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A passagem de uma vida🌻3
🫩🤒😞um pedido egoísta😞🤒🫩
1898 palavras • 10608 caracteres • ⏱ 7 min 36 s

🫩🤒😞um pedido egoísta😞🤒🫩

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Eu queria voltar a viajar rápido, mas me dei um tempo para ficar e ver o Pedro se casando, eu sabia que o casamento ia acontecer rápido, eu não tinha pensado aquilo na época, por mais lógico que eu dissesse que fosse, eu agi por impulso, por todo o lance dos nobres e coisa e tal, e o fato que eu o irmão mais novo dele, alguém que não quer ser patriarca e que nunca ganhou dele em uma briga, havia se casado primeiro que ele, fez as famílias nobres ficarem agitadas, a ponto que o Pedro correu contra o tempo pra impedir que as coisas ficassem ruins.


Bom, pelo menos ele teve tempo para conhecer a Celine, eu tive tempo de conhecer ela e ter certeza que ela trataria meu irmão direito. (Também descobrindo que eu iria me dar muito bem com a minha cunhada). 


E a minha mãe tava se dando muito bem com ela, elas eram quase como irmãs, mesmo minha mãe tendo o dobro da idade dela.


Sim, eu sabia de tudo isso, mas eu não consegui entrar no grande casamento do meu irmão, não porque fui impedido de entrar, mas porque eu sabia que iria fazer uma grande cena se eu entrasse lá.


Primeiro, além das duas famílias que estavam se unindo, muitas famílias nobres estavam ali para “presentear” o noivo e a noiva com presentes e bênçãos, incluindo a própria Rainha Invisivel, algo que eu gostei, mas também tinha muito barulho, muitas vozes, muitas pessoas, muito brilho, muita música, MUITO TUDO. 


Eu não ia conseguir ficar lá, então fiz a mesma coisa que usei no dia da coroação da Isabely, eu vi tudo com a Dandara bem acima de tudo, mas dessa vez eu estava tão longe mas tão longe que eu tive que usar uma magia estilo lupa pra conseguir ver a cerimônia, e apesar de ter feito a mesma coisa que eu, a Dandara estava bem triste com o que eu tava fazendo.


Dandara: você tá de boas com isso? é o casamento do seu irmão


Antônio: é exatamente por causa disso que eu não quero envergonhá-lo


Dandara: por que? Por causa da sua maldição?


Antônio: sim, não sinto que só por ser assim eu irei envergonhá-lo, mas com o tanto de coisa que tem lá, eu sei que eu enlouqueceria completamente antes da Cline chegar no altar


Dandara: pior que é mesmo, mas você não tá chateado de não estar ali, com o seu irmão?


Antônio: tenho certeza que ele entende, (sorri) e apesar de não conseguir ficar lá embaixo, eu tô bem feliz pelo meu irmãozão


Dandara: a Cline será uma excelente consorte


Antônio: é, acredito em você.


Eu até considerei e alguns segundos se eu tava realmente exagerando na distância ou não, mas quando a cerimônia começou e o barulho, as luzes e o som dos instrumentos normais de casamento se mostrarem estavam tão intensos a ponto de eu até considerar me afastar mas, eu acabei decidindo que não exagerei nem um pouco.


Porque o minúsculo som que ainda conseguia chegar ate nós, já estava mexendo um pouco com meu autocontrole, mas com a Dandara segurando minha mão, eu consegui me acalmar. 


Quando encontrei meu irmão com a lupa mágica, fiquei meio triste ao notar que ele provavelmente estava se segurando pra não ficar nervoso com todo aquele lugar, algo que eu nunca conseguiria fazer, eu sabia que ele escolheu isso, mas mesmo assim.


