O Midas estava confiante, ele tinha várias técnicas e brinquedinhos novos, mas assim como eu prometi pra ele, eu não brinquei dessa vez, e eu mandei uma grande quantidade de homens pra cima dele, e como eu pensei, o Midas era tão forte que muitos dos meus golens foram destruídos, mas aqueles golens eram substituíveis de forma fácil.
O Sapien podia ser forte, mas ele não podia apenas ignorar os milhões de golens que eu podia criar sem gastar muitos recursos ou mana, enquanto eu preparava o Alef, o meu melhor golem até agora…diferente do meu irmão, eu criei o Alef em 10 minutos sem problemas, então, o Alef foi até o Midas, uuuuuuh, interessante, ele conseguiu defender o ataque do Alef.
Mas enquanto ficava feliz no início da luta, percebi rápido que eu exagerei, por que o Midas até defendeu, mas a força do Alef era tanta que ele quebrou as manoplas de Midas, destruiu o braço dele, afundou o peito do Midas, e o afundou no chão com tanta força que toda a terra tremeu, a ponto de que as outras lutas pararam por alguns segundos pelo tremor. Eeeeeeita, eu realmente exagerado ali, booooom, pelo menos o Midas estava vivo, tirando o Alef do caminho, eu via que mesmo com provavelmente seu pulmão esquerdo e o seu coração destruído, o Midas parecia vivo ainda, de alguma forma.
Antônio: me desculpe.
O Midas tentou falar alguma coisa, mas ele não conseguiu falar muito antes de tossir muito sangue, bom, naquela hora as fadas entenderam bem que precisavam cuidar do Midas, mas antes disso, ele impediu elas pra pelo menos falar um pouco comigo.
Midas: não(tosse), foi minha culpa…eu…não tava pronto…(tosse mais sangue), subestimei…(tosse) força…alguém(tosse sangue) viu todo(tosse) continente…(tosse sangue), mas…(tosse) eu não desisti
Antônio: bom, eu nunca lutei pra valer com você, espero que você esteja mais preparado na próxima.
Eu falei isso pro Midas, mas era claro que ele não esperava que ele nem conseguisse me tocar se eu lutasse a sério, e um pouco irritado com ele, eu falei.
Antônio: ah, qual é, não me olha assim, eu sou um mago, eu só sei me defender a distância também, você não achou que eu não conseguia me virar a distância, né?
O Midas não respondeu o que eu disse, mas era claro que o que eu falei deu muita coisa pra ele pensar, enquanto ele era levado pelas fadas curandeiras, enquanto a Dandara vinha pro meu lado e falava.
Dandara: você é cruel
Antônio: ele queria que eu lutasse a sério, e eu lutei, ele não está irritado comigo, ele tá irritado com ele próprio…ele pensava ser mais forte que isso…mas tudo bem, eu tenho certeza que isso vai deixar ele bem mais forte do que antes
Brutus: o que ter um bom rival não faz com você não é?
Antônio: é, eu tive sorte que meu rival tem meu próprio sangue
Brutus: já pensou em lutar com seu pai
Antônio: hahahahaha, essa foi boa Brutus, muito boa
Brutus: ele é tão forte assim?
Antônio: você já viu o Pedro lutando…bom, o Pedro nunca conseguiu machucar meu pai…nunca.
O Brutus não parecia impressionado com isso, na verdade, isso só o deixou pensativo de novo.
Brutus: o Midas fica mais forte com você, você fica mais forte com seu irmão e seu irmão fica mais forte com o seu pai, acha que seu pai se fortalece pra vencer alguém
Antônio: não.
Novamente, eu não fiquei com medo da minha voz, eu sabia por que ela mudou, e eu não tinha mais medo disso.
Antônio: ele sempre fez tudo por ele mesmo…ele nunca fez nada pensando nos outros.
O meu pai nunca se importou com minha mãe, enquanto ela estava doente, enquanto ela estava sobrecarregada por minha culpa, ou a dor que a traição dele fez com ela, ele não se importou com nada daquilo em nenhum momento, então como? Como eu poderia perdoar alguém assim?
