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A passagem de uma vida🌻3
🥰❤️‍🩹🥳velha amiga🥳❤️‍🩹🥰
2045 palavras • 11475 caracteres • ⏱ 8 min 11 s

🥰❤️‍🩹🥳velha amiga🥳❤️‍🩹🥰

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levei uma semana inteira pra sair do centro curandeiro, o preço era meio salgado, mas considerando que para curandeiros iniciantes ou até intermediários, meus ferimentos eram incuráveis, pensei que deveria pelo menos estar feliz de estar inteiro.


Eu tava triste que o meu manto estava em um estado irreparável, assim que sai de lá, eu coloquei um manto mais confortável e fui ver o costureiro, e ele me garantiu que era bem mais fácil conseguir um tecido novo do que tentar consertar aquele…e eu concordei com ele, mas depois de ver aquilo, e ver como…eu já tinha passado muita coisa com aquele manto para só joga-o fora, pedi pro costureiro remenda-lo por razões sentimentais, logo que o costureiro entendeu bem rápido.


Droga, apesar daquele manto ser bem forte, eu tava bem assustado, fazia muito tempo que eu usava uma defesa tão “fraca” comparado ao que eu já tava acostumado, eu me sentia tão despido usando aquele manto, eu tinha certeza que iria ter que ir ao reino das fadas pra conseguir mais pele de dinossauro, mas isso podia ficar pra depois.


Quando eu tava em casa, tentei contatar a Rainha, tinha certeza que ela iria estar ocupada, mas então ela apenas me atendeu, me perguntou onde eu estava, e pediu que eu esperasse ela ali.


Apesar de eu admitir que era muito bom o disfarce da Rainha ser tão bom, ainda achava impressionante como a Rainha da nação conseguiu fugir de seus deveres apenas pra visitar um amigo. Pouco tempo depois, ela chegou na minha casa, e com o tempo que ela demorou, deu tempo de eu pedir para a cozinheira fazer uns biscoitos e um achocolatado pra ela.


E como eu esperava, ela tava usando o “disfarce” de nobre comum, e olha só, dessa vez a Bruna não tava ali com ela.


Antonio: sério, eu sempre fico impressionado com o jeito que você consegue escapar do castelo às vezes


Isabely: ah, e coisa que eu carrego comigo desde que eu era princesa, sabe, você tem que saber entrar pelos lugares certos se você quiser se divertir


Antonio: entendo completamente garota, então, o que você queria falar pra mim?


Isabely: antes de tudo, eu queria te agradecer por ter criado o Antonio 1.0, já fazia anos que eu não me divertia tanto


Antonio: você não tem parceiros de treino?


Isabely: eu até tinha, mas depois de um certo tempo, eles meio que desistiram de tentar lutar comigo, sabe do que eu quero dizer?


Antonio: entendo perfeitamente, afinal, sua magia e diferente da deles, sempre foi


Isabely: minha linhagem nao tem nada haver com isso


Antonio: e quem falou qualquer coisa sobre linhagem? não, o que te torna especial e algo que é muito maior do que simplesmente nascer com o sangue nobre.


Apesar de estar sem maquiagem, conseguia ver o interesse da garota, apesar dela ainda estar só com um bigodinho de achocolatado na boca pra me dar dicas do que ela estava pensando.


Antonio: quando foi que você aprendeu a estudar magia?


Isabely: acho que antes de eu me entender por gente, antes mesmo de ter o meu estalo infantil de. “eita, nossa, eu estou viva” eu já sabia algumas magias que muitos magos adultos tinham problemas de usar


Antônio: exatamente, muitos apenas entendem a magia depois de ficarem mais velhos, ou pelo menos completarem 10 anos, mas você não aprende a magia, você a vive, a sua vida inteira foi um estudo constante de pura dedicação, não é possível competir com uma magia como essa de forma fácil.


E novamente, a Rainha parecia estar pensando bastante no que eu falei, dando um sorriso orgulhoso, enquanto olhava pro céu muitas e muitas vezes, até finalmente falar.


