Não achei que aquilo deveria ser algo tão incrível, mas por alguma razão estava bem feliz por mim mesmo, pois hoje eu estava novamente no barco que eu sentia ter abandonado a muito tempo. Um barco onde Brutus, com sua roupa de pescaria já estava me esperando.
Eu entrei no Barco, vendo como ele queria me falar alguma coisa, mas estava pensando na forma certa de me falar aquilo.
Bom, agente teria muito tempo pra pensar naquelas coisas enquanto eu e ele íamos pra parte mais profunda do lago, preparamos as redes, e começamos a pescar. Tendo só nós dois lá, sentia que as coisas estavam bem tranquilas do que na época em que ele levou a Nala pra lá.
E como sempre, o simples silêncio do mar, junto da água salgada e do vento batendo na minha cara me deixou em pura estase por muito tempo. E respirando fundo, Brutus também curtia aquele momento simples onde ele podia apenas respirar e não ter nada nem ninguém tentando falar com ele nesse meio tempo, nenhum barulho, e nada da coisa irritante que passava por nós a cada momento do dia.
Era sem brincadeiras, em momentos assim que eu sabia que podia pensar em qualquer coisa sem ser interrompido.
Dessa vez, apenas deixei meus pensamentos se soltarem um pouco, pensando nos peixinhos lá embaixo, os coitados não sabiam que agente iria caçá-los, em algum momento, agente parou de ser idiotas e burros para nós tornarmos idiotas refinados.
Era irônico como apesar de nós ficarmos tão bom em caçar que agora tinham doidos que caçavam por esporte, enquanto que antigamente, nenhum idiota conseguia caçar um animal sozinho.
Parecia hipocrisia falar isso, mas diferente desses doidos, eu iria me alimentar dos peixes que eu comia, não iria desperdiçar a carne dele usando a carcaça deles como um troféu, bom, sinceramente fazer isso até que não era tão ruim, ouvi até dizer que em alguns lugares, empalhar animais era uma espécie de ritual para proteção, não, não era esse tipo de caçador que eu me referia, eu me referia aos doidos que apenas caçavam pra tirar fotos e depois abandonaram a carcaça ali para literalmente apodrecer, esses não tem o direito sequer de usar as grandes licenças que eles tem tanto orgulho.
Por algum motivo, me sentia um hipócrita falando aquilo, porque se eu, de alguma forma, fosse convidado para um daqueles eventos de caçadas do Rei, eu iria participar, porque eu sabia que podia ficar com a carne quando o torneio terminasse, e eu teria certeza de usar aquela carne da forma certa. Enquanto coletava meu décimo peixe, pensava como a Criadora criou aquele mundo pra nada ser desperdiçado. Então, quando agente terminou de pescar e conseguimos mais de 30 peixes, agente voltou para a terra.
O Brutus parecia pronto pra falar comigo, ao mesmo tempo que ele estava esperando os peixes começarem a fritar pra conversar comigo. Então, eu criei o fogo, já que era minha vez, e ele prendeu os peixes em espetinhos, e quando nos sentamos no nossos respectivos troncos, eu olhei pra chama por um tempo, tinha algo muito legal em apenas ver a chama dançando enquanto ela parecia brigar com os peixes que pescamos por liberdade, até que o Brutus falou.
Brutus: então, como estão as coisas com a Dandara?
Antônio: estão ótimas
Brutus: jura? Ouvi dizer que vocês não tem passado tanto tempo junto
Antônio: agente passa bastante tempo junto Brutus, agente apenas sabe também que nós precisamos de um pouco de espaço, espaço pra gente fazer nossas próprias coisas
Brutus: mas você não tem medo de ela tipo…trair você?
Antônio: claro que não, teria que ser muito inseguro com o próprio relacionamento pra pensar isso, e teria que ser covarde a ponto de querer deixar uma pessoa com raiva de verdade para fazer ela terminar o relacionamento ao invés de você mesmo terminar para trair alguém. E eu não sou inseguro pra isso, e a Dandara tá longe de ser uma covarde que joga a culpa ou a responsabilidade nos outros.
Brutus: hmhmhmhm, é, ela não é assim…então, você tem alguma ideia do que ela faz quando você não tá com ela?
Antônio: ela me disse que vai pra ringues de boxe, às vezes vai pro salão com as amigas, e tem horas que ela vai pra um lance chamado “festa da destruição”...se isso tudo é verdade, então ela tem uma brutalidade que ela gosta de esconder de mim
Brutus: festa da destruição? O que é isso?
Antônio: ah, é basicamente isso aqui, você paga uma taxa pra entrar em um certo lugar, e depois você ganha um martelo, um bastão ou outra coisa do tipo, junto de algum equipamento protetor e então você tem a permissão pra quebrar qualquer coisa na sua frente sem ter que pagar nada. Nesse tipo de festa tem todo tipo de coisa, carruagens, espelhos, armários, sofás, baús, e todo o tipo de coisa dura demais pra quebrar de primeira e frágil demais pra quebrar com um bastão
Brutus: nooooooooossa, você pode perguntar pra ela onde essas festas da destruição acontecem? Eu tô afim de participar, e o Davi com certeza iria gostar de participar também.
