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A passagem de uma vida🌻3
🙂‍↕️😁pescas e batalhas😁🙂‍↕️
1962 palavras • 11181 caracteres • ⏱ 7 min 51 s

🙂‍↕️😁pescas e batalhas😁🙂‍↕️

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Eu acabei negligenciando muito meus amigos, eu sentia isso em minha pele, mas eu não conseguia me culpar muito, a palavra “doida” nem chegava perto das coisas que aconteceram comigo nesses últimos meses, e quando eu entrei novamente no mar vermelho com o Brutus, ele pareceu entender perfeitamente o “pedido de desculpas” que eu queria fazer, mas ele não falou nada, pelo menos não inicialmente.


Enquanto nós estávamos em alto mar, e passamos por cada tipo de coisa apenas para pegar os peixes, assim que nós chegamos novamente na terra, depois do que passou uma eternidade, começamos a comer os peixes. Eu tinha ficado muito melhor em descascá-lo, e quando nos sentamos, eu falei na cara dura o que eu tava pensando.


Antonio: você tá com raiva de mim?


Brutus: raiva? Por que eu teria?


António: agente acabou não saindo muito esse ano


Brutus: agente saiu bastante


Antonio: e, mas…não só nós dois como agente fazia antes, e sempre eu você e mais alguém, e…sinto que to te tratando mal


Brutus: garoto semana passada você me arrastou pra uma ilha que exportava sacos de pancada e me deixou bater nas coisas por quase 10 horas seguidas.


Antonio: pera, que? isso aconteceu mesmo?


Brutus: unhum, foram as 10 horas mais bem gastas da minha vida


Antonio: imagino…haha, e estranho isso mas, eu não lembro direito de muitas coisas que acontecem, eu sei que você não me enganaria, mas eu sinceramente não consigo lembrar sequer do que eu comi no café da manhã, entao nao to impressionado que eu me lembro disso


Brutus: ao mesmo tempo que eu enxergo isso como algo bom, consigo entender como isso pode ser ruim pra muitas pessoas, claro, você pode não se lembrar das coisas legais que agente fez, mas eu vou sempre estar aqui pra te lembrar, e você também passou por muitas paradas bem pesadas ultimamente, paradas que eu tenho certeza que você não vai querer se lembrar, então é tudo natural, só não pense demais nisso tá bom, nós estamos bem


Antonio: se você diz.


E depois de comermos mais um pouquinho, eu fiz a pergunta de 1 milhão de dólares.


Antonio: e como você tá com a Nala?


Brutus: hmhm, ótimo, parece que ir devagar e aproveitar o momento realmente ajudou, e eu conversei com ela, bastante, e apesar da gente ter uma briga ali ou aqui, sei que agente sempre vai conseguir ficar tranquilo no final da noite, entende?


Antonio: perfeitamente mano.


E com um sorriso, voltei minha atenção pro peixe, enquanto eu sentia uma ânsia incontrolável crescendo dentro de mim, uma que eu pude apenas dar atenção depois de terminar o peixe, e depois de me olhar nos olhos, o Lobo pareceu ler meus pensamentos.


Brutus: eu sei, eu sei, vamos, já faz muito tempo.


Esse era realmente meu amigo, sem trocar muitas palavras, ele entendeu o que eu queria, então nós andamos bem devagar, até uma arena localizada dentro do reino dos elfos, eles não viram problema em nos deixar entrar, e quando eu entrei lá dentro, fiquei impressionado em como o Brutus estava com sua armadura no corpo, com a diferença que o controle de aura dele ficou tão poderoso que ele conseguia derreter a armadura a ponto dela ficar como um líquido em seu corpo, e logo depois ele conseguir a esfriar e endurece-la totalmente em seu corpo, junto de sua bela espada.


Antonio: nem lembro da ultima vez que nós fizemos isso


Brutus: isso significa que quem ganhar essa será o grande vencedor de todas as nossas batalhas antigas


Antonio: você só fala isso porque você perdeu a última vez


Brutus: e, talvez.


