A minha noção de tempo tinha ficado totalmente destruída com aquela batalha, eu só tinha certeza que pelo menos umas 2 semanas tinham se passado apenas no nosso combate até agora, eu não sabia exatamente o que aconteceu, mas eu apenas tinha certeza que eu fiquei muito tempo ali que das minhas 10 armaduras, de pouco em pouco eu fui perdendo.
Quanto mais nós lutavamos, o magma se agitava, até maremotos engolirem a ilha, várias tempestades acontecem por toda a parte, mesmo nós estando abaixo da terra, e até mesmo um grande redemoinho ter sido criado perto de nós, como se o próprio magma estivesse tentando fugir de nós.
Eu perdi 9 armaduras, mas eu fiquei tranquilo, porque comparado comigo, meu pai sangrava muito mais, a armadura dele já tinha parado de proteger o corpo inteiro dele, tinha cicatrizes bem antigas nele, mas eu nem ligava mais, eu apenas queria descarregar minha raiva nele.
O Alef, apesar de ser um modelo mais antigo, conseguiu atingir o meu pai muito mais, enquanto que o Yago apenas era útil para distraí-lo quando ele tentava um movimento absurdo. No fim, ele tentou uma combinação muito doida de golpes, caminhos e técnicas, que destruiu o Alef mais de 30 vezes, mas eu dei uma forma de desmontá-lo e montá-lo novamente no próprio ar enquanto meu pai ainda estava ali, e então o Yago conseguiu disparar uma flecha de raios continua em meu pai, que o irritou profundamente, e naquele momento, o Alef atingiu a garganta, os olhos e as genitálias dele, meu pai ainda tinha a armadura, então eu fiz o Alef atacá-lo com toda a força que ele tinha, eu sabia que ele iria aguentar, e por pior que fosse, eu gostei de quando o ouvi gritar de dor.
E novamente eu joguei a décima página nele 10 vezes, e todas as 10 vezes, não apenas parafusos, mas pregos, agulhas e até tesouras inteiras cortaram o corpo do meu pai por dentro, mas ele apenas aqueceu seu corpo por dentro a ponto de derreter o ferro e o forçou a voltar ao seu sangue, eu não queria falar nada, mas tinha que admitir que aquilo era muito maneiro.
António: ótimo, esse é um poder excelente, um poder muito bom pra alguém que dedicou sua vida às artes marciais.
Pai: VOCÊ QUER FALAR DE SACRIFÍCIO? ESSE SACRIFÍCIO QUE EU FIZ PERMITIU QUE VOCÊ TIVESSE ESSAS ROUPAS, ESSE PODER, TUDO QUE VOCÊ TEM HOJE E GRAÇAS AO MEU SACRIFICIO
Antonio: e isso é uma desculpa para você trair a minha mãe?
Pai: filho, eu já pedi desculpa por isso, não tinha o que fazer, eu sou fraco, eu não consigo me controlar com as mulheres
Antonio: jura? Ok, tudo bem
Pai: é sério? tá tudo bem?
Antonio: se você é fraco com mulheres…então eu espero que você entenda que eu não tenho a força pra perdoar e conviver com um traidor desprezível, covarde, galinha e mulherengo como você.
Eu falei aquilo enquanto eu preparava um feitiço, mas eu nunca o lancei, porque em segundos, meu pai criou mais uma combinação de tecnicas e caminhos da espada, pelo jeito ele queria me matar nessa.
Tentei me defender, mas assim que ele me cortou, eu finalmente notei que eu tinha perdido minha armadura e meu manto, os cortes queimavam, mas o que mais me impressionou era como além do calor queimando era novo, mas tinham vários outros calores e cortes que eu não tinha visto ali antes, é, eu já tava com cortes e sangue em todo meu corpo.
Notando isso, eu olhei pro meu pai, e joguei uma grande combinação de feitiços, fazendo uma grande debandada de tiranossauros reforçados com 10 feitiços da página 8 de metal fortalecido. E mesmo com toda a força do meu pai, eu vi que ele tava muito cansado, ele começou a ser comido por cada um dos tiranossauros, mas logo, mais caminhos foram usados e ele começou a destruir cada um dos meus tiranossauros.
E então eu entrei no meio da confusão, junto do Alef e do Yago, eu não ligava que eu tava no meio das minhas máquinas e cheio de calor, raiva e com a minha magia na última gota, eu queria que o golpe que o nocauteasse fosse meu.
Muitos golpes, golpes indo de todas as direções, até o momento em que eu vi, meus tiranossauros sendo desmembrados, todos eles me jogando pra trás, e se colocando em meu caminho para deixarem o meu pai os destruírem no lugar. Eu vi então meu pai desmantelar os 10 tiranossauros sobreviventes que haviam se colocado no caminho para me salvar.