E falando aquilo o fantoche do Davi (que naquele ponto eu tinha me esquecido totalmente que existia) ganhou vida, apenas para balançar a cabeça em concordância, e sem dizer mais nada, ele dormiu de novo.
Brutus: e ela sabe onde você vai quando ela não tá com você?
Antônio: é claro, eu sempre conto pra ela onde eu vou. E ela já entendeu que o sábado é o dia do boliche
Brutus: bom saber, mas você fala realmente tudo pra ela? Não tem medo que ela apareça do nada ou algo do tipo?
Antônio: não, porque ela nunca fez isso, agente combinou não ir visitar o outro do nada quando estivéssemos tendo um tempinho sozinhos ou apenas longe um do outro
Brutus: nossa, vocês pensaram em tudo
Antônio: booooom, eu meio que convenci ela a ficar numa sala comigo até eu entender completamente as regras e as novas coisas que eu deveria saber pra entrar nesse relacionamento com ela, não queria cometer erros básicos, se é que me entende
Brutus: ah, eu entendo muito bem…sim, eu entendo muito bem.
O Brutus abaixou a cabeça, mas não de tristeza, era como se ele estivesse contemplando um futuro que eu já tinha uma ideia muito boa qual era e com quem exatamente.
Brutus: espero poder ter um casamento assim um dia
Antônio: unnnn, você não tá pensando nisso também, né?
Brutus: bom, na verdade sim, tipo, você e a Dandara parecem tão felizes, acho que eu quero um pouco dessa felicidade pra mim
Antônio: Brutus, escuta, você não pode fazer isso de forma precipitada, você tem certeza que quer fazer isso?
Brutus: sim, eu tenho, eu só queria falar com você pra ver se o seu relacionamento tá tão perfeito por dentro quanto é por fora, mas pelo que parece, me preocupei atoa
Antônio: nenhum relacionamento é perfeito, nada é, a minha diferença pro relacionamento daqueles que deram errado é que eu conheço minha esposa bem até demais, não escondo nada dela, e o mais importante, eu aceito que, apesar de todos os problemas que o nosso novo relacionamento causa, estou disposto a aguentar isso, porque meu amor por ela é maior que qualquer outro problema que nosso relacionamento cause
Brutus: problemas? Tipo quais?
Antônio: ue? Você não notou? Eu não saio desse reino a quase um ano, as grandes viagens que eu planejei toda a minha vida, eu tô deixando de lado, só pra ficar com ela
Brutus: e ela te pediu pra fazer isso?
Antônio: não, foi uma coisa que eu quis fazer por conta própria, sei lá, acho que eu só queria aproveitar um pouco minha vida com ela, antes de voltar pras aventuras
Brutus: tipo, ter um filho?
Antônio: ah, não, não não não, ter um filho é uma aventura por si só, eu só vou ter um quando eu explorar cada canto desse mundo, e sei que até esse ponto, vai demorar muito ainda
Brutus: a sua família vai ficar te perguntando bastante sobre isso, sobre quando você vai ter um filho
Antônio: deixe eles perguntarem, eu tenho muito que fazer ainda antes de ter um filho e eu não não vou parar até conseguir
Brutus: você não tá com medo desse tipo, ficar velho demais pra ter um filho?
Antônio: velho demais? Essa foi boa, não existe esse lance de “velho demais” pra ter um filho, é esse pessoal todo que é adiantado demais em ter crianças, não estamos mais na época em que ter 30 anos já era ser considerado um ancião, um Sapien saudável consegue viver por quase 120 anos sem problemas, isso tudo sem contar o poder da magia nos corpos, e tem gente que tem filho antes dos 30, colocando isso em perspectiva, quem você acha que está usando o tempo errado aqui?
Um pouco envergonhado, e meio encurralado, o Brutus admitiu.
Brutus: todo mundo
Antônio: exatamente, agora deixa eu aproveitar minha própria vida, tenho muita coisa para fazer antes de abrir a mão da minha vida assim.
Depois disso, os peixes ficaram prontos, e nós comemos com muito gosto. O Brutus parecia estar pensando no que eu falei todo esse tempo, e então perguntou.
Brutus: então, tipo, o que vocês vão fazer antes de ter o filho?
Antônio: tô descobrindo no meio do caminho, eu quero entender como é amar incondicionalmente alguém antes de ter que dividir esse amor com um bebê
Brutus: justo.
E novamente, o Brutus parecia estar mudando muitos planos mentais que ele tava fazendo até que eu falei de novo.
Antônio: a propósito, você vai estar livre semana que vem?
Brutus: vou sim, por que?
Antônio: tem um lugar que eu quero te levar
Brutus: hum, pra onde?
Antônio: ah, é uma surpresa.
Estando já bem empolgado, apenas imaginando o lugar onde eu poderia levá-lo depois de tanto tempo parado como eu estava, o Lobinho estava bem empolgado.
Antônio: você vai adorar
Brutus: vindo de você, eu tenho certeza disso.
E novamente nos deliciando com o peixe que nós mesmos pegamos, sentia que semana que vem seria um momento incrível. Ele

