Depois de eu perder meu querido manto de pele de dinossauro, eu fiz uma questão principal conseguir fazer um igual ou se possível fazer um melhor ainda, e quando eu falei aquilo para a Saytus, ela falou que sabia o lugar perfeito para eu conseguir o que procurava, e falou que seria melhor eu chamar o pessoal todo pra isso.
Antonio: pra onde você vai levar agente? O torneio de triceratops desse ano já passou
Saytus: não, não o torneio de triceratops, vai ser algo muito mais interessante.
A Saytus, uma fada, falando que algo era interessante? Não tinha chance nenhuma daquilo acabar bem, mas apesar dos meus receios, juntos com o receio de todo o pessoal, agente confiava na Saytus, e sabíamos que ela não ia levar agente para a morte, na teoria.
E depois de eu falar com o pessoal, eles acabaram concordando de vir comigo, pelo visto, se souber usar direito, o couro de dinossauro era algo capaz de ter 1001 utilidades diferentes, então todo mundo queria um pouquinho.
Eu não tava nem um pouco confiante em ir pra qualquer lugar com um manto mais frágil, mas a Saytus garantiu que aquilo era desnecessário pro que agente iria fazer. Bom, eu fiquei em dúvida sobre o que ela falou quando ela começou a nos levar para o interior profundo da floresta da fada, um grande labirinto cheio de fadas primitivas, criaturas mágicas, e todo o outro tipo de armadilha pra manter qualquer um que tentasse pegar a flor da samambaia bem longe dela.
Mas a Saytus conseguia se mover sem problema nenhum ali dentro, e eu mesmo estava impressionado como muitos bichos ali não conseguiam me impressionar, da forma que eu conseguia aceitá-los e os fazer fugir antes mesmo de deixá-los entender o que atingiu eles pra inicio de conversa.
Antônio: eu não perguntei, mas onde nós estamos indo exatamente?
Saytus: no ponto de cavalgada.
Eu não entendi direito o que a Saytus quis dizer com aquilo, mas depois de adentrarmos um pouco mais pra dentro da floresta, vimos uma comunidade de fadas diferente, a carapaça que a Saytus se destruiu e passou poucas e boas pra conseguir, cada fada daquele lugar parecia ter normalmente, o que me deixou impressionado.
Saytus: não fica tão de boca aberta, uma carapaça desta é o mínimo pra sobreviver aqui
Antonio: sério? isso me faz pensar que tipo de couro de dinossauro eu vou conseguir aqui
Saytus: EU TE GARANTO RAPAZ, O COURO QUE VOCÊ VAI CONSEGUIR AQUI VAI FAZER COM QUE AQUELE COURO DE PRÊMIO QUE VOCÊ RECEBEU PARECER UMA TOALHA DE PANO, HAHAHAHAHA
Antonio: eu vou cobrar essa promessa, você sabe disso
Saytus: eu sei disso, por isso tô confiante de que você vai gostar
Antonio: gostei da sua confiança, vamos ver se ela vai valer a pena de acreditar
Saytus: ah, você vai poder confiar em mim apenas olhando, olha, chegamos.
E então eu vi, era uma montanha que...em poucas palavras exalava medo, não tinha uma única grama, musgo, inseto, ou qualquer tipo de vida lá, ela não exalava morte ou algo do tipo, mas um medo primitivo emanava daquele lugar, era apenas uma pedra simples e pura, uma falta de vida que assustava nossos cavalos de forma instantânea, eu olhei para a Saytus de novo, mas ela não parecia nem um pouco surpresa disso ter acontecido.
Saytus: ah, eu esqueci de avisar, mas a partir daqui agente vai ter que ir voando, não é problema pra vocês né?
Todos: nem um pouco.
E depois da Saytus abrir suas asas, cada um começou a voar de seu jeitinho, não sabia o que esperar lá de cima, mas até depois de passar por todas as coisas estranhas, a floresta estranha, as fadas super fortes e até essa montanha sinistra, eu tinha certeza que a Saytus tinha um bom motivo pra fazer isso, e se ela não tivesse, eu poderia resolver tudo saindo na marra, seria triste perder uma amizade duradoura depois de tantos anos, mas é a vida.
Eu saí do meu turbilhão de pensamentos quando vi onde nos estávamos, um grande estábulo, onde tinha um carnotauro super selvagem, com cicatrizes de batalhas antigas, sedento por sangue e faminto por carne. Esperando alguem tolo o suficiente pra entar ali dentro, e eu tinha cetesa que esse idiota seria eu.
A Saytus ignorou o carnotauro e foi direto a um canto onde uma Fada estava descansando com um chapéu cobrindo a cabeça, uma coisa que eu descobri ser bem comum com caras poderosos que trabalham em lugares isolados assim.
