E então, nós entramos, não fiquei impressionado com o que eu vi, a grande biblioteca não tinha estantes, apenas um lugar todo cheio de livros, que eram guardados por grandes elfos, que flutuavam no ar, como se estivessem nadando igual pinguins.
Os livros não eram feitos de papel, eles eram grandes tabletes de cristais sólidos com tanto conhecimento e tantas técnicas que eu tava em dúvidas em como era possível um único tablete ter uma técnica inteira nela.
Apesar do choque e fascínio que eu estava passando, nada chegava sequer perto do fascínio que todos estavam passando, não era apenas um sentimento de “isso é legal” eu conseguia ver completamente que eles pensavam “isso é incrivelmente lindo, mas o que é que eu estou olhando exatamente?” Era isso que eles estavam pensando, e como eu tinha levado eles ali, eu meio que tinha o dever de explicar tudo pra eles.
Antônio: contemplem crianças, todo o conhecimento que os nossos ancestrais mágicos acumularam, os registros dizem que além dos feitiços mais poderosos que apenas a família real conhece, e até mesmo o segredo para a imortalidade está dentro dessa biblioteca
Brutus: e, espera, o que? A imortalidade está aqui? Nossos ancestrais? Não foram os elfos ou os gigantes?
Era óbvio que, apesar de todas as coisas incríveis que eles viram, era difícil deles entenderem o que eu estava dizendo, e de certa forma, eu não os culpava.
Antônio: sim, nossos ancestrais, a muito tempo atrás, descobriram a técnica para conseguirmos viver para sempre, ao mesmo tempo que eles entenderam que uma técnica como ela não podia ser conhecida por todos, apenas por aqueles que desejassem de verdade ver o que tinha no fim do caminho, eles confiaram esse segredo aos Elfos, pensando que eles saberiam decidir qual Sapien seria digno desse poder
Dandara: e nós somos
Antônio: é, mas já garanto que vai ser um processo lento, nada instantâneo, então, se vocês já tiverem digerido o máximo que conseguiram, eu já chamarei os livros pra mudarmos nossas vidas pra sempre.
Eu tinha certeza que eles precisariam de muito mais tempo pra digerirem o que eu acabei de falar, mas então, a Saytus falou uma pergunta bem óbvia, mas que os outros dois pareciam com muita vergonha de fazer.
Saytus: como você soube de tudo isso Antônio?
Nossa, eu quase não a respondi, pensei que seria muito constrangedor falar em detalhes que eu pensei que não conseguiria ver o mundo inteiro mesmo se eu tivesse 120 anos de vida, nossa, eu levei quase 30 anos apenas pra explorar meu continente, imagina o resto do mundo. Um dia, um dia eu contaria em detalhes por que eu queria tanto envelhecer mais devagar, mas não seria hoje.
Antônio: digamos que eu queria viver mais, procurei nos lugares certos, uma coisa levou a outra e eu encontrei isso
Saytus: pera ai, você apenas “descobriu” esse lugar?
Antônio: não fala como se tivesse sido fácil, você faz ideia quantas noites em claro eu tive que passar pra encontrar a localização desse lugar? Eu quase perdi a cabeça, mas não perdi
Dandara: parece meio estranho pra mim que algo tão incrível e poderoso como isso pode ser simplesmente encontrado assim
Antônio: essa era a ideia, esse templo é para todos aqueles que anseiam tanto por mais que os tempos humanos permitem a eles, pessoas que não possuem essa ancia não podem encontrar o mapa, e aqueles com desejos malignos não podem entrar no portão, e os fracos que querem pular etapas são mortos no meio da complexa jornada, tudo foi perfeitamente criado para chegarmos nesse templo, agora vamos, vou pedir o livro pra nós
Brutus: e os caras malignos? Tenho certeza que com as técnicas certas, um bandido ou um mago sombrio conseguiria passar sem problema por aqueles testes
Antônio: ah Brutus, você realmente subestima nossos ancestrais, eles pensaram em tudo, acredite rapaz, ninguém conseguiria entrar aqui, a menos que nossos ancestrais quisessem, eu garanto
Brutus: tá bom, se você tá dizendo né, vai, lidera o caminho.
E então, eu me aproximei com bastante cuidado da Bibliotecária, ela era uma elfa também, e me aproximando dela, ela levantou a cabeça pra me ver, esperando, provavelmente, que eu falasse primeiro.