Isabely: e você criou um golem capaz de me acompanhar


Antonio: eu disse muito dificil, não impossivel, eu posso garantir a você que o Antonio 1.0 não é um golem que pode ser vencido de forma fácil


Isabely: é, meu pai falou isso, ele entendeu de cara que não podemos produzi-lo em massa, então ele está tentando aprimorá-lo ainda mais, criar um Antonio 1.1 se por assim dizer.


Ver meu nome ser colocado dentro de um golem ainda era algo muito doido de pensar pra mim, e era ainda mais doido pensar que algo que eu apenas pensei e não tinha ideia que iria acontecer de verdade realmente acontecendo era doido demais pra minha cabeça ainda imatura demais entender.


Isabely: mas você errou em uma coisa


Antonio: jura? e no que eu errei?


Isabely: eu vivo a magia, mas a minha vida inteira não é a magia, ela é apenas um aumentador


Antonio: aumentador você diz?


Isabely: sim, como você chegou no ponto de envelhecimento dos ogros, e normal que você esteja demorando mais pra entender.


Antonio: pera ai como…do que que eu to falando, você é a Rainha, seria estranho se você não tivesse notado


Isabely: e uma mudança sutil, as pessoas vão começar a perceber só quando você chegar no ponto de envelhecimento dos vampiros


Antonio: você pode me dar um pouco de spoiler?


Isabely: eu to sentindo tudo de forma melhor, o sol parece mais gentil, o vento parece mais fresco, a própria água parece ser muito mais saborosa. Esse é um tipo de coisa que você só consegue sentir depois de entender que você não está usando a magia, que você está em uma grande roda natural, onde você precisa fazer sua parte e entender seu lugar no mundo capaz de finalmente entender por completo o poder que sua natureza pode criar


Antonio: então tá dizendo que, encontrar o seu “centro” pode te ajudar a ficar mais forte na magia?


Isabely: isso eu não sei, mas tá na cara que você já tá enrolado em seus próprios roles pra já ter uma ideia bem aproximada do que eu estou passando, me fala, qual é o seu lugar no mundo?


Antonio: acho que é lá fora, explorando tudo, eu me olho no espelho, e por mais contraditório que seja, sabe, por causa dos meus super sentidos, eu ainda me vejo como um homem que adora viajar e ir pra todos os tipos de lugares diferentes, me dá uma sensação tão boa visitar os lugares novos, comer coisas novas, ver gente nova, aprender sobre culturas tão únicas, é por isso que eu to tentando aumentar mas meu tempo de vida, eu sinto que pro que eu quero fazer, 120 anos de vida não é o suficiente pra mim.


Mesmo com o bigodinho de achocolatado limpo, eu sentia que a Isabely estava sorrindo de orgulho de novo, mas um orgulho de mim.


Antônio: mas me fala, e você?


Isabely: não é óbvio? Eu sou uma Rainha, eu me fiz uma rainha, e eu sempre quis ser uma rainha. Posso nunca ter me olhado no espelho, mas desde que eu era uma pirralhinha melequenta, eu tinha um orgulho imenso de tudo que os meus ancestrais construíram…tá, foi com a ajuda do Alaric, mas isso não é importante agora…


E mais uma vez, o invisível rosto de orgulho apareceu, enquanto ela acariciava o lobinho dela, o mesmo lobo preto que a ajudou a chegar até ali.


Isabely: esse reino me permitiu existir, pois se não entendêssemos como as coisas funcionam, eu com certeza teria sido sacrificada por mero capricho de algum cultista doido por aí. Também permitiu que muitas crianças que tiveram o azar de nascer sem magia conseguirem viver junto de seus irmãos, junto da confiança que ganhamos dos elfos, e dos estudos árduos de nossos compatriotas para implantar a magia artificialmente em recém nascidos…


Então, um rosto que eu imaginava ser e pura determinação foi formado no rosto invisível de Isabely, enquanto ela apertava o tecido de seu vestido com muita determinação enquanto falava.


Isabely: desde que eu era criancinha, eu ouvia historias de que é necessario apenas um lider incompetente para um legado incrivel ser destruido, algo que meus ancestrais fizeram questão de resolver depois de tudo que aconteceu para nos chegarmos nesse ponto que nos estamos agora…meu irmãozinho sentia medo quando ouvia essas historias, mas eu nem sentia nada quando eu as ouvia, na epoca, tudo que eu conseguia perceber e compreender era um pensamento bem simples…


E então, me olhando nos olhos, e bebendo a xícara de achocolatado toda num único gole pra ganhar força, a Isabely falou.


