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A passagem de uma vida🌻3
🥺😞🫩por favor, me deixa em paz🫩😞🥺
2919 palavras • 15712 caracteres • ⏱ 11 min 41 s

🥺😞🫩por favor, me deixa em paz🫩😞🥺

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A minha voz não tava coberta em raiva, ela tava até bem gentil, principalmente comparado com todas as vezes que falei com meu pai por tanto tempo, mas tinha algo carregado nela que o meu próprio pai sentiu, “confiança”, a raiva que eu sentia agora era uma que não possuía nenhum tipo de dúvida ou confusão, uma que não se abalaria com boas ações bonitas do passado, ou palavras bonitas, nem declarações de amor, seja la o que conversássemos, iria acabar ali.


Pai: nada filho, eu só queria saber se você queria conhecer seu irmao


Antônio: não, eu não quero.


Eu nem queria saber o que ele queria dizer com “irmão”, na verdade, acho que quanto menos eu soubesse de toda a situação, melhor seria.


Pai: por que não?


Antonio: porque seu eu fosse conhecê-lo, eu teria que ficar um tempo com você, e eu não quero isso


Pai: o que? por que?


Antonio: porque é desconfortável ficar perto de você pai


Pai: desconfortável? do que você tá falando.


E então, eu senti algo queimando no meu coração, e subindo bem devagar ate a minha garganta, parecia quase incontrolável o que iria acontecer, eu sentia como se eu estivesse prestes a cuspir fogo pela boca, mas não, eram apenas palavras com uma raiva tão grande e tão palpável que eu sequer tinha a necessidade de gritar.


Antonio: (respira fundo e solta) você quer que eu te diga por que é desconfortável ficar perto de você? Vamos lá então, eu tento falar com voce, e voce repreende quase tudo o que eu falo, você quase nunca me fala nada, você não me escuta, você falar apenas sobre treinamentos e de estudos, você nunca gostou da minha magia, você nunca gostou de nenhum dos meus livros e você me fez entender por muito tempo que por eu ser um homem eu não tinha o  direito de ter sentimentos e que eu nunca deveria chorar, ter medo, ficar triste ou qualquer coisa que questionasse minha masculinidade de qualquer forma…


Eu continuei falando, falando, falando e falando, eu não podia parar, eu não ligava se minha garganta doía, e de forma irônica, não tinha lágrimas em minha voz, meu pai não era digno nem de eu desperdiçar minhas lágrimas com ele.


Antonio: você me fez ter medo de te falar qualquer coisa, você me fez te ver como um ditador, ou um treinador pra quando eu não conseguia controlar meus próprios impulsos por conta propria…voce diz que me ama…mas…isso não é amor…


Pai: não, não fala isso…


Antonio: SIM EU VOU…


Agora as lágrimas estavam caindo e minha voz estava ficando chorosa, mas eu não ia parar, não, eu tinha ido muito longe pra parar agora.


Antonio: VOCÊ E EU SOMOS IGUAIS, VOCÊ É UM AMALDIÇOADO DOS SUPER SENTIDOS, É POR ISSO QUE VOCÊ NÃO ACEITAVA QUE EU FOSSE UM, ACEITAR QUE EU ERA UM SÓ ERA ADMITIR QUE VOCÊ ERA UM AMALDIÇOADO TAMBÉM, TODA A RAIVA, TODAS AS REPREENSÕES, TODO O ÓDIO QUE VOCÊ DESCARREGOU EM TODAS AS MINHAS MANIAS A PONTO DE EU EXPLODIR NO CENTRO DE CAVALEIROS E CULPA DE QUE VOCÊ NÃO ADMITE SUAS PRÓPRIAS FALHAS, VOCÊ NÃO ADMITE SUAS FALHAS, E AS QUE ADMITE VOCÊ NÃO MELHORA, VOCÊ DESTRUIU A VIDA E A SAÚDE DA MINHA MÃE, A MULHER MAIS IMPORTANTE DO MUNDO PRA MIM, E PRA MILHARES DE PESSOAS, E VOCÊ CONTINUA ANDANDO POR AÍ SEM NENHUMA GOTA DE REMORSO COM O FATO DE QUE VOCÊ TRANSFORMOU UMA MULHER DOCE E GENTIL EM UMA DOENTE CÍNICA QUE REJEITA O AMOR DE QUALQUER HOMEM ALÉM DE MIM, ELA É ASSIM AGORA POR SUA CAUSA. E ESSE É APENAS A PONTA DO ICEBERG DE TODAS AS COISAS HORRÍVEIS QUE VOCÊ FEZ, COISAS QUE ME FAZEM TER MEDO DE FALAR QUALQUER COISA PRA VOCÊ E QUE FAZ EU APENAS CONTAR OS SEGUNDOS PRA EU SAIR DE PERTO DE VOCÊ E ME RECUPERAR USANDO UMA DAS TÉCNICAS DE ACALMAR QUE PASSEI A FAZER DE NOVO DEPOIS DE VOCÊ ME FAZER PARAR DE FAZER AQUILO QUASE PRA SEMPRE. PORQUE O MOTIVO DE SER DESCONFORTÁVEL FICAR PERTO DE VOCÊ E PORQUE EU SEI QUE NAO POSSO SER EU MESMO QUANDO TÔ DO SEU LADO, E MESMO AGORA, EU SINTO QUE ISSO NÃO MUDOU NADA…


