Outra pessoa que eu pensei muito em visitar novamente foi o meu professor, da última vez que eu fui lá, foi quando a Saytus estava comigo, e como uma visita final, em nome dos velhos tempos, eu fui até a casa dele. Meu mestre me recebeu muito bem, muito bem mesmo.
Mas assim que eu fui lá, eu apenas podia agradecê-lo por tudo e depois ir embora, a vida de aposentado do mestre não tinha nada além de uma conversa bem tranquila para se dar, e rever a professora e a Pandora sempre era bom também, mas não era algo super interessante, era bem mais pra manter contato, afinal, apesar de tudo que meu mestre fez, nós não éramos próximos, por mais irônico que parecesse, ele me ensinou muito, sou o homem que eu sou hoje graças a ele, tanto quanto pelo meu pai.
Mas ao mesmo tempo, nós não tínhamos muita coisa em comum, a ponto de que mesmo que eu fosse na casa dele pessoalmente e pedisse pra ficar um tempo, pra conversar e colocar o papo em dia, eu não ia conseguir ficar por muito tempo, pelo simples fato de que, sempre que nos conversamos, de algum jeito sempre voltávamos pra 3 papéis principais, a Pandora, porque eu gostava muito de conversar sobre a garota, o Zorro, por que ele gostava muito, muito mesmo de ouvir como o Potrino que ele viu crescer junto comigo estava. (o meu mestre ficou tao feliz quando eu o visitei no dia em que o Zorro evoluiu para um corcel mágico que parecia que o natal havia chegado mais cedo, esse era o nível de empolgação dele). Nós também conversamos bastante em dicas de cavalgada, lugares pra correr, lugares com árvores boas e outras variações de transformar um corcel muito bom em um corcel feliz.
E normalmente, esses dois papos eram tão tranquilos e legais que eu poderia facilmente ficar horas falando com ele. Bom, horas isso se eu não comentasse nenhum segundo sobre ele voltar a ser um professor, sempre que eu comentava sobre isso, meu mestre recusava, o que me deixava bem triste, ele tinha um ensino muito bom pra não ser lembrado no futuro.
Mestre: por que você não assume o lugar?
Antônio: ah, eu não sirvo pra isso Mestre, além disso e já tenho muita coisa pra me preocupar, além de que eu não tenho paciência pra lidar com crianças como você, me dá calafrios apenas pensar em ter que lidar com uma criança parecida comigo naquela época (sente calafrio)
Mestre: eu sinto que você é bem paciente, mas eu concordo, quando o assunto é aprender, me lembro bem que você explodia em gritos sempre que alguém tinha um problema simples
Antonio: pois é
Mestre: mas não desista, sei que um dia você irá ser um grande mestre de corcéis como eu
Antônio: um dia quem sabe.
E eu não estava mentindo, apesar de ter certeza que ainda vai demorar muito, tipo, muito mesmo para acontecer, eu irei honrar meu mestre, depois que eu vagar por cada canto dessa terra, eu fiz um juramento de mim mesmo que eu me tornaria um Mestre de cavalgadas igual a ele. Até eu chegar nesse ponto, queria acreditar que até esse ponto, eu estaria melhor, melhor a um ponto onde eu conseguia ter paciência com crianças, isso eu queria acreditar.
Antonio: eu vou Mestre…mas voce provavelmente não vai estar mais aqui pra ver eu fazendo isso
Mestre: ah Antonio, mas eu vou estar, lá em cima.
E com uma naturalidade sobrenatural, o mestre olhou pro teto, mas ele não estava olhando pro teto, ele estava olhando pra cima. Não olhando para a Criadora, porque os Gigantes não acreditavam em vida após a morte, já que não podiam prová-la. Ele estava olhando pra cima e segurou o pequeno broche em formato de fogo em seu colar.