Isabely: “EU NÃO POSSO DEIXAR ISSO ACONTECER”.


Dessa vez fui eu que fiz um rosto de orgulho, um orgulho pra ela, pelo que a atual líder desse lugar estava disposta a fazer pelo reino. Mesmo não sabendo o que de tudo aquilo era verdade e o que era mentira, eu queria acreditar na Rainha, afinal, ela não teria nada a ganhar me enganando, e entendendo que podia falar mais, a Rainha continuou.


Isabely: desde que eu me entendo por gente…até os dias de hoje…e até eu morrer, tudo que eu fiz foi com esse pensamento em mente…as vezes eu me pergunto se eu estarei pronta pra quando as consequências das minhas ações chegassem, mas não importa o que eu precise passar, eu vou aguentar tudo que for possível para manter o legado da minha família vivo


Antonio: claro, o legado é algo importante, e sempre preciso manter o que manteve todos vivos, mas sempre pronto para substituir o que parou de funcionar


Isabely: hmhmhm, eu amo como você é tão bom em falar essas coisas


Antonio: hum, foi anos praticando com conversas no banheiro.


E com risadinhas, mais achocolatado, e mais algumas fornadas de biscoitos. (a cozinheira notou que uma fornada não ia dar e fez mais 5 enquanto nós conversamos). Agente continuou conversando, se eu podia pensar nela sem os títulos e apenas como uma pessoa, a Isabely era a pessoa perfeita pra conversar. E se eu fosse pensar nela com o título de Rainha, eu diria que ela seria alguém que eu lutaria para defender, e tinha certeza que isso deveria ser algo bom.


Isabely: ai, me fala do seu pai.


Eita, sabia que essa resposta iria chegar, mas eu não tinha medo da pergunta.


Antonio: o que tem ele?


Isabely: ficou bem claro pra mim que você cortou pra sempre os laços com seu pai, e eu queria perguntar como você tá? melhor? pior? a mesma coisa?


Antonio: todas as anteriores


Isabely: hmhmhm, jura? por que?


Antônio: eu me sinto melhor por finalmente ter resolvido as coisas com ele; eu me sinto pior, por que apesar de tudo, ainda fico triste pensando que eu não vou mais ver meu pai, porque no fim de tudo, eu ainda o amo; e eu ainda tô me sentindo a mesma coisa, porque no fim, nada mudou, eu continuo evitando meu pai e não ligando pra mais nada que realmente envolva ele. Eu não to sentindo apenas uma coisa, eu to sentindo todas elas, e é por entender isso que eu posso lidar com isso, e não acabar sendo pego num redemoinho de pensamentos que não entendo.


Eu conseguia ver, mesmo com o rosto sem maquiagem, que a Isabely estava com um rosto surpreso, mudando para o rosto surpreso bem devagar, até que ela falou.


Isabely: pelo jeito alguém fez o dever de casa


Antonio: como eu posso ousar viajar o mundo inteiro sem viajar o grande mundo dentro da minha cabeça? 


Isabely: otimo ponto…hihihi, é tão interessante conversar com voce (come um biscoito) e é tão confortável ficar na sua casa


Antônio: você não faz ideia de quantas vezes eu escuto isso, garota.


E além de tudo, essa conversa apenas mostrava que no fim, eu não era o problema, meu pai era, mesmo a rainha, a mulher mais rica, importante e forte de todo o reino conseguia conversar de forma totalmente calma, tranquila e descontraída comigo.


Ok, ela tava disfarçada e não tava usando a “máscara” de Rainha. Mas mesmo assim, mesmo quando eu e meu pai estávamos totalmente sozinhos, ele ainda era alguém totalmente ruim e desconfortável de se manter por perto…e mesmo triste com o que eu fiz, e com a sensação de que no fim eu não tinha mudado muita coisa, eu deixei que a felicidade que era eu ter finalmente dado um fim naquele ciclo de desconforto comandasse minha mente enquanto eu tinha um momentinho de felicidade com a Rainha do lugar.


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