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A passagem de uma vida🌻3
🙂‍↕️🫡sim capitão🫡🙂‍↕️
1947 palavras • 10767 caracteres • ⏱ 7 min 47 s

🙂‍↕️🫡sim capitão🫡🙂‍↕️

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Eu subestimei a paciência que meus amigos tinham comigo, porque apesar do nome doido que eu falei pro grupo, nenhum insulto, uma batida nas costas forte demais, ou qualquer coisa que pudesse representar uma vingancinha foi jogada pra cima de mim.


Eles não tinham nada para falar pra mim, pelo menos nada ruim e eles sequer pareciam estar escondendo qualquer coisa em seus olhos, eles estavam tranquilos, mas talvez as roupas que eu consegui tenham amaciado o humor deles.


O uniforme que eu consegui era azul escuro, com estrelinhas brancas espalhadas e com detalhes azuis mais clarinhos nos buracos pro braço e a cabeça. Mas esses detalhes eu nem dava muita importância, quando pedi as peças, dei um grande detalhe ao costureiro sobre como as roupas precisavam ser confortáveis, não podiam ter etiquetas ou enfeites que pinicavam, e que elas deviam ser largas, dar espaço pras pessoas respirarem, e o mais importante era que elas precisavam ser fáceis de lavar, não falei de forma chique ou complicada, mas quanto mais eu falava, mais certeza eu tinha que o costureiro entendeu o que eu queria, e quando vesti o uniforme pela primeira vez, fiquei impressionado que ele fez exatamente da forma que eu queria, porque, de certa forma, eu mesmo não sabia o que eu queria, mas o costureiro fez exatamente o que eh pedi.


Claro que um uniforme daqueles não foi barato, mas como tava indo do bolso de cada um, foi mais tranquilo, e as caras que eles fizeram quando eu falei o preço da roupa mostrava quanto eu tinha exagerado, mesmo assim, o Davi e o Brutus compraram, sabendo que eu nunca teria desviado o dinheiro ou feito uma roupa mais cara atoa.


Brutus: vamos lá pessoal, seja lá o que o Tony falou com o costureiro pro preço ficar tão alto, sei que vale a pena.


E com o Brutus começando o movimento, todo mundo acabou comprando também, quando cada um colocou os uniformes, eles se sentiram ótimos, tudo era tão confortável, livre e bom que eles pensavam estar sendo abraçados por uma nuvem fofinha. 


Bom, isso era o mais normal, afinal, a palavra chave da minha maldição era “super” mas o “sentido” era bem importante também. O que eu sentia era algo que todo mundo sentia, só que numa intensidade bem maior, o incômodo, a arrogância que muitas pessoas conseguiam ignorar,  eu não conseguia, mas Assingulares também sentiram isso. E esses incômodos não existiam nessa roupa, parecia algo insignificante no início, mas com o passar do tempo, eles iriam entender certinho o que fazia aquelas roupas tão especiais.


Eu achei que eles iriam ficar irritados quando vissem o nome do time que eu criei, mas eles estavam tão felizes com as roupas que eles nem pareciam ter notado o nome nas costas do uniforme, e eles estavam tão ocupados gostando das roupas que eles não notaram o nome nas costas deles nem quando agente foi até a pista de boliche e todos começaram a rir deles pelas costas, eles pareciam estar em um mundinho que apenas as roupas conseguiam dar a eles.


E apesar de estar ansioso pra que eles notassem o nome, eu estava muito feliz em ver como eles estavam jogando melhor com as roupas, era como se, só com as roupas, eu tivesse diminuído todo o stress que eles passavam sem nem saber, eu sabia porque, na metade do jogo, cada um de nós já tinha feito pelo menos 3 Strikes, e enquanto agente tava se preparando para a próxima rodada de golpes, o João falou comigo, mas ele não parecia pronto pra falar o nome do time.


João: aí, é como se eu tivesse vestido minha cama, tenho que tomar cuidado pra não acabar dormindo sentado, que tipo de feitiço colocaram nessas roupas?


