Eu sabia que esse dia chegaria, desde minha última luta com a Saytus, eu me preparei bastante para o dia em que “ele” voltasse.
As viagens que ele fez, as pessoas que ele conheceu, os feitiços que ele aprimorou, o corpo que ele aperfeiçoou, eu queria testar tudo isso, eu queria sentir na pele toda a dedicação que aquele HOMEM, não menino, HOMEM, passou para conseguir me enfrentar.
Então enquanto meu manto era feito, aprimorei o Alef e o Yago, tentei criar um terceiro Golem temporal, começando a pensar que isso seria inútil e que era mais fácil aprimorar os dois que eu já tinha, além de aprimorar ainda mais seus feitiços nomeados, colocando detalhes que seriam difíceis de colocar se eu não estivesse pensando que “ele” estaria um milhão de vezes mais forte agora, porque eu tinha certeza absoluta que ele estava.
Ele realmente aprendeu a ser mais cortes, o garoto esperou que meu manto ficasse pronto apenas para me mandar a carta, e apesar dela estar bem menor, eu reconhecia cortesia que em algum ponto, ele desenvolveu para lutar comigo.
Para o meu grande mentor, e voz da razão em momentos de crise, Antônio Carvalho.\n\n
Terminei meu treino escolar e passei por um retiro de autoconhecimento por todo o mundo e sinto estar preparado para finalmente clamar minha primeira vitória com o senhor.\n\n
Caso esteja interessado, estarei lhe esperando no campo de combate dos gigantes, além das nuvens.\n\n
Assinado. Midas.\n\n
\nAi, Midas, aquele Sapien maluquinho já havia passado por tanta coisa comigo, fiquei realmente na dúvida se ele realmente poderia me vencer, mas seria bem divertido se ele conseguisse realmente me vencer.
Eu cavalguei com o Zorro até a ilha dentro do mar branco que ele falou, pois a ilha mencionada na carta era uma ilha que ficava em um ponto totalmente desabitado, onde não existia vida marinha, pedras para pessoas caírem, recursos preciosos, nada, apenas aquele pedaço de nuvens mais forte que os outros, um local perfeito ao nível de intensidade de batalha que iremos ter.
E como eu lembrava, aquela ilha não era nada além de um grande círculo com mais de 100 metros de diâmetro, não havia proteção ou coisas do tipo pra impedir as pessoas de cair, se alguém chega ao ponto de conseguir chegar até aquela ilha, todos decidiram que não era necessário qualquer tipo de proteção.
E a única coisa diferente daquele círculo de pedra, era o próprio Midas, ou Midas de ferro, como as pessoas o chamavam agora, uuuuuh, e olha como ele estava diferente…e ao mesmo tempo igual, os cabelos loiros e ondulados, a barba por fazer, e a branquitude da pele dele continuavam iguais, mas todo o resto tava diferente. O Midas estava com uma bermuda de batalha, sandálias e uma regata com um grande número 8 no peito, que eu tinha uma ideia bem intuitiva do que deveria ser.
Quando o rapaz me viu, ele falou, com uma voz de homem de verdade, cheia de confiança, poder e força.
Midas: a quanto tempo professor
Antonio: eu não te ensinei nada, não mereço o titulo de professor
Midas: errado em 50 formas diferentes, mas não irei me alongar no discurso, não é por isso que viemos aqui.
Agora o loiro tava falando minha língua, eu já estava com o Alef e o Yago preparados, graças ao pequeno truque que eu aprendi no caminho pra cá, e como ele prometeu, ele não enrolou.
Ainda sem um cajado, Midas usou a magia dele concentrada em seu peito, e assim como eu pensei, o número 8 não estava apenas na camisa dele, mas na pele também, ele conseguiu, ele chegou ao nível arcano do feitiço da oitava página, permitindo que ele conseguisse fazer coisas como colocar um feitiço de oitava página um em cima do outro 100 vezes. Era como se ele tivesse evoluído de um gatinho para um tigre dentes de sabre em menos de 1 segundo.
Nossa, aquilo era realmente preocupante, mas não fiquei com medo, pois enquanto o Midas fazia o truquezinho dele, eu concentrei minha magia para criar o Alef, mas usando uma magia de distorção, eu fiz com que um Alef de 12 segundos tivesse a força e a velocidade de um Alef de 4 horas, junto com o feitiço de oitava página em todo seu corpo e o feitiço de primeira página incrustado em sua espada.
Os dois avançaram um na direção do outro, e como sempre, o Midas se recusava a usar armas e enfrentou o Alef apenas com suas mãos totalmente robóticas, e eu apenas fiquei ali, tentando recuperar meu corpo da melhor forma que podia, pois a luta do Midas com o Alef era tão complexa que eu não podia piscar em nenhum momento, senão eu podia muito bem perder a cabeça.
O Midas e o Alef perdiam peças a rodo, mas quando um pedaço era destruído, a força de sentimentos e magia tanto do Midas, quanto do Alef faziam os pedaços se desfazerem em mana pura e desaparecerem no próprio ar, e olhando no chão, eu me impressionei que a intensidade daquela magia era tanta que plantas estavam nascendo do chão, mais precisamente, flores de mana, e depois de alguns golpes, as flores foram pegas por um vento poderoso e foram jogadas no próprio ar.
