Apesar de eu gostar muito de visitar o reino dos vampiros, eu tinha que admitir o quão difícil era visitar o lugar, porque ele ficava literalmente no continente da aura, então eu tinha que viajar por horas, mesmo com minha super velocidade pra lá. (O que era uma evolução, pensando em como antes eu demorava dias e até semanas pra ir pra lugares como o continente da aura).
Eu tentei me desafiar um pouquinho nessa também, e decidi viajar pra lá pelo mar vermelho, o calor era bem intenso, ainda mais comigo cavalgando em cima do magma. Eu não estava nervoso por mim, eu já tinha passado por aquilo o suficiente para eu sequer me sentir quente, e o Zorro já tinha evoluído tanto graças a minha magia e o meu amor que ele podia facilmente mergulhar dentro daquela lava apenas pra se limpar. Eu mesmo considerei fazer aquilo, mas eu me controlei, por que a Ruiva estava atrás de mim, me segurando com bastante força, enquanto ela mesma estava com medo do grande magma que estava tão perto de nós, mas ela parecia se manter tranquila enquanto ainda tocasse em mim, e enquanto ainda me segurava com bastante força, ela falou.
Dandara: você tem sorte de eu confiar em você tanto quanto você confia no Zorro
Antônio: tenho certeza que você confia mais
Dandara: e o que faz você dizer isso?
Antônio: eu conheço o Zorro desde que ele era um potrinho, a confiança que eu tenho com ele é algo construído literalmente em uma vida inteira, e por mais longo que pareça, eu e você nós conhecemos a menos tempo, além de que, apesar de tudo que você passou, você ainda deve ter o medo natural em você, um medo que pode facilmente ultrapassar seu amor e sua confiança em mim, mas mesmo que ele ultrapasse ou não, você o ignora a ponto de ainda confiar em mim, em um mar perigoso e cheio de magma fervente, um mar que muitos guerreiros falham por tentarem chegar nele muito cedo.
Eu deixei aquela última parte da fala no ar enquanto uma explosão de magma acontecia do nosso lado, e eu continuei.
Antônio: não quero fazer competição de amor e confiança, mas pra mim, sua confiança parece bem mais impressionante que a do Zorro.
A Dandara não respondeu a minha afirmação, apenas abraçou meu pescoço com bastante força.
Dandara: não há dúvidas em meu coração, eu sei que você iria se afogar na lava antes de me deixar cair
Antônio: não fale como se não fosse fazer o mesmo
Dandara: culpada, hihihi.
E com papinhos doces como esses, agente ficou o caminho todo flertando, até chegarmos no lugar que eu tava bem animado pra levar ela, o grande reino dos vampiros.
Apesar de ser um reino dentro da terra oca, ele tinha muitos tubos em vários lugares, conseguindo fazer pontos bem iluminados dignos de lâmpadas de lava tamanho família. Os prédios tinham um visual italiano que era espalhado além dos prédios para o visual das pessoas. Tudo combinado com um odor de comida que estava em todo o ambiente, e na rua que nós estávamos, estávamos no corredor das comidas salgadas.
A Dandara estava impressionada com o que via, olhando os grandes tubos de lava, os comerciantes que estavam vendendo várias pastilhas para aguentar os gases tóxicos do magma, outros vendiam o serviço de “desmontar” animais mortos por caçadores além de vários lugares com “banhos de lava” para visitantes, aqueles banhos de lava me deixaram bem interessados no que poderia ser, mas deixei aquilo pra depois eu não fui ali pra isso.
Depois de andar por bastante tempo, eu cheguei no lugar que queria, um restaurante bem famoso por ter uma sala especial pra casais, a história daquela sala especial era bem interessante, mas eu contaria ela depois pra Ruiva.
Antônio: ola, nós queremos uma mesa no andar dos casais por favor
Recepcionista: claro, mas você terá que provar que são um casal.
E como se uma palavra chave tivesse sido dita, a Dandara me segurou gentilmente pelo rosto, e então agente se beijou, mas nós dois abrimos a boca e deixamos nossas línguas se abraçarem. Nossas línguas estavam quase em uma dança, uma paixão que qualquer casal “falso” não poderia fingir. E depois de pararmos pra respirar e acabarmos não fazendo algo ainda mais intenso, a recepcionista deu um sorrisinho feliz e nos apontou a escada para o andar de casais.