Antônio: ola, eu quero o livro, “casulo de 2 anos” por favor.
E estalando os dedos, a bibliotecária transportou um dos grandes tabletes de pedra, e me entregou.
Todo mundo ainda tava chocado demais pra entender o que estava acontecendo, mas em pouco tempo, eu corri dentro da biblioteca, até encontrar uma grande mesa pra conseguir “ler” o livro ancestral.
Antônio: agora nós colocamos a magia no tablete, vamos, nos 4 juntos.
Então, sorrindo, e um pouco receosos, os 3 colocaram as mãos em cima do tablet junto comigo. E nós colocamos um pouco de magia dentro do tablet, e então, começou. Uma simples luz começou a sair do tablet, mas logo ela começou a se expandir, e então, todo mundo ficou boquiaberto novamente, pois milhares de palavras, milhares de estudos, milhares de técnicas, milhares de feitiços, tudo contido em um único tablet, aquilo era….
Dandara: magia ancestral
Antônio: correto, agora shhhhhh.
Agente continuou vendo a magia ficando cDa vez mais complexa, era como se estivéssemos vendo o começo, meio e fim de um planeta, cada ciclo, cada runa, cada coisa que levaria uma vida inteira pra aprender, mas eu acreditava que nós conseguiríamos dar um jeito nisso, se fossemos pacientes.
Quando o livro parou finalmente, no que parecia ser a página 1, ela tinha apenas um símbolo bem tranquilo e simples de se copiar, de um círculo, com dois sinais de infinito fazendo um X bem estranho, e na parte de cima do livro, estava escrito “primeira lição”. Eu olhei para os outros e nós dois tivemos o mesmo pensamento, nós passamos cada página daquele tablet, e ficamos um pouco aliviados vendo que um tablet tão complexo tinha apenas 50 páginas, bom, era realmente tranquilo, aquilo era um aumento de 1 ano pra 2, pelo amor da Criadora, mas eu tinha certeza que quando chegássemos no quarto ou quinto ano, era aí que as coisas iriam se complicar.
Antônio: bom, é como eu pensei, vai ser impossível de fazer tudo isso em um único dia, gente, escuta, sei que aprender isso deve ser uma das coisas mais complicadas do mundo, então, quem não quiser vir comigo nessa jornada doida, eu vou entender.
E ouvindo aquilo, todo mundo me olhou com um olhar tão incrédulo que eu quase tive certeza que eles iriam inventar outro nome para “incredulidade”. E então, os olhos deles se suavizaram bastante, primeiro a Dandara se aproximou de mim, e ficou abraçada comigo.
Dandara: nem pensando que vou morrer primeiro que você, ainda mais com algo tão doido como a velhice
Brutus: você tá me dando a chance de ser um cavaleiro por mais tempo? É claro que vou aceitar seu doido
Saytus: e você é doido se você acha que agente vai deixar uma oportunidade de ouro assim passar…esse tablete de pedra, eu nunca vi nada parecido com isso, nem morta que eu vou deixar algo assim passar pelas minhas mãos
Dandara: se você vai começar seu arco de vilã pode fazer isso depois?
Saytus: já começei meu arco de vila a muito tempo.
E numa risada, me senti mais aliviado agora do que me senti em qualquer outro momento, o que que eu tava pensando? É claro que eles estariam ali do meu lado, esse era apenas o tipo de pessoas que eu tinha criado amizades, e eu estava muito feliz em pensar que essas pessoas iriam estar ali, do meu lado, em cada tropeço que eu fizesse no caminho.
Antônio: o mundo vai passar ao nosso redor, o que nós achamos importante agora pode mudar, e muitas pessoas queridas podem morrer enquanto nós ficamos aqui ainda, vocês estão prontos para passar por isso?
Dandara: sim
Brutus: sim
Davi(fantoche): sim
Saytus: sim.
Eu fiquei em silêncio por alguns segundos, mesmo olhando tudo na minha frente, era ainda difícil acreditar que eu tinha amigos tão bons assim.
Antônio: eu tenho ótimos amigos
Brutus: fica mais fácil quando você também é um bom amigo.
É, agora eu tinha certeza, eles eram o pessoal certo pra eu dividir essa imortalidade, me deixava empolgado pro que poderia acontecer no futuro, hehe.