Antônio: (suspiro) coitado, vai passar o resto da vida fingindo, enganando e escondendo coisas de todos, talvez até de mim, e por que? Por que ele podia, e vai transformá-lo numa peça de tabuleiro por causa disso


Dandara: não, ele escolheu virar uma peça de tabuleiro e como foi ele que escolheu, talvez, mas só talvez mesmo, ele consiga se mover do jeito que quer, ao invés de deixar outros brincarem com ele


Antônio: hmhmhmhmhmhm, interessante, é, talvez algumas peças consigam se mover de forma bem melhor quando escolhem e conseguem reconhecer perfeitamente quem elas são


Dandara: shhhhhh tá começando.


Não sei porque ela queria silêncio, ninguém iria nos incomodar ali, mas quando o barulho diminuiu, e a Cline começou a andar até o altar, tive uma sensação absurda de djavú, porque eu já estive naquela situação antes, mas era em uma situação bem menos estressante, eu estava nervoso com o casamento, os poucos convidados não tavam ajudando com a minha paciência, mas quando vi a Dandara, tudo pareceu certo e eu me acalmei. 


E bem na minha frente, eu conseguia ver o Pedro se acalmando, cada partícula e resquício do stress que ele mostrou a alguns segundos atrás sumiu, dando apenas lugar para a calmaria que eu tinha certeza que se eu tivesse no lugar dele, não conseguiria ter. 


E a própria Cline parecia feliz, segura e protegida perto do meu irmão, eles não apenas se completavam, eram um reflexo de uma das melhores decisões que eu tomei na minha vida, um reflexo que, apesar de todas as dificuldades e jogos políticos que entraram, eles iriam proteger as costas um do outro, e por último, e o mais importante de todos, vendo ele sorrindo, tão feliz, tão certo, e com uma calmaria que apenas a sua pessoa amada poderia dar a ele. Vendo tudo aquilo, não tive nenhuma dúvida que…


Antônio: ele é realmente meu irmão


Dandara: não fale como se fosse algo surpreendente


Antônio: é que, as vezes é difícil ter certeza, tem coisas que agente é tão diferente


Dandara: e coisas que vocês são parecidos até demais, normal de irmãos, mas aquilo, aquilo eu sei muito bem que vocês são parecidos.


A Dandara falou aquilo enquanto me abraçava com muito carinho, enquanto eu via meu irmão olhando para a Clíne com olhos cheios de paixão, olhos que eu conhecia muito bem, e olhos que eu queria acreditar que mostravam um futuro brilhante para os dois. 


E então, depois do beijo e da troca de alianças, e depois de toda a multidão comemorando adoidado, eu chamei a atenção da Dandara que ainda tava devaneando no meio do romance do casamento e falei.


Antônio: aí, o que você acha da gente ir pro banquete?


Dandara: o banquete você não vai rejeitar né?


Antônio: ué, eu vou tentar, já tô mais acostumado por sua causa, vamos


Dandara: AVANTE, PARA O BANQUETE!


E com uma empolgação digna de uma batalha de guerra, nós descemos para nós agraciar com o banquete que eu sentia que meu irmão preparou.


Quando descemos e chegamos nas portas pra entrada do banquete, vi como tudo não parecia muito diferente de um baile normal, só que ele parecia um baile que eu tava considerando não entrar, mesmo gostando de bailes, e conseguindo ficar neles até certo ponto, havia algo naquele baile que me fazia pensar se deveria entrar ou não.


???: cara, eu não entraria lá se fosse você.


Não precisei virar a cabeça pra ver quem era.


Antônio: você não deveria estar com a sua noiva maninho?


Pedro: ela tá com a mamãe, ela quer um tempinho pra se recuperar, e eu quero ficar um tempo com meu irmãozinho


Antônio: desculpa querida, mas meu irmão precisa de mim


Dandara: tranquilo, eu só vou…pegar uns doces e depois vou pra casa.


Nossa, nunca pensei que veria aquilo, mas a Dandara estava com um medo absoluto de entrar lá, como eu imaginei, não eram apenas os super sentidos, o baile, apesar das luzes, glamour e banquete, não tinha nada de bom, pelo menos nada bom o bastante pra nós ficarmos lá.