António: nenhum feitiço João, eu apenas pedi algo super específico pro costureiro e ele me deu isso


Davi: SEM MAGIA, IMPOSSÍVEL.


O Davi veio até nós(sim, hoje era o dia dele de ficar no corpo), depois do que, eu pensava, ser um spare quase perfeito, deixando apenas dois pinos no final, mas logo isso seria posto no lugar de novo.


Davi: é realmente possível algo ser tão confortável assim, sem magia?


Antônio: é exatamente porque não tem amiga que é tão bom, esse tecido não tem que lutar com um feitiço ou se moldar a vontade de ninguém, ele apenas já é assim, e esse tipo de coisa pode fazer uma diferença enorme quando você apenas tá tentando relaxar e não sentir como se a magia e a roupa que você usa estão lutando, e estão empatadas.


Hummmm, falei demais, então vi o Jay pegando a bola dele, de forma tão tranquila e relaxava, que o arremesso dele era irregular, como se o corpo dele tivesse virado um macarrão mole, e o mais doido é que ele conseguiu ainda fazer um spare perfeito com 5/5 em casa turno, wow, era incrível ver isso acontecer, eu tinha certeza que o Jay tava dormindo e deu um jeito de virar um sonâmbulo no meio disso.


Jay: (voz de sono) você já passou por isso


Antônio: é, e eu já passei tanto tempo com isso que eu não tenho paciência mais pra roupas desconfortáveis, (cutuca mesa com o dedo) agora é conforto ou nada.


Eu falei aquilo apenas sobre as roupas, mas eu e todos ali conseguimos sentir que não era apenas de roupas que eu estava falando, pessoas irritantes, ambiente irritantes, comidas irritantes, eu gosto muito de coisas novas, mas eu também havia aprendido a rejeitar as coisas que não me faziam bem, e entender que não vale a pena passar por certas coisas, eu não precisava mais me conter, e eu não ia perder mais 1 segundo passando por coisas desnecessárias, não mais.


E então eu lembrei que era a minha vez, e fui lá, e mais uma vez, eu consegui um strike, era o quarto da noite já, era impressionante o tipo de coisa que dá pra fazer quando o stress saia de sua cabeça.


Antonio: e como vocês podem ver, um conforto maior pode fazer milagres 


Davi: um brinde a isso.


E então, pegando as latinhas de refrigerante que eu, o Pedro e o Davi bebíamos, e as duas latas de cerveja do João e do Jay, nós bebemos. E então, era a vez do Davi.


João: e aí? Agente vai pro torneio?


Antônio: vamos sim


Jay: Tony, você conseguiu um nome pro time? Diz que conseguiu 


Antônio: claro que sim, olha tá marcado nas roupas.


Então eu virei minhas costas, mostrando o nome que eu consegui pro time, tentei pensar em algo melhor, mas eu não consegui pensar em algo melhor que isso “GARIS MENTAIS”. Eu tava esperando gritos, risadas, e até ataques de irritação, mas não, apenas recebi o silêncio de resposta, e quando me virei ela ver eles, os garotos estavam com o rosto mais tranquilo do mundo, como se o nome não tivesse a menor vergonha ou estranheza pra eles, como se eles já esperassem que eu criasse um nome assim.


João: viu o que eu falei? Eu sabia que ele seria um bom capitão


Davi: “garis mentais”. É, gostei disso


Antônio: então vocês, não se importam?


Jay: importar? Como assim nos importar? O nome é ótimo


Antônio: unhun, algumas pessoas não parecem enxergar isso.


Eu falei isso enquanto eu vi um grupinho de pessoas rindo de nós, eu não ligava pra eles, mas achei que o pessoal iria ligar…e agora que eu sabia que eles não ligavam, comecei a sentir que eles não eram tão importantes assim bem longe disso na verdade. E no meio desses meus devaneios, o Davi me segurou pelos dois ombros e depois falou.


