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A passagem de uma vida🌻3
🧐🪄quase lá🪄🧐
1657 palavras • 9348 caracteres • ⏱ 6 min 38 s

🧐🪄quase lá🪄🧐

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Eu tinha mesmo que cuidar melhor das coisas que eu fazia, porque depois de todas as doideiras que eu fiz o ano passado inteiro, eu me esqueci de olhar a grande biblioteca, bom, pelo menos olhá-la direito. Mas pelo menos eu sabia que não tinha feito nada em vão, porque quando eu fui novamente naquele grande mar vermelho, eu conseguia cavalgar pelo magma sem sequer sentir calor, o Zorro estava tranquilo e meus amigos também.


A Dandara tava do meu lado, voando em sua vassoura de bruxa, bem pertinho do magma, o Brutus cavalgava do meu lado, com seu poney tocando no magma, sem problema nenhum, e a Saytus nem tava montada no senhor purpurina, a garota havia ficado tão forte que ela tava conseguindo andar no magma sem nem ser queimada.


Antônio: o mestre realmente faz milagres né?


Saytus: não aja como se não conseguisse fazer isso


Antônio: touche, agora vem, temos coisas pra fazer.


Agente acabou passando por tanta coisa ano passado que, apesar de todos os testes ainda serem bem complicados, eles não eram nada que nós não conseguíssemos dar conta. Ver a Saytus saltando e fugindo dos gigantescos jacarés de pedra que surgiam em meio ao magma conseguia ser muito engraçado. Quando chegamos no templo novamente, nos sentimos felizes e até aliviados de termos chegado tão longe depois de tanto tempo.


Quando chegamos, a Saytus não entrou no templo, ela insistiu que queria “aproveitar um pouco mais” o magma na sua carapaça antes de entrar no templo.


Dandara: acho que aquele treino todo destruiu a sanidade dela


Brutus: ou o que ainda tinha dela.


Eu nem respondi aquilo, apenas entrei na biblioteca, e os outros me seguiram. Demorou, mas eu encontrei a tábua de pedra pouco tempo depois, já ficando extasiado por estar novamente segurando a placa capaz de nos ensinar como diminuir o envelhecimento pela metade.


Eu tive que me lembrar qual era o primeiro exercício, o que era algo bem simples, que era desenhar usando magia um círculo com dois símbolos de infinito dentro, criando um X rechonchudo. Quando completamos aquele primeiro exercício, uma luz super intensa foi colocada em nós, e nos sentimos, sim, era dessa forma que agente deveria sentir quando terminassem os exercícios.


Antônio: hmhmhmhm, e esse é o primeiro exercício, imagina como vamos nos sentir no último


Brutus: não fala desse jeito, já tá me deixando ansioso.


Com uma empolgação muito maior, nós fomos para a segunda página, vendo que o exercício era jogar toda a nossa mana pra parte direita do nosso corpo.


Era algo bem difícil, porque segundo o capítulo 2, tinha que ser a mana toda, não deixando nada do lado esquerdo, algo tão difícil de se fazer que nós levamos quase 3 semanas pra conseguir, mas a sensação foi tão mágica e incrível como o primeiro exercício, dava pra sentir que estávamos mudando, nosso corpo, nossas mentes, e em algum grau, até nossas almas estavam se modificando em algo incrível demais pra ser dito com palavras normais.


Antônio: ha, eu já esperava algo, mas não achei que seria…isso.


Então, indo logo para o terceiro, a Saytus entrou, ainda fumaçando pelo tempo que ela ficou no magma, e a Dandara levou ela pro outro canto da biblioteca pra ela explicar os capítulos que a fada perdeu sem nos nos embolamos com as coisas novas e antigas. 


Uma vez sozinho com o Brutus, eu comentei do elefante na sala, o elefante que estava em forma de colar no pescoço dele. Um colar invisível mas que por causa da minha magia forte, eu sabia que estava lá.


Antônio: então, você vai me falar de quem foi a ideia do colar?


Brutus: foi da Nala


Antônio: não precisa me contar se isso te deixa desconfortável.


Havia passado alguns meses desde que a Nala, o Brutus e o Davi se casaram. O que ainda me impressionava como a Nala conseguiu dois maridos pelo preço de um, bom, deve ser uma aventura ser casado com alguém com a maldição da mente difidida, então eu nem julgava, e enquanto eu tentava manter minha mente na terra e não deixando eu ser pego no meio de pensamentos doidos e bobos, ouvi o Brutus responder.


Brutus: não vou falar muito então, mas tem umas coisas que eu queria falar


Antônio: ah, tá bom, pode falar


Brutus: digamos que, pra alguém que não consegue usar as pernas, ela tem um controle de corpo muuuuuito bom


Antônio: normal, ela tinha que compensar os movimentos


Brutus: e sabe tudo que falam sobre “os quietos são os mais perigosos”?


Antônio: sei.


E então eu vi, o Brutus tremendo, mas não de medo, era de, confusão, como se mesmo depois de tantos meses, ele ainda estivesse assimilando tudo que ele passou.


Brutus: é tudo verdade


Antônio: nossa Brutus, você tá bem?