O rosto do meu pai, como sempre, era uma máscara, ele não tinha nenhum resquício de emoção, pelo menos nenhuma emoção que ele queria me mostrar, ele não iria me falar nada, como sempre, eu abri meu coração pra ele, e ele continuava ali, apenas absorvendo tudo, me repreendendo com um olhar, como se estivesse pensando onde ele errou pra deixar que eu ficasse daquele jeito. E aquilo, aquilo consolidou a minha raiva e meu desejo de sair dali. 


Eu coloquei a mão no meu peito, pensando como ver que eu tava certo doeu mais do que qualquer tipo de coisa que eu já senti nessa vida. A dor que eu senti foi tão intensa que minha magia rasgou meu coração em dois de forma literal, eu tinha sorte que para aquela dor, meu corpo conseguia consertar com a mesma magia que causou isso antes que algo sério acontecesse, mas apesar de já estar criando, a cura não conseguia impedir as lágrimas, nem a dor que eu tinha certeza que ia me marcar por toda a essa vida e talvez na proxima, e na próxima e na próxima.


Antonio: (respira fundo) P@##4


Eu falei aquilo uma única vez, deixando meu pai surpreso, era a primeira vez que ele me via xingando, e eu mesmo nem lembrava quando eu xinguei pela última vez, mas isso tava muito longe de ser o bastante, eu me virei, e sem feitio nenhum, eu chutei uma pedra solta no chão, ela voou pelos céus e eu tinha certeza que ela foi lançada em órbita, enquanto eu falei a mesma coisa de novo, com todo o ar nos meus pulmões dessa vez.


Antonio: P@##4.


Meu pai ainda não tinha se movido, e eu não tava mais nem aí, depois daquilo, eu só tive a vontade de falar uma única coisa no homem que, de alguma forma, eu ainda tinha uma consideração de chamar de pai.


Antonio: nada de bom acontece quando eu to eu mesmo perto de você, então por favor, para de me procurar.


Eu falei aquilo como última consideração a ele, enquanto eu ia embora, e então, algo que eu pensei ser impossível aconteceu, uma reação, algo bruto e doido, mas ainda uma reação. Eu recebi um golpe na cabeça e cai no chão, pelo meu treinamento árduo, eu consegui me pôr de pé em menos de um segundo, isso antes do meu pai me agarrar pelo colarinho e me puxar para perto dele.


Pai: nunca mais ouse falar comigo desse jeito de novo, eu sou seu pai, e…


Mas meu pai não terminou de falar a frase, porque ele recebeu um soco bem na cara meu, e caiu no chão, se levantando na mesma velocidade que eu me levantei. E novamente, muitas emoções diferentes estavam sendo misturadas na minha cabeça, com três em específico bem fortes, o ódio e a tristeza de, ele, o homem que disse que me amava me atacar assim, mas também a felicidade de finalmente estar vendo um lado tão diferente dele.


Antonio: até que enfim ein


Pai: do que você tá falando?


Antonio: pode levar dias, pode levar anos, e pode levar décadas, mas a máscara sempre cai, então é assim que você é de verdade?


Meu pai não respondeu, ele apenas atacou, tirando sua espada da bainha e já com a armadura no corpo, e eu defendi. Sim, aquele era mesmo o peso de alguém que dedicou sua vida inteira as artes marciais, tudo enquanto deixava seu filho, o filho que dizia que amava, pra ficar sozinho com sua esposa, uma esposa que ele mesmo havia dito que não amava mais desde aquela época pra mim, muitas e muitas vezes. 