O Brutus então se preparou pro ataque, e um fenômeno interessante aconteceu com nós dois, diferente de todo o poder explosivo e destrutivo de fúria que gastei com meu pai, e toda a alegria e euforia que gastei com o Midas, naquele momento, eu me sentia diferente.


Nenhum de nós dois usou 1% de mais magia e aura do que o necessário, pra quem olhasse de fora, ia até parecer que nós somos assassinos pelo quão discretos nossos poderes eram, e talvez nós fossemos mesmo, porque naquele momento, éramos como predadores, analisando o outro como nossa presa.


Muitos entendiam errado o que era ser um predador, pra muitos ser um predador e ser assustador, implacável e violento em todos os momentos. Mas era bem o contrário, predadores de verdade, ou pelo menos sua maioria podiam ser descritos como assassinos, porque eles ficam horas parados no mesmo lugar, podem ficar até dias sem comer ou se mover apenas pela chance mais leve de achar um “fraco” no meio do bando, um ponto vulnerável, e matá-lo antes da presa sequer ter tempo pra reagir.


É isso que eu e o Brutus estavamos tendo agora, com certeza era isso, nos não iriamos fazer reviravoltas, não iamos alongar isso, e nem guardar poder, tanto eu quanto eles colocamos todo o nosso poder no único ataque que ia direto para nós, me sentia um cowboy pronto para um duelo ao meio dia da cidade, uma batalha decidida com um único golpe.


E então o Brutus disparou, na investida com menos de um segundo dele, tive milhares de planos e estratégias vindo na minha cabeça, planos que descartei de última hora por causa da falta de tempo, enquanto o Brutus parecia passar pela mesma coisa, até que ele se decidiu, mudando sua espada pra uma grande revoada de águias na minha direção, e pra contra atacar aquilo, tudo que eu consegui fazer foi preparar meu feitio de primeira página do meu grimório de golens.


Naquele momento eu senti algo através da grande revoada de pássaros que o Brutus fez, eu vi os dias em que ele treinou aquele golpe até as mãos dele ficarem em carne viva, e depois ele apenas passar sal nas feridas pra esterilizar e depois continuar treinando; Também vi todas as pessoas, de inimigos, parceiros de treino e até grandes mestres que ele derrubou com essa técnica; Também vi todos os momentos em que ele pensou em desistir, mas imaginando como eu não desistiria, ele se motivou a continuar, mesmo parando um pouco pra respirar antes de continuar; E também vi todas as técnicas e lugares que ele teve que viajar para conseguir aprender aquela técnica naquele nível.


E como resposta, eu inconscientemente, mostrei todos os dias em que eu fiquei afundado nos livros até eu dormir com o rosto afundado em um livro de estudo aberto; Mostrei a ele todos os lugares que apesar de eu me divertir, me ensinaram bastante tanto sobre minha magia quanto sobre mim mesmo; Me lembrei de todos os lugares que eu fui tanto pra aprender quanto pra aproveitar, tudo porque em algum lugar dentro de mim, eu sabia que eles iriam gostar muito de fazer aquilo se estivessem no meu lugar; E principalmente, mostrei a ele todos, desde animais, a bandidos, a outros mestres, até chegar nas grandes batalhas que eu tive com todo mundo até chegar aquele ponto.


Não era apenas poder, esforço e experiência. Era história, duas histórias de amigos, rivais e irmãos contadas em um intervalo de um golpe. O meu raio de luz da página número 1 atingiu a debandada de aves de ferro do Brutus em cheio, criando uma explosão tão grande, que qualquer um que estivesse olhando nossa luta estivesse nas câmeras teria ficado cego instantaneamente.


O Brutus passou por mim, eu senti como ele ganhou uma boa armadura, ela estava intocada mesmo depois de ganhar um golpe daqueles, assim como meu manto de couro de dinossauro estava também sem nenhum arranhão. 


Por um momento, tudo ficou calmo e silencioso, nos dois respiramos bastante por alguns segundos, até que joelhos bateram no chão. Eram os meus.