Davi: Tony, Tony Tony Tony, Tony. Acho que nós dois sabemos que já passamos do ponto de nos importarmos com o que os outros pensam


Antônio: é…a opinião dos outros que se dane não é


Davi: além disso, olha…


Olhei pro lugar onde o Davi estava apontando com os olhos, e eu vi o placar do nosso jogo de hoje, e então eu vi, agente tinha acabado de jogar…e…o nosso jogo melhorou muito, não era apenas um ou outro, mas a leveza dos novos uniformes era tão incrível, que todos desempenho parecia ter triplicado de performance apenas usando eles, era algo tão surreal que não tivesse provas na minha frente nem eu ia acreditar.


Davi: e isso tudo porque agente ainda tá se acostumando com os uniformes, se agente quiser ter alguma chance no torneio, agente precisa desses uniformes, então mesmo que você tivesse escolhido o nome mais doido e vergonhoso do mundo pra nós, agente teria aceitado.


Depois dele falar isso, eu me virei pra ele, e dei um abraço bem forte nele.


Antônio: ah, Davi, você sempre sabe o que falar pra mim


Davi: aprendi com o melhor.


E com uma risada gostosa, nós voltamos ao jogo, já preparados pra fazer mais uma partida, como capitão, tinha que preparar todo mundo pro grande torneio que agente ia participar.


E enquanto eu batia mais uma grande quantidade de pinos, eu vi um grupinho se aproximando de nós. Duas mulheres, dois homens, e um terceiro que parecia ser uma mistura estranha dos dois.


Estava de guarda alta, não sabia se eles eram bons ou não. Então, um dos homens que parecia ser o capitão deles, falou comigo.


Capitão: ah, não precisa ficar tão sério, só viemos te dar boas vindas pro novo time, eu sou o Beto, atual campeão.


Eu ainda estava com a guarda um pouco alta, porque eu sabia como estranhos podiam mudar de personalidade de forma bem fácil, mas seja o aperto de mão, ou o fato dele ter notado o meu colar de girassóis, ele não pareceu enojado, com medo ou maldoso comigo, e se ele sentia essas coisas, ele sabia esconder muito bem.


Capitão: e aí, vai tentar pegar meu troféu?


Antônio: seu? Engraçado, pelo que eu soube, o troféu não pertence a ninguém até um vencedor ser decidido


Beto: ótima resposta, tá afim de ver meu time jogando?


Antônio: não obrigado, agente só vai participar pra se divertir, não é nada demais


Beto: concordo, é só um jogo…mas é um jogo bem importante pra mim e prós meus rapazes, espero que entenda se você acabar perdendo se continuar com essa atitude.


Eu não fazia ideia do que ele queria dizer com isso, mas não ia cair no joguinho dele.


Antônio: é, provavelmente, mas não vai ter vergonha disso, se meu time perder só vai mostrar que eu tinha muito o que treinar antes de entrar no torneio.


E com um sorriso bem leve, o Capitão falou.


Beto: ainda bem, tô aliviado que não irei competir com crianças…


Ele parou de falar no meio do caminho, vendo o placar que nós fizemos, e ficando bem feliz com o que viu.


Beto: ...vocês serão algo interessante de ver no torneio desse ano


Antônio: e será um prazer concorrer com você esse ano senhor Beto.


E então, sem nenhuma rivalidade idiota, me despedi do senhor Beto, e desejei que nada do que ele fez fosse falso, não sabia se conseguiria aguentar se o que ele fez fosse falso, mesmo em um grau menor.


E então, eu andei de volta pro meu time, eu não vi eles jogando, mas mesmo assim, eu consegui ver que eles estavam num nível bem diferente da gente.


Antônio: todo mundo tá pronto pra um treino mais intenso?


E todo mundo, como se tivesse esperando uma desculpa apenas pra usar o uniforme por mais tempo, foram liderados pelo Davi.


Davi: claroz o que você quiser, capitão.


Sorrindo, eu sabia que aquilo iria ser incrível, haha.


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