Aquele ainda era um golpe de aviso, ele nao ia começar uma briga comigo, mas agora era a minha vez de atacar, não com uma magia, mas como um golpe de porrete de meu cajado, e enquanto ainda olhava pro meu pai, eu corri, e o acertei com a ira de minha mãe, de todas as famílias que ele machucou, de todos os filhos ilegítimos que ele teve, de todas as mulheres que ele enganou com a desculpa que ele era “fraco”. E principalmente a minha ira, a ira de alguém que se machucou tanto apenas para agradá-lo e nunca, nunca recebendo a aceitação plena, apenas a aceitaçao do que ele gostava em mim.


A ira de milhares concentrada em um único golpe quebrou a defesa do meu pai, e fez com que ele colocasse o capacete, e só então, ele pareceu entender por completo o que estava acontecendo, demorou, mas até ele entendia o que iria acontecer agora.


Pai: tem certeza que quer fazer isso?


Antonio: nunca estive mais certo de alguma coisa em toda a minha vida.


E colocando meu cajado no chão, quase como se estivesse o convidando pra me atacar com mais força, meu pai, pegou a espada com uma força fora do normal, e disparou em minha direção, foi em uma piscada para muitos, mas eu vi todo o caminho que ele fez, ouvi o grito que foi rapido demais até pra pessoas comuns entenderem o que aconteceu, e vi a espada dele se transformando de uma espada sólida para um tigre siberiano que foi destruir meu corpo todo, e como retaliação, eu combinei o décimo feitiço com o oitavo e o primeiro, deixando meu cajado como um porrete de ferro e criando um calor tão grande que na colisão, eu empatei com meu pai.


E assim que nossa luta começou, o sistema de segurança da cidade foi jogado no máximo, e a cidade criou uma espécie de magia de teleporte para nos mandar em uma ilha deserta no meio do mar vermelho. A ilha que fomos mandados era uma ilha desabitada feita de um metal tão duro que nem os mais fortes golpes conseguiam sequer arranhá-lo, e ela era bem distante de tudo e todos, e como o dispositivo da magia estava programado pra nos teleportar de volta quando nossa briga acabasse, nem ligamos que tínhamos sido levados pra outro lugar.


Assim que nos teleportamos já começamos a flutuar, não queríamos gastar o mínimo tempo possível no chão, tudo enquanto eu ja preparava o Alef e o Yago atrás de mim e com meu pai e eu ainda trocando golpes frenéticos, eram ataques tão simples que não pareciam ter um pingo de estratégia, mas era o contrário, meu pai estava usando as técnicas 1,5,6 e 10 do tigre siberiano. Incluindo a décima técnica, que era um corte que acertava a garganta e qualquer outro ponto fraco de seu oponente, ele realmente estava atacando pra matar.


Mas eu não ligava nem um pouco pra aquilo, na verdade, o fato que chegamos àquele ponto, desfez qualquer restrição que nós dois colocamos um no outro, eu o acertei com toda a minha força, ele aguentou o golpe e eu vi no rosto dele que ele não esperava a força daquele golpe, e de certa forma, nem eu, a armadura do meu pai se estraçalhou enquanto ele voava pra bem longe, mas não deixei ele respirar, eu ataquei ele com toda a minha força, enquanto disparava feitiços em distâncias absurdamente curtas a cada movimento, eu sequer respirei, eu usei minha magia pra criar meu próprio oxigênio para eu me focar apenas em respirar, doía demais, mas doía menos que deixar ele me acertar.


Meu pai tentou defender, enquanto eu via que todos os crocodilos que ele invocou e cuidou por tanto tempo sendo jogados pra trás e a armadura dele foi despedaçada, mas então eu vi, um ódio absurdo a ponto que ele parou de se importar com os ataques que eu acertava nele, e com um olhar furioso ele me deu um ataque que eu usei todos os meus reflexos pra aparar. 


Diferente de defender ou desviar, aparar um ataque era a arte de achar o ângulo certo e redirecionar o ataque de seu oponente, e eu fiz isso de forma perfeita, como um cavaleiro de aura experiente, meu pai já estava se recuperando da aparada, mas enquanto ele se recuperava, eu soquei ele com a barreira mais poderosa de punhos de estilhaços da terceira página que eu conseguia fazer, me dando tempo pra me afastar. 


Isso, claro, até ele cortar o ar, e um corte feito com a própria aura dele voou em minha direção, e eu senti meus órgãos chacoalhando, minha pele irritada e meus ossos tremendo. Tudo em um único golpe direto, eu toquei no meu manto, vendo um rasgo que me mostrava que meu manto provavelmente só iria aguentar mais 3 golpes, isso sendo gentil.


Pai: EU CUIDEI DE VOCÊ COM O MAIOR CARINHO QUE EU TINHA, E É DESSE JEITO QUE VOCÊ ME AGRADECE?