Eu senti antes de me ajoelhar, todas aquelas águias, acabaram se juntando no meu peito, eu tinha conseguido sim acertar ele, mas ele também me acertou. Meu feitiço o atingiu no ombro, mas de forma proposital, onde ele sacrificou o próprio ombro pro ataque dele chegar até mim.


 Um sacrifício que foi recompensado com um golpe que pareceu me atravessar como se fosse um fantasma, ao mesmo tempo em que ele pareceu me cortar de forma bem real.


Era engraçado, o golpe havia passado por toda as minhas defesas, e me causado o sentimento que todo o meu corpo foi partido em dois, mas quando meus joelhos bateram no chão, vi que eu não estava partido, eu não estava sequer machucado, eu tava apenas sentindo dor, e eu fiquei honestamente surpreso com o que nós fizemos, mas a minha surpresa apenas se completou quando eu olhei minha mão depois de sentir que ela estava mais gelada.


Tinha alguma coisa na minha mão, tinha a consistência de sangue, mas brilhava em um azul neon absurdamente forte. Quando eu olhei aquilo, não pude me controlar e fiquei totalmente maravilhado com o que eu via, por alguns segundos, pensei que estava olhando a face da Criadora. 


Num simples sentimento de pura contemplação, olhei pra trás, procurando o Brutus, e lá estava ele, em pé, mas com o mesmo sangue neon descendo pela ferida que fiz do ombro dele até chegar no lado oposto da cintura dele, mas com o neon dele sendo vermelho.


Nós dois olhamos de forma contemplativa um pro outro, e vendo como eu não conseguia colocar mais força nas minhas pernas para sair do lugar, o Brutus andou até mim, até que as pernas dele começaram a tremer e ele se sentou no chão também. E vendo mais de perto o sangue neon de nós dois, ambos começamos a rir, era dito que um fenômeno desses era tão complexo que nem tinham estudos direito de como fazê-lo.


Antonio: hahahahaha, a minha magia ta vazando pra fora do meu corpo


Brutus: o mesmo pra minha aura


Antonio: cara, o que será que agente fez?


Brutus: eu não faço ideia…


O Brutus então levantou sua mão que agora está suja com aquele sangue em neon vermelho, como se estivesse tentando completar um quebra cabeça que estava com as peças faltando.


Brutus: mas sinto que deve ter alguma coisa a ver com agente fez…não somos os primeiros a passar por isso, mas podemos ser os primeiros a descobrir


Antonio: eu duvido, tenho certeza que se a gente procurar no lugar certo, agente pode encontrar muitas pessoas que já passaram por isso


Brutus: talvez, mas podemos ser os primeiros a descobrir tudo do nosso jeito.


E levantando novamente sua mão ensanguentada, como se aquilo fosse a prova pra comprovar sua hipótese, o Brutus continuou.


Brutus: você sempre fala coisas como “não quero reinventar a roda”, mas isso não é uma roda rapaz, eu garanto…


E então ele olhou mais pro meu sangue de mana, estando bem fascinado por ele também, mas ele voltou ao que ele mesmo estava falando e continuou.


Brutus: isso estaria mais próximo de reinventar a carroça inteira, não, eu vou além…isso, e como reinventar o trem…sim, pode ter alguem que ja sabe o motivo dessas coisas acontecem, mas está explicado do jeito dele, nós podemos encontrar uma explicação totalmente diferente com nossas próprias palavras, criar o nosso próprio trem, você tá me acompanhando?


Antônio: bem até demais, eu já fui a palestras o suficiente pra saber o quão diferente pode ser tentar entender algo pela explicação de alguns e entender algo pelo seu próprio raciocínio, por conta própria e usando as suas palavras.


E com um sorriso de alguém que já venceu, o Brutus falou.


Brutus: Antonio, você me daria a honra de ajudar em minha pesquisa?


Antonio: claro, nada me deixaria mais feliz.


E me levantando junto do meu amigo, eu apenas pensei o quanto eu tinha tanto o que fazer ainda, e eu tava apenas começando.


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