A batalha dos dois pareceu durar apenas 1 minuto, mas para nós em nosso mundinho super lento, mais de 10 milhões de golpes foram trocados entre Alef e Midas, as armaduras estavam deformadas, e meses haviam se passado apenas naquele minuto em tempo de troca de ataques.
A Minha magia já estava cheia pela metade, enquanto eu tinha tentativas fracassadas de levar qualquer outro golem pra ele, pois a intensidade dos golpes era tanta que qualquer outro golem, não importa com quais feitiços estivesse misturado, não conseguiam se meter na luta entre os dois.
O Alef manteve o Midas ocupado como um campeão, mas o número 8 que estava estampado no peito dele não era apenas de enfeite, mesmo depois de tanto tempo, o Midas quebrou a espada do Alef, destruiu as pernas dele, e o estraçalhou até o golem não poder mais ser invocado, ainda tendo força na armadura pra não ter nenhum outro arranhão no resto do corpo.
Mas assim que ele foi até mim de novo, 5 minutos já haviam se passado, então eu consegui magia o suficiente para invocar o Yago, que disparou milhares de flechas mágicas nele, flechas com feitiços variados, variando de água até gravidade e ate impacto puro, deixando o Midas na Defensiva.
Isso pelo menos foi o que eu pensei, mas concentrando sua força em seus punhos, o Sapien disparou um punho de puro vapor no Yago, que apesar de ser vapor, se tornou sólido em segundos antes de acertar o golem em cheio, mas eu cuidei bem do Yago, bem o suficiente para algo assim não o afetar mais, tudo enquanto eu tambem coloquei o capítulo 8 e o capítulo 10 incrustado nele, fazendo a armadura do Midas ficar ainda mais danificada.
A troca de golpes entre nós nesse momento foi diferente, agora, ao invés de flores, lagartas pareceram ser criadas e se alimentarem do pedaços destruídos da magia dos dois, lagartas famintas que comeram até crescerem completamente e abrirem suas asas, asas tão coloridas que eu me esqueci por alguns segundos que eu estava no meio de um duelo.
Eu mal tinha percebido, mas quando senti meu olho esquerdo doendo, percebi que eu estava gravando cada resquício daquela luta, não era surpresa até certo ponto, mas mesmo assim, eu estava impressionado, muito impressionado, enquanto via o Midas sorrindo, mesmo por baixo de todo o metal que criou, eu mentalmente pensava que nunca vi uma batalha tão bonita como aquela.
E como toque final, olhando ao redor, vi que todo o mar branco estava fazendo um vórtice, mas ao contrário, como se a própria água estivesse querendo participar daquela luta frenética que nós estávamos tendo, e eu amava de paixão cada segundo daquilo.
E quando foquei no Yago de novo, vi como ele tinha sido perfurado no peito pelo braço da armadura robótica do Midas, eu não tentei salvá-lo, eu entendi na hora que seria uma causa perdida, então só me foquei em me preparar, respirei fundo e me preparei para a grande batalha que iria acontecer.
O Midas correu com toda a velocidade até mim, e sem sentir nenhum unico arrependimento, foquei toda a minha magia, não pra criar uma armadura, mas criar o feitiço mais poderoso que eu conseguia do feitiço 9, com toda a experiência que eu tive eu permiti que o Midas chegasse bem perto de mim, enquanto eu pensava “mais pesado, mais rápido, mais forte, e mais magia”.
Eu contei, se eu não me importasse de cair morto no chão, eu poderia criar 90 bolas, então eu teria que parar nos 80. Firmando meus pés no chão, e me preparando pro coice, vi o Midas desviar do meu cajado, pensando que minha bola de chumbo iria vir do meu cajado, coitado, ele chegou bem perto de pegar o meu rosto, mas antes dele me atingir, com máquinas ou com vapor, disparei mais de 50 bolas de chumbo do tamanho bolas de boliche bem na cara dele, cada uma com o peso de um prédio de 40 andares bem na cara dele, e eu vi as peças de máquina dele voando por todo o lado, e sempre que um pedaço da máscara de ferro dele caia, eu conseguia ver o grande sorriso na cara dele.
O meu braço tava sofrendo uma dor absurda pelo coice de eu fazer um golpe tão absurdo, mas eu nem liguei e continuei disparando, disparando, e disparando, e no meio da loucura, eu olhei ao redor, e vi como núcleos de golem estava sendo criados por nós, enquanto as borboletas arco íris dançavam no ar, e agora, as florzinhas que antes voaram pra longe voltavam com um forte vento, enquanto o grande aroma de flores deixava minha mente entender que aquilo era tudo menos uma batalha.
Então eu vi, o Midas aguentando as bolas depois de chegar na bola número 70, ele já havia perdido toda a armadura, mas ele continuou avançando, recebendo os golpes no corpo, e enquanto o sangue escorria, eu via como ele deixou o corpo dele tão duro que nem as últimas 50 bolas de chumbo o pararam.
Percebi tarde demais como eu passei muito do limite, eu nem percebi quanta magia eu gastei, mas eu sabia que havia exagerado mesmo quando o Midas estava prestes a acertar o meu rosto, mas a minha falta de magia estava me apagando antes mesmo dele acertar meu rosto, e pela cara de felicidade e frenesi do Midas, eu sabia que ele tinha muita magia pra gastar.