Mestre: sei que temos visões de mundo diferentes, mas quero que saiba que mesmo que eu não esteja mais aqui, toda vez que você olhar o céu estrelado no meio da noite, saiba que estarei te olhando, junto com todos os meus irmãos, em companhia da Guiadora
Antonio: estarei ciente disso, Mestre, diferente do que muitos pensam, os Exploradores aceitam que existem outros tipos de fé, e que não existe nada de errado em acreditar em algo além da lógica absoluta…na verdade, muitos exploradores acreditam que “olhar as coisas por um outro ângulo”, um ângulo da fé de seus compatriotas de opiniões diferentes podem lhes mostrar coisas que eles nem acreditariam olhar antes
Mestre: mas você não era um Explorador na época
Antonio: isso não anula o ponto que eu falei, você acreditava em algo diferente de mim, e mesmo assim, foi através do seu ensinamento que eu consegui abrir minha mente para todo o conhecimento, toda a lógica e todos os segredos descobertos e não descobertos que existem em todo o mundo, e tudo graças a você
Mestre: você fala como se fosse impossível que nós nos déssemos bem por causa de algo tão bobo como o que acreditamos, tipo, o que eu acreditar no Acima de Todos e você acreditar na Criadora iria dificultar em nós nos darmos bem?
Antonio: em nada, pelo menos não pra nós dois, porque além de nós não sermos fanáticos que tem que dizer todas as pessoas que nos conhecemos que tipo de coisa nós acreditamos, nós também podemos separar a nossa fé do nosso dia a dia, mesmo que ela ainda ironicamente esteja impregnada em cada ponto de nós, enquanto tem muita gente que não consegue fazer isso, e por causa disso muitas pessoas criam guerras, atacam pessoa em grupo a noite, e até matam…tudo por que ela acredita em coisas diferentes da dela.
Eu sempre me enchia bastante de tristeza quando pensava em casos como esse, era apenas uma fé diferente, mas isso conseguira tirar tantas vidas ainda, haaaa.
Mestre: sabe, se o futuro é guiado por jovens como você, estou feliz com o que terá daqui pra frente
Antonio: o futuro começou a ser mudado por muitos outros jovens antes de mim
Mestre: sim, mas nós estamos vivenciando a sua própria história, e como você sempre parece mudar todo tipo de pessoa que encontra, como aquele jovem que você enfrentou outro dia, o Midas, você ouviu que ele resgatou uma princesa de um bando de trolls e até nadou na lava pra manter a garota segura.
Não pude conter meu choque em ouvir aquilo, eu sabia muito bem que o Midas já tava envolvido em mais de 1001 coisas diferentes, mas wow, ainda era impressionante ouvir isso pessoalmente.
Antônio: não, essa dai e nova
Mestre: por isso que eu quero que você seja um professor, você pode falar que não tem paciência com crianças, mas pelas histórias que eu ouço, sei que você tem um certo nível de paciência, e eu queria poder ver isso de forma mais oficial
Antonio: infelizmente eu sinto que isso vai ter que continuar sendo coisa não oficial, a falta de compromisso e o fato de que eu não sou obrigado a ajudar as pessoas que eu ajudo, além do fato de que 90% da vezes as pessoas são grandes ou pelo menos maduras o bastante pra não ficarem batendo a cabeça comigo o tempo todo ajuda bastante também. Eu sinto que se eu deixar tudo oficial, muitas, e e digo muitas coisas mesmo vão ficar complicadas a ponto de que eu não vou conseguir mas ensinar ninguém, entende o que quero dizer?
Meu mestre era alguém que eu confiava bastante, e uma prova disso é que ele não me deixou desconfortável em nenhum momento desde que eu entrei ali, mas a próxima fala foi o que fez eu ter certeza de que ele realmente me entendia.
Mestre: com você fazendo um esforço tão grande pra me explicar, como eu não entenderia? Eu já sei o que você quis dizer com todo o lance de “eu só preciso de mais tempo”...haaaaa, mas ainda é meio triste como nunca vou ver em vida meu aluno virar o grande professor que tenho certeza que ele é
Antonio: e lhe garanto que irei lhe dar um espetáculo inesquecível abaixo das estrelas quando me transformar em um professor
Mestre: acredito em você, agora vá pra casa, sua donzela está te esperando.
Eita, a Dandara, eu me esqueci da Dandara, e deveria ganhar o prêmio de “pior marido do mundo” depois dessa, cara, por que a minha vida era tão corrida? Ultimamente, eu sentia que se eu pudesse sentar pra respirar já seria muito.

