O Pedro, depois de muito tempo, levou a sua pretendente pra nós conhecermos, ele era muito certinho, de mais de uma forma, então eu tava curioso pra conhecer a senhorita que enlaçou o coraçao do meu irmão, e depois de conversar bastante com ele, consegui convence-lo a impedir que o meu pai participasse daquilo, eu sabia que ele não faria nada idiota, mas depois de tudo que eu descobri sobre o que eu sentia por ele, não conseguia mais ficar na mesma sala que ele, eu fui o mais simples do mundo com o Pedro, era o meu pai ou eu, e colocando nós dois na balança, ele decidiu não contar pro meu pai o que tava rolando.
A minha mãe queria preparar algo especial pra comemorar a primeira vez que nós iríamos conhecer a pretendente do Pedro, então ela fez um macarrão com queijo super especial.
Eu me arrumei todo, usei minha melhor roupa, e até passei um perfume. Eu queria impressionar a namorada do Pedro, porque querendo ou não, eu queria que ela gostasse de mim pra não termos momentos estranhos na família, não, a estranheza que tínhamos com o meu pai já era o bastante.
E no fim, quando ela veio para o jantar, tentei não ficar impressionado em ver que a mulher que meu irmão se apaixonou é exatamente como eu pensei que seria, ela era uma mulher alta, bem alta, ela tinha um cabelo preto como a noite longo e encaracolado a ponto de parecerem parafusos, uma pele morena e olhos desafiadores. Além de um corpo tão musculoso que era nítido que ela era uma cavaleira, de algum grau, mas uma cavaleira.
Tentei não olhar demais, mas era difícil porque, sem nem falar de forma sensual, a senhorita tinha muitos lugares interessantes pra olhar. Até que eu vi ela levantando a mão pra me cumprimentar, ah, então não iríamos brincar de política hoje, ótimo.
???: sou a Clíne, prazer em conhecê-lo?
Antônio: Clíne…certo? Que nome diferente
Clíne: é, eu escuto muito isso.
Graças a deus, ela não parecia irritada que eu olhei tanto pra ela, na verdade, ela de certa forma parecia aliviada. Então, quando chegamos a mesa de jantar, eu vi o Pedro com um olhar que nunca vi ele fazendo, era um tipo de olhar que ele nunca deu pra ninguém e o resto foi resto, deles segurando a mão um do outro, do Pedro a falando que não precisava tentar tanto perto da família dele, e da forma como ela parecia cada vez mais impressionada em ver como nós éramos bem parecidos com o que ela ouviu dele que nós éramos. Tava claro que ela era o tipo de moça que usava a própria máscara por muito tempo, isso me fazia pensar se ela teria uma sombra consciente ou não, mas eu estava me precipitando, era o primeiro encontro que eu tinha com ela.
Antônio: desculpe pela minha falta de educação, minha esposa está trabalhando hoje então ela não pude vir aqui
Clíne: sua esposa trabalha? Que diferente
Antônio: como assim? O que tem de tão estranho em ela trabalhar?
Talvez tivesse sido algo em minha voz, mas a forma que eu falei isso fez a Cleina ficar boquiaberta, até que ela fechou a boca em um sorriso gentil que quase encantou meu coração, quase. Até que eu ouvi um risinho que eu tinha quase certeza que foi o que enlaçou o coração do meu irmão.
Clíne: vocês realmente são irmãos
Antônio: espero que isso seja uma coisa boa.
E antes de responder, a Cleina se inclinou pro Pedro e deu um beijo nele, o que fez ele se derreter quase completamente na cadeira. Eu estava agradecendo mentalmente a Cleina por estar me mostrando tantos lados do meu irmão que eu sequer pensava que existiam.
Clíne: é algo muito bom.
Então ela olhou ao redor, a cadeira que a Dandara normalmente usava estava lá, no lugar, mas a cadeira antiga, aquela que o meu pai sentava, ainda estava lá.
Clíne: ahn, onde tá o pai de vocês?
Antônio: ele foi expulso
Clíne: nossa, o que ele fez?
Antônio: ele usou a mamãe, ele apenas treinou a aura e o caminho da espada dele, enquanto ela cuidava da família, do nome Carvalho, e de todo o castelo, sozinha.