Dandara: pela cara dela, aquela moça deve amar muito o próprio trabalho
Antônio: ah, isso eu tenho certeza.
Então nós andamos com uma tranquilidade absurda até o ponto do andar de casais, e com exceção dos panos a mais, das velas, e das paredes mais vermelhas e rosadas que o normal, o lugar não parecia diferente dos outros andares, claro, tinha vários outros casais ali de todas as formas tamanhos e tipos diferentes, com o lugar sendo cheio o suficiente para ter um espacinho aqui e ali, mesmo com milhares de casais ali, me senti confortável para me sentar na mesa, sentindo algo interessante quando eu me sentei na cadeira, e eu nem tinha pedido nada ainda.
Antônio: WOW, eles arrumaram as mesas para que ninguém conseguisse ouvir a conversa dos outros
Dandara: e isso é possível?
Antônio: é sim, só que é muito difícil, sério, você não faz ideia do quão incrível esse restaurante é, e olha que agente nem comeu nada ainda
Dandara: tenho uma ideia do quanto é.
Com ela dando um sorrisinho fofo, agente pediu. Eu pedi um bife com purê de batata e salada e a Dandara pediu um espaguete com almôndegas. E enquanto nós esperávamos, achei que seria uma boa hora de eu contar todo o rolê daquele lugar.
Antônio: aí, sabia que esse lugar tem uma história super engraçada sobre esse andar?
Dandara: jura? E qual é?
Antônio: o primeiro dono dali foi um cara muito azarado no amor, ele foi um guerreiro que foi rejeitado mais de 100000000 de vezes, depois da última, ele desistiu do romance e passou a odiar qualquer casal que sequer ousasse chegar perto dele. Mas quando quando ele criou o restaurante, muitos casais começaram a vir aqui, e para impedir que ele surtasse por causa dos casais, o primeiro dono do lugar criou um andar apenas pra casais, e deu o luxo máximo para esse lugar, pra garantir que ele não fosse conhecido como alguém que odiava casais, por mais que a história dele tenha vazado depois de um tempo
Dandara: só pelo que você falou já consigo sentir que esse cozinheiro é daqueles moços que conseguiu dar uma boa utilidade de sua grande raiva ao invés de desconta-las em inocentes
Antônio: não podia ter dito melhor, como você já deve imaginar, ele não teve nenhum herdeiro então acabou só dando o restaurante para o seu funcionário mais competente, e felizmente ele não tinha o ódio de casais de seu antecessor, e como você pode ver, o lugar foi colocado em boas mãos
Dandara: felizmente mesmo.
Eu conhecia esse olhar, ela não estava mentindo, ela conseguia ver perfeitamente a beleza daquele lugar, apesar de eu não entender completamente, eu já conseguia entender o cuidado de algo que foi cuidado e bem tratado por tantos anos, não importa o motivo, e nesses meus devaneios, nossos pratos chegaram, nos deixando bem felizes.
Quando eu comecei a comer eu fiquei impressionado por sentir o mesmo que senti na primeira barraquinha de comida que eu provei ali.
Antonio: ISSO É ABSURDO, O SABOR É TOTALMENTE NOVO, MAS NÃO IRRITA MINHA LÍNGUA.
Eita, nem tinha notado que gritei, até que eu olhei pra frente e vi que a Dandara estava chorando, nossa, ela estava de olhos arregalados, e com o rosto em estado de choque extremo, como se ela tivesse tantos sentimentos na própria língua que eles apenas conseguiam sair através de lágrimas, por que isso que ela tava fazendo, ela tava emocionada de gostosura.
Dandara: cara, que delícia, eu nunca provei nada assim antes
Antônio: não é estranho? É a mesma comida, e ela é tão diferente
Dandara: aqui experimenta a minha.
Eu já tinha comido espaguete com almôndegas, mas novamente eu senti a mesma coisa, muito gostos diferentes por toda a parte, muitos mesmo, mas a minha língua não tava nem um pouco irritada, e novamente, eu fiquei tão impressionado com aquilo que eu não consegui pensar em fazer outra coisa além de fazer o sinal de interrogação aparecer acima da minha cabeça de novo.