Então, o Yago disparou todo poder que tinha no meu pai, ele nem tinha parado o movimento, e então ele voou em direção ao Yago, e mesmo com toda a força do meu pai, o Yago ainda conseguiu parar o caminho dele, mas meu pai não parou, ele andou bem devagar até o Yago enquanto o golem andava lentamente pra trás para manter a distância, até que toda a energia dentro do núcleo dele acabou e o Golem ficou no estado de recarga, e naquele momento, o Yago foi despedaçado a ponto de virar uma sucata irrecuperável.
E então, meu pai foi na minha direção, mas antes de chegar em mim, o Alef foi colocado no caminho dele, e então, um domo de cortes azuis e vermelhos foi criado, onde os dois criaram um poder tão absurdo, e tão destruidor, uma fusão de magia e aura tão intensa que ao redor de nos vulcões submarinos começaram a explodir pela intensidade da luta, enquanto todo o lugar ao redor estava tremendo.
A luta foi árdua, e quando tudo começou a ficar cada vez mais lento, eu vi como o Alef arrancou cada resquício de armadura que o meu pai ainda tinha, além de arrancar fora a blusa dele e ainda por cima deixa-lo só de shorts, não deixando nem que as botas dele ficassem no lugar.
E como retaliação, ao invés de uma técnica super digna ou ultra complexa, o último golpe do Alef antes de apagar, foi largar sua espada, deixar meu pai confuso por segundos e afundar os dedos nos olhos dele com toda a força que ele tinha.
O grito de dor que meu pai fez foi tão grande que ele jogou a espada pra longe e foi bater no Alef na mão, ele começou a espancar o Golem até que ele virou menos que sucata, os golpes foram tão intensos que os peda;os do Alef derreteram com a fúria quente exalando do poder do meu pai, enquanto eu andei calmamente até a espada do dele.
Olha só, uma arma grande e forte, mas com uma forma que dizia que foi meu pai que se adaptou a ela, não o contrário. Tentando não pensar muito nisso, eu apenas peguei a espada, e esperei, levou mais alguns minutos pro meu pai deixar o Alef, ou o que restou dele, em paz, e quanto ele olhou pra mim de novo, ele ficou paralizdo, o rosto cheio de ódio dele era um que eu tinha visto no espelho muitas vezes,um rosto que tinha um ódio profundo de si próprio, e um rosto que não tinha mais nada capaz de esconder as próprias emoçoes.
Eu não falei nada, o que aquele rosto me dizia já era o suficiente, eu joguei a espada na direção dele, esperando que ele pegasse, e ele pegou. E então eu senti, um feitiço nomeado e acabou, nós dois sabíamos que aquele seria o último golpe, então nós preparamos nossos ataques, e partimos pra cima de nosso oponente.
E então, meu pai arremessou a espada na minha direção, coitadinho, usando meu último feitiço possível, eu criei o nono feitiço, e com minha bola de chumbo, eu fiz a espada do meu pai ser partida no meio. Meu pai desviou da bola, mas não importava mais, eu dei um soco na cara dele, não me importando o que aconteceria comigo se isso falhasse.
Eu abandonei meu cajado enquanto meu cérebro gritava PUNIÇÃO, PUNIÇÃO, PUNIÇÃO, PUNIÇÃO. E com cada golpe, aquela palavra ecoava com ainda mais força dentro da minha cabeça, até que eu senti nas minhas mãos, um calor diferente, por algum motivo, o sangue das minhas mãos naquela hora pareceu bem mais forte e intenso do que antes, e quando eu olhei pro meu pai, notei que não importa o que eu falasse, não importa o que eu fizesse, e nem o quanto eu o machucasse. Eu não ia conseguir fazer ele entender, mas com o último golpe eu o faria entender que eu não era mais o garotinho dele.
Eu afundei a cara do meu pai numa grande quantidade de metal e sucata que virou a superficie a ilha, eu não sabia se alguém iria limpar a ilha, mas o lugar tava com tanta sucata que nem dava pra ver o chão preto que agente tava antes, e depois de ver ele, sangrando e cansado, derrotado no chão, me senti satisfeito, levantei, peguei meu cajado e fui embora.
Mas assim que nós paramos de brigar, fomos teleportados de volta para o estádio, tentei não me impressionar com isso, mas a rainha Isabely estava esperando agente, ainda sem maquiagem, mas eu tinha certeza absoluta que ela estava sorrindo. Ela não falou nada, apenas usou o seu cão preto, que ainda estava ali com ela, para levá-la até a saída, e eu a segui. Enquanto eu saia, meu pai, que estava fraco demais pra ficar de pé, usou todas as suas forças pra gritar comigo.
Pai: ESPERA…VOLTA…AQUI…EU NÃO ACABEI COM VOCÊ.
E com o rosto mais tranquilo do mundo, e com a voz mais assustadora que eu já fiz, eu falei.
Antonio: mas eu já, você não vale a pena…nunca valeu.
Apesar de não querer que terminasse dessa forma, eu sabia que aquilo era o melhor jeito, depois de hoje, ninguém mais iria se machucar de forma desnecessária. Eu ouvi meu pai gritando bem atrás de mim, mas eu ainda continuei andando, sem olhar pra trás.