Vendo que a minha mente estava indo pra um caminho bem sombrio, Brutus me chamou, por que pelo que parece, a nossa luta era a próxima.
Brutus: ai, guarda pra nossa briga, por favor
Antônio: ah, ah, claro.
O Brutus, como o próprio nome já diz, era um Lobo bruto que eu sabia que não podia brincar, então eu usei toda a minha força logo no início, eu joguei meus golens descartáveis em segundos, e antes de criar o Alef, eu criei golens cães de 2 minutos, que conseguiram morder e machucar bastante o Brutus, depois eu criei mais golens, e o Brutus parecia estar ficando mais irritado a cada segundo, mas ele não conseguia me acertar, nem as flechas dele conseguiam me alcançar, por que eu programei golens com flechas pra destruírem elas no meio do ar, o rosto do Brutus quando viu aquilo foi impagável.
Antônio: ESSE TRUQUEZINHO JÁ NÃO FUNCIONA MAIS COMIGO.
O Brutus então, quando eu comecei a criar os golens de 4 minutos, ele parou de defender, pegou sua grande lâmina e entrou em uma posição de ataque, eu sabia muito bem o que estava vindo, a aura dele ficou absurda, e na hora, eu desfiz meus golens e os coloquei no inventário, ah, que droga, bom, pelo menos eu pude criar o Alef por 7 minutos enquanto eu criava os outros. Então, o Brutus, diferente do que muitos pensariam, derreteu a própria espada em aura quente, a ponto dela se tornar uma grande águia, então ele falou.
Brutus: estilo selvagem, captura aérea.
Então, o Brutus saltou no céu em uma velocidade que pareceu quase teleportar, e no teto, ele caiu, se tornando uma águia que não derreteu apenas a espada, mas toda a sua armadura, a transformando em lâminas e com o corpo dele virando uma arma completa.
Mas eu não estava com medo, porque eu consegui criar o Alef por 8 minutos, e mesmo sendo em pontos diferentes, o Alef criou um diferente estilo, um onde um imenso tubarão branco batia no Brutus.
Mas a técnica nunca atingiu o Brutus, ele era muito forte pra eu apenas deixar ele fazer o que quisesse, então eu levantei meu cajado, o Brutus viu o que estava acontecendo, mas não conseguia mais fazer nada, o Alef fez um emaranhado de golpes que ele não podia escapar, então, eu disparei um dos golpes mais fortes que eu tinha.
Antônio: grimório dos golens, décima página…manipulação de sangue.
O Brutus estava realmente desesperado, dava pra ver no rosto dele, e no meio dos ataques, o meu feitiço, que parecia invisível pra muitos, voou até o Brutus, ele não tentou defender, porque aquela magia não dava pra defender, e de forma absurda, ele desistiu de defender o Alef, abriu a própria guarda e tentou fugir, ele teve sua armadura destruída, e teve o seu corpo cortado em milhares de pedaços, mas ele parecia estar apenas aliviado que o meu feitiço invisível não o atingiu.
Droga, aquele feitiço absurdo drenou toda minha magia, usei quase tudo que eu tinha naquele golpe, eu tava tão fraco que quase ajoelhei no chão, mas antes de eu encostar os joelhos no chão, o Brutus me deu um soco na cara e ele me jogou prós céus, o meu chapéu protegeu meu rosto por que havia um feitiço embutido nele que protegia a minha cabeça de carne molinha também, mas isso não adiantou, porque o impacto ainda foi o bastante pra rachar minha cara.
E no ar, o Brutus me acertou de novo, me mandou pro chão e me espancou até ele quebrar todos os feitiços de proteção que eu tinha, ok, talvez eu tenha exagerado mesmo no feitiço, porque eu tinha deixado o Brutus tão assustado que ele tava me batendo com o rosto mais assustado que eu já vi ele fazer, e nesse ponto, eu agradeci que a falta de magia havia diminuído meus sentidos, porque quando ela voltasse, aquilo com certeza ia doer, muito.