Saytus: ola?
Fazendeiro: segue reto até achar uma arvore que parece um punho, e depois vira a direita
Satus: ah, não, eu não tô perdida
Fazendeiro: sim, você está perdida se você pensa que pode cuidar do meu carnotauro.
E tirando o chapéu de cima da cabeça, a fada mostrou um rosto debochado, daqueles que mostra que ele encontrou muitos jovens que não conseguiram passar no teste que eu estava lentamente entendendo o que era.
Fazendeiro: mas se vocês querem virar comida de dinossauro, quem sou eu pra negar, venham.
E então o fazendeiro fada nos levou até a jaula do carnotauro de novo, e quando o dinossauro viu agente se aproximando, ele olhou cada um de nós, como se tivesse tentando adivinhar qual de nós iria devorar primeiro. Isso até o Fazendeiro usar uma magia para paralisá-lo por alguns segundos
Fazendeiro: então, qual dos aventureiros quer ir primeiro?
Antonio: eu, senhor
Fazendeiro: então venha comigo.
Eu segui o fazendeiro com bastante cuidado, subindo no dinossauro paralizado e encontrando a cela dele.
Fazendeiro: não se preocupe, eu não sou um monstro, a pele de dinossauro que você procura é possível de conseguir ficando em cima desse cara por 1 minuto, só 1 minuto.
Eu não disse nada, nem que era "muito", nem que era "pouco", eu sabia o quão diferente coisas como essa poderiam ficar com o passar do tempo, 1 minuto em uma água quente e 1 minuto em uma água fervendo a ponto de queimar era algo diferente, e o Fazendeiro percebeu, dando um sorriso ainda maior.
Fazendeiro: um profissional, olha só, parece que me preocupei a toa.
E quando o Fazendeiro falou aquilo, ele foi pra porta, fechou a jaula, e me deixou ali, sozinho com o grande carnotauro finalmente se libertando. E quando ele se libertou, ele logo tentou me desestabilizar rugindo com a maior força que conseguia, e por mais irritante que aquilo fosse, eu aguentei.
Então ele começou o showzinho dele, ele logo começou a correr, pular, saltar e fazer vários movimentos diferentes pra me jogar pra fora do corpo dele, mas por mais que eu tivesse que ter muito mais cuidado, que eu tivesse que ter muito mais cuidado pela força extra do carnotauro e pela mudança de ritmo absurdamente mais brutal e repentina do que qualquer outra coisa que eu já cavalguei, eu ainda mantinha a mesma ideia que me permitiu durar tanto em outros cavalos e outras criaturas místicas, o controle de cintura, enquanto eu conseguisse manipular e jogar minha cintura pro lugar certo, tudo ficaria bem.
Bom, isso eu pensei, até que o carnotauro começou a se jogar nas paredes das grades, e se derrubar no chão, eu durei o máximo que eu conseguia, mas não tendo uma pele de dinossauro, eu tinha medo, muito medo de algo ruim acontecer comigo, então eu saltei pra longe quando ele começou a fazer aquilo.
Eu pensei em voltar, mas assim que eu sai dali, o Fazendeiro fada me agarrou e me tirou da jaula. Apesar de estar triste por não ter durado tanto, vendo o rosto do Fazendeiro, junto com o tecido absurdamente poderoso e que exalava uma energia inigualável nele, eu sabia que tinha conseguido.
Fazendeiro: (assovio) 3 minutos e meio, faz um bom tempo desde que eu não vejo ninguém durar mais do que 1 minuto ali, aqui rapaz, você merece.
E com uma casualidade absurda, o Fazendeiro fada arremessou o couro de dinossauro pra mim, e no mais puro instinto, eu o desenrolei, vendo um couro tão duro, com tantas penas e com tanta mana incrustada nele naturalmente, sem a necessidade de nenhuma "purificação" para virar uma roupa, eu tinha certeza que a Saytus estava certa.
Saytus: e ai? Gostou?
Antonio: e, eu gostei muito, agora é só torcer pra que o costureiro consiga dar um jeito nisso.
E depois que eu consegui aquele tecido, eu esperei os outros conseguirem um pouco, o Brutus conseguiu fazer um imenso malabarismo, fazendo com que ele conseguisse se manter por 10 minutos naquele carnotauro. Eu vi ele correndo no corpo do carnotauro, se apoiando apenas com suas garras em um lado enquanto o carnotauro se jogava na parede, ele apenas saiu dele quando ele fez uma pegada errada e saiu voando pra bem longe dele.