Antônio: eu não consigo entender
Dandara: é porque é aura, eles usaram aura para criar essa comida, então é normal termos esses sentimentos
???: com todo o respeito senhorita, não, não é isso.
E quando olhamos para a esquerda, vemos uma garçonete, ela estava com um sorriso profissional, mas olhando bem de perto, dava pra ver a raiva reprimida dela, como se a Dandara tivesse falado algum tipo de blasfêmia.
Garçonete: deve ser difícil para a senhorita entender, mas o sangue de alguém é tão saboroso quanto o quão saudável aquela pessoa é, então desde o início dos tempos nossa raça se dedicou a criar os melhores pratos que além de serem saborosos, serem saudáveis como nutrientes puros. O que a senhorita descreveu como poder da aura foi o esforço árduo e constante de milênios apenas para chegar no seu espaguete de almôndegas
Dandara: ah desculpa, é que meu marido tem uma língua sensível, e ele tava com dúvidas sobre como a língua dele não tá irritada com a comida
Garçonete: jura? Bom, se seu marido saber procurar, tenho certeza que lê iria encontrar a resposta para a pergunta dele
Antônio: é, eu imagino.
E com um sorriso um pouco mais verdadeiro, a Garçonete saiu.
Dandara: aaaaanh, aquela garçonete não vai querer se vingar de mim né?
Antônio: eu tenho quase certeza que não, você só foi um pouco ignorante, nada demais, é preciso irritar garçonetes e cozinheiros muito mais pra eles fazerem algo com sua comida
Dandara: como assim?
Antônio: ah, não liga pra isso não.
Eu tentei desconversar enquanto eu pensava em todas as histórias que eu ouvi que os cozinheiros eram uma das pessoas que você jamais podia irritar, em nenhuma circunstância. Por que se você irrita um cozinheiro, nunca dá pra saber o que pode vir de “brinde” na sua comida.
Tentei não pensar nisso enquanto a nossa sobremesa de milkshake com dois canudos chegou. Eu tomei o milkshake junto da Dandara, ficando impressionado com o que eu senti, era absurdo, era sorvete, como eles podiam criar um sorvete tão diferente? E como eles conseguiram fazer um sorvete tão diferente não irritar a minha língua? Perguntas como essas me faziam perder a noção do tempo e das coisas que eu tava fazendo, mas com alguns estalos, a Dandara conseguia facilmente me levar de volta pra realidade.
Dandara: Melzinho, a conta chegou
Antônio: ah? O que? Ah, claro.
A mesma garçonete da outra vez nos trouxe uma conta simples, que eu fiquei bem feliz em pagar junto da ruiva, nós dois estávamos cheios, satisfeitos e felizes, enquanto a garçonete nos dava uma bebida estranha.
Garçonete: aqui, pra ajudar na digestão.
E sorrindo de forma mais feliz, ela foi embora, deixando-nos ali, bem tranquilos e felizes. Então, eu levantei e chamei a Dandara pra vir comigo, e abalados, nós dois fomos devagar até o Zorro, enquanto olhávamos novamente aquela incrível e única cidade italiana.
Antonio: eu sei que vou visitar esse lugar muitas vezes ainda
Dandara: eu tenho certeza disso também…hmhmhm, fico imaginando que tipo de histórias esse território tem pra contar
Dandara: e eu tenho certeza que nós dois vamos descobrir cada uma delas, juntos.
E com a mesma confiança de quando nos vimos pela primeira vez, ela subiu no Zorro, e deixou com que eu levasse ela no meio de todo aquele magma, ela tava tão relaxada comigo que ela chegou ate a dormir atras de mim, tive que fazer um esforcinho a mais pra ela não acabar caindo no magma, mas mesmo assim, naquele ambiente todo vermelho, brilhante e com muito calor, me senti o homem mais completo do mundo, a ponto que eu mal notei quando voltamos ao continente da magia, em um momento eu tava no meio do magma, e no outro, eu não estava mais lá.
E com a sensação de frio novo, Dandara acordou, parecendo ainda estar dormindo
Dandara: então, qual é o próximo lugar?
Antonio: voce vai ver.