Normalmente, as pessoas que me ouviram dizer mamãe, apenas pensavam nisso primeiro, mas a Cleina parecia bem mais interessada na história. Mas antes de falar qualquer coisa, ela olhou pra minha mãe, uma moça que, apesar de estar bem melhor, ela estava ainda muito machucada. Tendo marcas de maldições que manifestaram em sua pele, em um corpo com ossos frágeis, e em músculos que pareciam prontos a vascular a qualquer momento. Pra mim, minha mãe sempre será o melhor exemplo de que, às vezes, o amor não bastava.
Cline: não precisa me contar os detalhes, tá tudo bem
Antônio: soooooo, digamos, que ele não é bem vindo aqui, eu já desisti dele e a minha mãe também, o Pedro é o único que ainda acredita, mas eu não o culpo, ele teve muito mais tempo pra ser enganado por ele que eu.
Eu respirei fundo, o ódio estava escapando, mas eu o agarrei e o coloquei novamente bem abaixo de mim, porque hoje não era o dia de sentir ódio.
Antônio: mas me fala um pouco sobre você? Estou curioso pra conhecer bem aquela que encantou o coração do meu irmão mais velho.
Cline: não tenho muito o que dizer, apenas que eu sou uma excelente dançarina, e que sou uma pintora excepcional…eu e o Pedro fizemos a mesma aula de pintura juntos, tudo começou com…
Antônio: PAPAPAPAPAPA, desculpa interromper, mas não quero saber mais do Pedro, me fala só de você, por favor.
A Clíne ficou em dúvidas, com certeza não acostumada a ouvir esse tipo de pedido de alguém antes.
Cline: (tosse) você pode me dizer o que quer saber sobre mim?
Antônio: bom, por que você entrou no grupo de pintura pra começar?
Clíne: eu gosto de flores, mas sei que não importa o quão boa uma magia seja, flores são perecíveis, e o meu sonho era conseguir capturar eternamente a beleza da flor em uma pintura
Antônio: e você realizou esse sonho?
Clíne: esse é muito mais, tenho certeza que se eu fizesse um autorretrato seu eu poderia mostrar certas coisas que nem você mesmo saberia sobre você mesmo
Antônio: pode até ser, mas sei que no melhor dos casos, pintar um quadro pode levar horas, e eu não tenho toda essa paciência em minha disposição
Clíne: jura? Você parece um garoto bem paciente pra mim
Antônio: eu apenas pareço garota, eu garanto, não tem nada de paciente em mim.
Enquanto continuava conversando com a Clíne, fiquei feliz como ela parecia mais solta depois da minha sugestão, e olhando para o Pedro, fiquei feliz em ver o quão aliviado ele estava por eu estar me dando bem com a pretendente dele.
Depois disso, a minha mãe puxou um assunto, e a Clíne de novo conseguiu a atenção da minha mãe, enquanto as mulheres conversavam, me aproximei discretamente do meu irmão e falei.
Antônio: olha cara, não fica ofendido, mas a sua pretendente é exatamente igual com a forma que eu achei que ela fosse
Pedro: mas eu não te contei nada dela
Antônio: eu imaginei como seria a mulher que você se apaixonaria, e acredite ou não, ela era igualzinha a Cleina
Pedro: isso apenas mostra o quanto você me ama
Antônio: culpado.
E depois daquele simples papo, eu ri e comi o meu macarrãozinho junto do meu irmão, da minha cunhada e da minha mãe, e apesar da Dandara não estar ali conosco, eu sabia que a Clíne iria se dar bem com ela, diferente da minha visão inicial dela, garota era muito boa de papo, seria divertido ver as duas conversando outro momento.
Antônio: então, sobre o lance do casamento, você realmente vai casar com ela?
Pedro: eu conheci os pais dela outro dia, e apesar do quão intensos eles são, fico feliz em dizer que eu fui aprovado
Antônio: o estranho seria se você não tivesse recebido a aprovação deles maninho, mas tudo bem…hmhmhm, sabe, apesar de eu ter casado primeiro, eu sei que você vai ser pai primeiro
Pedro: (suspiro) ser um patriarca não é fácil
Antônio: pelo menos você vai ter o prazer, ela vai fazer a parte difícil
Pedro: aí eu perdi no argumento.
E com uma risadinha, eu ficava feliz em ver como todo mundo tava mais tranquilo agora, pelo menos o quão tranquilo poderia ficar em conhecer os pais do namorado pela primeira vez, e comigo sabendo que tudo iria ficar mais simples depois, porque se o Pedro realmente a amava, ela deveria ser a cônjuge perfeita, haha.

