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A passagem de uma vida🌻3
🌲De volta a arvore🌲
1862 palavras • 10877 caracteres • ⏱ 7 min 27 s

🌲De volta a arvore🌲

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Achei que seria estranho voltar para a Árvore de Halloween depois de tanto tempo sem ficar lá, mas era algo bem nostálgico voltar pra lá, assim como eu imaginei, tudo tava igualzinho, ao mesmo tempo que tudo tava diferente de alguma forma, cada um dos clientes me recebeu de braços abertos, como se eu fosse membro de um clube exclusivo, além deles estarem bem curiosos com a maga que estava comigo.


Eu estava agora com um manto de corpo completo e um chapéu de bruxo, grande e pontudo o bastante pra cobrir meu rosto com sombras, feitos com a pele de dinossauro que eu ganhei na grande corrida de triceratops, junto do meu colar com uma pequena madeira, sendo quase invisível por baixo do colar de girassóis se destacando com o azul super escuro de todo o resto da roupa, ainda combinando com meus olhos amarelos. 


Cada pedaço do tecido tava cheio de feitiços que deixava meu manto tão duro quanto uma armadura de ferro. Todos entendiam o que aquele colar deveria significar e era por esse motivo que eles entendiam o quão incrível era eu ter tanto poder assim.


Eu ainda não tinha barba, apesar de eu me orgulhar muito de ser um adulto, queria manter meu rosto sem pelo nenhum por algum tempo. Mas eu já estava com algumas olheiras, olheiras dos dias em que eu virei a noite, tanto por causa das viagens, quanto pelo trabalho, até pelos dias em que a Dandara não conseguia dormir. Apesar de não serem cicatrizes, estava um pouco orgulhoso daquelas olheiras, pelo menos mais do que das marcas que estavam abaixo do meu manto.


A Dandara usava um conjunto de robes com luvas grossas, uma bolsa de couro duro que tinha ferramentas de talhagem, anéis e brincos de madeira com feitiços embutidos, tudo junto com um chapéu grande igual ao meu e um manto bem mais leve, mais parecido com um vestido, só que era bem mais bufante.


E quando eu conversei com o Barman, descobri que quando eu sumi, diversos boatos começaram a rolar por aí, que eu tinha morrido, sido capturado por alguém que não gostava de mim, ou caçado por alguma pessoa diferente, a criatividade das pessoas pra criar boatos assim era quase ilimitada, mas eu desfiz os boatos mais absurdos, apenas explicando que eu tinha ficado longe por que eu tava aproveitando meu casamento.


Aquela simples explicação pareceu o suficiente para muitos ali, claro, aquilo também foi o combustível para muitos outros boatos começarem, tinham muitos boatos e especulações de quem a Dandara era, porque com o equipamento inteiro de carpinteiro dela, deixava mais claro do que nunca que ela não era uma garota normal, não, na verdade, ela não parecia nem uma mulher normal. 


Eles especulavam que ela era uma arvore magica que decidiu se transformar em uma mulher para conseguir ver o mundo e acabou me conhecendo no meio de suas aventuras. Outros diziam que ela era a líder de um bando pirata, mas abandonou seu bando quando me conheceu e tentou viver com o nome limpo junto comigo. Outros diziam que ela era uma maga solitária que ficou desde a sua infância isolada numa torre estudando até que eu havia a encontrado e a convencido a ser minha parceira. 


As especulações eram todas doidas e incríveis, e agente ria deixando os caras do bar pensarem no que exatamente a Dandara era, porque cada um criava uma história tão doida ou mais engraçada que agente achava engraçado eles irem tão longe nas especulações.


Pensei que, com meu desaparecimento, os viajantes iriam demorar mais pra tentarem ir atrás de mim de novo, mas foi o contrário, porque alguns boatos do meu desaparecimento eram tão doidos que mais viajantes começaram a aparecer, exatamente porque eles pensaram que eu sobrevivi aos boatos que eles acreditavam, considerando que alguns boatos falavam que eu havia virado o brinquedo de um dragão e outros diziam que eu virei o rato de laboratório de um mago maluco, não era tão doido que eles queriam ainda mais que eu os guiasse.


Algo que eu gostei é que, agora, além dos viajantes mais doidos, que queriam se vingar, ou queriam encontrar algo para se provarem, ou encontrarem uma vila (seja de gigantes, seja de elfos, seja de fadas ou de Sapiens), para se esconderem ou para terem um novo começo. Tinham aqueles que não tinham viagens tão obscuras, tinham também viajantes que apenas queriam encontrar uma cidade ou vila que eles descobriram que tinha a melhor loja de bolos que existe. Tinham outros que apenas queriam encontrar o canto onde frutas ou vegetais super raros no continente deles existiam, ou onde animais super territoriais e poderosos vagavam. 


E não importa o motivo, era sempre bom só conversar com os viajantes, e fazer o mundo e a percepção de vida deles mudarem totalmente. Não apenas os extremistas, que tinham sua visão totalmente distorcida, mas aqueles que estavam com a vida mais tranquila sempre eram uma ótima conversa também.


Fiquei com um pouco de vergonha no início, mas a Dandara, minha linda esposa, era muito boa em conversar com os viajantes, principalmente os extremistas, enquanto ela ainda tentava entender por completo o que os viajantes mais tranquilos passavam. 


Era interessante e quase contraditório como os viajantes com visões menos extremas tinham problemas para ver o ponto de vista que nós queríamos mostrar pra eles, era triste, mas eu não podia ajudar alguém que não queria ajuda. E sempre que eles ficavam irritados, eu dizia a mesma coisa.


Antônio: calma, calma, eu só tô conversando, não precisa levar as coisas tão a sério.