Antonio: ISSO NÃO TEM A VER APENAS COMIGO, E NEM COM VOCE, E VOCE SABE DISSO


Pai: QUANTAS VEZES EU TENHO QUE TE DIZER ISSO? VOCÊ NÃO TEM NADA A VER COM MEU PROBLEMA COM A SUA MÃE


Antônio: COMO NÃO TENHO? QUEM CUIDOU DE MIM QUANDO VOCÊ TAVA OCUPADO DEMAIS TREINANDO? QUEM ME ENTENDEU QUANDO NEM EU MESMO ME ENTENDIA? E QUEM DESTRUIU A VIDA DESSA PESSOA!?


O meu pai sabia a resposta de cada uma dessas perguntas, mas o fato de que ele não parecia entender o problema deixava ainda mais claro que ele era como eu, ele não conseguia compreender o que ele fez de errado e nem porque eu tava com tanta raiva dele, e isso deixava minha raiva 1 milhão de vezes maior, e de alguma forma, aquilo parecia estar aumentando e reabastecendo minha magia.


Pai: E DE NOVO, O QUE TUDO ISSO TEM A VER COM O QUE VOCÊ ME ODIAR TANTO!?


E então eu parei, respirando fundo, e entendendo como aquilo era uma trégua temporária eu falei.


Antonio: a minha mãe é a pessoa mais importante do mundo pra mim, o que eu sinto por ela é algo que eu não consigo expressar com palavras…


Eu continuei falando enquanto eu levantava meu cajado na direção dele, com meus olhos brilhando em vermelho e com o Alef meu golem de combate corpo a corpo e o Yago, meu golem de combate a longa distância sendo invocados bem do meu lado.


Antônio: …por isso que, apesar de todas as coisas incríveis que você fez comigo, eu não consigo ficar perto de alguém que machucou tanto a minha mãe. Que não mudou e depois de destruir a vida dela apenas continuar vivendo sem problema, como se não tivesse feito nada de errado…e como um ato egoísta de mim mesmo, eu irei puni-lo por toda a dor que causou a todas as mulheres que enganou.


Galinha, mulherengo, traidor, covarde. Eu tinha muitas palavras para descrever meu pai, mas mesmo com todas elas na ponta da língua eu tinha ainda um respeito peculiar por ele, e consegui falar dessa maneira nobre enquanto eu e meus golens voavamos na direção dele.


O golpe que nós fizemos nele foi limpo, ele conseguiu bloquear o disparo do Yago e defender o golpe de martelo de guerra do Alef, mas ele não conseguiu defender meu soco, porque minha ira naquele momento era tanta que eu abandonei meu cajado e o acertei diretamente, conseguindo arrancar fora o capacete dele.


Eu não parei, e fazendo o mesmo movimento de antes, eu comecei a bater sem pausa, mas o meu pai pareceu fazer a mesma estratégia, com a diferença que agora ele tava tão rápido que ele moveu antes de uma piscada. Mas ele nunca me atingiu, pois o Alef o acertou pela esquerda e o Yago atingiu uma flecha e gelo bem no ombro dele.


Isso porque, depois da briga inicial, consegui preparar os rapazes pra eu montá-los por 1 hora inteira, aqueles eram no momento golens fortes o suficiente para darem trabalho até para o golem especial que eu criei, e o fato de meu pai estar sangrando primeiro e com a flecha fazendo seu ombro derramar sangue me fez entender melhor a quantidade de força que os golens de 1 hora tinham, mesmo que eu soubesse que talvez eu nunca mais conseguisse criá-los por uma hora tão longa de novo.


E então, uma pausa se iniciou de novo, mas não era uma pausa de trégua, bem longe disso, incrédulo pelo que aconteceu, meu pai colocou as mãos no ferimento, como se, assim como eu, já tivesse passado um tempo absurdo desde que ele viu o próprio sangue. Mas então, o olhar contemplativo que ele parecia ter criado mudou para um olhar de puro ódio.


Pai: isso doeu.


E então a terra começou a tremer, a armadura dele começou a mudar, ficar derretida, e se moldar como se fosse algo vivo, dando um capacete novo pra ele e o transformando em uma espécie de assombração feita de ferro derretido com uma espada sinistra em uma mão.


Pai: ISSO DOEU MUITO.


E em mais um disparo, o meu Pai veio na minha cara de novo, e na hora ele colidiu com um porrete do tamanho próprio corpo dele, porque eu tinha criado uma armadura com mais de 10 metros, e por baixo dessa, eu tinha mais 9 armaduras, todas uma em cima da outra contando com meu manto, aquilo ia demorar, muito, mas eu estava pronto pras consequências.


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