No fim, as fadas tiveram que interferir, por que se ele não parasse, não apenas eu iria morrer, mas o próprio Brutus iria morrer, porque o ferimento dele era tão sério que se ele não fosse tratado, ele iria colapsar também…não sabia direito o que tava me deixando acordado…mas no fim, eu senti que podia desmaiar depois de ver o Brutus sendo parado pelas fadas, então, tudo ficou escuro.
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Levou pouco tempo pra eu acordar, e como eu esperava, eu estava na ala médica do festival, mais remendado do que uma múmia, e não conseguindo falar, ou me mexer de qualquer jeito, até mesmo respirar parecia doloroso, mas eu tava tranquilo, por que o Brutus, que tava num estado bom o bastante pra ficar em pé, me trouxe um bloquinho e uma caneta que eu podia controlar com magia.
Bom, quando souberam que eu acordei, a Dandara e a Saytus apareceram, totalmente incrédulas com o que o Brutus fez.
Dandara: OLHA ISSO, VOCÊ TEM IDEIA DO QUE VOCÊ FEZ!? O ANTÓNIO IRIA CAIR NO CHÃO, ELE NÃO QUERIA MAIS LUTAR, VOCÊ TAVA TENTANDO MATAR ELE?
O Brutus não falou nada, mas eu chamei atenção da Dandara com a caneta e escrevi usando a telecinésia da minha magia.
Antônio: {tá tudo bem Dara, foi eu que eu exagerei primeiro }
Dandara: humpf, que tipo de exagero faria o Brutus fazer isso com você?
Antônio: {eu usei o feitiço da décima página, o sangue de furadeiras}.
E assim que ela ouviu isso, ela ficou com o rosto branco, e começou a tremer, pelo visto, ela tinha aprendido a mesma coisa que eu.
Dandara: maaaaaaaaas, esses feitiços não usam tanta magia que tem apenas um uso único? E que muitas páginas 10 são quase mortes instantâneas?
Antônio: {eu usei o feitiço porque sabia que o Brutus aguentaria, mas eu realmente sinto que exagerei, des…}
Mas antes de eu terminar de escrever, o Brutus parou a caneta e falou comigo.
Brutus: não peça desculpas, eu exagerei, você exagerou, nos dois exageramos, então vamos apenas fazer as pazes e voltar às lutas
Dandara: eu tô fora, lembra? E eu duvido que vocês dois vão conseguir lutar assim
Saytus: olha, desculpa se eu to meio perdida, mas, o que um feitiço a décima página faz?
O Brutus, então, com o rosto todo amedrontado, e esfregando o corpo para tentar se acalmar, falou.
Brutus: ele usa o ferro do corpo do alvo para criar parafusos dentro do corpo dele, depois os parafusos…eles viram e…destroem tudo que encontrarem pela frente…
O medo na voz do Brutus foi algo que pegou todos de surpresa, era trauma, mas parecia um trauma bem recente. Agente ficou um pouco em silêncio, o Brutus parecia estar passando por algo que nós três pensamos que era melhor deixá-lo passar por completo. E quando finalmente acabou, ele falou.
Brutus: eu fui atingido por esse feitiço por um magO Cavernoso que tentou passar pela muralha…diferente do Antônio, ele realmente quis me matar, mas como vocês podem ver, eu sou ruim de matar…mas a dor que eu senti naquele dia…é uma que me causa pesadelos a ponto de eu acordar no meio da noite, e ter uma vontade absuda de treinar no meio da madugada em um grande pânico até eu ficar cansado demais pra continuar acordado…um tipo de dor que você não deseja pro seu maior inimigo…pelo menos é o que eu penso
Antônio: {aí meu deus Brutus, eu sinto muito}
Brutus: tudo bem, você não sabia, e afinal, você aprendeu isso, então era claro que você iria usar, se alguém aqui deveria pedir desculpas devia ser eu
Antônio: {não é pra tanto também, apesar de não poder mais brigar, eu me diverti muito}.
Eu fiquei sem escrever por um minuto, enquanto eu lentamente apagava o que já estava no quadro enquanto dizia.
Antônio: {eu só fico meio triste que não consegui chegar no final}
Saytus: sempre vai ter uma próxima vez, não liga pra isso não.
