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A passagem de uma vida🌻3
🤕🤒🫩morri mas passo bem🫩🤒🤕
1816 palavras • 10036 caracteres • ⏱ 7 min 16 s

🤕🤒🫩morri mas passo bem🫩🤒🤕

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Visitar todas as pessoas que eu ajudei ao longo dos anos acendeu uma chamada de motivação bem grande em meu coração, uma que eu não pensei que iria ser ascendida de forma tão fácil assim, hmhmhm. E com essa motivação nova, saí novamente do quarto, pensando apenas como seria bem divertido de fazer aquilo de novo, mas quando eu falei pra minha linda esposa o que eu queria fazer, ela ficou irritada, o rosto dela tava muito chateado.


Antônio: o que foi amor?


Dandara: você tá ficando muito tempo fora de casa, é estranho falar isso porque eu também não fiquei muitos, mas acho que agente tá se afastando, quando você terminar esse projeto, você pode arranjar algo pra gente fazer junto? Por favor


Antônio: querida, eu te prometo, assim que eu terminar esse projeto, eu irei passar o máximo de tempo possível com você, eu vou dar ideias, você vai dar ideias, e então agente decide o que pode fazer junto, tá bom?


E com o rosto alegre, ela falou.


Dandara: tá bom, mas me fala, você tá pensando em fazer outra coisa além disso?


Antônio: nao, essa é a ultima coisa, e então eu estarei totalmente livre


Dandara: promete?


Antônio: eu prometo, assim que eu terminar isso, agente vai ficar sempre juntos, tá bom?


Dandara: um, eu já tenho algumas ideias prós lugares que agente pode ir junto, vai ser muito divertido


Antônio: com você, sei que vai ser divertido


A Dandara nem respondeu o que eu falei, ela apenas me olhou de forma predatória e com os olhos brilhando, e quando ela abriu os braços, eu notei finalmente que ela estava com um livro nas mãos, um que eu não via há muito tempo. E o título era bem familiar pra mim também. “1000 maneiras de usar feitiço de fogo pra excitar seu marido”.


Dandara: eu quero testar coisas que eu não conseguia pela minha inexperiência, isso se tiver tudo bem pra você


Antônio: isso se você permitir que eu faça isso com o meu também


Dandara: nada me deixa mais feliz, agora termine seu serviço, pra nós conseguirmos ter nosso momento solitário de novo


Antônio: tá bom.


Ah, poder acertar as coisas assim era tão bom, ela me falou o que tinha de errado, nos resolvemos o problema e agora eu podia curtir minhas coisas sem ficar pensando se eu fiz algo errado ou não, porque todo mundo tinha que complicar os relacionamentos e pensar que tudo tem que ser intenso o tempo todo? Pra mim, ser tranquilo e docinho assim era o melhor tipo de relacionamento que alguém poderia ter, hahaha.


E então, mais uma vez eu estava naquela cabaninha de novo, mas eu fiz questão de avisar para a Dandara que eu poderia facilmente ficar meses naquela cabana, eu comi minha última refeição com o maior cuidado e gosto possível em u m prato simples de frango, aproveitei o máximo que podia antes do que podia facilmente se transformar em um ano de jejum, e fui fazer o Golem.


Antes, é claro, eu fiz estudos intensos em todos os livros diferentes na questão de misturar dois tipos diferentes de golens. Misturar os feitiços para um golem guerreiro e mago já era difícil, mas criar um Golem quase independente, capaz de se regenerar, atacar e usar magias, parecia o trabalho de uma vida de alguém e ser capaz de aguentar golpes com a força total de alguém com poder digno na agora a atual Rainha, Isabely, apenas o ex rei poderia fazer algo assim, mas então, eu me coloquei para criar aquele Golem.


Antes de tudo, eu modifiquei os minérios, porque não podia ser apenas os minérios puros, para eles aguentarem tudo que eu faria neles, eles precisavam ser carregados de magia na forma mais bruta deles, e depois comprimidos. 


Eu consegui quase 10000 quilos do minério que eu precisava, e eu pressionei cada um deles com toda a força telecinética que minha magia permitia, até os 10000 quilos de minérios se transformarem em 10 quilos, eu nem sabia que era possível um minério ser comprimido de forma tão bruta assim mas eu consegui, mas o meu pesadelo estava apenas começando. 


Apenas nessa simples operação, eu tinha gastado mais de duas semanas, e eu nem tinha começado o trabalho de fato, mas era nesses momentos que eu não podia parar, não agora.


E então, eu comecei a esquentar e moldar os metais para colocar todas as partes de magia dele, mas como já era de se esperar, um minério tão comprimido, tão pesado, e com tantos feitiços para ser mantido leve de alguma forma era algo digno de pesadelos profundos para ser moldado, eu levava dias apenas para moldar uma única forma, eu apenas mantive minha sanidade escutando música e olhando meu relógio vermelho de forma constante o tempo todo, não perder a noção do tempo pareceu manter minha cabeça no lugar de alguma forma.


Eu estava pálido, faminto, e meus ossos estavam estalando tanto que eu sentia que precisava de óleo ao invés de apenas me esticar, e segundo meu relógio, eu fiquei quase 6 meses fazendo aquilo, nossa, a Dandara deveria estar morrendo de preocupação comigo, mas eu não podia parar, ainda não.


E então, eu comecei a unir tudo, até que alguém achou minha cabana e a escancarou.