Pai: AAAAAAAAAAAAH, ANTONOOOOOOOOOOOOO.
Eu não olhei pra trás, não importa quanta dor e remorso eu sentia em ouvir a voz dele. E depois de muito tempo, bastante tempo mesmo, decidi olhar pra mim, e olha, eu tava parecendo um sobrevivente de guerra, meu manto de pele de dinossauro tinha virado um bando de trapos que lutavam pra se manter unidos, enquanto ele estava encharcado pelo meu sangue, o sangue do meu pai e o óleo das minhas máquinas, e meus ferimentos…quando eu olhei pra eles, era como se o peso do que eu acabou de acontecer tivesse me pego finalmente, e então eu senti minhas pernas ficando mais fracas.
Isabely: em 3, 2, 1.
O estalar de dedos da Rainha foi a última coisa que eu me lembrava antes de apagar de vez. Quando abri os olhos, eu vi que estava numa cama de hospital, com minha mãe, o meu irmão e a Dandara do meu lado. Quando viram que eu acordei, todo mundo me abraçou bem devagar pra não me machucar, e então, esperaram eu ficar mais acordado, pra me perguntarem.
Dandara: querido, o que aconteceu?
Antonio: uma punição…você quer mais detalhes?
Dandara: sim, por favor
Antônio: então se senta aí, porque essa história é bem grande.
E então eu contei detalhe por detalhe, tintim por tintim, tudo o que aconteceu, tudo que eu gritei, tudo que eu joguei no meu pai, e tudo que ele gritou e jogou de volta em mim, falar aquilo pra mais alguem me deixou bem mais leve, curando meu corpo melhor do que qualquer cura daquele lugar. E vendo os rostos de preocupação de todo mundo, estava aliviado pelas coisas que eu falei pra eles.
Pedro: você tá bem maninho?
Antonio: abem melhor agora que eu contei tudo isso pra voces, aaaaaaaah, espero poder sair daqui logo
Dandara: ah não, querido, você pode ficar aqui, você merece.
Não contestei, eu tinha certeza que eu sequer teria força pra contestar de qualquer forma, e na minha estadia ali, descobri que os ferimentos que eu recebi eram sérios, muito, mas muito mais sérios do que eu pensava, a ponto que mesmo com as magias de cura eu ainda ia precisar de muitos dias pra me recuperar, mas eu não ligava, eu tinha certeza que agora acabou.
Não tinha como ficar mais claro para aquele doido que eu não queria mais nada com ele, e pensando como eu finalmente cortei por completo ele da minha vida, eu fechei os olhos, pensando que depois de tudo que eu passei até chegar naquele momento, sim, era bom o suficiente para eu permitir a mim mesmo descansar…sim, eu…podia…descansar…sem nenhum problema.
Quando fechei meus olhos, e quase entrando em um sono profundo de novo, senti alguém mexendo no meu cabelo e depois dando um beijinho na minha testa.
Dandara: bom sonhos querido.
E como a bênção de uma santa, aquele único beijo me permitiu entrar em um sono bem profundo.
Quando eu acordei de novo, vi que apenas a Dandara estava lá, e vendo como nós dois estávamos ali, eu senti algo chegando, algo que eu sentia na pele que não ia conseguir parar, então usei toda a força que eu tinha pra ficar em pé, a ruiva parecia ja entender o que estava acontecendo, então ela apenas levantou os braços, e deixou eu abraçá-la…e então, eu comecei a chorar…eu nunca poderia fazer isso com mais ninguém além dela.
Eu não queria chegar naquele ponto com meu pai, mas era o melhor pra todos, eu me convenci disso, mas as partes de mim que ainda amavam aquele idiota se entristeceram, com a certeza de que finalmente o afastamos pra sempre, eu iria aguetar a dor, porque isso era o certo a se fazer.
Enquanto eu chorava, a Dandara apenas fez carinho em minhas costas e na minha cabeça, não sei por quanto tempo eu fiquei daquela forma, mas foi mais do que o bastante para eu me sentir muito melhor, e quando eu fiquei na frente da minha linda esposa, com meus olhos vermelhos pelas lágrimas, ela fez carinho na minha cabeça, como se eu fosse uma criança.
Dandara: você é o homem mais corajoso que eu conheço, nunca deixe ninguém nunca te falar o contrario
Antonio: e tirando minha mae, voce e a mulher mais forte que eu conheço
Dandara: conhecendo a moça, sei que é a verdade.
E com um toquinho de testa, que parecia apenas normal fazer naquele ponto, a gente relaxou, até que o horário de visitas acabou e a minha linda esposa foi embora, não fazia ideia como as coisas seriam amanhã depois de todas as coisas que eu fiz, mas como quase tudo que aconteceu comigo ultimamente, eu sentia que aquele dia iria mudar tudo em mim.