Dandara: obrigada aliás


Antônio: por que?


Dandara: não sei quando, mas em algum momento, comecei a ficar melhor em saber que lugares vale a pena ficar muito e quais não vale, então, agradeço, agora vai curtir um pouco a festa com seu irmão.


E como um bom marido, eu escutei minha esposa e fui com meu irmão para um lugar um pouco mais distante dali. E quanto mais agente se desviava da festa, o meu irmão começou a caminhar no ar, e eu comecei a flutuar. Até que agente chegou no ponto onde eu estava antes, mas agente não parou ali, agente continuou voando mais alto, mais alto, e ainda mais alto, até que chegamos no ponto onde as casas pareciam de brinquedo.


E enquanto os nossos corpos eram pegos por grandes correntes de vento, meu irmão respirava, com os olhos fechados e ganhando um pouco mais da bateria social dele parecia voltar. 


Não falei nada, apenas deixei meu irmão respirar, enquanto ele parecia recuperar bem devagar a própria força, beeeeeeeeeeeem devagar mesmo, até ele lentamente começar a descer pro chão. 


E quando chegamos no chão de novo, ele parecia revigorado, pelo menos o suficiente pra colocar as máscaras do baile de facadas nas costas de dentro do lugar, e enquanto passava a mão no próprio rosto, o Pedro falou.


Pedro: Antônio


Antônio: fala


Pedro: você poderia fazer um favor pra esse irmão mais velho egoísta?


Antônio: claro maninho o que você quiser


Pedro: você pode fazer um baile pra mim? uma festa de verdade, um baile pro meu noivado.


Eu entendia o que ele queria dizer com “baile de verdade” porque aquilo não era uma festa, não pro meu irmão, era um show, um teatro, onde ele estava atuando a própria vida, e apesar do quão feliz eu estava dele confiar tanto assim em mim, uma dúvida estava na minha cabeça.


Antônio: mas por que eu?


Pedro: não estou com a cabeça boa hoje pra pensar que tipo de Baile eu quero, mas a única coisa que eu tenho certeza é que eu quero que meu baile de verdade seja “completamente o oposto disso”. E quando essa ideia fica fixa na minha cabeça, você parece o cara certo pra organizar a festa…eu gostei muito da festança que agente fez no seu casamento, podemos fazer algo parecido?


Antônio: não, eu nunca fiz nada disso, mas vou tentar fazer a festa perfeita pra você maninho.


O Pedro estava com um pouco de medo com o que eu poderia fazer, ao mesmo tempo que ele estava um pouco calmo, pensando que seria difícil de eu fazer algo pior do que aquilo, e eu logo o confortei.


Antônio: não se preocupe maninho, não vai se decepcionar


Pedro: sei disso, sei disso.


A dúvida do meu irmão, apesar de ainda confiar bastante em mim, estava estampada na cara dele enquanto o corpo dele se recomponha e ele voltava bem devagar ao campo de batalha que era aquele baile.


E assim que ele entrou, a Dandara saiu, carregando o máximo de doces que tinha lá dentro.


Dandara: e aí, quer ficar até o final?


Antônio: na verdade não, eu tenho uma missão mega importante pra fazer, e eu quero sua ajuda pra fazê-la


Dandara: me explica no caminho.


E enquanto eu explicava o que o meu irmão me pediu, a Dandara ficou bem feliz, já começando a criar uma estratégia, e falando como agente teria que chamar nossas mães e muito mais.


Antônio: lembra querida, o meu irmão pediu pra ser algo “totalmente diferente daquilo”.


Falei enquanto apontava pro baile que tava rolando agora.


Dandara: relaxa maninho, com você aqui, tenho certeza que vamos fazer do jeito certo.


 Não sabia por que todo mundo tinha uma confiança tão grande que eu conseguiria fazer aquilo direito, mas ao mesmo tempo, não contestei porque eles pensavam assim.


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