de todo aquele papo da “figura materna”, esse seria o ponto perfeito pro protagonista quebrar


Dandara: eeeeeee, não aconteceu


Antonio: (bate palmas lentamente) parabens filme, você desumanizou mais um personagem homem


Dandara: eu tenho certeza que o próximo vai ser melhor


Antônio: é, eu espero.


Ou quando o mundo que o protagonista tinha que mudar com as próprias mãos ficava tão contraditório, contraditório a ponto de salvarem a vida do chefão final, não entenderem que o vilão final queria destruir o mundo, ou outras coisas que deixava claro que aquele mundo era tão horrível que apenas dava pra pensar era.


Dandara: COMO FOI QUE ELES SOBREVIVERAM POR TANTO TEMPO?


Antonio: EU SEI NÃO É?


Isso porque se alguns daqueles mundos realmente existissem, muitos deles seriam destruídos, seja por ataques externos ou por uma guerra civil que os cidadãos iam acabar fazendo, mesmo se fosse inútil, ainda ia deixar o lugar todo vulnerável pra uma invasão. 


Dandara: ah não, AH NÃO, TÁ DE BRINCADEIRA! QUEM É QUE FAZ UMA DECISÃO DESSAS!? ELES TEM M$#D@ NA CABEÇA NO LUGAR DO CÉREBRO!?


Antonio: olha a língua


Dandara: desculpa querido


Antonio: mas eu concordo com você.


E a Dandara amava jogar toda a raiva que ela tinha naquelas decisões ruins dos filmes, e eu apenas pegava o embalo dela, por mais que não admitisse isso, aquilo era quase uma terapia pra mim também. Mas realmente dava raiva ver como muitos problemas do mundo e da série apenas existiam porque a série não conseguia se manter funcionando se todos os problemas fossem resolvidos da forma certa. Porque sempre parecia que as regras da própria série eram quebradas pra história acontecer, e a raiva liberada que dava naquela hora era terapêutico demais pra ser colocado em palavras normais.


Ficar indignado e reclamar das coisas ruins de filmes bons era algo que eu apenas descobri ser algo bom quando eu conheci a ruiva, e ela parecia concordar comigo nisso.


Antonio: eu nunca pensei que gritar pra um espelho seria tão relaxante


Dandara: eu também não.


Depois levamos os lanches que menos sujavam pra biblioteca e fizemos uma maratona de livros, onde nós lemos todos os livros de romance da biblioteca, parando apenas para ir trabalhar e depois ir direto pra casa de novo, conosco sempre fazendo brincadeiras e narrando partes do livro, principalmente quando tinha algo que nós gostaríamos muito em uma cena em específico. 


Principalmente as cenas de romance, e cenas de “laços rompidos”, cenas onde o/a protagonista finalmente entendia o quão ruim a relação íntima dele/dela era e criava coragem pra dispensar o cara/mina escroto/escrota que era o namorado/namorada. 


O nível de paixão que agene colocava em cada diálogo às vezes me fazia pensar como nós seríamos excelentes atores e poetas se nós gostássemos dessas coisas, mas para fazer brincadeiras com essas com minha linda esposa, já parecia bastar.


E depois de um tempo, cada um de nós começou a ir até o espaço um do outro, não com os amigos é claro, minha noite com os amigos era a minha noite com os amigos, e a noite das amigas dela era a noite dela com as amigas, mas mesmo assim, nós nos divertimos muito indo aos lugares que o outro ia só com nós dois.


O ringue que a Dandara me levou primeiro foi mais divertido do que eu pensava, a única regra do lugar era que o corpo era a arma, não dava pra usar magia, aura ou chi. E por causa disso, quando eu entrei lá apenas com um shorts de luta e luvas, muitos pensaram que eu iria perder, mas apesar de eu claramente ter perdido quando um campeão apareceu, eu consegui nocautear muitos lutadores, porque debaixo do meu manto, eu tinha um corpo bem forte, um corpo que faziam muitos lutadores falarem em voz alta, “você é um mago mesmo”? E isso me deixava feliz de forma que eu não conseguia imaginar. E eu também gostava que as garotas pareciam me olhar como se quisessem um pouco de mim, e a Dandara apenas as olhava com um olhar assassino, deixando bem claro que eu já tinha dona.