10 minutos, o fazendeiro estava bem impressionado com o que o lobo fez, mas ele manteve o profissionalismo e deixou a Dandara ir logo depois, e foi impressionante como ela parecia tão tranquila em cima do carnotauro, considerando as estrelas que a garota conseguia me dar, eu não devia me impressionar tanto que o controle de cintura dela era tão bom, mas aqui estava eu, achando incrível o quanto minha esposa conseguiu manter o equilíbrio tão bem que a parte de cia do corpo dela sequer se mexia. Ela foi a única que conseguiu ficar em um tempo de 1 minuto perfeito.
Fazendeiro: parar um minuto certinho de propósito é mais impressionante do que quase conseguir aguentar um minuto, você é boa garota
Dandara: não é meu primeiro rodeio
Fazendeiro: imagino.
Então, depois de um sorriso maligno que a Ruiva deu pra mim, a Saytus finalmente foi, eu tinha certeza que ela iria ficar no mínimo meia hora se quisesse se exibir, e pararia em um minuto inteiro se quisesse apenas o prêmio.
Mas, em uma espécie de demonstração estranha que eu não vi, a Saytus fez os dois, e ao mesmo tempo nenhum dos dois, ela mostrou a determinação e a calmaria do Brutus, conseguido se agarrar em ângulos impossíveis naquele carnotauro, ao mesmo tempo que mostrou a técnica de Dandara que parecia uma máquina de montaria de tão tranquila que ela estava desviando dos esmagamento a e das roladas do dinossauro, enquanto ela tinha o mesmo jogo de cintura da ruiva.
E quando se completaram 3 minutos inteiros, a garota saiu do Carnotauro, sem nenhum problema ou preocupação, e o Fazendeiro nem mesmo se impressionou com o que a garota fez, ele apenas deu um sorriso largo e falou.
Fazendeiro: não esperava nada menos depois de ver seus amigos, aqui o seu.
E conseguindo o seu próprio tecido de dinossauro, a fadinha ficou muito feliz, e bateu palmas no ar com seus dois braços livres enquanto pulava no ar.
Antônio: já, isso é bem legal, aí, me falam, o que vocês vão fazer com seus tecidos
Dandara: vou fazer um manto como o seu, e usar as penas pra fazer uma vassoura bem especial
Brutus: eu vou colocar na minha armadura, como um segundo tecido
Saytus: eu vou comer.
Nós três olhamos para a fadinha, enquanto o Fazendeiro ria, comigo já entendendo que aquela não era a primeira vez que alguém se impressionava com uma fada falando isso.
Saytus: eu amo pele de dinossauro, é a parte mais saborosa dele
Antônio: ah, claro, uma raça guerreira capaz de comer dinossauros, nem sei por que eu me impressiono
Saytus: eu posso te mostrar um lugar incrível para comer um pouco
Antônio: obrigado Saytus, mas eu vou dispensar por enquanto, pelo menos até meu novo robe estar pronto
Saytus: você que sabe.
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Algum tempo depois, consegui ir até a loja de costura que eu fui quando costurei meu primeiro manto.
Como eu lembrava, a loja não parecia se destacar das demais, mas pelos boatos, e de todos os magos que eu encontrei em minhas viagens por aí, aquela loja era super confiável, e super barata também, e essas duas coisas eram melhores do que qualquer luxo que uma loja super cara poderia dar, além de que ele parecia entender todas as loucuras e manias que os super sentidos da minha pele não conseguiam aguentar e fazia questão de fazer exatamente o que eu pedi, não se esquecendo de nada, me deixando muito feliz o tempo todo que ele fazia isso.
Quando entrei lá, ele me cumprimentou, e sem falar nada, eu apenas entreguei o novo tecido de dinossauro, o que o deixou sem palavras, a ponto de ele ter que usar uma lupa para analisar o tecido, cheira-lo, e até lambe-lo. Não questionei seus métodos, porque eu sabia que o profissional estava trabalhando.
Vendedor: ulala, que peça única, onde conseguiu isso? Andou fazendo coisas questionáveis por aí?
Antônio: nah, só umas viagens boas e conhecendo as pessoas certas, e aí, dá pra fazer algo com isso?
Vendedor: com certeza, mas precisarei de dias, não...meses, dois meses é o que eu preciso pra cuidar disso, espero que consiga esperar até esse momento chegar
Antônio: claro, claro, sei que esse carinha terá muito mais proteção que o outro, faz sentido você demorar mais, apenas não enrole mais
Vendedor: é claro que não senhor
Antônio: e não se preocupe, quanto vai ser? Quero já saber o que preciso guardar quando estiver pronto
Vendedor: umas 600 moedas de ouro.
Aí, 600, cara, aquilo teria me feito enfartar antes, mas agora aquilo apenas conseguia me fazer ter uma dor no coração.
Antônio: Nós nos vemos em duas semanas.
E saindo da loja, mesmo ainda com o manto mais fraco, eu sentia como o meu mais novo prêmio estava em excelentes mãos.