Brutus: sim, eu tô, é que…eu sabia que ela iria me mostrar outros lados dela quando agente se casasse, mas eu não esperava isso, nem um pouquinho


Antônio: tá arrependido?


Brutus: agora que o Davi finalmente se apaixonou por ela? Nem um pouco…é que…eu ainda tô tentando encaixar a Nala que eu conheci a alguns meses, com a Nala que eu convivi por tanto tempo


Antônio: as duas são a mesma Nala, só em pontos diferentes, assim como você e o Davi podem ser pessoas diferentes, mas em algum ponto, vocês dois são bem parecidos, por isso que eu gosto de andar com vocês dois, vai lá mano, com certeza que você vai sentir que essa nova Nala é alguém bem interessante de conviver


Brutus: eu nunca disse que eu não gostava dessa nova Nala.


Depois dele ter falado aquilo, eu fiquei o olhando por um tempinho, apenas pra ver que ele falava sério, ha, mas é claro, se a Nala escondesse um lado tão doido e sombrio como o Brutus deixava transparecer no rosto dele, tava bem mais claro que ele e ela eram feitos um pro outro mesmo.


Eu sorri de forma orgulhosa pra ele, algo que o lobinho entendeu e então continuamos a estudar.


Brutus: além disso, você já deve ter notado, mas o Davi finalmente começou a se dar bem com ela


Antônio: é, eu percebi quando ele se casou com ela junto com você


Brutus: pois é, e o Davi descobriu que gosta do novo lado da Nala mais do que eu, essa coleira não é pra mim, é pra ele, por isso que ela tá invisível


Antônio: não ironicamente, isso não me surpreende.


E então, agente continuou aprendendo, pouco tempo depois, a Dandara e a Saytus voltaram, e conseguimos aprender 12 páginas no total, ainda faltavam 48, mas agente não tava mais com a cabeça pra aprender as outras páginas, e apesar da euforia que aprender cada uma daquelas páginas fazia com nossos corpos, ainda ficamos muito cansados e com a cabeça latejando muita coisa pela frente, e todo mundo tinha lugar pra ir amanhã.


Saytus: aí, minha cabeça, quantas vezes agente vai ter que fazer isso?


Antônio: bom, levando em conta o que aprendemos hoje, o fato de que tudo vai ficar ainda mais difícil quanto mais agente avançar as páginas, e o fato de que só poderemos vir aqui duas vezes por semana pra mantermos nossa sanidade mental…acho que vamos levar 6 meses para terminarmos isso


Dandara: seiiiiiis meses.


A Dandara falou aquilo de forma bem lenta, pausada e demorada, como se ela estivesse testando como aquilo soava em sua boca, ao mesmo tempo que parecia estar testando a própria língua, pra ter certeza que havia mantido a própria sanidade depois de tudo que agente aprendeu.


Dandara: quer saber, vamos aumentar isso pra um ano, não tem como agente sobreviver fazendo isso duas vezes na semana.


Minha cabeça estava latejando, eu tava todo nervoso, estressado e quente, quente de stress, e não do calor que tinha fora da bolha.


Antônio: é, acho que um ano é melhor, o que vocês acham?


Brutus: eu sou a favor


Saytus: eu também.


Pois é, todo mundo queria pensar e respirar um pouco, eu sabia que aprender uma técnica como essa seria difícil, mas não achei que seria tanto assim, afinal, era apenas o aprimoramento de anos de Sapien para anos de Ogro, não era pra ser complicado assim.


Sentir na pele aquela dificuldade, me fazia pensar o quanto seria difícil aprender a ir para os anos de vampiro(4 anos) ou anos de ciclope(6 ANOS), mas eu tentei não pensar muito nisso, estava pensando muito na frente, eu precisava me focar nas lições na minha frente, e sentindo como todo mundo estava com cansaço, mas uma chamada nova de motivação no próprio rosto, eu sentia que aquilo seria muito maneiro é legal de se ver.


Antônio: vejo vocês outro dia, meus futuros parceiros na longevidade


Todos: até a próxima.


Senti uma Pitadinha de vergonha depois de falar aquilo, pelo Brutus e a Saytus irem para outro ponto do caminho do mar vermelho, enquanto eu e a Dandara fomos para o mesmo caminho.


E mesmo no meio de todo aquele calor, magma e stress, eu ainda consegui achar brincadeira e amor o bastante pra beijar ela no meio do magma, e mesmo como um beijo de criança só de toque de lábios, a ruiva ainda amou essa brincadeira que nós fizemos.


Antônio: e aí querida? O que você achou?


Dandara: eu achei incrível Melzinho, mal posso esperar pra gente chegar nos capítulos finais.


Não sabia se no fim conseguir envelhecer mais devagar iria ser realmente bom, mas se isso significasse que eu conseguiria ficar mais algum tempinho com minha linda esposa, eu iria chegar até o tempo de envelhecimento dos elfos, esse era o tamanho do meu amor, que até agora, não diminuiu nem um pouco, como eu tinha medo de acontecer quando conheci a ruiva.


Dandara: e aí, vamos pra casa? 


Antônio: claro, nem precisava pedir.


E partindo pra casa, já estava feliz e animado com o encontro que eu teria amanhã.


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