Dandara: acho que ja to entendendo por que voce nao gosta tanto de se mostrar


Antonio: tem mais de um motivo, mass obrigado por me defender


Dandara: eu precisei, parece que pra algumas, esse anel e luva na sua mao nao sao o suficiente


Antonio: pra muitos é até um chamado de luz


Dandara: jura: entao eu serei um peixe-diabo negro.


Hmhmhm, malvada, aquele peixe usava a luz pra atrair as presas pra ela, é, as próximas moças que desejassem pegar um pouco de mim no futuro iriam perder um pedaço delas mesmas.


O ponto da festa da destruição foi muito interessante de visitar também, porque não tinha muito o que pensar, eu apenas consegui um óculos de proteção, um martelo, e como ela mesma me falou, tinha 1 bilhão de coisas dentro de uma dimensão de bolso que era dentro da festa da destruição, e com uma risada alucinada, eu corri, ri, gritei, e bati em tudo que tinha no caminho. Eu amei quando eu quebrava coisas frágeis como vidro, como também amei quando eu acertei algo tão resistente que eu precisei dar mais de 20 golpes pra quebrar. 


Poder quebrar coisas sem se preocupar nos tipos de consequências que teriam depois disso era algo tão terapêutico que eu entendia pelo que a Ruiva ia aqui, mas enquanto eu via ela quebrando coisas 10 vezes mais rápido que eu me fazia entender de forma totalmente diferente tudo que ela fazia. E quando paramos um pouco pra respirar, na maior tranquilidade do mundo, eu falei.


Antonio: a senhorita tem muitos problemas de raiva não é?


Dandara: é, mas to jogando eles em lugares que não vou machucar ninguém, um cara bem doido e inteligente e ensinou isso


Antonio: e bonito, não esqueça que ele é bonito


Dandara: (sorri) nunca esqueceria que ele é bonito.


E depois de ver os lugares da Ruiva, achei justo levar ela para o Boliche, e quando ela viu tudo, ela entendia bem porque eu gostava tanto do lugar, mesmo que tivesse algum barulhinho aqui e ali. 


E era bem doido pensar que alguém que conseguia manejar uma marreta como se fosse parte do corpo conseguia ser tão desajeitada com uma bola de boliche, mas se eu tinha falta de paciência com tudo, eu sempre parecia ter um pouco mais de paciência quando tinha a ver com a ruiva, então, enquanto eu tocava ela mais que o necessário, (algo que com os risinhos, sentia que era algo que a garota entendeu) eu ensinei ela como fazer o arremesso de forma certa, e logo, a garota tava acertando os pinos, mas ela era tão ruim que chegava a ser triste.


Dandara: de uma risadinha e eu acabo com você


Antônio: você não pode ficar com raiva de mim, você me ama.


Eu falei aquilo enquanto fazia o rosto mais fofinho que eu conseguia fazer. Às vezes até me impressionava o tipo de coisas que eu fazia quando tava com a ruiva, e o pior era que eu estava mesmo certo, ela tentou ficar com raiva, mas quando olhava pra mim, era como se ela não conseguisse fazer isso.


Antonio: relaxa, você vai adorar o próximo lugar que vou levar você


Dandara: sei disso mesmo antes de nós chegarmos lá.


E com essa grande confiança, levei a Dandara para o ponto de pescaria do mar azul. Eu não lembrava se alguma vez eu cheguei a levá-la aqui, aquilo era bem mais uma coisa minha e do Brutus que minha e dos rapazes, mas como o Brutus já tinha levado a Nala, eu tinha certeza que ele não ia ligar.


E numa calmaria onde eu coloquei a garota em cima do barco e remei até um ponto bom de peixes. Tirei um tempo bem grande apenas para explicar pra ela cada parte do que fazer, como usar a rede, como puxar a corda, como por a isca e muito mais, e como eu esperava, ela era péssima nisso também, mas de alguma forma estava melhor do que eu na primeira vez que eu peguei uma vara de pescar.