Apesar de todos os clientes que gritavam e diziam que eu era irritante, nenhum deles dizia pra eu parar de falar, na maioria das vezes, parecia mais que eles queriam que eu continuasse falando, o que sempre me fazia sorrir. 


Apenas uma pequena quantidade de viajantes não queria falar, e eu respeitava completamente quem não queria falar, e pelo quão boa a Dandara tava ficando naquilo, comecei a pensar que ela seria uma excelente palestrante um dia.


E então, mais um boato começou a correr por si, algo mais do que o simples fato que eu e a Dandara estávamos vagando por lugares absurdamente perigosos de dentro do continente, mas também o fato de que quase todos os viajantes que criavam nosso caminho tinham uma grande “sorte” porque eles sempre conseguiam o que queriam, um filho bastardo que conseguiu se tornar frei; O único sobrevivente de um ataque de piratas que conseguiu prender os piratas que destruíram sua casa; Um excluído de seu próprio reino que encontrou um lugar pra chamar de lar. Além de muitas pessoas que queriam a viagem para se esquecerem de pessoas horríveis que já fizeram parte da vida delas, e com nós dois, eles sempre conseguiam. 


Com o tempo, um boato de que fazer uma viagem conosco dava boa sorte para a viagem de todos, algo bonitinho, que eu tinha um medo real que pudesse sair do controle, mas eu sentia que podíamos dar um jeito nisso com o tempo certo.


E junto de meus boatos, descobri que tinha um mago lutador que estava fazendo seu nome por aí, alguns boatos diziam que ele afundou uma frota inteira de piratas sozinhos, que ele colocou uma coleira em um elefante de presas vermelhas, que ele conseguiu a ira dos Cavernosos e viveu pra contar a história, e ainda ficou dias em um deserto mortal, cavando de forma profunda, muito, muito profunda, até conseguir achar água e criar um grande oásis.


Diferente dos meus boatos, aqueles pareciam bem verdadeiro, e ouvindo o nome da origem de todos os boatos, eu não fiquei impressionado, só tava impressionado com o apelido que escolheram pro rapaz “Midas de Ferro”. É, o Midas estava fazendo seu nome enquanto eu estava descansando, precisava tomar cuidado, senão eu poderia ficar pra trás.


E enquanto pensava naquilo, no meio de tudo, a nossa “clientela” mudou bastante, porque em algum momento, agente começou a falar com pessoas com relacionamentos muito ruins, seja namorados/namoradas, maridos/esposas e ficantes. 


Eu ouvi cada história doida que eu muitas vezes pensei “nossa, como é possível que alguém tenha um relacionamento tão ruim?” E o pior era que era muito difícil algumas vezes convencer alguém num relacionamento ruim, tinha muitos motivos, mas o principal era que todos ainda estavam ou apaixonados, ou com medo do parceiro fazer alguma coisa. Homem ou mulher, era sempre a mesma coisa. Mas quando chegava num ponto muito ruim da jornada, a Dandara sempre falava a mesma coisa.


Dandara: querida(ou querido), se você veio até aqui, passando por todo o tipo de perigos, passando por terra e mar para perguntar a nós o que fazer, acho que o seu namorado(ou namorada) não merece mais ficar com você.


Nenhum viajante do amor, dos 6 meses que a nova leva de clientes chegou, conseguiram uma resposta boa para aquilo.


Mas para o meu alívio, muitas vezes, durante as viagens, nós tínhamos apenas que ajudar um viajante a entender o quanto a garota que gostava dele era tóxica ou o quanto uma das garotas perto dele gostava dele secretamente. 


Durante esse meio tempo, eu me impressionei bastante o quanto certos garotos não entendiam sinais. Enquanto a Dandara se impressionou também pelo fato que muitos garotos entendiam sinais, eles apenas tinham medo de darem o primeiro passo e eles estarem errados de não serem realmente eles no final.


Antônio: relacionamentos são complicados


Viajante: são mesmo.


Mas o meu maior alívio foi ver como, apesar de nos ficarmos bem famosos por sermos conselheiros, ainda ajudavamos muitos viajantes a encontrar o que queriam, muitos deles eram apenas viajantes simples e humildes


Respirando fundo, fiquei feliz em ver como estava de volta às origens, eu adorei aquele momento de descanso, mas ao mesmo tempo, eu não podia estar mais empolgado pra quantidade de coisas doidas que eu ainda iria passar.


E durante esses dias onde nós ficamos ali, cada vez mais nós ouvíamos os boatos do Midas, e o quanto ele havia se tornado implacável contra qualquer um que ficava em seu caminho, na forma boa e na forma ruim também.


Dandara: você criou um monstro Melzinho


Antônio: é, eu criei alguma coisa, mas com certeza não é um monstro.


E dando um brinde com minha linda esposa, eu bebi mais uma garrafa de bebida sem álcool, pensando em qual viajante eu iria me divertir levando pelo continente, porque agora eu conhecia aquele lugar todo como a palma da minha mão, e as costas também, haha.


Antônio: ser adulto é um barato


Dandara: concordo.


Mas quando tudo parecia calmo e tranquilo, alguém chamou a minha atenção, um grande mago que parecia carregar um grande pedaço da grande consciência que eu descobri, e com olhos ferozes, digno de um animal selvagem, junto de um grande barba e um cajado todo queimado mostrava a brutalidade pura dele antes dele falar qualquer coisa.


Mago: ola, eu desejo ter um duelo com você


Antônio: tá, eu aceito, vamos lá pra fora.


A Dandara nem se impressionou com o que eu  fiz, o estranho seria se eu não aceitasse um duelo a essa altura.


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