O clima ficou bem mais pesado depois do que foi falado, o Brutus me perdoou e eu perdoei ele, mas o clima de toda a festa acabou, até que ele falou antes de sair.
Brutus: ah, não precisam fazer essas caras, eu sabia onde estava me metendo quando eu aceitei aquele trabalho, foi erro meu descontar coisa do serviço no Antônio, relaxa que vai ficar tudo bem.
Usando a magia que eu recém recuperei, coloquei a plaquinha na frente do Brutus e bati ela com a caneta pro lobo ler.
Brutus: “Brutus, eu entendo que você diz estar bem, mas saiba que eu vou sempre estar aqui pra te ouvir.” Tá, não se preocupa mano, eu tenho conversado isso com minha Psicomaga, acredite em mim, eu estou bem.
Depois que eu me recuperei o bastante pra voltar pra casa, nós decidimos que já passamos do tempo ali, e voltamos pra casa, o que me deixou realmente chateado, aquele deveria ter sido um evento mágico, incrível, mas acabou de forma tão ruim, bom, isso eu pensei até que as garotas falaram.
Saytus: o evento é ainda mais doido que os meus pais me falaram
Dandara: eu gostei muito, ainda não acredito que o Brutus venceu do próximo cara naquele estado
Brutus: é, pena que não consegui vencer o campeão, mas aí Antônio, o que você acha? Que tal a gente voltar ano que vem?
Antes de responder, eu fiquei olhando pra todo mundo, incrédulo.
Antônio: por que vocês tão agindo como se nada aconteceu? Vocês não tão pensando no que aconteceu com o Brutus?
Dandara: é claro que nós estamos Melzinho, agente apenas não tá pensando apenas nisso, isso vai acabar estragando a viagem toda…
Mas que droga, ela estava certa, nem tinha contra-argumento.
Dandara: aí, me fala, qual foi sua parte favorita do festival?
Antônio: humpf, é claro que foram as lutas, o que mais eu poderia gostar
Saytus: humpf, não sei, talvez da adoração dos totens? os grandes eventos “entre shows” que eram as grandes fadas anciãs fazendo shows psicodélicos pra todo lado? Ou quem sabe as apostas que o pessoal fazia sobre quem iria vencer? Tem tantos, escolhe um
Antônio: quer saber, esquece, a luta ainda é melhor do que tudo isso.
Então, a Saytus parou de falar, e apenas me olhou, um olhar que todo mundo que interagia muito comigo fazia de vez em quando, eu até podia adivinhar o que ela iria falar agora.
Antônio e Saytus: a cada dia, sinto que eu te entendo cada vez menos.
E quando a Saytus percebeu que eu adivinhei o que ela iria falar, ela ficou com tanta vergonha que até considerou cair do cavalo e se enterrar em um buraco pra se esconder, mas antes dela fazer isso, a Dandara nos chamou.
Dandara: AI, VOCÊS PODEM IR UM POUCO MAIS DEVAGAR!?
Então eu vi, nós estávamos muito na frente da Dandara e do Brutus (se bem que eu tinha certeza que o Brutus ficou pra trás pra não deixar a Dandara sozinha) então agente diminuiu o passo, pra ficarmos juntos com elas.
Quando nós 4 ficamos juntos de novo, eu senti uma tranquilidade que nem pensava ser possível naquele momento, porque eu tava sentindo como depois de um ano de calmaria, sossego e brincadeiras simples, tudo estava lentamente voltando ao normal.
As aventuras doidas que eu amava ir e que tiravam meu fôlego todas as vezes estavam de volta, com uma coisinha bem importante de diferença, eu não estava mais sozinho, seja com esses tres, ou apenas com minha linda e querida esposa, eu sentia como minhas aventuras iriam ficar bem mais interessantes a partir de hoje.
Antônio: que novas aventuras será que eu vou passar?
Dandara: nao faço ideia, mas eu to pronta pra ir pra qualquer lugar com você
Brutus: eita, é melhor agente se afastar, os dois tão começando a entrar no mundinho deles.