A nossa pequena seção de aprendizado acabou espantando todos os peixes bons, mas pra minha alegria, a ruiva parecia até gostar mais daquele ponto de profunda calmaria que era a pescaria. No silêncio, eu senti uma calmaria e tranquilidade, que apenas pessoas que realmente sabiam aproveitar o silêncio e a calmaria podiam entender, eu nem devia estar surpreso que a garota conseguia entender isso, deveria ser estranho só se ela não entendesse, haha.


No fim, quando já tava escurecendo, só conseguimos pegar dois peixes, e o peixe da Dandara brigou bastante com ela antes de deixá-la soltar, eu nunca irei esquecer a alegria e os pulinhos de alegria quando ela pegou o primeiro peixe, agente quase caiu do barco também, ela havia ficado bem mais animada e alegre desde que eu a conheci, mas naquele breve momento onde ela pegou o peixe, ela parecia uma criança de novo.


E então, quando voltamos a terra firme, eu preparei os peixes e a fogueira, não queria que algo ficasse ruim por que a ruiva acabou fazendo algo errado. Sei que parecia algo simples demais pra errar, mas eu já tinha comido aqueles peixes da minha forma por tanto tempo que eu não conseguiria aguentar comer um da roma errada.


E como se não tivesse provas maiores que eu e ela éramos almas gêmeas, enquanto os peixes eram fritos, ela ficou olhando a dança do fogo, hipnotizada com os movimentos que o fogo selvagem fazia em cada instante, isso até os peixes ficarem prontos, eu pegar o meu e ela pegar o dela. Eu vi ela degustando o peixe por um tempo, como se estivesse degustando uma comida gourmet.


Antonio: e ai? Qual a sensação de comer um peixe pescado por você mesma?


Dandara: ele tá salgado, queimado e cru ao mesmo tempo, além de que ele tem um cheiro de madeira queimada muito forte…


Eu fiquei bem ofendido que ela falou assim do meu peixe, mas então ela continuou.


Dandara: calma, calma, eu não acabei…mas apesar de tudo isso, eu ainda sinto uma alegria absurda, porque apesar de tudo, esse carinha não foi algo que alguém teve que fazer pra mim…afinal, nada mudou, ainda matamos milhares de animais pra comer e sobreviver, a diferença é que outros matam por nos, matam em massa na verdade, e apenas conseguimos o produto finalizado de alguém…mas isso, apesar do equipamento, foi algo que eu consegui com as minhas próprias mãos, e o orgulho e alegria que eu sinto quando penso dessa forma faz esse peixe cru, queimado e com um cheiro estranho ter o gosto de um prato de 5 estrelas.


Apesar de estar ainda bem ofendido com a forma que ela insultou meu peixe antes, não pude me segurar e ri bastante também.


Antônio: é, eu sei, esse peixe é muito ruim…bom, isso pra quem nao ta acostumado com frutos do mar, eu ainda lembro como minha língua quase queimou quando eu comi meu primeiro peixe, hehe, mas agora, esse peixe é algo delicioso pra mim, com ou sem a sensação de orgulho


Dandara: ah, tá


Antonio: eu juro garota, acredita em mim, coma peixe comigo mais um tempo, peixes pescados por você mesma e você irá perceber o quão diferente seu paladar irá mudar, você pode até descobrir que ama muito os peixes.


E então, com um rosto bem tranquilo e relaxado, com os olhos dela se fechando bem devagar várias vezes, Dandara se aproximou de mim, com a fogueira concretizando o romantismo da cena e ela me deu um beijo, algo que eu retribui sem nem pensar duas vezes, ela tinha um gosto bem forte de peixe. E quando ela se afastou, me disse com carinho.


Dandara: você já mudou meu mundo tantas vezes, não vou ficar surpresa se você mudá-lo de novo


Antonio: e você muda o meu também.


E com um abraço, eu sentia como se, não importa o que aparecesse pra nós no futuro, eu tinha certeza que dariamos um jeito, porque ali, no escuro da noite, com a fogueira estalando no fundo e minha esposa me abraçando o mais forte que conseguia, eu finalmente me senti um Adulto. O que só mostrava que eu ainda precisava aprender bem mais coisas no futuro.


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