Dandara: ACHEI VOCÊ, ONDE VOCÊ…


Ela não conseguiu continuar, porque ela viu meu estado, mas também viu o tipo de Golem que eu estava criando, eram simplesmente coisas demais para serem ditas, e muito pouco tempo, e apesar dela ter vindo do nada e me interrompido, ainda falei com ela.


Antônio: eu se…


Dandara: não, nanão, foi minha culpa, tá na cara que você precisa de mais tempo.


E então ela fechou a porta, eu não conseguia entender direito o que eu estava criando exatamente, mas o fato de que a coisa incompleta conseguiu “acalmar” a Dandara, a ponto ela nao tentar me convencer a parar, já falava bastante o quão complicado era o que eu estava fazendo, e isso me deixava bem orgulhoso, mesmo que eu não estivesse nem na metade de terminar o serviço. 


Apesar de eu não ter perdido a noção do tempo, sinto que eu cheguei num estado onde meu cérebro e as minhas mãos começaram a fazer as coisas sem mim, e eu só tinha que me importar em fazer os cálculos e as outras coisas super difíceis de tudo, mas a essa altura, eu conseguia aguentar aquilo sem problema nenhum.


E então, eu criei uma grande bola de mana, uma esfera tão grande, mas tão grande, e com tantos tipos diferentes de magia que era surreal o quanto ela ainda conseguia se sustentar, a ponto que eu tive que invocá-la fora da cabana pra manifestá-la completamente.


Então eu comprimi ela, junto com tudo, e depois de comprimir tudo, eu coloquei ela entre duas peças do Golem, e mais uma vez, um grande pesadelo, porque eu precisei ficar pressionando a peça por quase 3 dias inteiros, apenas pra elas se aproximarem pela metade do caminho, e mais 4 pra elas se unirem, e quando elas se uniram, eu tive que forçar ainda mais, porque elas pareciam estar usando todo o poder que tinham apenas pra se separar, e depois de muita briga, uma briga absurda que as duas partes tiveram comigo e perderam, elas finalmente se uniram, e pareciam já ser as partes de Golem mais resistentes que eu já tinha unido em toda a minha vida.


E então, talvez a parte mais complicada começou, o Núcleo, os ingredientes, o caldeirão, a pressão, o calor, e o tempo pra ficar pronto. Cada uma dessas coisas usou o último resquício de paciência, força, energia e sanidade que eu tinha. 


Apenas para aquelas panelas, eu senti o meu corpo se queimando pelo calor e pela pressão da criação do núcleo artificial, mas eu não parei, e eu meio que parei de ligar pra dor do meu corpo depois de ficar tanto tempo ali, e eu já tava considerando se eu havia enlouquecido depois de fazer aquele Golem por tanto tempo, spoiler, sim, eu fiquei louco. 


Bom, pelo menos o núcleo ficou lindo quando eu completei tudo, e isso não dava pra negar…ele tinha um brilho branco de luz pura, como se ele não fosse um feitiço, ou uma combinação fraca de vários outros feitiços, mas sim que ele era a combinação perfeita de cada feitiço, ingredientes e técnica que eu usei em toda aquela criação, criando o branco.


E depois de tudo que eu passei, usei o último resquício de força em meus braços e pernas pra andar até o Golem, abri-lo e colocar o núcleo na ponta de cima da espinha dorsal dele. 


Enquanto o Golem ligava, eu caí no chão, e respirei fundo, e olhando pro meu relógio de pulso, vi que no fim de tudo, eu criei, montei e programei o Golem, depois de ficar 11 meses lá dentro…11, malditos, meses. É, eu enlouqueci, não era nem questão de pergunta, era apenas afirmação naquela altura.


E então, com o meu corpo mais enferrujado que uma máquina que ficou em chuvas pessoas das por 1 mês, um fedor digno de um lixão, uma palidez digna de um zumbi em putrefação e uma vontade absurda de falar qualquer ser humano, eu falei com o Golem.


Golem: ola, quem é você?


Antônio: sou seu criador, olha, você pode me levar pra casa, por favor.


Minha voz estava fraca, muito mais fraca do que eu pensei, mas com a empolgação de uma criança, o Golem só falou.


Golem: posso te chamar de papai?


Antônio: claro claro, pode, mas me leva pra casa, por favor


Golem: tá bom.


Eu não tava pensando direito na hora, eu tava usando todo meu raciocínio pra continuar consciente, então não questionei o motivo do Golem estar falando e tendo um raciocínio lógico tão bom, sendo que eu não tinha certeza se eu programei isso nele ou não, mas eu já cheguei num ponto onde eu não sabia se tava consciente, então eu parei de questionar isso também.


E então ele me pegou com uma delicadeza que eu não acreditava, e depois de ver o quão frágil o meu estado estava, mudei de ideia e pedi para o Golem cuidar de mim por alguns dias antes de me levar pra casa, e graças a deus, pelo Golem conseguir falar de uma forma bastante humana, eu consegui manter minha sanidade mental até um certo ponto. 


Levou só 1 semana pra eu me sentir seguro o suficiente pra voltar pra casa, isso foi o quão bem ele cuidou de mim, eu já tinha recuperado algumas gordurinhas que perdi no meio do caminho, já tava cheiroso, com a pele um pouco menos pálida, a ponto de eu ainda estar mal, mas ainda bem melhor do que antes. Eu esperava estar bem pra ninguém fazer perguntas em casa.


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